quarta-feira, 30 de agosto de 2017

DECIDINDO (2)

Vida louca que anda solta
Sem controle, sem cabresto
Sou canhoto não sou destro
Minha escrita é muito pouca

Pra que possa ser honesto
Grito ao alto com voz rouca
Se este canto a que me presto
Nesta pobre vida louca

Vai servir de alguma ajuda
Pra mudar este cenário
E este cenário não muda

Com a minha pobre fala
O meu verso é um comentário
De quem consente e se cala.


segunda-feira, 28 de agosto de 2017

AS INFINITAS OPÇÕES PARA SER INFELIZ (2)

Se você não se conhece profundamente, pode ter motivos para ser infeliz porque suas imperfeições estarão escondidas do seu conhecimento. Buscar encontrar dentro de você estas falhas trará uma sensação de bem estar ou podemos dizer: felicidade. Veja que não precisará corrigir as falhas de imediato, apenas conhecê-las trará uma sensação de controle e, por conseguinte, uma sensação de Paz e, na sequência uma agradável sensação de felicidade. Afinal, conhece-se o que incomoda. Fica mais fácil controlar. Pode-se dizer que somos como somos e assim mesmo felizes. Como diz o título acima: “As infinitas opções para ser infeliz” estão dentro de nós. Sim, são muitas e dependendo do estado de espírito de cada um pode ser ampliada a enésima potência. Não se permita!

A grande sacada é que a felicidade ou infelicidade estão ao alcance de cada um e a opção da escolha é individual. Sim, porque uma ou outra dependerão do seu estado de espírito. Depende do que deseja a si mesmo.

Não ter dinheiro, talento, beleza, inteligência não é motivo para infelicidade. São condicionantes oferecidas a uns e a outros não.

- Sabe a loteria?

- É igual!

Alguns ganham outros não. Ter estes extras em nossas vidas não muda o fato para sermos felizes ou infelizes.


sábado, 26 de agosto de 2017

ESPERANÇA (2)

Esperança é acreditar naquilo que se pretende; é fé; pode estar depositada em alguém ou em alguma coisa.

Originária do latim é derivada de “spes” que tem o sentido de “confiança em algo positivo”. Derivando dela originou-se o verbo “sperare”, que para nós chegou em “esperar”. Em latim significava “ter esperança”.

A confusa seita daqueles que cultuam a esperança tem mais seguidores que qualquer das religiões. É uma crença gratuita, sem ofertas, sem pastores, cujo dogma fundamental é: esperar acreditando. Dogma é aquilo que você pensa que é verdadeiro, certamente de uma forma bastante simplista, isto porque podemos adentrar em discussões sobre a palavra que trariam versões com os mais variados entendimentos. Alguns fundamentos dogmáticos, de algumas religiões, têm crenças básicas que devem ser seguidas e respeitadas por seus seguidores.

Pois bem, esta seita, a esperança, é propagada via oral quando muitas religiões têm seus ensinamentos escritos como a Bíblia cristã, o Alcorão islâmico, o Torá judaico e outros. Seita esta que aceita dos seus seguidores toda e qualquer sorte de pedidos visto que não tem mandamentos ou restrições:

- Ela vai voltar! – esperança amorosa.

- Desta vez eu ganho! – esperança esportiva ou lotérica.

- A operação correu bem. – esperança na medicina.

- Na outra ele apanha! – esperança na revanche.

- Vou conseguir este emprego! – esperança trabalhista.

A pessoa adere a esta seita, a esperança, quase que no automático, sem perceber. A criança chora esperando o peito da mãe, assim que ganha pela primeira vez, já é um adepto da seita. O choro é a sua prece.

É interessante notar que ninguém abandona a esperança mesmo que não alcance o seu objetivo esperado para aquele momento: a esperança. É fantástica esta crença.

- Sou adepto!

Como comentário final: “Se você não acredita na esperança, evite ter filhos”.


sexta-feira, 25 de agosto de 2017

DE NOITE (2)

Pacientemente aguardo
que o sol se vá,
porque sou um homem da noite
que a noite tem mais mistérios:
a infinita incógnita do firmamento,
o desconhecido da escuridão.
O cheiro da noite!
Nunca senti no ar do dia
o cheiro da noite.

E saio bem a noitinha,
pois para mim amanhece,
bem ao contrário de todos,
que se queimam no calor do sol,
a lua me aquece.


quarta-feira, 23 de agosto de 2017

LISTA ÚTIL (2)

Quem já construiu uma casa, sabe que o que garante a solidez da construção é o alicerce. Seguramente, sem uma base bem estruturada a segurança fica por um fio. Qualquer vento mais forte e tudo vêm abaixo. Fácil perceber que em qualquer situação da vida a base é tudo. No material e no emocional. Jesus em suas palavras já dizia sobre o homem que construiu a casa sobre a rocha e aquele que construiu sobre a areia.

Assim é que devemos construir os nossos relacionamentos, edificados sobre uma base verdadeira, honesta e amorosa. Como verificamos, hoje em dia, a desconstrução da família de uma forma geral é operada nos meios de comunicação. As novelas com seus enredos apelativos estão ensinando nossos filhos a roubar, trair, fingir. Expõe a violência, a maldade e o sexo de uma forma explícita: irresponsavelmente.

Difícil não é mesmo?

Todo mês a Cia Elétrica e o Departamento de Água e Esgoto vêm conferir o consumo de seus medidores. É necessário para a emissão das novas contas. É a forma de manter tudo sobre controle. Vejo uma relação interessante entre estes funcionários zelosos destas Empresas e a forma de controlar nossas atitudes. Deveríamos colocar em um rol de atividades as nossas atitudes diárias ou para aquele dia específico. Sim, diárias. Uma listinha de atenções para com todos. Deixo a cada um a escolha destes marcadores operacionais de boas ações para cada dia. Não é difícil, pense um pouco. Olhe em volta!

Faça um teste para uma pequena experiência, diga bom dia a um desconhecido (a) na rua. Assim:

- BOM DIA!

É fatal, você recebe no mínimo um sorriso, a não ser que encontre uma pessoa de mal com a vida. Correrá o risco de ouvir:

- Por quê?

Brincadeiras à parte faça uma lista com cinco palavras que deverá usar naquele dia e, por favor, use-as. Afinal, serão apenas cinco. Posso dizer com tranquilidade: “Você se surpreenderá!”.

Estas atitudes darão alicerce para uma vida construída sobre a rocha porque é da soma destas pequenas atitudes que construiremos uma vida plena.


terça-feira, 22 de agosto de 2017

PRA QUE LEMBRAR? (2)

O que foi que esqueci agora
Na minha fase de esquecer
Não sei se é fase na verdade
De fato não sei o que é
Somente querendo esquecer.
Tem coisas que é bom não lembrar
Deixá-las no lugar que estão
Será o melhor a fazer.


segunda-feira, 21 de agosto de 2017

A JABUTICABA (2)

Tenho alguns pés de jabuticaba em minha casa. Plantamos há mais ou menos 35 anos as pequenas mudas. Hoje, são árvores bem formadas, saudáveis e produtivas. A razão deste texto se reporta a um momento especial quando percebemos que as flores nasceram. Como as árvores ficam na parte de trás da casa, passar no ir e vir sem olhar é quase normal, algumas vezes, percebi que chegava uma florada sem o fato que vou contar a seguir. Poucas vezes. Quando a florada é pequena em virtude do tempo e das chuvas, percebemos os frutos e não vemos as flores. Agora, na época ideal, no momento certo, quando a jabuticabeira fica cheia de flores, acontece o momento mágico que quero contar. Muitas manhãs, nestes anos todos, acordei com o cheiro das flores da jabuticabeira. Invadia a casa aquele perfume especial e diferenciado. Outro detalhe que acompanha este momento é o barulho das abelhas chegando em grande quantidade, ouvia nitidamente o zumbido de um enxame trabalhando ativamente. Vinham em busca do néctar das flores e a Natureza, com sua sabedoria, as usava para transferência do pólen de uma flor para outra fecundando e permitindo a geração dos frutos. Sempre me levantei e saia para ver a florada e as abelhas. O tronco e galhos ficam brancos com suas flores delicadas, um pequeno show com milhares de abelhas zumbindo em volta e o perfume forte e, ao mesmo tempo agradável.

Daí algum tempo, consequência do fato, chegam as jabuticabas. De branco que eram o tronco e galhos, tornam-se negros. As jabuticabas enchem todos os espaços. Aí vem a parte saborosa deste acontecimento: chupar jabuticabas. Tem pessoas que comem com as sementes, outras sem. É o meu caso, vou cuspindo as sementes e aproveitando a suculência da fruta. Não tenho pressa, vou escolhendo as maiores que tem mais sumo.

Estou à espera da próxima chamada.


sábado, 19 de agosto de 2017

A QUEM VOU ENTREGAR? (2)

Minha dúvida sobre a origem da vida
O medo do amanhã e dos bandidos
Meu saldo negativo
Meus desejos: tantos
Minha certidão negativa de multas
O certificado do ginasial
As mudas que nasceram no quintal
Meu candidato corrompido
Meu lixo pessoal
As sobras do jantar
O excesso do canto dos passarinhos
E o latido do cachorro do vizinho
Minhas ideias tortas sobre como endireitar as coisas
Os sonhos de um amanhã melhor
Minha filosofia caipira
As desculpas sem destinatário

A quem vou entregar?

Tenho tantas coisas a entregar
Que estão se acumulando por aqui.


sexta-feira, 18 de agosto de 2017

DO AZUL (2)

Hoje estou azul.
Um azul assim como a expressão:
"Tudo azul".
Azul dos dias pares.
Do Mediterrâneo.
Da cor dos mísseis
que carregam, pelo azul do céu, ogivas
nucleares.
Azul instantâneo.
O azul patriótico.
Azul do hematoma recente.
Do sangue real.
Do verde azulado
daquela raiva derradeira.
Azulado do afogado.
Suando azul,
morrendo azul de amores
não correspondidos.
Nem sempre estou assim:
tão monocromático!


quinta-feira, 17 de agosto de 2017

O SEGURO DE VIDA (2)

Um seguro de vida pode deixar certa tranquilidade a quem fica. Não é necessário ser muito, mas o suficiente para acomodar as despesas de quem parte. É verdade que quem parte deixa saudade e... Despesas. Estas despesas podem atrapalhar a saudade. Opte por deixar apenas saudades quando for o caso. Faça um seguro para sua família.

Parecendo propaganda... Não, é apenas um lembrete amoroso que ficará na memória daqueles que ficarão.

Esta é a parte prática e financeira que ajuda a quem fica.

Na realidade o melhor seguro é a formação dos filhos e a boa educação. O lastro desta condição permite uma vida melhor em todos os sentidos para os que ficam e, dentro da naturalidade das coisas, quem fica são os filhos e claro, a esposa ou marido. Agora, na verdade não está fácil para ninguém atender a esta condicionante: a formação dos filhos. Como é que se pode educar com a mídia que temos, todas elas, de uma forma massiva deseducando. Como? Nos dias de hoje para manter uma casa, é necessário que o casal trabalhe e quem toma conta dos filhos: a TV, o computador, o celular, o tablet que, mesmo com as travas para os canais impróprios permite o uso de uma infinidade de acessos que deseducam. Tenho, nesta minha melhor idade, dificuldade em perceber o que acontecerá daqui em diante. Embora tendo acesso a computadores desde o seu início no Brasil, não consegui acompanhar de forma completa a diversidade de suas aplicações. Acredito que nem se me empenhasse muito conseguiria. É muita coisa! O que percebo de forma bastante clara é que a educação gerenciada por estes equipamentos não dará certo. Não pode dar! De forma alguma é uma crítica ao avanço da tecnologia, longe de mim. Uso o meu computador e smartphone todos os dias e, sou obrigado a dizer, tenho certa dependência deles em todas as minhas atividades. E sim, é verdade, a tecnologia orientada tem resultados maravilhosos na formação das pessoas em qualquer área.

Enfim, o assunto é sobre o seguro de vida. Faça um! Deixe um gesto amoroso como seu último gesto.


segunda-feira, 14 de agosto de 2017

EFEITO DOMINÓ (2)

Tudo está quieto neste fim de tarde. O sol já se encostando ao horizonte e uma brisa muito suave refrescava o ambiente. Perfeito!

Perfeito?

Estava com o jornal em minhas mãos e pensando sobre o que havia lido: “Onze milhões de desempregados no País”. Se o Brasil tem por volta de duzentos e quatro milhões de habitantes, estão falando de quase 5% da população. E os dependentes? Vamos considerar que, um pelo outro, cada um tenha dois dependentes, a conta vai para trinta e três milhões de pessoas. Alguma coisa está errada! Este número seguramente não é oficial visto que abrange apenas aquelas pessoas com carteiras assinadas. O desemprego é resultado de uma economia desacelerada. Resumindo: má gestão da coisa pública. Assim, se não existem clientes para comprar um determinado produto, a empresa para de produzir e, seguramente, vai mandar alguns funcionários embora. Se a economia não andar, a empresa acabará fechando. É o que estamos vendo. Se a empresa fechar, não recolhe impostos. Sem impostos o governo não tem como pagar educação, hospitais, salários, programas assistenciais, infraestrutura, etc.

E o que temos assistido nos noticiários mostra que a bagunça está generalizada. Senão vejamos, uma empresa oferecendo 100 vagas e no dia da entrevista havia cinco mil pessoas esperando pela oportunidade de uma colocação. Isto parece ser mais que o número de candidatos a vagas nas faculdades de medicina. A situação está caótica!

Não é meu hábito escrever sobre política até porque não tenho partido ou tendências para este ou aquele. Falo hoje do que aflige a tantos brasileiros, a mim também.

Continuando, posso dizer que este efeito dominó em nossas vidas é resultado da má administração da coisa pública. O medo de todos: quando esta onda vai bater em mim!

Não é mesmo?


sexta-feira, 11 de agosto de 2017

MALUQUICE (2)

Devido o frio destes dias me recordei de um fato ocorrido há uns trinta anos em uma pequena cidade onde morei. Havia próximo da minha casa uma praça onde vi, em um dia particularmente frio, um homem desagasalhado. Imaginei o frio que ele estaria sentindo e segui meu caminho. Alguma coisa ficou me incomodando, todo o tempo, no trajeto de retorno. Alguma coisa incomodava!

...

Acredito que todos nós temos algumas particularidades que são de certas formas universais, pequenas particularidades pessoais que se encontram com os mais diferentes formatos. Exemplo: um pijama velho e desgastado que, por razões desconhecidas é o nosso preferido e, quando usando nos conforta e agrada. Coisa de maluco? Não! Embora com explicações, tomariam tempo; não é o caso aqui. Outra situação que acredito bastante comum é sobre as xícaras ou copo na qual o café será melhor, sabor melhor. Mais outra, aquele chinelo que, desgastado pelo tempo, tem o formato de nossos pés. Nem pensar em comprar outro, não tem sentido. Não será igual. Certamente, em cada um dos casos acima haverá um final, um termo. Enquanto vivemos estes momentos não nos ocorre pensar sobre o assunto. Direi que não chega a ser uma atitude obsessiva compulsiva. Está mais para uma afeição estranha a um objeto. Uma amorosidade incompreendida. Um apego relaxante e confortador.

Tenho um amigo que tem um “caso” com o travesseiro. Como tive oportunidade de ver, era um travesseiro comum, molenga e que pela aparência deveria ter a idade do meu amigo. Este foi o único caso que tive a curiosidade em perguntar, até porque tinha bastante intimidade com este amigo. Perguntei:

- João, qual a razão de você trazer sempre o seu travesseiro?

- Mário, sem ele eu não durmo!

- Mas não é meio exagerado? – retruquei.

- Sei lá! – respondeu – Eu sei que sem ele não consigo pegar no sono.

Sei que muitos estarão verificando as suas maluquices: hábitos arraigados, apegos exagerados a objetos. Coisas assim!

- Qual será a minha mania, meu TOC? – alguns estarão se perguntando.

...

Como disse no começo, alguma coisa me incomodava no fato de ter visto aquele homem com frio na praça. Eu estava vestindo uma japona que me acompanhava, naquele momento, por uns cinco ou seis invernos. Sentia-me confortável e agasalhado, ao mesmo tempo desconfortável com aquela pessoa passando frio. Fiz meia volta e fui até o jardim. Tirei a japona e entreguei aquele homem. Não me recordo do que disse e, de fato, não interessa agora. Ele vestiu lentamente o agasalho e sorriu para mim.

- Obrigado! – disse ele.

- Boa noite! – respondi e voltei rapidamente para casa, estava bastante frio.

Aquela japona já estava na condição do seu chinelo, da sua xícara, do travesseiro do João. Embora satisfeito com minha boa ação, minha obsessão compulsiva, ainda latente, cutucava a atitude que tomei, não conseguiu bloquear o meu apego ao agasalho.

Inexplicável!!!



quinta-feira, 10 de agosto de 2017

O PASSADO (2)

Tenho pena das pessoas que vivem do passado porque são pessoas que não têm futuro. Isto é dolorosamente triste! Certo que as previsões para o futuro neste momento não são boas em nosso País, quero e acredito que vai mudar, assim tenho planos, muitos planos. O passado é uma âncora segurando o tempo. É triste e quase deprimente esta condição na qual algumas pessoas se inserem. Atravessam o dia, mas não tem amanhã. O passado não deixa. Acredito que muitas delas se deitam hoje querendo acordar ontem.

Minha crença em determinadas atividades paranormais são muita claras. Sou um crente no assunto, mas que fique mais claro ainda, crente sem participação ou dom para qualquer uma delas. Gostaria que uma destas paranormalidades me explicasse esta condicionante que determina a vida de certas pessoas: viver do passado. Isto para que pudesse aceitar de forma mais amena a convivência com estas exóticas personagens.

O fato de não entender estas posições é que, o que move alguém para frente é o que se pretende do futuro: os objetivos, os sonhos. Estas são as energias geradoras de vida à frente, são estes os apoios que nos dão mais vida e, bem mais que isto, vida melhor e mais longa. Vida com sentido, carregadas de perspectivas. É certo que algumas tentativas falharão. O que é bom é que, até que isto aconteça, estamos trabalhando uma ideia com um objetivo determinado. Agora, se falhar, teremos os outros objetivos ou sonhos. Sim, porque quem vive o agora com alvos lá na frente não se permite parar.

Parar, nunca!

Viver no passado, menos ainda!



terça-feira, 8 de agosto de 2017

DEIXA COMIGO! (2)

É comum ouvirmos a expressão: “Deixa comigo!”. Ouvimos em ocasiões as mais diversas. Pense um pouco e será possível ver imagens chegando. Naquele churrasco onde alguém sofre para acender o carvão e ouvimos: “Deixa comigo!”. Está ali o cara que vai acender em dois minutos usando a sua técnica.

“Deixa comigo!”, de certa forma, é de domínio público. É bom deixar claro que apenas com relação a expressão, pois a função tem o elemento juramentado.

Já reparou que existem pessoas que tem esta cara, este jeito do: “Deixa comigo!”. É impressionante, mas tem! Aí você dirá que a expressão não seria esta, mas sim: “O faz tudo!”. Não é bem assim. Veja que o “cara” é o outro. O “Deixa comigo!”, é o “cara”. Papo louco! Aliás, o “Faz tudo” está mais para um autônomo que fatura em cima do seu trabalho; o “Deixa comigo!” é free.

Assim podemos perceber a necessidade do “Deixa comigo!”, o cara que vem e resolve; que pega e finaliza; que faz porque faz.

Entretanto não é bem assim, no dia-a-dia a coisa é diferente segundo a minha visão distorcida das coisas. Se você é observador verá que o “Deixa comigo!” está sempre onde tem muita gente, ou seja: público. Parece que o “Deixa comigo!” tem um lado artístico que necessita de plateia para ativar seu sensor operacional. O botão que dá o start em sua apresentação: “Deixa comigo!”. Bota reparo na observação!

Assim, divagando sobre a inutilidade do tema para preencher este espaço e terminar a pequena crônica, cheguei à conclusão que deveria haver um curso intensivo para a atividade do “Deixa comigo!”. Seria interessante, pois ele estaria no rol da listagem de todas as festas, convenções e encontros afins. Veja a utilidade:

- Queimou a lâmpada! – diz alguém:

- Deixa comigo! – é o cara.

- Furou o pneu da Leonor! – ouvimos:

- Deixa comigo! – de novo ele.

- Preciso temperar estes bifes! – diz o Cláudio.

- Deixa comigo! – só pode ser ele.

Cheguei à conclusão que “Deixa comigo!” não é uma expressão e sim uma atitude.

- Então tá!


segunda-feira, 7 de agosto de 2017

QUANDO EU MORRER (2)

Quando eu morrer não tragam flores
não façam silêncio ou rezas contritas.
Não poderei ver ou sentir odores
não ouvirei essas rezas aflitas.
Em vez de flores, tragam cervejas
repartam com quem estiver presente.
Riam de acontecidos, de fatos passados.
Desta forma estarão compartilhando este momento junto de mim,
comigo.


quarta-feira, 2 de agosto de 2017

TAIKO (2)

O som intenso atingia meu peito que vibrava junto dos pesados tambores. Era tão intenso que quase me balançava. Uma massagem terápica. Nada mais importava somente as repetidas pancadas, rítmicas e evolutivas. Em alguns momentos as baquetas desciam com toda a violência sobre o couro dos tambores. Os tocadores soltavam gritos que poderia entender como de guerra ou saudação. Deixo a mim o direito de optar entre um e outro. Como me percebia feliz opto pela saudação.

Duas flautas davam um momento de descanso ao peso dos tambores que arrefeciam, quase que gentilmente, dando passagem ao pequeno e delicado som. Permiti-me neste momento estar em algum lugar do Japão, em algum lugar no meu imaginário. Os músicos dançavam frente aos instrumentos e ao som suave das flautas. A cadência era marcada com suavidade esperando o momento de romperem em pancadas vibrantes e gestos frenéticos. Uma troca de atuação a todo momento.

Quase todos os participantes eram adolescentes, empolgados, vestindo o seu personagem dentro do grupo. Que bons caminhos escolheram para usar o tempo, que escola boa estão frequentando dentro da disciplina necessária a formação de um grupo coeso e aplicado. Que maravilha!

Foi possível ver entre os presentes a emoção aflorando em lágrimas que brotavam espontâneas, o peito rebatendo a vibração dos tambores os olhos lacrimejando ante o inesperado. Uma poesia através dos sons e da dança. A coreografia ia sendo alternada com as batidas.

Não sei qual foi o tempo daquela demonstração, sei que é impossível medir a emoção que aconteceu com todos os presentes.
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Taiko: sua origem parece ter ser iniciado na China, e sua mitologia se confunde com o folclore japonês.


terça-feira, 1 de agosto de 2017

OUTONAL II (2)

Entre 20 e 21 de Março e o seu término entre 20 e 21 de Junho se apresenta o Outono para nós. Aqui no hemisfério Sul, principalmente no Brasil, esta estação não tem as definições românticas dos Outonos no hemisfério Norte e no extremo Sul, quando as árvores mostram e demonstram de forma espetacular esta mudança. A comparação do Outono com a idade mais avançada tem lá suas semelhanças. É certo que para nós é a estação final. O fim das estações.

Fim da vida?

É qualquer coisa assim embora pense que não necessita ser tão drástica, mesmo porque nosso Outono pode ser longo e confortável. Principalmente útil. Acontecer na terceira idade é muito bom. Lamento por aqueles a quem a vida não permite, por uma série de razões, aproveitar este período. Temos em nossas mãos, quase todos nós, a capacidade de oferecer algo ao outro. Simples, bem simples assim. Não importa o que seja, não importa o valor ou quantidade. Importa compartilhar. Cheguei ao começo do meu Outono (Estou sendo pretensioso: começo?) e, de minha parte, tenho ainda que trabalhar para viver ou, para ter uma vida mais digna dentro do meu entendimento de digno.

É bastante comum minha filha ou meu filho ligarem perguntando:

- E aí pai, o que está fazendo?

Respondo com a naturalidade do que é natural:

- Trabalhando!

É assim, me ocupo para não ter tempo de pensar no que poderá acontecer a partir deste momento, mas me ocupo muito mais para preencher a dignidade que citei acima. Prefiro não ter tempo ocioso. Posso dizer: “Não tenho!”.

Desta forma, embarquei no meu Outono e por ele tenho navegado aproveitando com trabalho todos os meus dias.

Sou um privilegiado porque sou feliz assim!