segunda-feira, 31 de julho de 2017

GUARDE-SE DE SOFRER (2)

Guarde-se de sofrer que não é hora
Tudo em volta é luz e canto de pássaro
A manhã traz perfumes indescritíveis
Acalme-se.

Guarde-se de sofrer que ainda é cedo
As crianças menores somente balbuciam
E seus filhos ainda lhe darão mais netos
Aguarde.

Guarde-se de sofrer ao menos hoje
que o dia de hoje, será melhor
que o dia de ontem da semana passada.
Relaxe.

Guarde-se de sofrer a sua dor
que ela existe e permanece.
Ignore-a, evite-a
Esqueça.


sábado, 29 de julho de 2017

ONDE ENCONTRO? (2)

Muitos dos meus escritos, meus poemas, foram lidos nas pessoas que circulam neste meu pequeno universo e aqui transcritos. Nesta galáxia pessoal onde habito. Peço que me perdoem ao expor de forma tão simples, vidas tão intensas. Minha análise leiga jamais atingirá o todo. Sou, às vezes, o autor de suas vidas, sem a realidade de uma biografia autêntica. Apenas um leitor com pouco estudo que desconhecendo as palavras, cria adaptações do cotidiano alheio. Sem direção, sem roteiro, sem continuidade. Autoritário, pinço o que me interessa e desprezo o resto. O resto é o resto! Desculpe-me! Típico de quem se acha dentro de alguma representação artística: egoísta.
Transformo em profundo um gesto natural, ao mesmo tempo banalizo o todo. Pretendo assim, colocar você no grafite sobre o papel; no monitor com o teclado. O anônimo personagem do meu texto tem vida própria. Não aqui! Aqui mando eu! Quantas vezes me pergunto de quem é que falo afinal? Quem é o personagem desta inspiração? Não sei!

De alguma forma quero agradecer as deixas oferecidas. Deixe que agradeça por sua anônima participação, embora você não saiba e não consiga perceber-se aqui. Basta que eu saiba. Você está aqui!

Por isto: obrigado!


sexta-feira, 28 de julho de 2017

TARDIO (2)

Andei perdido, dando voltas em torno de uma suspeita de amor.

Apenas suspeitas...

Tolas suspeitas constantes na vida.

Afinal, quem não anda em busca do amor, quem?

Ainda que tardio há de existir a fração de um momento, onde o calor de uma certa hora acontecerá com a tranquilidade de uma lareira que aquece noite adentro. Um impensado amor tardio. Será assim, num de repente, o encantamento necessário àquela hora. Sim pode ocorrer! Demais a mais tenho que esperar neste entardecer algum instante assim. Sei que mereço, todos merecem! Um toque de mãos eletrificadas, necessárias, imperativas, despejando cargas por todo o corpo. Quase posso senti-las!

Sem a pressa imperiosa da juventude, será doce e aproveitado assim, aos poucos, lentamente saboreado este inesperado amor. Terá o entendimento da razão das coisas, nas pequenas coisas que o amor nos traz. O entendimento do necessário, da suficiência. Ainda que tardio assim será! Vou me calar agora, não quero compartir mais do que posso esta esperança, não posso dividir o inalcançável. Esta suspeita me acompanha sempre, diferente de um fantasma ou de uma sombra é mais uma sensação revigorante que aguardo não sei quando.

Quando a suspeita se materializar nos deixaremos explodir como um vulcão.

Depois... Vou deixar tudo na calmaria do depois já que vivi o agora.


quinta-feira, 27 de julho de 2017

O QUE NÃO VEMOS (2)

O que não vemos todos os dias porque não temos tempo de olhar.

Tem sempre a nossa volta um instante ímpar, inigualável, perdido dos nossos olhos embora ao nosso alcance. Perdemos a aventura comum de todos os dias. Estes flashes que trariam luz e sorrisos estarão perdidos no descaso por nossa ocupação diária, nosso foco neste momento é outro. Infelizmente!

- Não tenho tempo para perder!

Perder é o que se consegue, ao não ver o que deve ser visto. Aquele segundo de espanto, doçura e encantamento em nossa vida. Não é necessário tanto tempo para gravarmos um momento mágico e inesquecível. Precisamos estar conectados à nossa volta. O segundo inesquecível: este é na maioria das vezes o tempo. Acontece o dia todo, a toda hora.

Existe um lago próximo da minha casa que recebe vez por outra a visita de umas garças brancas. Não me lembro de vê-las chegando em direção ao lago, mas vi muitas vezes o seu retorno ao final da tarde. Na verdade não sei pra onde vão. Devem ter um dormitório em algum outro recanto. Em um destes dias, um momento especial aconteceu. Uma garça solitária carregava em seu bico uma cobra de pequeno porte. Acima dela, bem mais alto, estava um gavião conhecido como carcará que, fechando as asas, voou em sua direção rapidamente. Era uma flecha com mira perfeita. A garça, percebendo o gavião, soltou a cobra para ter mais velocidade. O gavião continuou em sua descida célere rumo à pequena cobra e a apanhou em pleno voo. Fiquei boquiaberto! Não creio que a cena se repetirá.

Meu instante de encantamento completou-se. Eu vi!

Se estivermos olhando, ouvindo, seremos surpreendidos. A nossa volta os acontecimentos vão se apresentando.

- Não perca!

Assim estes momentos darão a você uma sensação de exclusividade. Definitivamente: “Única!”.


quarta-feira, 26 de julho de 2017

NA PRAIA (2)

Os ventos vindos do mar durante a manhã balançavam o cabelo da moça que, sentada, apreciava o movimento das ondas. Segurava os joelhos próximos ao queixo para se abrigar destes ventos marinhos. O sol já estava aquecendo e queimando sua pele bronzeada e untada com protetor solar. O barulho das ondas não conseguia distrair as lembranças que a incomodavam insistentemente. Viera cedo para pensar um pouco sobre a vida: a sua vida. Parecia que tudo desmoronava ao seu redor.

- Bom dia senhorita!

- Bom dia! – respondeu sem ao menos olhar quem seria.

Não estava em seu projeto matinal conversar com quem quer que fosse imbuída que estava em pensamentos.

- Que bela manhã, não? – completou.

Ela se fez de distraída não dando atenção, mas nosso amigo era a simpatia em pessoa. Deveria ter por volta de setenta e cinco anos, cabelos muito brancos, estatura média e magro. Tinha a cara daquelas pessoas que cativam de imediato. Ele insistiu:

- Parece que madrugamos?

- Desculpe-me – disse ela – como?

- Eu disse que madrugamos. Aliás, é muito bom, aproveitamos estas belezas particularmente, com a exclusividade destes momentos.

- É verdade! – seu tom de voz mostrava a sua tristeza.

- Me perdoe à intromissão, sinto que você está magoada ou triste demais para uma praia ensolarada. – sua voz era grave, mas agradável - Devo confessar a você que já me senti assim há mais ou menos três anos atrás. Foi quando perdi minha Beth. Vínhamos a esta praia todos os dias, pois sempre moramos aqui perto. Ela era apaixonada por este mar. O tempo está me ajudando a superar a falta que ela me faz. A separação, quando amamos de verdade, é dolorida.

- Eu sei! – ela respondeu.

- Quando não temos mais como recuperar quem amamos, nos resta aceitar mesmo que seja amarga a receita. Agora, muitas vezes perdemos alguém por opção ou por falta de percepção. Nestes casos a dor é desnecessária.

Ela ficou olhando para ele perdida em pensamentos. Por que estava ali sozinha? Parece que alguma coisa dentro dela se agitava, revolvia. Seu rosto foi perdendo aquele ar de tristeza. Olhou com simpatia para aquele homem que conseguira abrir seu coração e desanuviar seu rosto. Por que estava ali? Pra que estar ali sozinha? Não havia razão ou sentido para isto. Pensou consigo mesma: “Será que ainda dá tempo de corrigir o que fiz?”. Pegou sua bolsa, toalha, esteira, juntou tudo e se levantou perguntando:

- Eu já lhe disse meu nome?

- Não, ainda não! – responde.

- Meu nome é Laura.

- Muito prazer Laura, o meu é Sandro.

- Obrigada por suas palavras Sandro, preciso voltar agora mesmo

porque tenho a opção para ser feliz e não quero perdê-la.

- Então vá logo Laura e tenha um bom dia!

Sandro acomodou-se na areia pensando: “Beth querida, acredito que acabamos de ajudar esta moça a ser feliz!”.

Sorriu.


terça-feira, 25 de julho de 2017

DO OUTRO LADO DA CORDA (2)

Dependendo do que fizemos da vida, algumas respostas às nossas atitudes serão terríveis. Difícil de aceitar embora seja mais comum do que parece. Acomodar uma situação depois de feita é como colar uma porcelana que quebramos. Parecerá igual, mas a cola atrapalha. Os pedaços quebrados saltarão aos olhos a todo momento. A cola é o problema ou os cacos?

Os dois!

A cola e os cacos são as discussões que acontecerão. Serão pedaços quebrados tentando ajuntar-se. Complicado!

Acredito que perdoar seja possível a todos nós; esquecer, penso que seja impossível. O perdão foi dado, mas a memória fica. Não temos a tecla deletar acessível. Por esta razão melhor não ter que ser perdoado, melhor não quebrar o relacionamento. Na verdade, não importa o grau do relacionamento quando quebramos a união que existia, fica a memória.

Maldita memória!

Assim é a vida. Quando aderimos a uma união, não importando o grau de relacionamento, nos amarramos a alguém como suporte mútuo. Para não cairmos e, principalmente, para que o outro não caia. Cortada a corda não temos como ajudar nem ser ajudados. Rompeu-se o elo.

- Podemos dar um nó!

- É verdade, mas teremos um nó no meio do caminho. Um nó que lembra o que se rompeu.

O alpinista usa a corda para ter segurança. Dependendo da situação, quando a corda se rompe, alguém pode morrer.

Assim, não adianta puxar a corda quando não há nada do outro lado. O que estava preso se foi. Seja quem for.



segunda-feira, 24 de julho de 2017

A CAMINHO DO BREJO (2)

Em torno de nós, o tempo todo encontramos pessoas negativas. Pessoas que travam e atrapalham. Que não ajudam porque obstruem tudo. Não existe acordo. São colaboradoras do slogan: “Quanto pior melhor!”. E mais, não se importam que sobre para os mais íntimos.

Livre-se desta pessoa!

São muitas?

Vá se livrando aos poucos, elas acabarão e você encontrará uma possibilidade enorme de viver bem. Possibilidade sim, pois além das dificuldades que a vida nos apresenta no dia-a-dia é totalmente desnecessário suportar estes incômodos em forma de gente. O problema fica mais grave quando o inimigo mora ao lado. Quando se percebe que o caráter é duvidoso, a integridade não faz parte e a dignidade não interessa. Aí o autocontrole caminha para o brejo. Um sinal de alerta que está visível não será perceptível.

Fiquem atentos!

Pessoas que não somam porque não fazem questão ou fazem questão de não somar porque isto é o que são. Não conseguem entender diferente. Fazem outros de escada (Falei há algum tempo sobre isto.) e aparecem.

Estas pessoas não prosperarão, são mesquinhas! Só prospera quem age.

Fiquem longe!


sábado, 22 de julho de 2017

IMUTÁVEL (2)

Deixe que os elos se quebrem
que os elos se quebrarão,
que essa corrente que somos
se desgastaram no amor.

Difícil compreender
porque quebrar a corrente,
mas minha lembrança acode...
somos pedaços de elos.

Ainda que machucados,
quando já machucamos,
libertados libertamos
os nossos filhos também.

Não sei que dores sofreram
meus pais meus elos antigos,
sei que meus filhos agora
partem os elos de dor
porque terão de partir.


sexta-feira, 21 de julho de 2017

INCOMPREENSÍVEL (2)

Sinto um vazio à minha volta
como um arvoredo sem árvores
ou a angústia de quem parte.
Este vazio desesperançado
do condenado à morte.
Somente Deus
onipotente
para fazer do oco e do vazio
esta terra enorme!
E somente nós, para fazê-la
tão cheia de solidão...
E gente.


quinta-feira, 20 de julho de 2017

POEMA FRATERNO (2)

Para João Pedro Palmiéri 
Quantas ofertas foram feitas a Deus. 
As dores, os medos.
Mesmo com Deus por perto,
quanto medo, meu Deus!
( Cumpra-se em mim Sua vontade )
Pelos pisos frios do hospital,
tantos amigos passaram.
Tantos, que suas paredes e portas
se impregnaram de orações.
Deus foi incomodado pelo amor
dos seus amigos
e os ouviu,
e os atendeu.
Com alívio para nós e para Ele,
as notícias eram melhores
e assim foram a cada dia,
porque o Amor derrota diagnósticos.
Que o nosso amor se estenda além de você, amigo,
a quem é fácil querer, pois
enquanto evangelista, és João,
enquanto apóstolo, és Pedro,
enquanto amigo: Palmiéri.



quarta-feira, 19 de julho de 2017

VELHOS PAPÉIS (2)

Na luz mortiça do abajur
diluem-se os meus pensamentos.
E nesta noite calma,
revejo os meus amores.
Amarelados como esta luz,
parados como esta noite,
tristes como eu.


terça-feira, 18 de julho de 2017

PRESENTE (2)

Encherei uma cesta de estrelas
e a dois querubins vou pedir
que bem rápido entreguem a você,
as estrelas ainda maduras,
quentinhas,
do calor do sol que até tarde ficou
neste final de Verão.


segunda-feira, 17 de julho de 2017

DECLARADA (2)

Ah! vou entregar-te o mundo.
Sim, eu vou!
Escolhe o que quiseres
pois, se sou o mais feliz dos homens,
serás assim entre as mulheres.
E o mundo...o Universo todo
eu lhe darei,
tão fácil é satisfazê-la.
Mas...como dar-te um astro, o sol,
se o Universo todo a quer como uma estrela?
Assim mesmo amor,
pede que te atenderei.
Escolhe o que quiseres
pois, se sou o mais feliz dos homens,
serás assim entre as mulheres.



sábado, 15 de julho de 2017

AVENTURAS (2)

Sou hoje um explorador de minhas riquezas.
Clinicamente deverei viver muito tempo.
Vou procurar-me enquanto viver,
pois sou terra inexplorada.
Nas primeiras incursões que fiz,
fui armado,
pois eu me era desconhecido.
Encontrei um monstro fascinante:
o medo!
Como prendê-lo onde pudesse controlá-lo?
Encontrei, mais adiante, uma ave branca,
estranhamente branca,
fiquei louco para caçá-la
mas ela, rápida,
fugia.
Era a Paz.
Assim fui penetrando aquela selva
de fauna tão variada.
E neste território enorme,
sou expedicionário de mim mesmo.
Descobri que não conseguiria colocar
nenhuma ave ou fera
em cativeiro
mas, que poderia, sim, estudá-las.
Quais os seus hábitos?
O que comiam?
E isto tenho feito.
Então, quando me virem assim
quieto, introspectivo, saibam:
eu não saí,
estou aqui
dentro de mim.


sexta-feira, 14 de julho de 2017

LAMENTOS (2)

Oh! Infinito amor!
Onde estará?
Quem o levou?
Estou sozinho e com medo.
Sem amor o mundo é mau,
escuro e feio.
Quem encontrar meu amor, avise-me.
Ó meu amor, se souber
destas minhas súplicas,
volte!
Vai se arrebentar meu coração
tão cheio está de amor.
Tão cheio...de solidão.


quinta-feira, 13 de julho de 2017

SE EU PUDESSE... (2)

Se eu falar de amor pudesse!
Mas como posso? Anoitece!...
Quando a tarde cai não falo
de amor. Não posso! Não Sinto!
Não sinto o amor quando morre
o sol. Mais tarde, quem sabe?!
Ainda mais agora quando,
tão desesperada, voando
às cegas no entardecer,
a avezinha se perdeu.
Falar de amor? Pudesse eu!


quarta-feira, 12 de julho de 2017

CAMINHOS, SÓ CAMINHOS (2)

Veio da Serra Dourada
maltrapilho e esfarrapado
parece saído da guerra
mas sem cara de soldado.

Caminha de pés descalço
pisoteando a estrada,
por onde quer que passasse
sempre se via a pegada.

Marcas que o solo registra
deste homem sem destino
que caminha a esmo, solto
que é o fim do peregrino.

O que impulsiona este homem
que caminha anda e anda,
pára defronte uma flor
e a sua volta ciranda?

Trazendo as costas um saco
sujo, e as vezes rasgado
carrega ali seus tesouros
o homem esfarrapado.

Veio da Serra Dourada,
sem sofrimento ou anseio
mas lá, na Serra Dourada
ninguém sabe de onde veio.


terça-feira, 11 de julho de 2017

ESTOU EM MINHA MESA (2)

Estou em minha mesa
ao mesmo tempo estou longe.
Faço a bilocação simulada,
a levitação fraudulenta,
mística caseira e pessoal
para a estória sonolenta
de um poeta cansado.


segunda-feira, 10 de julho de 2017

CAMINHADA IMAGINÁRIA (2)

A meu irmão Vidal "Caminhador"

Na imaginária caminhada que pretendo
quase não ando,
passeio;
porque me vejo no verdadeiro caminhante
que enquanto caminha
vai traçando caminhos para a vida.
E vendo o verde que bordeja, muitas vezes, a estrada.
E passa um calango, uma cobra,
passa de tudo em sua frente.
Até medo!
Enquanto seus passos vão deixando marcas,
a atenção está nas marcas do percurso:
"Não posso perdê-las!"
e seus passos vão levá-lo ao próximo abrigo.
Tantos trechos feitos solitariamente
alguns outros com amigos
e, quando junto a outro caminhante
o caminho é mais curto
as dores menores
tudo é mais visto.
E aqui, empunhando meu lápis,
enquanto escrevo...assisto!


domingo, 9 de julho de 2017

SONETO A UM TRIÂNGULO FRUSTRADO (2)

Era um obtusângulo
portanto, um preterido,
obtuso era o seu ângulo
assim: incompreendido.

Então, como preâmbulo
e fim desta razão,
porque deste triângulo
num soneto canção?

É que a mãe geometria
sua vida em agonia
deixaria tão confusa

pois, amar como amava
e em si não encontrava
seu sonho: hipotenusa.


sábado, 8 de julho de 2017

ABENÇOADAS AS MÃOS QUE DERAM SABOR AO VINHO (2)

Abençoadas as mãos,
abençoadas as vidas
daqueles homens que a terra
chamou e que dela vivem.
Enquanto lavradores, são
operários divinos
deitando ao solo a semente.
Quando não, homens cansados.

Pois estes homens cansados...
os operários divinos
arrancam do solo árido
à força de muito esterco
regado pelo suor,
numa cesárea fantástica
na pequenina semente,
a enorme e extensa lavoura.

E delas, zelam, vigiam,
como se fossem seus filhos
endireitando seus ramos
e podam, como se poda,
as atitudes dos filhos.
Esperam, como se espera,
de quem tratam com amor,
o fruto dos seus carinhos.

Quem foi? Quem foi?
Quem fez o vinho?

Quem produziu
o doce vinho
já consagrado?
Sangue divino,
vinho da vida
vida da vinha.
Quem o bebeu,
quem o guardou?
Quem colocou
água nos potes
onde Maria
levou seu filho,
Nosso Senhor
de Nazaré?

Quem foi? Quem foi?
Quem fez o vinho?

Quem foi que trouxe
àquela mesa
doze Apóstolos?
Quem pôs o vinho
naquela mesa?
Por que o vinho?
Por que Jesus?
Qual o sentido
de tanta dor?
De sacrifício,
transformação,
do pão em carne
do sangue em vinho
de vida em morte?

Quem foi? Quem foi?
Quem fez o vinho?

Foi este homem
desconhecido
e tão cansado:
o lavrador.

Abençoadas as mãos,
abençoadas as vidas
daqueles homens que a terra
chamou e que dela vivem.
Enquanto lavradores, são
operários divinos
deitando ao solo a semente;
quando não, homens cansados.

SAÚDE!


sexta-feira, 7 de julho de 2017

SONETO AO BEIJA-FLOR (2)

O beija-flor adejava
com invulgar maestria
e apaixonado beijava
todas as flores que via.

E beijava com ardor
logo em seguida fugia
envolvente beija-flor
que a toda flor envolvia.

E o beija-flor pelo espaço
mais parecendo um devasso
a todas dizia: "Amor!"

Com tanta graça dizia
que a flor nervosa pedia:
"Me beija, meu beija-flor".


quinta-feira, 6 de julho de 2017

SABOR DE TERRA (2)

Sabor de terra a me gravar (telúrico).

Profundamente,

( no mais arraigado do meu ser )

que me transforma em rio,

vale e montanha;

e me faz pássaro e nuvem.

Fugaz aroma de bosque

Eterno na memória.


terça-feira, 4 de julho de 2017

FASTIO (2)

Ainda não é tempo de descanso
queira ou não, são outros os tempos.
Sou deste século e estou aqui.
Dele, nunca passarei.
Presságios?
Sei lá!
Não sou oráculo credenciado pelos deuses,
nem ler as mãos eu sei.
As vezes, pressinto, sem acerto,
que depois do hoje vem o amanhã.


segunda-feira, 3 de julho de 2017

SONHOS ADOLESCENTES (2)

Adolesçam, adolesçam!
que o mundo é um adolescente,
de 15 anos apenas. Ou 18?
Que importa!
São vocês o esteio de tudo!
Você que picha,
que estuda.
Você que se lixa,
e não muda.
Que senta tão displicente
e edifica em segundos
os séculos do mundo.
É seu menina,
porque vai amamentar as outras gerações!
É seu menino,
que vai ensinar seu filho,
com tanto amor e tal vigor,
que tudo, mas tudo mesmo,
será perfeito.
- Não é assim?
Que jamais digam de vocês,
o que vocês dizem de nós:
"-A geração que nos critica,
é a geração que nos criou."
Em algumas coisa não cabem críticas.
Mas não acreditem!
Ah! Isto não!

(Não quero ser um quadrado em púlpito alheio a trovejar sermões.)

Não acreditem em nós
quando:
vendedores de ilusões.
quando:
traficantes dos vossos sentimento.
quando:
compramos o seu estudo.
quando:
negociamos as suas diversões.
quando:
avalizamos os seus erros,
buscando endosso para o nosso.
Não, não acreditem!

Mas...acreditem!
Puxa vida! Podem acreditar!
Tivemos também 15 anos
e todas as suas esperanças e, todos os seus desejos.
E tivemos, graças a Deus,
com tal intensidade,
os desejos que vocês têm,
que tivemos vocês
que adolescem.


domingo, 2 de julho de 2017

ESTÓRIA (2)

O pássaro da Lua
vive na Amazônia Ocidental
nos ermos da floresta.
Canta no início da noite
um canto fúnebre,
um canto viúvo.
Foi visto pelos sacis e iaras,
que contaram a índios, caboclos,
que contaram ao branco
que me contou
que foi em busca do pássaro
e
não voltou.


sábado, 1 de julho de 2017

ATUALIDADE (2)

Estes versos são dedicados àquelas pessoas que deveriam evitar estes versos.

Andava a esmo,
pobre mulher,
como tantas outras
a quem a fome reprimia.
Pelas mãos, um filho;
no peito, outro;
e outro em seu ventre se desenvolvia.
Em seu rosto impenetrável,
sem sentimentos,
já não cabia a dor.
Mesmo os filhos não choravam,
não sorriam,
anestesiados, autômatos...motores!
Olhos parados, opacos,
nada viam,
porque aqueles olhos
já não viam nada.
Esbarrados pelas ruas
como estorvo
eram bichos
andando na calçada.
Aquela mulher, alguma vez, estendia a mão,
nem falava,
mal sofria.
Somente aquela mão,
magra e judiada,
somente aquela mão pedia.