domingo, 24 de dezembro de 2017

TENTATIVA DE FUGA (2)

Andei fugindo de uns versos que me assombravam.
(Gesto covarde!)
Um verso louco, impertinente
Me assombrava.
Os dias, as vezes, passavam sem novidade,
Calmos
E me esquecia do danado.
Qual! os versos não descansam
São, isto sim, almas penadas
À espera da libertação.
Aí, o milagre se faz
E o verso vira ave, ninho, amor
Sonetado, em trovas ou livre...
Disseram que não é livre,
É uma lareira,
Luz e calor.


sábado, 23 de dezembro de 2017

OFENSA (2)

Espectral como um fantasma.Álgida.
Atenta há dois séculos
Ao seu derredor,
Gravou no seu bronze
A vida e a morte.
O caso e o acaso.
E
Sob a garoa dolorida daqueles dias,
Mansa e chorosa,
Conheceu
Os pássaros todos,
E viu os seus voos e lhes deu descanso.
Conheceu
Cada casa e árvore que a cercava
No meio daquela praça.
Impotente,
Sentiu a urina dos homens
Nas horas de solidão,
Em toda a sua representativa imponência.


sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

ÁRVORE DA VIDA (2)

Sou como a jabuticabeira
que demora a dar frutos.
Desenvolvo lentamente no pomar da vida.
Sob a minha copa darei abrigo,
nos causticantes dias de verão.
Serão meus frutos do trabalho,
e terão o sabor do tempo que fizer
com a abundância que Deus permitir.


quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

O TREM (2)

O trem partia lento e arrastado,
resfolegando como um animal
fazia um esforço tão desesperado
essa serpente enorme de metal!

Sempre emoção trazia a despedida
no grito rouco do apito do trem.
Alguém ficava olhando a quem partia
e quem partia olhava sempre alguém.

Hoje a partida não mudou em nada
e a dor que fica é uma dor danada
não dói na hora, mas depois se tem

aquela dor, a mesma emoção.
O que ficou só na imaginação
foi a saudade de partir de trem.


quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

COMO ACONTECE (2)

Melhor que silencie este momento
Que a quietude, sim, será suficiente.
Neste instante passado fui atento,
E estarei vigilante no presente.

Toda a atenção que lhe ofereço é plena,
É viva, é doce, é quase uma poesia,
E sendo assim, é mais do que um poema
O meu cuidado e presencial vigília.

Então será o amor que ofereço,
Oferecido o meu amor confesso
Que é puro e casto embora sem pudor.

O verdadeiro amor tem dupla face
Como se a vida já nos preparasse
Desde o princípio o verdadeiro amor.


terça-feira, 19 de dezembro de 2017

TEMPOS SILENCIOSOS (2)

No silêncio, tão denso que comporta um discurso,
Existirão sorrisos ou lágrimas.
Que palavras falar
Quando falar não é preciso.
Você percebe, sente o arrepio que te alcança,
E onde era impossível chega um sopro de esperança.

E que meu tempo não mude jamais,
Para que quando neste tempo silencioso
Possa aproveitar a sabedoria neste modo torto
Pois é do silêncio, destas horas quietas,
Que me chegará conforto.


segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

ACONTECE TODA HORA (2)

Quando foi que ouvi pela última vez: “Cuidado!”. Esta é uma interjeição de prudência, atenção, cautela.

- Cuidado!!!

Os prontos-socorros e hospitais recebem diariamente uma quantidade enorme de crianças com ossos quebrados. É bom que se observe que o osso nas crianças é mais flexível. Ainda assim são acidentes das mais variadas origens: correndo, jogando, andando de bicicleta, queda de braço e, por aí vai.

- O que aconteceu com ele senhora? – pergunta o médico.

- Um amigo disse que ele queria voar e pulou de cima do muro. – respondeu a mãe desarvorada com a gritaria do menino.

O médico segurou o riso devido à situação.

- Pode ser uma fratura, embora acredite que tenha quebrado o braço. Vamos fazer um raio-X.

O menino de dez anos gritava de dor.

Muitas vezes durante a infância ouvi: “Cuidado!”. Nem sempre me dei conta desta interjeição. Explicando melhor, deixei de ouvir travestido de uma autoconfiança que só o menino tem. O perigo não tem o mesmo sentido para o ouvido do menino, para o seu entendimento. Não é coragem, é muito mais a atitude temerária do aventureiro que está em cada um de nós nesta idade. A inocência de se acreditar herói. Típico! A quantidade de ossos quebrados responde por esta ação infantil. A prudência não faz parte do menino que está descobrindo o que pode ou não. A tentativa é uma possibilidade real mesmo que, penso hoje, impossível naquele momento.

Como explicar isto a um menino que está super-herói. Diga:

- Como?


sábado, 16 de dezembro de 2017

LEMBRANÇAS DA ESCOLA (2)

A necessária gratidão aos mestres nem sempre é observada. Nem sempre é prestada. Nem sempre...

- Quem foi a sua primeira professora ou professor?

Afinal, quem foi a minha professora do 1º ano escolar? Quem foi aquela que me fez entender como juntar as letras e formar palavras?

Aquela que me ensinou a tabuada, quem foi? Tenho lembrança de que era uma professora, não sei seu nome e não tenho boletins ou qualquer coisa que valha para identificá-la. Sei que aprendi a ler e fazer contas. Sei que aquela professora foi a responsável.

Estou constrangido visto que não sei!

Hoje, em algum momento, por alguma razão, pensei sobre a minha primeira escola, sobre esta professora.

Tenho a lembrança de ficarmos em fila e cantarmos um hino. Não sei qual deles. Sem segurança alguma tenho a recordação do Hino a Bandeira: “Salve lindo pendão da esperança! Salve símbolo augusto da paz!...”. Após cantarmos íamos em fila dupla para nossas salas. Cada classe tinha sua fila. Lembro-me vagamente de um caderno de caligrafia. Vem-me a lembrança fragmentos da mão suave que segurava a minha encaminhando meus traços dentro das linhas específicas. Existe um cheiro, um perfume qualquer nestas lembranças da minha desconhecida professora. Fica em minha memória a sensação de que chegava a um lugar de aprender e tudo era voltado para que aprendesse.

À hora do recreio tínhamos um lanche e, invariavelmente, na época das figurinhas, jogávamos “bafo” ou, em outras oportunidades bola de gude. Era o momento de trocarmos as figurinhas. As carimbadas tinham um valor bastante grande e dava como retorno um punhado de figurinhas simples que eram usadas para jogarmos. O futebol nunca foi meu esporte, mas à época das figurinhas havia feito uma opção pelo São Paulo Futebol Clube.

O sinal tocava e voltávamos para a classe...

Tento buscar em minha memória a imagem daquela professora, não consigo visualizá-la. Não consigo! Mas em meu coração existe guardada a sua presença entre as lembranças mais agradáveis que a vida me proporcionou.

- Até amanhã professora!


quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

NAMÍBIA (2)

Vim de longe,
Trazendo areia dos desertos da Namíbia em minhas roupas
E
Sua paisagem particular.
O exótico de suas areias multicoloridas.

Vim com a visão de um safári que fiz,
A visão da fauna peculiar à África.

Vim, principalmente, impregnado de areia.

Os ventos mudavam o monte
Desmonte que o vento fazia
Mudavam quase todo dia
Mudando o perfil do horizonte.

E as cores mudavam também
Com o sol que ali refletia
E assim com o sol que subia
Suas cores do sol provêm.

E vim com areia no corpo
Areia multicolorida
Beleza tão cheia de vida
Deserto que parece morto.


Namíbia desta África Austral
Desértica e exuberante
Discreta ainda assim elegante
Faz parte do meu memorial


quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

A CARLOS DRUMOND DE ANDRADE (2)

Tal raiz profunda penetrava as palavras. Delas, extraia toda seiva, todo sumo e as fazia fruto.

Quem há de querer pedir-me
que não chore, não lamente?
Tantas palavras serão,
com a perda de Drumond,
esquecidas mortalmente.

Sendo assim ficarão sós,
as palavras que ele usava,
o sentido tão profundo.
Quem perde agora é o mundo,
com Drumond morre a palavra.

Não todas, é claro, não!
Imitá-lo, quem há de?
Itabira silencia...
um nome o vento trazia
de Carlos Drumond de Andrade.


terça-feira, 12 de dezembro de 2017

FIM DE TARDE (2)

Galopavam em retirada
os raios de sol,
E o seu tropel,
na terra macia da planície,
acordou meu interesse.
Ficava por um instante no ar
aquela poeira luminosa.


sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

TEMPO DO AMOR (2)

Bebida leve o amor que se inicia,
O amor que mostra pleno a sua face,
Com calma este amor que aparece um dia
Como se por toda vida o chamasse.

Mas o amor, bem sabes, é silencioso
Tem o afago de uma suave brisa
É vento calmo, vento venturoso,
Que chega manso, quieto e nunca avisa.

Como saber por quanto tempo dura
O amor que quando chega é só doçura
E será sempre assim quando começa.

Só ofereça o que possa compartir
Prometa apenas o que vai cumprir
Tem o amor o tamanho da promessa