sexta-feira, 31 de março de 2017

A BANANA E A BOLSA DE VALORES (2)

Estamos comprando, no dia de hoje, com uma ação da Petrobrás quase um quilo de banana. Eu disse quase.

Não é legal!!!

Fica a dica para os menos conectados, compre logo para não perder dinheiro. A banana está subindo e a ação da Petrobrás, descendo.

Afinal temos que valorizar a banana. Foi este o pensamento do pessoal do petrolão. Valorizar a banana. Penso até que alguns dos “trocados” que saíram no petrolão foram aplicados no Vale da Ribeira em plantios de banana.

Essa mania de estar sempre com um pé atrás. Prejulgando maldosamente. Aí pensamos: plantar bananas ou colher (Dividendos)? Dúvida cruel.

Falta de pensar, veja o nome delas:

Banana ouro

Banana prata

Mais as irmãs pobres:

Banana maçã

Banana nanica

Até as quitandas estão usando a prática de cartel quando tem banana, isto porque as indústrias farmacêuticas estão comprando toda a produção.

Não vai demorar muito tempo para pedirmos ao médico uma receita de banana genérica para câimbra. É o potássio! Quem sabe vai ser possível encontrar em uma Farmácia Popular ou no postinho do bairro.

- Tem o genérico da banana ouro?

- Tem sim, mas só vendemos por gramas.

- Qual a equivalência para uma dúzia?

- Você leva um *blister com 12 que dá certo.

- Quanto custa?

- Tá R$10,00 a embalagem e só tem sabor morango.

- Como assim, banana sabor morango!

- É o que temos.

- Então me dá uma.

- Agora não tem jeito que estão guardados no armário lacrado junto com os remédios tarja preta.

- Ué, mas é tarja preta?

- Não, mas devido aos roubos o dono está guardando com segurança e, neste momento, ele não se encontra. Volta mais tarde!

Estou dando tratos “a bola” e analisando. Se o preço da banana for atrelado ao preço da ação da Petrobrás como está parecendo e se a ação subir... Nunca mais como banana.


*Blister - é o nome da embalagem no formato de cartela.


quinta-feira, 30 de março de 2017

SONHOS IMORAIS (2)

Que são os versos se não as vestais
Que proibiam toda voz blasfema
O entrar profano de pobres mortais
No resguardado templo do poema.

Ali entraram somente imortais
Que espalhavam o cheiro de alfazema
E cujos cantos eram credenciais
A dar direito a esta glória suprema.

Como encontrar a porta deste templo
Se nem em sonhos contemplar, contemplo,
Pobre mortal em forma tão profana

Sou como todos: sangue, carne, osso,
Pulmões e rins e o intestino grosso

Pior ainda: tenho a alma humana.


quarta-feira, 29 de março de 2017

O BRASIL NO BURACO (2)

O Buraco, em Ribeirão Preto-SP (Aqui se deve ler Brasil?), se reproduz com intensidade nos períodos de chuva. O acasalamento acontece, na maioria das vezes, á noite. Cientistas tem estudado este assunto, bastante inusitado, da procriação dos buracos. Nos estudos realizados chegaram à conclusão lógica que a alimentação destas criaturas é fornecida pelo material com que são pavimentadas as ruas. O fato é que, pelas manhãs, aparecem por todos os lados buraquinhos que, por sua voracidade e por encontrarem alimentação farta ao seu redor, desenvolvem-se com excessiva rapidez.
Descoberta a sequência do DNA dos buracos, foi entregue a administração pública um trabalho elaborado fornecendo a solução adequada.

- Oras, então é simples, vamos mudar este material! Eles (Os buracos) morrerão de inanição.

(Risadas ecoam por todo o Brasil. Nos órgãos públicos federais, estaduais, nas câmaras municipais, em todos estes “buracos” onde se escondem os que, escondidos, planejam nossas rodovias e ruas. É quase possível ouvir-se: “E a nossa comissão como fica?”)

A importância dos buracos na comunidade é de tal porte que alguns têm nome próprio: O buraco da Avenida 13 de Maio, da Rua Sete de Setembro; alguns, são de dimensões estelares: os buracos negros, ali somem carros; outros, são pontos de referência na cidade: “Depois do terceiro buraco, vire à direita!”.

Percebe-se que alguns são motivos de preocupação materna:

- Cadê o Carlinhos?
- Tá brincando de barquinho na poça em frente à Dona Rosa!
- Vander de Deus, seu irmão tem só cinco anos!
- E daí mãe!
- Daí que aquele buraco tem mais de metro de fundura. Vá buscá-lo!

Como enche o problema dos buracos?!

#buraco
#enche
#quando


terça-feira, 28 de março de 2017

PASTEL (2)

Dos pequenos pecados alimentares, o salgadinho é o melhor. Seria um pecado contra a pressão alta, problemas renais, arritmia, infarto? Não sei disto, pois não estou falando dos salgadinhos embalados. Estes contém sal em excesso. Já pensou que um pacotinho destes tem o sal necessário para um dia todo.

Olha a pressão alta aí gente!

Estou falando do Ponto do Salgado. Estabelecido há várias décadas no mesmo lugar e com o mesmo tempero.

Este é o meu lado mais popular no mundo gastronômico, lado sem grife que me define como simples. Que sacia este meu lado comum.

Conscientemente vou preparado para comer apenas um pastelzinho de carne e um refrigerante. O que não sei, é que meu inconsciente já está trabalhando na possibilidade de mais um ou dois. O inconsciente é inconsequente. O visual também corrompe a decisão tomada antes: pastel, coxinhas, quibes, esfihas...

Estou decidido, apenas um pastel!

Minha boca se enche de saliva no pensamento que precede meu pedido:

- Por favor, um pastel de carne e um refrigerante!

Aguardo olhando os expositores aquecidos enquanto a atendente me serve o refrigerante. Sou um fraco diante desta vitrine. Não, não vou me deixar vencer! Dou um gole no guaraná e vejo meu pastel chegando acompanhado de alguns guardanapos:

- Algo mais? – pergunta solicita a moça que me atendia.

- Obrigado! – respondo

Calma, muita calma nesta hora. Vou saborear o momento. Pego um dos guardanapos, dobro e envolvo uma das beiradas do pastel. Seguro firmemente dando a primeira mordida com cuidado, está bem quente. Nesta primeira mordida procuro alcançar o bojo do pastel para liberar o excesso de calor que fica preso ali. Nada do que acontece em minha volta interessa neste momento. Absolutamente nada! É uma questão pessoal: eu e o pastel. Aos poucos verifico que estou chegando próximo ao pedaço envolto no guardanapo e ainda tenho a sensação de que falta um pouco mais. Meu inconsciente já desorganizou todo o meu lado lógico e me vejo pedindo:

- Mais um pastelzinho, por favor!

Posso justificar minha fraqueza dizendo que: “Pecados que não deixam remorsos não são pecados, são prazeres”.


segunda-feira, 27 de março de 2017

CONTEÚDO (2)

Pisando a terra fofa dos canteiros
Meu corpo quente toca a terra fria
Assim percebo a vida desta terra
Que a humanidade toda percebia.

Da terra viva, tão fecunda agora,
Pelos meus pés meu corpo recebia
A força que esta massa geradora
Tão generosamente transmitia.

E me interrogo como é que a semente
Tem seu prazer no que é pra mim fobia
Ir se esconder na escuridão da terra
E acreditar na intensa luz do dia.


domingo, 26 de março de 2017

THE VOICE (2)

Quando encontramos algo bom para assistir.

A televisão brasileira tem, contado nos dedos, programas de nível; algo que se possa usufruir sem o constrangimento das apelações comuns e constantes nas telinhas. Algo que se possa assistir com a família e, mais ainda, com as crianças. Tenho tido a oportunidade de assistir ao The Voice, para adultos e para crianças, vale a pena!

Enfim um programa de qualidade, onde podemos ver e ouvir musicais de muito bom gosto e alguns, de altíssima qualidade. São apresentados candidatos selecionados entre uma quantidade enorme de pretendentes, trazendo para o espectador momentos de prazer. Algumas vozes são muito especiais, timbres e sonoridades que emocionam a todo instante. As lágrimas chegam aos olhos dos juízes em algumas apresentações mais surpreendentes. De todo o Brasil vem estes candidatos em busca de um espaço na música. Todos os estilos são apresentados, indo da música de raiz ao jazz com a mesma elegância. Vamos ouvindo histórias que encantam ao mostrarem a luta deste ou daquele candidato.

Este é um programa onde, em família, podemos nos sentar todos juntos e assistir.

Não quero ser um quadrado em *púlpito alheio a trovejar sermões, até porque não é minha área, mas o mais tolo de nós percebe a imbecilidade gerada nos programas de televisão de hoje em dia.

Vamos optar pelo melhor.

*Púlpito - s.m. - Antigo. Local elevado utilizado pelo orador para falar; tribuna.


sábado, 25 de março de 2017

SONHOS (2)

Como fantasmas,

Pelas calçadas do jardim,

Rolavam esquecidas

Minhas recordações.

Não fantasmas assustadores, mas tristes,

Como àquela hora.

E as crianças, redemoinhos estouvados,

Lambendo a grama,

Alegres e sem rumo,

Passavam sobre meus sonhos.


sexta-feira, 24 de março de 2017

ALGO SOBRE A DIDÁTICA (2)

Comecei ministrar cursos de bonsai em 1996. Uma das maneiras que encontrei para manter a atenção dos participantes durante meu curso foi, sempre, chamar aquela pessoa que percebia estar sonolenta ou desatenta para me ajudar. Não adianta, isto vai acontecer em qualquer curso, principalmente se forem muitas pessoas. Quando a quantidade de participante é pequena você consegue dar atenção um a um sem muito problema então, a minha atitude resultava em bom andamento para o meu trabalho. Era a boa solução, colocava o desatento mais próximo do que se fazia interagindo objetivamente no trabalho daquele momento.

Acredito que em muitas situações a solução está em procurar a saída mais adequada para cada caso. O estimulante do momento! Fazer com que um participante cansado ou desatento interaja ativamente, será uma boa solução.

Outra possibilidade que descobri é criar um suspense momentâneo. O participante estará ansioso pelo resultado. O suspense desperta!

Uma das maneiras que encontrei para mostrar o cuidado que se deve ter ao podar um galho foi com um pequeno truque.

Para os que não sabem, a poda é essencial na Arte Bonsai. É como conseguimos manter a nossa árvore no tamanho adequado por muitos anos. Esta poda é feita na parte aérea assim como nas raízes. Assim é que mantemos a estrutura do bonsai. Muito bem, como disse a poda é essencial. No momento em que vou falar sobre a poda aérea, ou seja, a poda de galhos, uso uma árvore ou pequena muda para a demonstração. Propositalmente, corto um galho que não deveria cortar e informo do meu erro aos alunos. Neste momento, é fácil ver algumas pessoas preocupadas com minha “falha”, até porque minha postura estará mostrando que “de fato errei”. Neste momento, aproveito para dizer da calma que devemos ter ao trabalhar a nossa árvore. Tranquilidade! Paciência!

Paciência, regra número um!

Seguramente erraremos menos. Chamo a atenção com bastante ênfase para o cuidado com a poda. Um erro poderá ser corrigido com o tempo, mas poderá levar muito tempo a correção de um erro destes ou, até mesmo, não ter solução. Agora vem o “truque”.

O galho que foi cortado está em minhas mãos. Já dei suficiente destaque para que evitemos este tipo de erro. Neste momento digo que: “Sim, às vezes pode haver solução!”. Coloco um pouco de saliva na ponta do meu dedo e passo na base do pequeno galho que está em minhas mãos. Repito o processo colocando um pouco de saliva na ponta cortada do galho na árvore. Todos estão olhando sem entender o que faço. Junto o galho que está em minhas mãos com a ponta do galho cortando fazendo com que fiquem alinhados da maneira que foram cortados. A atenção é visível. Neste momento, com uma das mãos, fico segurando as duas partes na posição original. Começo a reforçar a informação de que não devemos ter pressa ao cortar para não acontecer o que tínhamos acabado de ver. Um erro desnecessário.

Neste momento estou falando para todos, mas a atenção da maioria está em minhas mãos.

O quê esperam ver?

O quê acontecerá?

Continuo por três ou quatro minutos com informações as mais variadas e a atenção vai se concentrando em minhas mãos. No meio da fala coloco: “Pode ser que se consiga alguma solução diferente para este problema. Nunca temos muita segurança sobre isto”. De repente, solto o pequeno galho que cai...

É notável, todas às vezes um susto aparece aqui e ali. Acontece um momento mágico. Intimamente, algumas pessoas estavam esperando que o galho ficasse fixo em sua base, mas todos, todos estavam atentos ao que aconteceria.

Não, de fato, cortou errado não tem solução. Em contra partida ganhei meu público. Dali em diante tinha a atenção de toda a classe.

Podar, a partir daquele momento tinha regras claras, definidas.

Tenho comigo uma certeza: “Quando ensino, aprendo primeiro, pois meu ouvido é o que está mais próximo da minha boca. Então, ensinar é reaprender”.


quinta-feira, 23 de março de 2017

PRESENTE (2)

Ah! Vou entregar-te o mundo.

Sim, eu vou!

Escolhe o que quiseres,

Pois se sou o mais feliz dos homens,

Serás assim entre as mulheres.


E o mundo... O Universo todo

Eu lhe darei

Tão fácil é satisfazê-la.

Mas, como dar-te um astro, o Sol?

Se o Universo todo a quer como uma estrela!


Assim mesmo amor,

Pede que te atenderei.

Escolhe o que quiseres

Pois, se sou o mais feliz dos homens,

Serás assim entre as mulheres.


quarta-feira, 22 de março de 2017

*INTERJEIÇÃO (2)

A distância entre o entendimento correto e o que imaginamos a respeito de um fato, fica dependente na informação que recebemos. Salvo se formos personagens do assunto.

Um fato pode ser analisado por diversas mídias, com enfoques diferentes, permitindo a nós a análise e, quem sabe, por consequência, uma nova visão sobre o assunto. Sim, é bem por aí que a lógica anda. Sim, eu sei, tem assunto para várias laudas. Vou ficar no resumido!

Saí de casa para pagar algumas contas e fazer compras no supermercado. Na metade do caminho da minha primeira atividade que seria em um banco, o trânsito foi ficando lento, mais lento e parou. Na minha despreocupação com compromissos mais sérios, liguei o rádio e procurei por uma música agradável. Acabei na Rádio Usp que tem sempre uma variedade de músicas muito boas de ouvir. Aí sim, fui em busca do que causava a lentidão. Lá, bem à frente, podiam ser vistos caminhões encostados do lado esquerdo da pista, recolhendo galhadas das árvores que haviam sido podadas. Fui seguindo a fila no engata a primeira e desengata até o final daquele gargalo.

Ufa!

Foi um “Ufa!” sem estresse. Apenas um “Ufa!” normal de acontecimentos banais. Poderia haver neste “Ufa!” alguma raiva, mas não, era apenas um “Ufa!” despretensioso e de momento. Seguramente me faltou outra interjeição. Quem sabe: Oba!

Segui em frente, em busca da minha agência bancária quando... Outra vez o trânsito estava ficando lento, lento e... Parou!

Neste momento já estava com o rádio ligado e minha atenção se voltou para o que poderia ter acontecido. Parecia que este engarrafamento seria bem mais longo que o anterior. Procurei entender o que havia, verificando os sinais que ouvimos ou enxergamos nestas ocasiões como: pessoas ao lado do carro gesticulando, carros buzinando. Pude perceber que, a sete ou oito carros adiante, alguns motoristas conversavam sem gestos mais expressivos que os normais. Não havia buzinaços. No início deste texto está: “A distância entre o entendimento correto e o que imaginamos a respeito de um fato, fica dependente na informação que recebemos”. Meu lado detetive, após análise visual chegou a conclusão de acidente grave. Por quê? O fato de não ouvir buzinas em um engarrafamento muito grande aponta para situação “grave”. Em segundo lugar, a observação de pessoas conversando de forma normal mais a frente informava que estavam analisando com mais segurança, quem sabe com visão do acontecido, portanto não seria o caso de gesticulações de revolta ou raiva.

Muito lentamente, os carros começaram a se movimentar. Estava muito perto do ponto onde, de fato, um acidente bastante grave tinha acontecido. Nas conversas laterais, que acontecem com transeuntes informando os motoristas, pude ouvir: “O motoqueiro morreu!”.

Não sabemos quem era. Se casado ou solteiro. Teria filhos? E os pais... Que notícia!

As interjeições se seguem a cada carro que passa: “Nossa!”, “Puxa!”, “Credo!”, “Que pena!”, e assim vai...

Intimamente agradeço a Deus a espera nos congestionamentos. Agradeço não ter corrido. Agradeço não ter atropelado ninguém.

Com todas as situações acima me ocorre mais uma interjeição: “Graças a Deus!”


*Interjeição - é a palavra invariável que exprime emoções, sensações, estados de espírito, ou que procura agir sobre o interlocutor, levando-o a adotar certo comportamento sem que, para isso, seja necessário fazer uso de estruturas linguísticas mais elaboradas.


terça-feira, 21 de março de 2017

VOCÊ ESTÁ CONECTADO? (2)

Várias pessoas se aglomeravam em uma recepção de um prédio comercial. A empresa Connection Blue abrira vagas. Jorge, 55 anos, estava entre os candidatos.

- Bom dia!

- Pois não. O que deseja? – disse a recepcionista

- Vim para a entrevista da Connection Blue.

- Por favor, o senhor preencha este formulário.

- Você pode me arrumar uma caneta? – disse Jorge

- Vá até aquele balcão para preencher porque o movimento hoje está de amargar. – disse a recepcionista entregando a caneta – Assim que termine, é só me entregar. Faremos a chamada por nome.

Jorge dirigiu-se ao balcão, onde já estavam mais dois ou três candidatos. Desempregado há alguns meses, torcia para estar entre os selecionados. Era um homem honesto, formado em Administração de Empresas, com uma ficha profissional impecável, asseado e educado.

Terminou as anotações e entregou a recepcionista. Ao seu redor, a grande maioria era de jovens com faixa de idade entre vinte e, no máximo, trinta anos. Conseguiu um espaço em uma poltrona e sentou-se esperando a chamada. Passaram-se mais de trinta minutos quando ouviu:

- Jorge, Jorge Limeira!

Jorge levantou-se e dirigiu-se a recepcionista.

- Sou Jorge.

- Por favor, tome o elevador da direita até o vigésimo andar. Saindo, a sua direita, dirija-se a sala 404.

- Obrigado.

Jorge tomou o elevador e chegou à sala indicada.

- Bom dia!

- Bom dia! O senhor veio para a entrevista de emprego?

- Sim. – disse Jorge entregando a ficha que preenchera.

- Sente-se um instante que breve será chamado. – disse a atendente.

Minutos depois:

- Sr Jorge, por favor, o nosso Gerente de Recursos Humanos, Sr Jonatan, irá atendê-lo. – ela levantou-se e abriu a porta para a sala de entrevista – Boa sorte!

- Obrigado! – respondeu Jorge polidamente.

- Jorge, seja bem vindo a Connection Blue, meu nome é Jonatan e serei seu entrevistador.

Não devia ter mais de vinte e cinco anos, calculou Jorge. Muito bem vestido, cabelos esticados com algum tipo de gel. Enquanto falava, teclava um smartphone de última geração. Sem tirar os olhos do aparelho perguntou:

- Jorge, a Connection Blue é uma empresa, como o nome diz, super conectada e esperamos dos nossos colaboradores esta posição.

- Acredito que não terei problema em atender este quesito. – esclareceu Jorge.

- Quesito! – exclama Jonatan – o que é isto?

- Questão – respondeu Jorge.

- Ah! Interessante, – Jonatan tirou os olhos de seu Smartphone – apenas para constar Jorge, você certamente tem um Smartphone para contatos?

- Não, o meu é apenas um telefone comum.

- Mas como vou localizá-lo para atendimentos eventuais?

- Pelo telefone! – diz Jorge.

- Quero dizer que não terei acesso a sua localização geográfica neste seu telefone ultrapassado. – finaliza Jonatan.

- Eu direi onde me localizo. – responde Jorge.

- Vamos recomeçar. Parece que não começamos bem. Jorge você está conectado a rede?

- Que rede?

- A internet

- Estou sim, tenho um computador em casa.

- Ótimo! Tem Facebook?

- Não, não tenho!

- Como vou localizar o seu perfil?

- Enviei meu C.V. para a empresa nos primeiros contatos.

- Curriculum Vitae não mostra o seu perfil atual meu amigo agora, o Facebook é o seu perfil atualizado mais confiável. Você tem Twitter, Instagram, Google+, qualquer mídia do gênero?

- Não, não tenho!

- Você tem WhatsApp?

- Também não!

- Como vou encontrá-lo rapidamente Jorge?

- No meu endereço ou no meu telefone. – responde Jorge atrapalhado.

- Mas você teria que ter o WhatsApp, ele é mais prático que o telefone. Não temos que ficar esperando uma ligação que não sabemos se será completada. É mais direto. É mais moderno. É, finalmente, o que se usa hoje. – diz Jonatan já um pouco irritado.

- Penso que posso providenciar o necessário que a empresa me solicita. – diz Jorge buscando uma solução.

- Impossível! – Jonatan está incrédulo – A empresa não pode esperar que você se organize e esteja habilitado nestas mídias para breve. Precisamos de um elemento AGORA.

- Meu filho me disse algumas vezes para que eu comprasse um aparelho melhor.

- Porque não comprou Jorge? Porque não comprou?

- Não via a necessidade. – se explica Jorge.

- Deveria ter escutado seu filho! Infelizmente Jorge, você não atende as necessidades da Connection Blue. Embora me pareça um boa pessoa não está devidamente conectado para a empresa. Lamento!

Neste momento, Jonatan já está digitando alguma coisa em seu Smartphone. Estica a mão dizendo:

- Obrigado por atender ao nosso chamado. Tenha um bom dia.

Jorge se despede abatido:

- Bom dia!

Chegando em casa, sua esposa vai recebê-lo ansiosa por novidades:

- Querido como foi a sua entrevista?

- Nada bem!

- Como assim, nada bem! Seu curriculum é muito bom!

- Pode ser, mas acredito que eles nem leram minhas informações.

- Então porque não foi aceito?

- Porque não tinha um smartphone!


segunda-feira, 20 de março de 2017

BONSAI VI - Um presente da Lituânia (2)

A viagem a Vilnius, na Lituânia, em 2011, foi muito interessante por um fato bem específico. Eu tinha que comprar um presente para minha filha Andréa, era um compromisso que tinha feito comigo mesmo para recompensá-la da sua constante ajuda quando das montagens do meu evento em Ribeirão Preto. Sempre uma formiguinha diligente e carinhosa. Atenta e prestativa.

O fato é que ela havia me pedido para encontrar uma imagem de Nossa Senhora, uma santa com identidade específica da Lituânia. Afinal são muitas as denominações que a mãe de Jesus tem por todo o mundo. Na Lituânia, havia também esta: Nossa Senhora da Lituânia.

Minha cabeça não anda lá estas coisas no quesito recordações. Preciso ver se é possível encontrar uma placa de memória com alguns megabytes a mais para ir salvando minhas histórias.

Enfim, lá fomos! Ah! Sim, o plural é porque o Bergson estava nesta viagem também. Companheiro de muitas aventuras. Fomos recebidos por um “anjo” no aeroporto. Explico: na Lituânia, todos os demonstradores que chegavam eram recebidos por um rapaz ou uma moça que eram denominados “anjos”. Eles tinham a incumbência de nos transportar para o evento, do evento para o Hotel, para compras se quiséssemos enfim, uma novidade muito interessante. Eram estudantes que faziam este serviço de forma voluntária, apenas para ajudar. No local do evento, tínhamos outro “anjo”, era uma moça (Ou seja era muito mais “anjo” que o outro.) que nos avisava de um lanche, do almoço, o que fosse necessário para nosso conforto.

O tempo foi passando com nossas demonstrações e tantas atividades que quase passa despercebido a minha tarefa de encontrar o presente da Andréa. Falei com o Bergson e fomos ao centro de Vilnius que é uma cidade histórica. A mais antiga capital da Europa. Em suas ruas centrais, tem portões que dão para um local que, para nós, seria como uma vila. Cada um destes locais com características muito próprias. Pareciam pequenos feudos. Naquele momento, eram locais de visitação turística. Pois bem, andamos para cima e para baixo procurando esta Nossa Senhora e... nada! Disse ao Bergson:

- Não posso voltar sem esta santa Bergson!

- Vamos olhar as lojas com mais cuidado, tem algumas que ainda não abriram. – disse ele.

Lá fomos nós, andando pra lá e pra cá e eu, começando a ficar ansioso. Era um Sábado, me parece, e iríamos embora no Domingo ou na Segunda. Não sei, não vou me lembrar! A verdade é que tinha somente aquele dia para resolver este assunto. Perguntando em muitas lojas sobre esta Santa e nada!

Até que...

Chegamos a uma loja com artigos locais, muita elegante. Quando perguntada sobre a santa, a moça que nos atendeu disse:

- Tenho sim, só um instante! – saiu para buscar minha encomenda.

Fiquei muito alegre, não poderia ser diferente.

- Bergson, valeu a pena! – disse.

- Que bom Mário, a Andréa vai ficar feliz!

A moça havia mostrado uma peça entalhada de madeira com uns 60 cm de altura. Era realmente um trabalho primoroso. Ela segurava uma espada, em madeira também, com as duas mãos. Tudo muito detalhado com precisão de entalhes. Fiquei muito contente, realizado posso dizer. Paguei e fomos embora.

Quando estava preparando minha mala, Bergson, muito atencioso disse:

- Mário, esta espada é solta, vamos retirá-la e acomodar separadamente, pois pode quebrar.

Tudo arrumado, a Santa acomodada e embalada, voltamos ao Brasil.

Eu havia comprado pequenas lembranças para os filhos e netos. Reuni todos em casa onde fiz a entrega dos agrados que trouxera. Comentei sobre a viagem contando alguns “causos”. Andréa ficou muito feliz com a Nossa Senhora. Sem dúvida, era um trabalho artesanal de primeira embora, tivesse olhado com “certo ar indagador”.

Passados alguns dias, Andréa, que adora pesquisas, foi em busca da informação da escultura que lhe presenteei. Descobriu que na verdade era um soldado e não uma santa.

Eu devia ter desconfiado daquela espada!

Disse a ela:

- Minha filha, eu comprei a escultura de uma santa então, quando você quiser pedir alguma coisa, peça para a santa. Reze minha filha, e acredite! Será difícil voltar lá, próximo da Rússia, para reclamar.

Se ela tem rezado ou não, não sei. O que sei é que a santa está lá, em sua casa.


domingo, 19 de março de 2017

ESPETÁCULO (2)

Vi um brilho, algo emitia pequenos raios em uma folha. Ventava um pouco. A cada pequena rajada de vento, daquele ponto irradiava luzes. Por um tempo, fiquei observando aquela dança da folha com os intercalados de um feixe de luminosidade. Em determinada posição da folha a luz se fazia presente. Curioso me aproximei, à medida que me aproximava o efeito luminoso se perdeu.

Aquela folha, tinha na sua extremidade final, as bordas voltadas levemente para cima onde se acomodou uma gotinha de orvalho. Era possível ver gotículas por toda a folha, presas as nervuras existentes. Certamente, algumas delas soltando-se, se juntaram com o movimento fornecido pelo vento e formaram aquela gota que brilhava; pequena e redonda. De perto, pude ver o balanço suave da folha que fazia com que a gota se movimentasse dançando perigosamente. Ao movimento da folha, ela se esticava um pouco e se posicionava novamente redonda em outro ponto. O sol da manhã mostrava toda a sua transparência e a *refração fazia aparecer este espectro de luzes quando longe. Ali, próximo, vi através dela, no pequeno espelho que se criara, o reflexo da própria árvore. Um universo imperceptível ao nosso lado.

Voltei ao ponto em que me encontrava antes para ver a luz multicor da gotinha, agora com o mistério desvendado. Não foi mais possível. Com certeza pelo movimento do Sol, mudando sua incidência sobre ela. Tentei movimentos laterais, dando passos para um lado e para o outro, na esperança de ver aquele minúsculo facho de luz. Inútil!

O vento parece estar aumentando. Foco meu olhar na folha e em sua hóspede. Aproximo-me novamente. Os movimentos, neste instante, são mais bruscos. A gota descontrolada, a cada movimento da folha se alonga mais indo de um lado para o outro. De repente, uma rajada de vento descendente abaixou a folha de tal forma que a gotinha não encontrou sustentação.

Caiu.

Fiquei parado, perplexo. Assisti o Universo se apresentando sem custo algum em um espetáculo particular. Os personagens, atores renomados da Natureza.

Eu, um privilegiado!


sábado, 18 de março de 2017

VOU TENTAR AMANHÃ (2)

Estava vendo a chuva cair, quando um sentimento nostálgico me invadiu, no momento em que me preparava para escrever meu texto diário.

Chuva que lembra lágrimas.

Falando muito da chuva nestes tempos de chuvas farturentas, nada mais natural. Melhor assim que assado. É de manhã, a tarde, a noite e madrugada a fora. São Pedro deixou a torneira celestial aberta.

A insatisfação nossa de cada dia se posicionando de forma errada, na hora errada, contra a coisa errada.

Por sorte, demorei um pouco mais a levantar-me da cadeira onde estava e pude sentir um vento que chegava empurrando as nuvens e abrindo brechas para um sol tímido se achegar. Sorte minha! A nostalgia me abandonou. Com a fuga das nuvens o sol se tornou absoluto: Rei!

Minhas ideias se foram com as nuvens. E agora?

Agora, sentado em frente meu computador, fico com os olhos perdidos, um pouco na tela, um pouco no teclado. Meus dedos em busca da primeira letra, a primeira palavra para romper definitivamente com este marasmo, esta paradeira motivacional. Reposiciono alguns objetos que cercam o computador, em uma tentativa de organizar o que não se organizará jamais.

Cadê assunto?

Preciso entender a lógica do escritor. Isto é, se existe esta lógica. Existe mesmo é a inspiração que, definitivamente, não tem nada com a lógica no seu primeiro momento. Preciso da facilidade do cronista diário. Preciso de muito mais.

Preciso que me perdoem meus amigos. Vou tentar amanhã!


sexta-feira, 17 de março de 2017

VIAGEM PERDIDA (Mario Quintana) (2)

Fiz uma viagem a Porto Alegre nos anos 80 (1985?) para visitar Mário Quintana, o poeta. Nesta época viajava quase todo mês a Curitiba e, em uma destas viagens, resolvi repentinamente conhecer o poeta. Como seria uma longa viagem, deixei meu carro em um estacionamento. Tomei um ônibus noturno e fui em busca de Porto Alegre conhecer meu chara. Estas atitudes impensadas que, todos nós, nos permitimos alguma vez.

Ele estava morando no Porto Alegre Residence, um apart-hotel no centro da cidade, onde o viveu até sua morte. E eu, estava em busca de mais conhecimento junto a este *apóstolo da poesia.

Viagem longa onde deixei a imaginação dar seus voos em como seria este encontro.

Quantas vezes nos decepcionamos na vida?
Muitas!
Poucas!

Não está interessando neste momento, mas naquele momento, naquele dia, naquela hora interessou. Um porteiro educado me informava que o poeta não estava recebendo visitas porque seu estado de saúde não andava bem. Vi-me, frente ao porteiro, insistindo que viera de longe, quase 2000 Km, aproximadamente, desde Ribeirão Preto.

Disse:

- Você não me faria o favor de ligar ao apartamento explicando minha viagem com este único objetivo: conhecer o poeta?

- Vou tentar, mas a sobrinha dele não está permitindo visitas. – respondeu.

- Vou agradecer sua atenção! – enfatizei.

Fiquei atento a conversa, ele tentando explicar minha visita e eu, percebendo as negativas do outro lado. Frustrante!

Desligou e disse:

- Infelizmente o senhor não vai conseguir visitá-lo.

Fiquei parado alguns minutos digerindo aquele não tão definitivo. Tão fora do contexto onde me inseria. Pensei: “O que fazer?”.

Voltei à rodoviária, voltei a Curitiba, voltei para casa.

Com quase 87 anos, Mario Quintana, faleceu em Porto Alegre no dia 5 de maio de 1994, deixou o mortal para continuar no imortal de sua obra. Fantástico!

Nossa diferença é imensa. Começa no nome, seu nome é sem acento desde a certidão de nascimento. Só um Mario assim para ser Quintana. Não se casou acredito eu, porque não trairia a poesia jamais. Então, quando dizem da sua solidão, não sabem do seu amor pelo verso, pela estrofe, pelo poema. Loucuras de um poeta!

Preciso, com certa urgência, ler toda a sua obra.


*Apóstolo – s.m. - Aquele que se dedica à propagação e defesa de uma doutrina: apóstolo do socialismo. Fonte - http://www.dicio.com.br/apostolo/


quinta-feira, 16 de março de 2017

FRAGMENTOS (2)

Faz da tua vida motivo de glórias,

não de lembranças.

Lembranças....!?

Meu tempo não tem lembranças,

existem registros,

episódios.

Lembranças haverão de me acudir no dia da minha morte.

Vivo ocupado em sonhos

que atropelam minhas lembranças.

Não tenho lembranças de minha mãe,

pois a vejo tocando, escrevendo, falando...

nem de meu pai,

que ainda me acompanha em pescarias.

Não tenho lembranças do meu filho Paulo Ricardo,

ouço sempre o barulho estalado da chupeta em sua boca.

Não, não tenho lembranças,

tenho uma vontade de chorar contida.


quarta-feira, 15 de março de 2017

FELICIDADE (2)

Onde está a felicidade que assistimos nos filmes água com açúcar?

Tudo parece agir contra a felicidade senão vejamos: a falta de dinheiro, a falta de educação, a falta de cultura, a falta da família, por causa da família, por causa do dinheiro, pelo excesso de conhecimento, pela educação que beira o rebuscamento.

É bastante conflitante o acordo entre as coisas para que alguém possa dizer: “Sou feliz!”. Melhor ainda: “Sou feliz por causa disto!”.

Ter ou não ter determinadas coisas como: bens materiais, conhecimentos culturais, não influenciam na felicidade de ninguém. Estou acreditando que a felicidade tem um tempo de medida; é o tempo que uma pessoa consegue manter-se nesta condição de “Feliz” por mais tempo e, como esta mesma pessoa recupera a sensação de ser feliz mais rapidamente do que outras.

Opa!

É aí o caminho para a felicidade. Organizar a vida para que se possa usufruir o máximo de tempo em contato com a felicidade. O resto é comércio.

Felicidade é um estado de espírito que eleva a nossa condição de pobres mortais ao estágio de semideuses. Porque não? O maior barato é ser um semideus com pouco dinheiro no bolso, com uma educação mediana, uma educação classe média se é que posso usar a comparação e, ser feliz.

Analisando todas as informações a felicidade está, no meu entender, de alguma forma ligada a nossa capacidade de fazer amigos. Alguém que consegue manter um grande número de amigos tem o poder de transmitir a felicidade. Simples: a felicidade atrai pessoas. Parece-me que a pessoa feliz tem uma aura de felicidade que toca a quem dela se aproxima. E, quem a toca, nem que seja resvalando levemente quer ficar ao redor para suprir-se desta pessoa iluminada. Feliz!

O amor na sua forma mais excitante, que seria a paixão, tem um período de certa forma curto. Fica neste momento o amor, o encantamento que une duas pessoas e que sabemos, permanece, quando o sentimento de amizade entre estas duas pessoas for verdadeiramente real. Neste momento, a amizade entre duas pessoas é entendida como a relação de amizade no seu mais alto estágio. Não queremos nos separar de um amigo (a) assim: somos felizes! Estamos envolvidos na aura de felicidade do outro e vice versa.

Aí sim, o amor pode ser eterno.


terça-feira, 14 de março de 2017

MAL COMPARANDO (2)

O Aedes aegypti, está com uma super equipe de tecnologia no desenvolvimento de novos vírus. Estão mais rápidos, nestes desenvolvimentos, que nós na criação das vacinas.

Assim não dá!

Veja você, antes era só a dengue, agora temos o zika vírus e a chikungunya. O danado veio do Egito para infernizar nossas vidas. Daqui a pouco aparece uma nova variedade de vírus, mais perigosa e fatal e nós, deixando a água parada em algum lugar para a alegria destes insetos.

A indolência tão decantada em verso e prosa vai levando o nosso time a derrota neste jogo. É fácil imaginar o chefe destes insetos dizendo: “Vamos ganhar o jogo na inércia do adversário!”.

Vamos continuar imaginando uma reunião destes mosquitos organizando-se.

Marcaram uma reunião via Skype para definir as metas de como acabar com o Brasil.

- Meu reizzzzzzz – comenta o baiano - por aqui tudo caminha bem na nossa campanha. Os trouxas, estão atrás de um trio elétrico esperando o Carnaval chegar. Tudo em paz. Vamos vencer! E vamos vencer no amor, ah ah ah, só fazendo mosquitinho.

- Bahzzzzzzzz – replica o parceiro do Rio Grande do Sul – por aqui os inimigos estão sentados tomando chimarrão enquanto o carvão aquece para o churrasco do almoço.

- O meuzzzzzz – comenta o paulista – tá todo mundo na Paulista. Na verdade eles tinham que estar na esquina da Ipiranga com a Avenida São João. Moleza!!! Povinho desfocado.

Um a um representantes de todos os estados opinaram vitoriosos. O mosquito mediador, na sede do Sindicato dos Mosquitos Unidos Venceremos comenta:

- Eles perdem por escolha cumpanheirada. Não precisaremos trabalhar muito, pensam que são espertos e estão se engasgando na própria ignorância. Este “povinho” só se mexe quando a água bate no queixo cumpanheiros, eles vão ser vencidos na própria inatividade. Na incapacidade de saber o que é certo e errado. O País do Carnaval e do feriado prolongado, do jeitinho e do suborno. Este é o País do conchavo e, por consequência: Este é o nosso País! – finaliza o mediador num brado heroico e retumbante.

Todos emitem o grito de guerra:

- Bzzzzzzzzzzz!
- Bzzzzzzzzzzz!
- Bzzzzzzzzzzzzzzzz!
- Bzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz!




segunda-feira, 13 de março de 2017

DECISÃO (2)

A chuva caindo mansa e constante, logo após o almoço, vai trazendo junto um sono necessário. Não chega a ser urgente, poderia dizer que está mais para imperdível. É como aquele filme que nos indicam: “Vale a pena!” A única dificuldade está em levantar do sofá e desligar o noticiário da tarde. Mais difícil ainda porque você já está meio entregue e tem medo de perder o cochilo onde está inserido. A chuva continua... Você sabe que o sono no sofá vai deixá-lo torto no final e, em sua luta íntima, fica postergando uma atitude mais enérgica entre ir e ficar. Dilema cruel! Neste momento se o mundo dependesse de sua decisão estava frito! Sorte nossa. Você muda a almofada que apoiava suas costas mais à direita. Agora sim parece que acomodou melhor, tira os sapatos e coloca os pés na mesa de centro empurrando os enfeites e os controles para o lado. Melhorou um pouco mais. A chuva ainda está caindo na quantidade suficiente. O ruído inevitável e mágico é um sonífero. Ainda assim você pensa que melhor seria acomodado em sua cama. Ao alcance do braço outra almofada pequena pede para ser colocada em baixo dos pés. O entendimento de que isto é o que deve ser feito é lento, como é lenta a movimentação das mãos até apanhá-la e colocar sob os pés. Parece que a tarde terá uma chuva longa. Tomara que o telefone não toque!

Algum tempo depois, acorda no mesmo lugar: “Deveria ter ido dormir em minha cama!”.


sábado, 11 de março de 2017

DIREITO E DEVER (2)

Hoje em dia o mais simples está dando nó na lei. Pega um serviço, trabalha um mês e entra na justiça atrás do dele: direitos. Neste momento, somos nós os ignorantes quando, com conhecimento de causa o cidadão cita a Lei, o Artigo, o Parágrafo, o Inciso, a Alínea, etc. Isto, se não citar *jurisprudência dando suporte ao assunto.

Se o patrão não tiver seguido a risca o que está na Lei... Hummm vai desembolsar!

Agora, se tiver seguido a risca tudo o que está na Lei, corre o risco de desembolsar; entendo perfeitamente neste momento o que se diz: “Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come!”.

Existem advogados especializados em “socorrer” estes trabalhadores dedicados. Leis escritas de tal forma que, estes mesmos advogados as usam para extorquir patrões. Tudo certinho, na Lei!

O que incomoda é que o tal do direito está impresso em uma moeda que tem do outro lado impresso: deveres, obrigações.

E daí?

Daí que as coisas vão descendo ladeira abaixo sem freio.

Viemos montando ao longo do tempo, por interesses escusos, uma série de leis que permitem, dentro das suas aplicações, o uso distorcido da verdade. Desculpem, quis dizer justiça. Isto pode ser usado nos dois lados da medalha: para o certo e para o errado; para os direitos e para os deveres; para os patrões ou empregados.

Agora, o que assusta, é ver a casa mais alta da nação, no que diz respeito à Justiça, manipulando as leis para acomodar situações que não deveriam ser acomodadas. Uma aberração legal!

Seria muito bom atender a ideia do Eduardo Juan Couture, consagrado e reconhecido jurista, não só no Uruguai, seu país natal, como em todo o mundo quando diz: “Teu dever é lutar pelo Direito, mas se um dia encontrares o Direito em conflito com a Justiça, luta pela Justiça”.

*Jurisprudência (do 
latim: jus "justo" + prudentia "prudência") é o termo jurídico que designa o conjunto das decisões sobre interpretações das leis feitas pelos tribunais de uma determinada jurisdição. https://pt.wikipedia.org/wiki/Jurisprud%C3%AAncia


sexta-feira, 10 de março de 2017

PEQUENOS PROBLEMAS (2)

Pequenos problemas com solução demorada incomodam o tempo todo. Descobri, desde pequeno, que a melhor maneira de pegar a tampa da pasta de dentes, quando cai na pia, é colocar a mão rapidamente no ralo. Simples não? Levou algum tempo até perceber. Fiquei admirado de mim mesmo. Um gênio de moleque!

É assim a solução de pequenos problemas, o que acontece é que não dedicamos tempo a eles. O pouco tempo necessário. É bem assim:

- Depois eu faço! Depois eu vou! Depois...

A soma, destes pequenos “depois”, vai se acumulando e torna-se um incômodo. Deixar para depois, um triste hábito. Hábito que pela frequência se transforma em experiência. Experiente em deixar para depois. Péssimo! Infelizmente usual em muitos de nós.

Afinal, são só pequenos problemas!

As dobradiças que seguram a porta, normalmente, são feitas de três partes; isto, nas dobradiças mais antigas. Duas peças que são afixadas, uma batente e a outra na porta e são unidas por um pino, que é colocado juntando as duas que são interligadas entre si, uma na outra, segurando a porta ao batente. Normalmente são usadas três dobradiças.

A porta de entrada, em casa, é bastante forte e pesada. Por alguma razão, o abrir e fechar da porta movimenta estes pinos para cima e, pelo peso da porta maciça, desalinha e começa a arrastar no chão. A solução neste caso é simples, apenas rebater os pinos unindo mais firmemente as dobradiças o que resolve o problema de imediato. Quantas vezes, ao passar pela porta, percebia que os pinos estavam se deslocando para cima e pensava: “Preciso arrumar isto!”. Este é um caso onde deveria de imediato, buscar um martelo e rebater os pinos. Pronto resolvido! Muitas vezes, demorei em rebater os pinos mesmo com a porta pegando no chão. É quase incompreensível a negligência neste momento. Só consigo entender que nós (Neste instante, estou colocando você leitor como displicente também nas pequenas coisas. Perdoe-me não conseguir assumir sozinho.), sabendo da simplicidade do que deve ser feito, poderemos corrigi-lo a qualquer tempo. Pronto... Ficou para depois!

Posso garantir que tenho procurado, ao longo da vida, fazer as devidas correções nestas falhas ditas “pequenas” que, mesmo simples, incomodam. Se somarmos as pequenas coisas deixadas para lá, por serem simples, poderemos nos assustar com o volume que aparecerá. O deixar para depois é causador de desarmonia. Pequenos problemas podem resultar em problemas sem solução. Fica aqui o momento de nossa análise nos pequenos problemas e, além disto, o que eles têm causado em nossas vidas.

Ainda tem solução?



quinta-feira, 9 de março de 2017

POSSIBILIDADE (2)

Fechado para reforma o túnel onde diziam
haver uma luz em seu final.
Os que estão abertos não me levam onde quero.
Sem previsão de término e,
visto não sofrer ingerências políticas,
não temos como corromper esta obra.
Minha expectativa está sem data de validade.
Não sei quando vou chegar.




quarta-feira, 8 de março de 2017

GAROA (2)

Ao sair de casa,
Um *fog caboclo tomava conta da estrada
nesta manhã fria, úmida.
Esqueço dos meus pequenos problemas
acompanhando o limpador do para-brisa
indo e voltando.
Acendo os faróis
e
vou sentindo um certo pedantismo em tudo,
em mim principalmente,
nesta manhã londrina em Ribeirão Preto.

*Fog - Inglês - nevoeiro, névoa, neblina




terça-feira, 7 de março de 2017

NÃO TENHO TEMPO PARA FICAR VELHO! (2)

É verdade, estou ocupado demais. Se o corpo já não é mais o mesmo, paciência! Isto é a consequência da idade. Posso garantir que minha idade não me coloca entre os velhos.

Não tenho tempo para isto!

Realizo sonhos que os mais jovens não se permitem.

De certa forma, encho a minha vida de projetos a serem realizados desde o momento em que entrei na fase da vida em que, os mais jovens, nos chamam de velhos. Percebo que a idade, não a velhice, pode nos trazer determinação e garra. E pode, estou vivendo isto. Fala-se muito da esperança e pouco da atividade em alcançá-la. É, tem que ser desta forma: agir para tornar a esperança algo factível. Esperança não cai do céu na sua apresentação mais verdadeira, ela é mais o resultado de um trabalho objetivo. Salvo se você está à espera de um milagre. Aí já é outro departamento.

Não gosto de reviver o passado na sua forma única de me apresentar aos outros, seria muita velhice de minha parte; sou mais hoje do que fui antes. Gosto de reviver o passado “*en passant”. Tenho quase que exclusiva preferência por falar de futuro. Sim, às vezes falamos de algum futuro tenebroso em relação as nossas expectativas políticas. Mesmo o fato de o futuro previsto ser isto ou aquilo, pretendo organizar o meu lado para que possa mudá-lo para melhor: trabalho. Entra aqui a minha atividade pessoal que recoloca a velhice em segundo plano ou quinto. Não entra nas considerações das minhas atividades.

Arrematando: “Os sonhos que carrego não cabem na cabeça de um velho.“


*En passant -Francês - Literalmente, 'passando, ao passar'; de passagem, acidentalmente. Pronúncia - an paçan


segunda-feira, 6 de março de 2017

GRANIZO (2)

A falta de chuva nos últimos meses está sendo recompensada com as chuvas de final de ano. Hoje, o granizo se incorporou a chuva diária dos últimos dias, com pedras não muito grandes, mas em grande quantidade, formando pequenos montes no jardim. O vento trazia algumas para dentro da varanda que iam repicando pelo piso trazendo um som agradável aos ouvidos. Assemelhava-se a caixinha de repique de uma escola de samba. Assim, as pedras de gelo pulavam até se acomodarem em algum lugar. Sempre, todas as vezes que ouço o barulho do granizo cair, saio para assistir. Penso que com todas as pessoas acontece a mesma coisa. É uma sensação que me parece geral: todas as pessoas querem ver. As razões podem ser diversas:

- Vai estragar meu carro!
- A horta já era!
- Oh! Minha roseira!
- Corre, vem ver o granizo caindo!

Um visual bonito embora com consequências desastrosas para os lavradores e horticultores da região. Espetáculos da Natureza, como este que assisti, nos colocam pensando mais profundamente na nossa insignificância diante de tudo.
Com as exclamações dadas acima existem duas maneiras de serem vistos, dependendo de nossa posição.

Visto como um castigo.
Visto como um espetáculo.

Neste meio tempo, troveja e relampeia, aqui e acolá. Ruídos e luzes que fazem parte destes acidentes naturais do desconhecido software desenvolvido, em nosso planeta, pelo Criador.
Bonitos em sua apresentação.
Algumas vezes nos causam receio.



sexta-feira, 3 de março de 2017

VIVENDO O AMOR (Conflito) (2)

Receio que algum dia ainda seja
Exposto a todos este amor gracioso
Quase um altar dentro de uma Igreja
E ao mesmo tempo tão pecaminoso

Será o Amor assim tão duplicado?
Em certas horas como a oração
E em outras horas, ó meu Deus, perdão,
O amor é mesmo somente pecado

Ah! Se este amor que por você dedico
Apaixonante e ainda assim pudico
Que é tão divino sendo pecador
Fosse por Deus um dia renegado
Eu viveria sempre no pecado
E enquanto vivo viveria o Amor


quinta-feira, 2 de março de 2017

COMO SERÁ AMANHÃ? (2)

O caos foi instalado com a desativação do WhatsApp no dia 17.12.2015. Todos os meios de comunicação falavam sobre o assunto cada um dando um enfoque que, no fundo, desaguavam na indignação deste controle arbitrário sobre um *App de uso geral e, agora impossível negar, necessário. Muitos segmentos de mercado usam no dia a dia este App como principal meio de comunicação. Não só a área empresarial, a social também.

A nossa dependência aparece quando nos tiram o “doce”.

Não percebemos como fomos afastados do convívio familiar e social, lentamente, por tecnologias mágicas, fantásticas e desagregadoras. Embora tenha contato diário com o computador tenho tido dificuldade em acompanhar todas estas inovações tecnológicas e a infinidade de nomes e apresentações desta gama imensa de objetos do desejo contemporâneo. Fico observando meus netos com seus smartphones, conectados a servidores remotos e jogando com amigos diversos, cada um em sua casa, enquanto conversam entre si.
Admirável!

Antes oferecíamos uma água, um refresco, um café; hoje, a senha do nosso Wi-Fi e todos ficam felizes. É bom oferecer senão... Vão pedir!
Inegável!

Os meios de comunicação estão trazendo novas atividades aos dias de hoje. Rede social ou mídia social na web permitindo pessoas com dificuldade de relacionamento, encontrarem nestes espaços contatos que, ao longo do tempo, podem tornar-se relacionamentos que se transformam em verdadeiras amizades. A troca de informações instantânea com a postagem de fotos, vídeos, notícias em tempo real torna isto possível.
Insuperável!

A importância do avanço da tecnologia nas nossas atividades diárias é sem dúvida uma vitória nos mais diversos campos da atividade humana, impossível imaginar um retrocesso.
Inimaginável!

A família está se desarticulando em função destes mesmos “aparelhinhos mágicos”. Percebemos em algumas propagandas objetivas, o foco em mostrar o que acontece nos relacionamentos pelo excesso destas atividades on line que, por isto mesmo, colocam os relacionamentos off line.
Mensurável!

Fácil verificar que teríamos defensores para os dois lados em ampla discussão. É indiscutível que deveria haver um controle (Leia-se PROIBIÇÃO) ao menos em determinados lugares como Escolas, Hospitais, dentro de casa com horários predeterminados, etc.
É Lei, proibido com celular!
Inviolável!

Se formos discutir o assunto certamente o resultado será uma discussão longa, cansativa, pesada.
Impublicável!

Um pequeno resumo da interferência deste assunto em nossas vidas.
Interminável!




*App - é a abreviatura de “application” ou seja, aplicação. Aplicação essa que é instalada em um smartphone por exemplo. As apps facilitam a vida dos utilizadores, oferecendo um acesso direto a serviços de notícias, informação meteorológica, jogos, serviços de mapas com geo-localização através de GPS ou utilitários com os mais variados tipos de finalidades.



quarta-feira, 1 de março de 2017

VERDADE (2)

- Como vou saber quando a verdade é verdade pai?
- Nem sempre haverá dificuldade para saber meu filho. Ela é clara e transparente na maioria das vezes.
- Como assim?
- É como um prato de comida, se está bom, você diz que está bom; está ruim, você diz que não gostou; se está ótimo, a sua cara diz isto. Então, quando você ouve uma mentira, sua cara mostra que não acreditou.
- Sempre será assim meu pai?
- Não, na verdade algumas vezes a mentira é camuflada de tal forma que não vemos. O ator é muito bom e a mentira nos chega com o carimbo da verdade. – diz o pai.
- Então como ficamos neste caso? – argumenta o menino.
- São momentos em que o nosso julgamento é colocado à prova. É quando a diferença entre a verdade e a mentira depende do nosso conhecimento. Mesmo assim, engolimos algumas mentiras durante muito tempo antes de nos apercebermos de sua falsidade.
- Pai, então a gente pode ser sempre enganado?
- Não sempre, filho, algumas vezes. – disse o pai
- Tem como evitar isto?
- Olha meu filho, a melhor maneira de evitarmos ouvir mentiras é termos um relacionamento com pessoas de boa índole.
- Boa índole, o que é isto? – pergunta o menino.
- Boa índole ou bom caráter, é a boa formação que você encontra em algumas pessoas as quais devemos juntar ao nosso grupo de amigos. Amigos assim nos ajudam orientando para o certo e o melhor.
- É fácil arrumar amigos assim? – pergunta
- Será necessário que tenhamos alguns dos predicados que admiramos nesta pessoa de quem queremos ser amigos; assim pensava Sócrates, filósofo Grego. Por exemplo, você admira uma pessoa pela educação e bons modos, a melhor maneira de se achegar a ela, será usando bons modos e educação. Nada muito difícil de entender. Assim será em relação às outras características. Veja como é fácil perceber que amigos com boa índole, educação e cultura acrescentam muito em nossa vida.
- É verdade pai! È verdade! – diz o menino
- Que bom que você está percebendo a verdade. Assim será sempre, e em tudo, na vida. Em qualquer relacionamento que seja: familiar, comercial e até político. As nossas escolhas nos permitirão ouvir mais ou menos mentiras. Depende de nós na maioria das vezes.
- Entendi pai!

- Para que você fique em Paz, consigo mesmo, use a Verdade no seu dia a dia; embora você saiba que ela não estará sempre presente ao seu redor. – finaliza o pai.