domingo, 30 de abril de 2017

ADMITINDO SEM QUERER (2)

Eu sei que a vida está um transtorno atualmente, que a inflação de novo está se movimentando e, diabos, apenas para cima. Meu medo é que em ano de olimpíada a inflação esteja querendo disputar alguma medalha de ouro. Medalha esta que sairá de nossos bolsos. Aliás, todas sairão.

Vamos rir dos outros meu amigo, mas preferencialmente, vamos rir de nós mesmos.

Sim, de nós que permitimos que isto ficasse como está. Está se achando sem culpa? Claro, nunca iremos admitir culpa pela situação atual.

- Afinal, eu não fiz nada para que isto ficasse assim.

- É verdade, meu amigo, foi o que você fez que deixou tudo como está. Você não fez nada!


sábado, 29 de abril de 2017

A FORMA DE OLHAR (2)

A sinceridade tem seu lado maldoso quando queremos.

É típico nas crianças. Não tem a maldade que muitas vezes o adulto usa na sua “sinceridade”. A criança diz:

- Você é feio!

Disse o que via e o que pensava. A criança fez seu julgamento estético e externou. Ela não está querendo ofender.

Aí, nós vamos explicar que não é correto falar assim.

- Mas ele é feio pai! – reafirma a criança.

- Sim, mas você não deve dizer.

- Então quando eu achar uma coisa feia tenho que dizer que é bonita?

- Não, meu filho.

- Ué, então o que digo?

Momento para iniciarmos a forma de olhar.

A verdade é que educar é matéria com formação superior na área da sabedoria. A escola que ensina esta matéria se chama simplicidade e está na capacidade amorosa que alguns têm.

Quando ensinamos baseados no amor, o feio não aparece porque o que se enxerga é uma situação de afeto.

Acredito que a melhor maneira de mudar o feio (Que é o analisado aqui), é mudar o olhar.

- A vovó é feia?

- Não, a vovó é velhinha.

- Mas ela é feia?

- Não!

- Ela tem um monte de rugas, usa aqueles óculos grossos, ela não é feia?

- Não!

- Ela é mais bonita que a mamãe?

- É diferente.

- É mais bonita ou não?

- Não! É diferente.

- Então as duas são bonitas?

- São! - diz o menino.

- E o seu amigo é feio?

- É!

- Porque ele é feio?

- Ele não brinca comigo.

- O fato de ele não brincar com você não quer dizer que seja feio. Você perguntou por que ele não quis brincar?

- Não!

- Então vamos perguntar a ele?

- Vamos!

Pedrinho estava sentado no degrau da varanda, pensativo e cabisbaixo. Perguntei:

- Pedrinho, o Felipe disse que você não quer brincar com ele. O quê acontece?

- Não é nada não. Estou sem vontade!

Percebi certa tristeza na voz do Pedrinho. Sentei-me e bati no degrau indicando ao Felipe que se sentasse também.

- O quê está acontecendo Pedrinho?

- Eu não quero falar disto! – Pedrinho estava tenso.

Insisti muito, pois estava percebendo algo errado. Pedrinho se deu por vencido e chorando disse:

- Meu pai está brigando com minha mãe todo dia! Eu a escuto chorando no quarto, não gosto disto!

Pedrinho aproveitou o momento, desandou a chorar e por para fora toda a dor que sentia. Felipe estava constrangido com a situação do amigo, estava entendendo a razão do Pedrinho.

Procurei o melhor que pude minimizar a dor do Pedrinho com palavras de esperança e alento. Não foi fácil, mas quando ele partiu, percebi que havia conseguido serenar um pouco aquela cabecinha cheia de problemas.

Voltei-me para Felipe e disse:

- Antes de julgar, meu filho, veja qual o sentimento que torna a pessoa feia ao seu olhar.

- O Pedrinho não é feio pai, ele está triste.


sexta-feira, 28 de abril de 2017

DE ONDE VEM? (2)

Pulsa dentro de um homem exigente
Uma vontade enorme de vencer
Um poderio que fisicamente
Honestamente não dá pra entender

É força além do músculo mais forte
(Diria que esta é a mágica divina)
É arriscar a vida até a morte
Que enquanto há vida a luta não termina.

É Deus que veste a forma tão humana
Com tantas bênçãos o homem engalana
Divinizando todo o destemor

Que nada pode mesmo amedrontar.
E o Amor de Deus é o que nos vem mostrar
Que toda a força só provém do Amor.


quinta-feira, 27 de abril de 2017

TODOS NÓS TEMOS MEDO (2)

O medo traz sensações que trava quem o possui, tanto fisicamente como psicologicamente. Tudo tem que esperar um pouco mais em função de medos isto, quando não fugimos de vez.

Dizem os estudiosos que o medo começa com uma leve ansiedade e, depois evolui podendo chegar ao pavor e tornar-se uma doença: fobia.

São tantas as origens do medo que enumerá-las tomaria muito tempo, mas algumas são presentes na vida de todos nós: do dentista, do exame de amanhã, do trânsito, de assalto e outros tantos piores ou menores.

O medo vai sendo gerado em várias circunstâncias sem uma percepção mais clara. Um exemplo corriqueiro: a entrevista para um emprego, tão urgente neste momento, e a ansiedade que aumenta na expectativa da entrevista de amanhã. Suores, tremores, dores no corpo podem se juntar a este fato: um tipo de medo. A tensão da espera que se transforma em uma desagradável projeção: os músculos vão sendo tensionados inconscientemente. Desconforto causado pela ansiedade inicial que pode evoluir para o medo.

Percebermos o instante onde começa não é fácil. Se assim fosse teríamos uma cartilha orientando os passos que deveriam ser dados para evitar este sentimento.

O pior é quando vemos um pai “criando” o medo no filho com atitudes totalmente incoerentes. Forçando a criança entrar na água na “marra”. Dizendo que ele é medroso. Está cheio de pai assim por aí. Poderia dizer que de um medo nascem outros. Esta criança será a partir desta grosseria do pai, um medroso de carteirinha para outras circunstâncias da vida. Plagiando alguém: “Não basta ser pai, tem que participar!”.

Para cada um de nós existem diferentes respostas para o medo. Temos o medo que administramos com valentia, ou seja, temos um determinado medo, mas conseguimos enfrentá-lo de alguma forma. É a autodefesa que algumas pessoas conseguem por para trabalhar sem ter um conhecimento correto de como isto funciona. Mas, funciona! Outros não conseguem evitar e, pior ainda, mostram de forma explícita o seu pavor.

De alguma forma, acredito que aceitar que temos medo de alguma coisa é melhor do que mostrar que não temos e, intimamente estarmos apavorados. Sim, porque quando você compartilha seu medo parece que diminui o tamanho desta condição traumática. Dividimos com outros. Acredito que esta atitude alivie a tensão de alguma maneira.

Melhor seria não ter medo. Impossível!


quarta-feira, 26 de abril de 2017

A PAGA DA PRAGA (2)

O diabo só assusta, hoje em dia,

No efeito sonoro de si próprio.

Ele tem rezado (sic) para voltar ao poder.

Lamentável!!!

Políticos, traficantes e afins não permitem.

Se Nostradamus não previu, falhou!


terça-feira, 25 de abril de 2017

IMPORTÂNCIA (2)

O que tem mesmo importância para nós, agora, neste exato momento? A análise deste questionamento pode nos surpreender. Temos tanta certeza do que é importante, somos tão categóricos.

A vida vai mostrando que a nossa certeza não tem nenhuma segurança quando:

- Denise estou precisando de ajuda?

- Não tenho como deixar este relatório pela metade.

- Olhe, mas é muito importante.

- Importante é este relatório que meu chefe está pedindo a mais de uma semana.

- Denise, quer parar e me escutar um minuto!

- Será que falo grego? Estou ocupada!

- Sua mãe está no Hospital!

- O quê!

- Sua mãe está hospitalizada.

- Só agora você me diz isto!

- É o que estava tentando dizer, mas você está focada neste relatório.

- Meu Deus, qual Hospital?

O que mede a importância de alguma coisa é um aparelhinho sem nome e software descomplicado. Este aparelho trabalha em conexão com nosso coração e com sensores muito sensíveis, monitora situações de todas as faixas emocionais, liberando uma urgência quase de imediato quando é o caso e, neste caso, o racional vai para o espaço (No caso o relatório). O importante perde significado, não tem mais nenhuma razão de ser.

As pessoas privilegiadas tem este sensor muito desenvolvido e conseguem se antecipar as situações emergenciais com desenvoltura e ternura.

Que inveja!

Nós, os mortais comuns, precisamos nos desligar do “relatório” seja ele qual for.

A todo momento, a toda hora, temos absoluta segurança do que é importante, até o “importante” tornar-se apenas um adjetivo sem importância alguma.

Denise largou tudo e correu para o Hospital. Chegou ao quarto onde estava a mãe e pode verificar que ela estava um pouco abatida, mas tranquila.

- Mãe, porque você não me ligou para trazê-la? Como foi que você veio até aqui?

- Vim de táxi filha, você tem muito trabalho e não quis incomodar.

- Oh! Mãe, não tem nada mais importante do que a senhora.

Denise abraçou-se a mãe e, mais do que confortá-la, confortou-se a si mesma por tê-la ali, cuidada e sem maiores problemas.

- Minha filha, estou dando tanto trabalho. Você deve estar muito ocupada, não é?

- Nada mãe, tudo está em ordem. Estou neste momento cuidando do que tem importância: você!

O aparelhinho que controla o racional estava em franca atividade e operante.

Assim é!


segunda-feira, 24 de abril de 2017

POEMA (Pseudo) (2)

Ao verso pré-montado
De palavra sem sentido
Tenho pena.
É tão farto este esquema,
Tão usado...
É comida requentada, duvidosa,
Que atrai moscas e larvas.
E o que amargou,
Amargas na lavra inútil que ali lavras.
É um caminho indefinido
Esta estrada sem sentido
Com palavras magras.
A cadência coordenada
Não combina texto e prosa
É apenas uma frase...
E outra, confusas.
Um traste
Um rosto sem face.
Como este!


sábado, 22 de abril de 2017

CONSELHO (2)

Ao te fazer tanto mal
A glória do seu amigo,
É que o teu tempo tu perdes,
Mas não o perdes contigo

Roubas de ti a alegria
Preparas o teu jazigo.
Tudo te deu esta vida
E vives como um mendigo.

Porque não mudas de vez?
Refuta a insensatez.
Escuta! Ouve o que digo!

Esqueça desta morada
Que ela pode fazer, da
Insensatez teu abrigo.


sexta-feira, 21 de abril de 2017

SERÁ? (2)

Quatro imensos cavaleiros
Montados em seus corcéis
Tão grandes como seus donos
Vinham chegando do céu.

Das ferraduras luzentes
Saiam chispas de fogo
Como se o piso do espaço
Por onde eles galopavam
Fosse do mais puro aço.
Era metal com metal
Tinham o som estridente
Como um barulho infernal.

Com armaduras pesadas
Que eram espelhos ao sol
Refletiam luz e ira
Como a ira de um mongol.

Eram quatro cavaleiros
Que transmitiam o medo
Era, enfim, apocalíptico
O apocalipse tão cedo.


quinta-feira, 20 de abril de 2017

TODOS (2)

Como é que vamos ensinar o sentido de algumas palavras se nós mesmos não conseguimos entendê-las. Senão vejamos a palavra: todos.

TODOS - pron.indef.pl. - O número máximo de pessoas; todo mundo: todos votaram a matéria.

Entendido o que significa, vamos fazer uma conferência sobre o termo no Senado e Congresso Nacional, onde “todos” pode significar apenas “alguns”. Está estranhando? É o lugar onde a palavra perde todo o seu sentido. É só verificar as polêmicas votações de assuntos escabrosos, que por aquele plenário trafegam, que vamos conseguir entender a extensão absurda desta palavrinha: “todos”.

É feita uma enquete sobre determinado assunto e os repórteres conseguem, através dela, chegar à conclusão que quase todos são contra o assunto em pauta. Como o assunto é controverso e, porque não, escabroso no seu conteúdo, abertamente todos os deputados serão contra. Eu disse: “todos”, por extensão, a maioria.

Resolvida a questão, vamos à votação do assunto que será feita de forma fechada. Antes da votação, propriamente dita, entra em cena o trabalho dos serviçais do Governo que tem interesse na votação.

Temos que entender que a palavra “todos” não pode estar envolvida com a liberação de crédito para o reduto eleitoral de determinado candidato senão, serão todos menos um. Se o crédito for estendido a muitos deputados, serão “todos” menos alguns.

“Todos” terão votado contra a matéria ainda que o painel de votação indique o contrário: a matéria foi aprovada por maioria.

A palavra “todos” está envolvida em mistérios quando pronunciada no plenário da Câmara dos Deputados ou no Senado Federal.

Do lado de fora do Senado e Câmara, TODOS nós pagamos o pato.



quarta-feira, 19 de abril de 2017

COLHEITA (2)

Cada segundo é imenso no seu conteúdo.
O amor é o conteúdo das horas
No seu limitado tempo.
Passa o tempo limitado ao homem
Na estreita hora de uma vida.
E esta vida, sem tempo, sem conteúdo,
Fica enclausurada.
Faço silêncio quando o tempo passa
Pois adquiri amor ao tempo.
Aprendi a colher do tempo no tempo do Amor.


terça-feira, 18 de abril de 2017

COGUMELO (2)

Apareceu no jardim, do nada. Lá estava aquele miúdo sombrero, branco, pequenas crateras e leves marcas escorridas em variações do marrom. Não devia ter mais que cinco cm de altura. A sua volta mais alguns menores. De onde apareceram? Do nada?

Do nada aparecem às aventuras, os amores, um beijo, um brinde.

Cogumelos?

Sim cogumelos. Afinal, os sapos também tem que ter moradia. É o que diz a lenda.

Fui à busca de informação e vi que o cogumelo aparece através dos esporos, estruturas microscópicas que, levadas pelo vento facilmente, se instalam ao seu bem querer. Irão germinar, crescer e originar novo fungos.
O cogumelo é o nome dado à frutificação de alguns fungos dos filos Basidiomycota e Ascomycota, pertencentes ao Reino Fungi. Tinha conhecimento deste fato com os musgos. Eles também aparecem com os esporos trazidos de algum lugar e se instalam. É fácil observar, em determinadas árvores ou pedras mais à sombra, o seu aparecimento logo após algumas chuvas. Bastam dois dias de chuva e... Pronto, lá estão eles em variações infinitas de verde e texturas. São os esporos, que ficaram da última germinação e que voltam com força e beleza.

A determinação destes pequenos seres, cogumelo e musgo, impressionam. Acreditam no seu destino e, o seu destino é voltar, renascer. Sabem que virá um vento e os levará a lugares desconhecidos onde continuarão sua descendência. Aceitam e acreditam. Simples!

O pequeno cogumelo à minha frente levou meu pensamento a lugares distantes. Deixou-me intrigado. Esta história de renascer...

Seremos cogumelos?


segunda-feira, 17 de abril de 2017

SE NADA RESTA (2)

Quem sabe o que o futuro me reserva
Um pequenino fio de esperança?
Mas, se nem isto receber um dia
O meu viver será tua lembrança.

Eu não pequei, meu Deus, eu não pequei,
Tenho certeza, nada fiz de errado.
Amar demais?! Isto é verdade, amei.
Amar demais foi todo meu pecado.

Como enfrentar a minha dor agora?
Pois a mulher que quero não me ama.
Como apagar a labareda acesa
Meu coração que se desmancha em chama?

Já me tiraram tudo nesta vida
E estou bebendo esta poção amarga.
Leva o que é teu e o que é meu também,
Leva a tua sombra que ela não me larga.


domingo, 16 de abril de 2017

PAPO RETO (2)

- Alô!
- Rê?
- Oi!
- É a Fá!
- Oi Fá, sumida, quais as novidades?
- Você foi à festa da Su?
- Teve festa na Su?
- Claro que teve e bombou!
- Não acredito!
- Podes crer tá na rede.
- Mas eu não fui convidada!
- Nem eu!
- Quem foi?
- Que eu sei foi a Clau, a Di, A Má, a Fer e a Si.
- Até a Clau foi?
- Até ela miga.
- Mas ela tava brigada com a Su.
- Eu sei!
- Alôôôu! O mundo pirou!
- Miga, esquenta não, a Su está sensualizando.
- Cê tá de brinks?
- É, não esquenta vamos trocar uma ideia.
- Demorou!
- Baixa a bola que a gente dá o troco.
- Só!
- Sabe a Má?
- Sei!
- Ela é minha X9 e tem umas fotos que a Su vai pagar um mico geral.
- Põe na mídia Fá, agora!
- Tô teclando, vou desligar aqui e ligar a bomba. Segue no FB, no Instagram e no Twitter.
- Beijo!
- Beijo!

- Mãããe?
- O que é Renata.
- Estou tão feliz hoje.
- Que bom filha, posso saber por quê?
- Sei lá mãe, sei lá! Vamos fazer brigadeiro?


sábado, 15 de abril de 2017

A CICATRIZ (2)

Marca que fica e sempre lembra um acontecimento.

Algumas existirão e nunca serão vista a não ser por nós: as marcas de amores perdidos. Aquelas que poderão doer por tanto tempo que chegamos a pensar em morrer de tanta dor. Na verdade morremos um pouco a cada amor perdido e, incrível contrassenso, conseguimos viver um pouco mais por um amor que nunca viveremos. Coisas do amor e suas indeléveis marcas.

Existe uma coleção de cicatrizes nos corações de todos nós. Alguma ferida que quase nos rasgou o peito um dia. Ah! Estas feridas do amor de todos nós!

E das cicatrizes visíveis, o que falar? Podemos olhar e dizer:

Sobre a cicatriz recente:

- Puxa como incomoda!

Sobre a cicatriz curada:

- Graças a Deus!

Sobre a cicatriz que ainda dói:

- Droga!

Cicatriz que não queremos ver:

- Doutor, vai ficar marca?

Temos que olhar toda cicatriz com o olhar do menino. A ferida, a operação, o tombo, seja o que for, doeu e deixará marcas, mas a cicatriz para o menino será sempre assim:

- Mãe, vai ficar cicatriz?
- Acho que vai.
- Oba!!!



sexta-feira, 14 de abril de 2017

CAMINHOS (2)

A Geraldo Alves Lelis

Será a velhice um fardo?
Restolho da juventude,
Olhos baços, solidão?
O fim da plenitude,
Começo da podridão?

Não!

A velhice é um brinde,
Prêmio maior da vida,
Encontro do homem e Deus.
Pois no último suspiro,
A alma do corpo se arranca
Num parto sem dor nem sangue
E corre como criança
Em dia de tempestade
Pros braços do Criador.


quinta-feira, 13 de abril de 2017

MUSICAL (2)

Ah! Esta música...

Vai cortando em pedaços

Alguma coisa dentro de mim.

Toda música enfim,

Haverá de machucar-me.

Toda melodia que me agrada

É meu algoz.

Não tenho a musicalidade da execução,

Sou a partitura viva que foi mal executada.


quarta-feira, 12 de abril de 2017

QUANDO A COMPARAÇÃO É SINAL DE QUE ALGO VAI MAL (2)

Todos nós comparamos alguma coisa com outra similar em algum momento durante a nossa vida. É certo que existem pessoas que estarão todo o tempo, comparando os iguais para torná-los desiguais. Também é evidente que quando você compara, estará elegendo algo melhor em detrimento de algo que, por consequência, será pior.

Comparar, nos permite escolher. O comparar deveria parar aí, na escolha de algo: roupas, sapatos, carros, clubes, perfumes, etc.

Quando estamos almoçando, por exemplo, e vem à lembrança aquele restaurante onde o arroz estava muito melhor do que este agora. A comparação aparece porque, aquele gosto, traz uma memória de sabor melhor para este momento onde comemos o mesmo alimento.

A comparação com pessoas é extremamente perigosa. Para observarmos:

Os perigos da comparação no dia-a-dia

Nunca compare seu filho (a) com o (a) daquele (a) amigo (a).

- Porque você não é educado como o Cleiton, meu filho?

Você estará mostrando a sua ineficiente capacidade de educar. Faça a observação ( Mentalmente ) e transforme a sua observação em objetivo de mudança dentro de casa. Fazendo o comentário acima, você mostra que não conseguiu educá-lo. Colocar seu filho dentro da mesma postura do Cleiton é trabalho seu! Veja a razão de seu filho não ser igual e eduque-o. Imagine ser a mãe do Cleiton, veja o que foi feito.

Sua comparação traz a comparação de outros que poderão dizer:

- A Clara não consegue educar o filho!

Isto é horrível!

Pequenas situações em casa nos motivam a alimentar o sensor de comparações perigosamente. Afinal, quem compara é comparado também!

Faça o seu melhor para si e para o outro. Sim, faça primeiro para você para que possa ser melhor para quem quer que seja. Seja o melhor lado da comparação. Aprenda com a comparação positiva. Em casa, ensine, corrija, eduque. Isto vale para todos os tipos de relacionamentos que vivemos.

Confirmando o título: “Quando começamos a comparar muito, alguma coisa não está indo bem”.


terça-feira, 11 de abril de 2017

FÁCIL DE VER (2)

- É ela, é aquela!

- Quem? – disse eu.

Apontava em meio à multidão. O brilho dos seus olhos se acendeu. Acompanhava alguém atentamente.

- Estás vendo?

- Não, não sei quem é!

- De calça jeans e blusa verde.

- Não tem ninguém ali com estas características.

- Tem sim! Atrás daquele senhor de terno cinza.

- Ninguém de cinza naquele grupo meu amigo.

- Como não! Veja!

- Não vejo ninguém assim.

- É aquela, aquela ali que me trouxe Paz, com seu sorriso doce e voz macia. Que encheu meus dias de luz quando tudo em torno era escuro. Que conseguiu mostrar de mim mais do que eu mesmo poderia ver. Foi ela que me deixou vivo quando não acreditava mais na vida. Também ela me fez ver o que deveria ser visto, saboreando as coisas ao meu redor. É dela a minha alegria e meu humor. Vê agora?

- Agora sim, é possível vê-la em você!


segunda-feira, 10 de abril de 2017

COTIDIANO (2)

Todo dia de manhã
Dona Cotinha passava
Com sua blusa de lã
Que a todo instante ajeitava.

Uma sacola no braço
Com os produtos da feira
Andando no seu compasso
De sua vida solteira.

Sem pressa e sem correria
Já que ninguém lhe esperava
O seu trajeto fazia
Tranquilamente andava.

- Bom dia Dona Cotinha!
Meu bom dia era um rosário.
E retrucava à velhinha:
- Bom dia também seu Mário!

E estes costumes da vida
Meu jornal ler na varanda
Ver saindo da quitanda
Dona Cotinha querida

Foram quebrados um dia.
A notícia alguém me deu
Foi como alguém da família
Que a vizinhança perdeu.

Mais tristeza ali deixava
Neste mundo desumano
Dona Cotinha faltava
Faltava em meu cotidiano


domingo, 9 de abril de 2017

VOU DEIXAR MINHA CASA (2)

Casa vazia
Percorro inteira,
Canto por canto,
Quarto e banheiro...

Casa vazia
Eu já me vou.
Sonho de um dia
Casa vazia
Completou-me.

És como filha
Pois foste cria
De uma alegria
Que hoje acabou.

Casa vazia
Com toda a graça
Recebe a quem
Vier te habitar
Que este lugar
Foi consagrado.

Casa vazia
Vou te deixar.
Deixo contigo
Dando-te as mãos
Todo o jardim.
Deixo também
Parte de mim.


sábado, 8 de abril de 2017

ERRÁTICA (2)

Para Pat

A sua dança, densa, viva,
Que usa os espaços vazios
Preenchem, com seu sentimento,
Meus olhos e o meu coração
De um tanto de sentimentos
Que transbordam lentamente,
Arrastados em seus gestos
Prisioneiros da emoção.

Arte pura, a pura Arte,
Alquimia gestual
Que me modifica,
Que me tonifica,
Lúdica.

Vê-se a dor e o sofrimento,
Vê-se o riso, o esforço, a Paz.
A dançarina que oferece a dança
Nesta sua dança que oferece mais.


sexta-feira, 7 de abril de 2017

O QUE IMPORTA (2)

Destoa de tudo
Este tempo seco,
Com esta poeira
Do seco da terra.
Os meus sentimentos
Pequenos, serão
Todos encobertos
E assim ficarão.
Por serem pequenos
Não terem sentido
Não terem razão.


quinta-feira, 6 de abril de 2017

ONDE ESTÁ? (2)

Onde está à poesia leve que te acompanhava?
De palavra fluída.
Sintética, sua poesia era. Estava.
O verso é amigo dos poetas.

Busque os seus versos que se escondem,
Que deles é feita a sua poesia.
O poeta: que o verso escreve.
O verso: que o poeta cria.



quarta-feira, 5 de abril de 2017

ORIGEM (2)

Jorra da terra a fonte de água límpida
E se oferece ao viajante audaz,
É um recanto quieto e sombreado
Ao mesmo tempo é vida, é força, é Paz.

A inspiração é a água que renova
Cujos poderes são transcendentais.
A inteligência, a inspiração oculta,
Que a inspiração é inteligência e mais.

Como o batismo é a inspiração Divina
Que este Arquiteto em sua oficina
Ofereceu a nós pobres mortais,

Tem a poesia assim sua esperança
De encontrar em Deus a semelhança
Jorrando viva destes mananciais.


terça-feira, 4 de abril de 2017

BUSCA (2)

A inspiração é uma arca
Que não tem porta de entrada.
Sem cor, sem forma, sem marca,
Como abrirei se é fechada?

Para esta porta se abrir
E nesta arca adentrar
É necessário sonhar
Um sonho que a faça ouvir

Os seus anseios, seu medo.
É este enfim o segredo
Que a inspiração não resiste.

E o texto, a prosa e a poesia,
Preenchem a folha vazia
Que a inspiração rindo assiste.


segunda-feira, 3 de abril de 2017

ANCESTRALITEÍSMO (2)

Será que comporto um *atavismo divino?
Não terei nos meus genes,
O instante da criação?
O clarão daquele segundo
Numa célula qualquer,
Por mais pequena?
Ciência com mestrado após a morte:
A genética Divina.
Aguardando a hora e a vez do esclarecimento.



*Atavismo - s.f. Reaparecimento numa pessoa das características de um
antepassado que permaneceram escondidas por muitas gerações.



domingo, 2 de abril de 2017

RELÓGIO (2)

O relógio está perdendo vez. São poucas as pessoas que usam este instrumento de medição das horas hoje em dia. O celular desbancou a sua importância.


- Que horas são?


Todos irão olhar no celular. Está bem, quase todos!


A necessidade de saber as horas inventou o relógio. Tempos depois as pessoas ficaram escravas do relógio (Das horas). Preciso chegar no horário senão... ”O patrão me come o fígado!”.


Este relacionamento tinha momentos de tensão quando o relógio quebrava.


- O quê vou fazer?
- Simples! – dizia alguém - Vá ao relojoeiro!


Isto me lembra, quando menino, da Relojoaria do Almeida. Lembro-me do pequeno toldo retrátil que servia de proteção, na parte da tarde, quando o sol batia de frente na loja. Muitas vezes vi o Senhor Almeida com uma pequena manivela que se engatava em um mecanismo para abrir o toldo.


O Senhor Almeida em sua pequena loja, que não tinha mais de um metro e meio de largura, era o “cara” quando se tratava de relógios. Seus cabelos brancos apareciam por traz de sua pequena bancada, onde se podia ver uma infinidade de relógios. Alguns pendurados em pequenos ganchos; outros, sobre a mesa, amontoados. Eram visíveis pequenas caixinhas plásticas onde colocava as peças daqueles que ainda estava trabalhando. Alguns estavam esperando peças; o viajante da marca passaria dentro de alguns dias. Sempre me perguntei como é que ele sabia qual peça era de quem. Era constante aquela situação devido a sua notoriedade como relojoeiro em nossa cidade, todos os dias relógios com defeito chegavam a sua oficina. Atendia sempre com sua lupa dupla sobre a testa e um sorriso no rosto, iluminado por uma lâmpada fluorescente fixada na parte de cima da bancada.


Na lateral da loja, uma prateleira envidraçada estava repleta de diversos modelos e marcas. Luminárias acesas faziam com que tudo brilhasse mais. Lembro-me das muitas vezes que entrei apenas para olhar. Ficava perdido na quantidade de peças: relógios, despertadores, caixinhas de música, pulseiras, pequenos adornos, etc. Lá no fundo, um balcão minúsculo, que se ligava a prateleira lateral, separava a área de circulação da bancada de trabalho.


Confesso que me passou pela cabeça ser relojoeiro. Envolver-me naquele quebra-cabeça sem fim.


Possuir um relógio já foi uma posição de status, hoje em dia, fica até incompreensível para os mais novos. Tenho dois ou três relógios guardados que, definitivamente, não vou mais usar. Pode ser que acabem nas mãos dos meus bisnetos que perguntarão: “Para que servia isto?”.


Absorvido nestas recordações ouço alguém perguntando:


- Que horas são?
Respondo de imediato:

- Não sei, estou sem meu celular!


sábado, 1 de abril de 2017

FUTUROLOGIA DOMÉSTICA (2)

O que será do hoje que trafega
Alucinado e sem horizonte?
Barbarizado pelo homem,
O próprio tempo é desprezado.
Angustia saber o que acontece.
Amedronta o amanhã que nasce morto.