sexta-feira, 29 de setembro de 2017

A NOSSA FACE OCULTA (2)

Todos nós temos o lado fantasiado de nossa personalidade. No bruto: o que não somos. Este lado que pode ser sombrio ou não, depende da fantasia que administra este nosso personagem. É a corrupção do que somos em outra pessoa. Alguém pode perguntar:

- E quem não tem este outro lado?

Acredito que ninguém escapa desta alteração de caráter por mais dócil que seja. Crescemos tendo o lado que alimenta estas fantasias em nossa formação. Veja se não é verdade: quando pequenos podemos ser bandidos ou mocinhos no nascedouro destas nossas mudanças. Assim vamos sonhando ser o que não somos e isto acaba sendo sedimentado dentro de nós, de forma agressiva ou não, dependendo da personalidade em formação. O uso adequado poderá ser muito útil nas mais diversas circunstâncias e pode ser fundamental em vários momentos de nossas vidas. No formal, no dia a dia e, muito usado no social. A maioria das pessoas veste uma roupagem diferente, não tem como não ser assim. O que não podemos permitir, ou melhor, não devemos deixar acontecer é o personagem de passagem tomar conta. É quando a fantasia desanda para caminhos obscuros.

Assim, vamos usar a nossa fantasia de Carnaval apenas no Carnaval, fora deste contexto a fantasia fica ridícula.

Vejo que vou continuar com minha face oculta, oculta de todos menos de mim mesmo.


segunda-feira, 25 de setembro de 2017

ESTA PAISAGEM DE TELHADOS (2)

Esta paisagem de telhados
cor de terra,
nesta manhã azul,
entra pela minha retina
alegremente.
Algumas árvores se sobressaem
aos telhados.
São seres estranhos
neste mundo marrom.
Fico estático ante a maravilha
deste mosaico,
e saio de casa com a sensação do barro
e da gênese.


sexta-feira, 22 de setembro de 2017

O CALDO ENTORNOU (2)

Aí, em certo momento você se encontra em uma situação que nunca pensou estar. Parece sem saída. Parece definitiva. Enfim a sensação é de que as coisas ruíram. Nada mais tem sentido.

- O caldo entornou!!!

Quando olhamos mais para nós mesmos deixando o que está ao redor fora desta análise, erramos de forma brutal. Neste momento em que tudo se mostra contrário ao que queremos é que devemos olhar o todo. Quando nos inserimos no todo, ficará fácil verificar que nada é como se desenha nesta circunstância.

Se deixarmos as coisas acontecerem desta maneira, olhando apenas para nós mesmos, vamos entrar em um redemoinho negativo que nos levará de vez a este poço profundo: a depressão. É disto que falo aqui.

Então, para amenizar a situação em que acreditamos que nos inserimos:


- Pare!

Pare de dar valor ao que não tem importância relevante.
Pare de imaginar inimigos.
Pare de encontrar razões onde razões não existem.
Pare de cobrar de quem não tem como pagar.
Pare de sofrer e sentir dor sem ferimentos.
Pare de pensar que os outros estão errados.
Pare de guardar mágoas vencidas pelo tempo.
Pare de perder tempo imaginando o pior.
Pare de fugir dos problemas que são apenas seus.
Pare de se apegar ao passado.
Pare com a competição desastrosa e fútil.
Pare de se explicar tanto.

Apenas, tão somente apenas, viva; um pouquinho para você e, em porção generosa, para o outro. Não teremos tempo para desarranjos mentais.


quinta-feira, 21 de setembro de 2017

EXERCÍCIO (2)

Não me peça o que não tenho
Não me dê o que não quero
Pois irei franzir o cenho
Poderei sair do sério.

Não sabendo o que dizer
Ficaremos bem calados
Assim pode parecer
Que nós somos ilustrados

Pois quem fala por falar
Vai falando sem pensar
Esgota nossa paciência

Leia um pouco, é importante
Leve a sua vida adiante
Exercite a inteligência


quarta-feira, 20 de setembro de 2017

MANHÃ NA INFÂNCIA (2)

O cheiro do café de manhã é o primeiro acontecimento do dia, enche de alegria qualquer casa. Tenho lembrança de ficar rodando o torrador de café por sobre o fogão de lenha enquanto minha mãe preparava o leite e o pão com manteiga. O barulho dos grãos à medida que rodava o torrador ficou gravado definitivamente. Não era sempre que fazia já que a quantidade de grãos torrados dava para fazer várias coadas de café. Depois, colocava uma quantidade de grão torrados no moedor manual e preparava o café moído. Recordo que minha mãe tinha uma medida que dava a exata quantidade do café que ela prepararia. Algumas vezes, um ou mais grãos travavam a rosca sem fim do moedor e tinha que pedir a minha mãe que destravasse já que minha força não era suficiente naquele momento. Destravado o moedor, continuava o meu trabalho. Enquanto isto a água já estava chegando à fervura em uma grande chaleira. Era muito bom este momento, pois a friagem da manhã era espantada pelo calor da lenha que queimando estalava dentro do fogão enquanto aquecia toda a cozinha. Nesta época não tomava o café puro, apenas no leite; mas o cheiro do café, aquele cheiro, era tudo. Neste período da minha vida, meus seis anos eram capazes de torrar o café e moê-los. Havia um pequeno banco sobre o qual me instalava para poder fazer estas atividades já que o fogão e o moedor ficavam acima da minha pequena estatura. Hoje, seria um absurdo uma criança de seis anos próxima de um fogão.

- Já pensou?

Graças a Deus não era proibida esta atividade e consigo falar sobre esta doce lembrança.


terça-feira, 19 de setembro de 2017

RUA ANTIGA (2)

Na rua da qual falava,
Nesta lembrança fugaz,
Tinha uma enorme figueira
Que hoje não existe mais.

Naquela figueira enorme
João-de-barro fez morada.
Não vejo mais passarinhos
Nem joão-de-barro nem nada.

Hoje a rua é muito quieta
Serve apenas ao poeta
Como um triste recordar

Construir outra poesia
Sobre esta rua vazia
Que um dia foi seu lugar



segunda-feira, 18 de setembro de 2017

QUANDO SABEMOS QUEM SOMOS (2)

A prepotência se instala quando perdemos o senso do direito e do correto. Um pequeno cargo e, pronto, a prepotência aparece no cidadão que era cortês e polido. Sabe-se lá o que acontece na cabeça de algumas pessoas, para mudarem de forma tão radical a sua postura quando elevadas a cargos onde a posição assumida lhes dá a sensação (presunção) de poder. Deve ser resultado de problemas pessoais mal resolvidos.

É isto! Este cidadão ainda não sabe quem é, não se posicionou na vida.

Em qualquer situação de mando ou superioridade tenho profunda admiração por aquele que consegue ser humilde sem perder a posição. Educado mas enérgico. Enquanto planeja, organiza, comanda, coordena tem como foco passar o conhecimento para ter uma equipe atuante e produtiva. Quem é competente não tem porque ter medo de passar o conhecimento. Sabe quem é.

É verdade que existem líderes diferenciados dentro de uma empresa. Observamos que um chefe dentro de uma organização está ali por direito, por tempo de serviço, mas é comum termos um funcionário que tem a liderança de fato, pois tem a influência necessária para mudar a opinião e comportamento de todos. O chefe inteligente vai usar este funcionário a seu favor por outro lado, o prepotente possivelmente vai demiti-lo.

Estes dois líderes pelo exemplo, jamais serão prepotentes ou arrogantes, sabem que são.

É assim, quem sabe o que é se posiciona de acordo.


sábado, 16 de setembro de 2017

DESCOBRINDO (2)

E esta vida vai passando
Nos caminhos percorridos
Corro um pouco depois ando
Com meus pés tão doloridos

Afinal pra onde vou
Se não sei de onde vim
Se não sei quem é que sou
E o que a vida quer de mim

Da minha vida não sei
Acredito que a razão
Razão porque tanto andei

Foi que a estrada percorrida
É a perfeita descrição
Do que quero para a vida.


quinta-feira, 14 de setembro de 2017

SOBRE OS VENTOS (2)

Chegou à época dos ventos. Acordei de um cochilo com as folhas das árvores cantando orquestradas por um vento mais forte.

“Vento que balança as palhas dos coqueiros”, segundo “Fernando Mendes”, o autor desta música tão conhecida. Ele, o vento, balança as palhas e levanta poeira. Estamos em meados de Julho e eu esperava os ventos mais para o mês de Agosto.

- De onde veio este vento?

- Sei lá!

E o vento carrega em seu bojo a notícia do serviço de meteorologia de ontem na TV:

- Este vento está trazendo o frio do Sul.

De fato o frio está chegando junto.

A diferença de pressão e temperatura entre as camadas de ar formam os ventos. É interessante notar que alguns destes ventos têm nome próprio por sua constância e ocorrência. Fui à busca de informações na web e consegui encontrar no BLOGDOSVENTOS as informações abaixo:

Aracati – nome que dão no Ceará a um vento forte que no verão sopra de nordeste.

Carpinteiro da Costa – temível vento sueste que sopra na costa nordeste do Brasil

Minuano – vento de origem polar que sopra do quadrante sudoeste no Rio Grande do Sul durante o inverno. Costuma soprar com violência depois da chuva. Vem dos Andes e passa pela antiga zona dos índios Minuanos, que habitavam os campos do sul, daí vindo seu nome. Também sopra em Santa Catarina e no Paraná.

Pampeiro – vento sudoeste que sopra na costa Brasileira e Argentina, acompanhado de chuvas, cuja duração pode ir de 6 a 26 horas. É um vento tépido e com rajadas violentas.

Eu já havia ouvido falar de outros ventos conhecidos, mas conhecia de nome apenas o Minuano.

O vento é requisitado e mal falado dependendo do dia. No calor, reclamamos porque não venta:

- Você já reparou que nem nas partes mais altas das árvores tem qualquer movimento?

- É podia ventar um pouco para refrescar.

Nos dias frios:

- Este vento está deixando a sensação térmica da temperatura abaixo de zero.

- É verdade!

Assim somos nós: se venta é ruim, se não venta também!

Um bom dia a todos, ou melhor, dentro do tema: bons ventos os guiem.


quarta-feira, 13 de setembro de 2017

DAQUILO QUE É CONTAGIANTE (2)

A expressão de alegria contagia. Muitos de vocês já devem ter visto este vídeo que trafega pelo Facebook. No momento em que vi tinha quase 400.000 visualizações. Um cidadão abre seu laptop e começa a rir, gargalhar. Algumas pessoas olham com espanto ou pouco caso, logo em seguida intrigadas por tanta risada esboçam um pequeno sorriso e, de repente, não mais que de repente, todos estão rindo. Não sabem por que, não sabem do que, apenas riem e se divertem.

Rir é um relaxante muscular, como se viu acima une as pessoas, aumenta a felicidade e assim, elimina o stress. Não tem melhor forma de comunicação do que o riso, pois veja que não é necessário conhecer quem ri para acabar rindo junto. Será fácil conhecer esta pessoa que carrega a alegria junto de si.

Que forma fantástica de apresentar-se: rindo!

“Rir é o melhor remédio”. Este é um ditado bem definido.

Tenho viva a lembrança da quantidade de vezes que, socorrendo os filhos com pequenos machucados acabava por fazê-los rir. Era uma atitude automática e natural. Sem nenhuma informação científica sobre o assunto fazia como acredito que muitos pais fizeram.

Quando vamos a uma festa ou reunião mesmo que em situação diferente do nosso dia a dia, nos municiamos com sorrisos e vamos atravessando o momento. Mesmo aquele sorriso tímido é fatal: conquista! Quebra barreiras, rompe defesas.

Ofereça um sorriso como um gesto natural, será irresistível.


segunda-feira, 11 de setembro de 2017

DO TEMPO QUE PRECISO (2)

Passou por mim um pedaço do tempo fugindo do velho relógio. Parecia afobado em busca de outro relógio ou de alguma coisa que o controlasse. Sim, o tempo só existe quando controlado caso contrário não será tempo. Não será nada.

Será?

Nós, algumas vezes, temos a sensação de que o tempo parou. Em um momento especial, único. Pense!

- Vejo que você se recorda deste instante maravilhoso!

Acontece que existem horas em que tempo não passa. Veja que estou dizendo “existem horas”. Ora, isto é marcação de tempo: as horas! Como tenho que desenvolver este texto procuro caminhos ao longo das horas para cumprir minha tarefa do momento: escrever. Necessito tempo, preciso de tempo e, quantas vezes ele não me ajuda, não se prontifica. Corre mais do que a minha capacidade de buscar assuntos e transcrevê-los. Quando vejo:

- Nossa já são sete horas!

E o meu texto ali, parado, estacionado no parágrafo incompleto.

- Mais tarde retornarei!

Assim é que acontece. A velocidade do tempo é inversamente proporcional a nossa necessidade. Se tivermos uma festa para ir, o tempo não passa; a hora não chega. Se tivermos um trabalho para entregar o tempo nunca é suficiente.

Nesta briga de quem pode mais sempre perco, porque o tempo não muda a toada e não perde a passada.


sexta-feira, 8 de setembro de 2017

A CASCA DA FERIDA (2)

Todo mundo já teve aquela queda que causa uma ferida extensa embora sem outros males. Aquela queda na rua, o tombo da bicicleta. Seja como for, mesmo não sendo nada gravíssimo, é dolorido. São acidentes cuidados de forma bem simples, tratamos e, com pouco tempo, forma-se no local aquela casca sobre a ferida: a cicatrização. Tenho certeza que a maioria de nós não resiste e começa arrancar àquela casca mais grossa devido, principalmente, a coceira que se origina ao redor. Sabemos que não vai dar certo, mas assim mesmo, vamos “futucando” até tirá-la.

- O que acontece?

A ferida está aberta novamente. Agora não tem jeito, precisaremos de paciência, pois deverá haver uma nova cicatrização. Aguardar que seque e que, com o tempo, a próxima casca caia naturalmente.

Estas feridinhas são como os pequenos incidentes diários em nossas vidas que deveriam ficar apenas no acontecido e, pelas razões acima expostas, deixá-los no esquecimento. É, é isto mesmo, deixá-los no esquecimento, pois serão como aquelas feridas, cicatrizarão e esqueceremos o incidente. O que acontece é que muitas vezes, como nas feridas, não deixamos que cicatrize. Vamos mexendo e a ferida volta.

Em nossas vidas, deixamos algumas pequenas feridas abertas o tempo todo. Não deixamos que cicatrizem. Assim estas diminutas feridas serão transformadas no que causará o mal maior. Tem data de aniversário esquecida que nunca foi perdoada. É uma ferida aberta!

Não tem lógica!

Assim como este exemplo citado, outras situações sem importância serão mantidas infernizando a vida de alguém por muitos anos.

Deixe as feridas e arranhões do dia-a-dia serem o que são: incidentes que devem ser esquecidos.

Viva, mas viva agora: O PRESENTE!


quarta-feira, 6 de setembro de 2017

REPETIÇÃO (2)

Repetir constantemente uma ação é transformá-la de inadequada em perfeita. Este é o grande desafio dos esportistas, dos estudiosos: repetição. A forma de aprender a batida, o lançamento, a tacada, a distância da cesta, a fórmula matemática, a braçada, etc. Fácil entender que os que se sobressaem em qualquer campo, mesmo que sem saber, são campeões em repetição. É a fórmula mágica do conhecimento, estas atitudes de repetir gravam e se fixam de tal forma que se tornam automáticas. Ou seja, conseguimos fazer de forma quase que inconsciente uma tacada certeira porque a repetição de anos deixaram as informações corretas em nossa mente e músculos. Algumas vezes ouvimos pessoas que usam expressões fora dos padrões convencionais, mas de forma tão natural que nos encantam. Absolutamente natural e compreensível. Quando ouvimos não percebemos nenhum pedantismo no falar, apenas ouvimos alguém que sabe do que fala e porque fala. Ficamos encantados porque vemos a palavra sendo usada na sua forma mais adequada e fluente. Mais, aprendemos quando temos estas oportunidades de contato com estas pessoas que repetiram a exaustão termos que deveriam ser naturais. Estudo neste caso, a palavra é estudo. Posso repetir: repetição.

Eureka! (Foi o que exclamou Arquimedes ao solucionar um problema que o afligia).

Descobri a fórmula do bem viver! Treino, treino diário. É assim que será!

Comece agora com pequenos gestos, atitudes que trarão retorno imediato. É treino, portanto vamos repetir todos os dias.

A repetição do bem em bem se propaga.


terça-feira, 5 de setembro de 2017

COMO UMA ORAÇÃO (2)

Senti sua presença
Voando baixinho para alcançar as flores
Sugar o néctar
Viver.

Batendo as asas
Rapidamente,
Alimentou-se
e
Partiu.

Meu cachorro latiu
Um latido baixinho
De quem se despede de alguém.
Olhei o pássaro partindo
Agradeci o momento:
- Amém!


segunda-feira, 4 de setembro de 2017

NESTOR (2)

Nestor era matreiro, ladino e implicante. Não que fosse assim para merecer os adjetivos citados, apenas gostava da sua roupagem, do seu personagem.

Sim, ele era implicante!

Era o cara que dava nó em fumaça e, ouvi dizer, fazia chover pra cima.

Com estas particularidades tão pessoais conseguia manter ao seu redor um grande número de amigos. Muitos se perguntavam como ele conseguia manter estas amizades. Sabe-se lá! Tem coisas que não tem explicação e, a bem da verdade nem interessam. Quem era amigo do Nestor era amigo e pronto. Não se explica uma amizade destas. A sua facilidade em fazer amigos era interessante, pois de forma alguma mudava a sua maneira de ser. Reclamava de tudo e de todos. Quando serviam algum salgado lá vinha à pergunta:

- Não tinha pastel com bacon onde você comprou este?

- Nestor, não tem pastel com bacon.

Quando vinha um pão de queijo a pergunta se repetia:

- Não tem com bacon?

Era uma atitude irritante que se transformava em cômica e, com o tempo, em jargão. Assim, quando serviam algum salgado e ele ia começar a perguntar se tinha bacon, todos em uníssono diziam:

- Não, não tem com bacon!

Dentro de suas artimanhas, usava vez por outra algumas tiradas muito engraçadas que apareciam do nada. Certa vez ao final de uma reunião ele atirou:

- Preciso voltar logo para casa!

– Por que Nestor?

- A minha fada madrinha me disse que se eu chegar em casa depois da meia noite meu carro vira um BMW.

- E daí?

- Daí que eu não vou ter dinheiro para pagar o IPVA e seguro de um carro destes então, preciso sair agora!

E foi!


domingo, 3 de setembro de 2017

O SILÊNCIO DA CASA (2)

No silêncio da minha casa estão guardados
A sete chaves segredos
Risadas, choros e medos
Debaixo de cadeados

No silêncio desta minha casa ainda vivo
Com fantasmas graciosos
Acanhados e amorosos
Que me deixam pensativo

No silêncio desta enorme casa ainda estou
Brincando de esconde-esconde
Aonde vou me esconder, aonde?
Tudo é parte do que sou

Vou descobrindo que a casa é mesmo pequena
O que é grande onde moro
São os momentos que adoro
Nesta vivência tão plena


sábado, 2 de setembro de 2017

CONDICIONANTE (2)

Hoje poderia ser um dia especial. Veja que quando uso “poderia”, um condicional, estou inseguro quanto a minha expectativa. Fico revendo a sentença: “Hoje poderia ser um dia especial”, parecendo um desejo de alguém que não sabe o que quer. Acredito que minha bola de cristal ou minha crença não estão dando suporte para minhas previsões. Se assim fosse eu teria dito: “Hoje será um dia especial!”. Veja que diferença entre uma colocação e outra. Demais a mais não é uma previsão, é apenas uma expectativa, repito!

- Aroldo, você não vai levantar?

- Hoje vou dormir até mais tarde.

- Querido, hoje é uma Segunda Feira.

- Sim eu sei!

- E então?

- Fui despedido do emprego.

- Como?

- É o que disse, fui despedido.

- Porque não me disse quando chegou?

- Não quis estragar o fim de semana, a festa de aniversário da Paulinha ontem.

Paulinha era a única filha do casal e esperava com ansiedade a festinha que os pais haviam prometido.

Aroldo “poderia” ter dito na Sexta Feira quando chegou em casa, preferiu não dizer. Ele quis que a filha tivesse uma festa de acordo com o prometido. Foi assim que aconteceu! Paulinha “teve” uma festa alegre. Opção feita! Se ele tivesse dito a sua esposa com certeza eles não “teriam” uma festa como a que aconteceu. “Teria” sido triste.

Quando existir uma situação onde haja uma condicionante em jogo, faça a escolha mais adequada. Você nunca se arrependerá.

A diferença entre o condicional e o afirmativo:

“Eu poderia!”. Cabe aqui um “mas”, aí está uma conjunção adversativa, veja que existe uma limitação no “mas”.

“Eu posso!”, é definitivo!


sexta-feira, 1 de setembro de 2017

PROCURANDO (2)

Onde ficou a magia o encanto
As palavras tão atentas, meigas.
E aquele gesto?
Meu Deus aquele gesto!
Você dobrava o indicador e o prendia entre os dentes.
Pensava, sonhava, não sei!
Sei que era encantador.

E as lágrimas do seu choro quieto
Ao final de um filme romântico.
Tantas vezes senti o sal das suas lágrimas
Em minha boca.
Tantas vezes entendi o enredo naquele momento.

São estes versos um protesto
Porque não te vejo mais
Não sei de ti
Não tenho paz

Se assim está a minha vida
Não sabendo onde encontrá-la
Nem sabendo pra onde vou
Me pergunto:
- Onde estás?
E me escuto resmungando:
- Onde é que estou?