sexta-feira, 30 de setembro de 2016

NAMÍBIA

Vim de longe,
Trazendo areia dos desertos da Namíbia em minhas roupas
E
Sua paisagem particular.
O exótico de suas areias multicoloridas.

Vim com a visão de um safári que fiz,
A visão da fauna peculiar à África.

Vim, principalmente, impregnado de areia.

Os ventos mudavam o monte
Desmonte que o vento fazia
Mudavam quase todo dia
Mudando o perfil do horizonte.

E as cores mudavam também
Com o sol que ali refletia
E assim com o sol que subia
Suas cores do sol provêm.

E vim com areia no corpo
Areia multicolorida
Beleza tão cheia de vida
Deserto que parece morto.


Namíbia desta África Austral
Desértica e exuberante
Discreta ainda assim elegante
Faz parte do meu memorial


quarta-feira, 28 de setembro de 2016

PARA O FABINHO

O retorno das boas ações nem sempre é tão visível. De fato, a boa ação não tem como consequência a reciprocidade. Fica claro que a boa ação é unilateral. Quem faz, faz porque sim!

Deixe-me inverter toda esta proposição para uma ótica distorcida, se quiserem, mas que deixa em mim uma explicação simples.

Aí me vem à ideia daquele que tem urgência de se encontrar com Deus (A boa ação!).

Porque fica incompreensível para nós esta urgência, porque não aceitamos? São as informações montadas e preparadas por nós mesmos que nos levam a esta situação de não aceitar, de prejulgar. Os caminhos nesta vida são diferentes para cada um de nós e isto é um fato. É como o passarinho que perdeu o rumo para sua migração e, fugindo ao que é natural à espécie, não sabe mais onde está. A capacidade extraordinária de orientação dos pássaros neste período de migração e reconhecida e já testada. Foram feitas experiências soltando pássaros fora de sua rota normal e eles se localizam e encontram seu destino sem erro. Verifica-se neste caso que o pássaro que não encontra mais o seu caminho, não tem caminho a seguir. Ficará desorientado. Ficará sem rumo. Perderá seu sentido de vida, pois a migração na sua espécie é natural desde o nascimento. Assim como este passarinho, algumas pessoas não encontram entre nós o sentido de viver. Existe uma dificuldade que nos é estranha. Sim, fica incompreensível.

Foi assim com uma pessoa querida, que se perdeu durante a migração. Não achava mais o caminho: nem de ida, nem de volta. Acredito que se formou um limbo em sua vida, e esta marginalização iniciada desde muito desorientou a sua bússola. Viver não era mais objetivo. Razões não mais existiam.

Foi assim que entendi a sua necessidade de se encontrar urgentemente com Deus. Não encontrando aqui o que necessitava foi buscar na fonte: Deus.

Porque Deus é Amor.

Com certeza todas as suas angústias, seus medos, estarão sendo eliminados em uma conversa entre Pai e filho. Assim é quando chegamos a nossa casa.


domingo, 25 de setembro de 2016

A CARLOS DRUMOND DE ANDRADE

Tal raiz profunda penetrava as palavras. Delas, extraia toda seiva, todo sumo e as fazia fruto.



Quem há de querer pedir-me
que não chore, não lamente?
Tantas palavras serão,
com a perda de Drumond,
esquecidas mortalmente.

Sendo assim ficarão sós,
as palavras que ele usava,
o sentido tão profundo.
Quem perde agora é o mundo,
com Drumond morre a palavra.

Não todas, é claro, não!
Imitá-lo, quem há de?
Itabira silencia...
um nome o vento trazia
de Carlos Drumond de Andrade.

Foto UFRGS.BR

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

FIM DE TARDE

Galopavam em retirada
os raios de sol,
E o seu tropel,
na terra macia da planície,
acordou meu interesse.
Ficava por um instante no ar
aquela poeira luminosa.


segunda-feira, 19 de setembro de 2016

TEMPO DO AMOR

Bebida leve o amor que se inicia,
O amor que mostra pleno a sua face,
Com calma este amor que aparece um dia
Como se por toda vida o chamasse.

Mas o amor, bem sabes, é silencioso
Tem o afago de uma suave brisa
É vento calmo, vento venturoso,
Que chega manso, quieto e nunca avisa.

Como saber por quanto tempo dura
O amor que quando chega é só doçura
E será sempre assim quando começa.

Só ofereça o que possa compartir
Prometa apenas o que vai cumprir
Tem o amor o tamanho da promessa


sábado, 17 de setembro de 2016

DOR

Se um dia, este medonho monstro
Que me prende e assusta
Fosse embora,
Já nem sei como seria.
Fui tão preso,
Tão encarcerado,
Que a liberdade me sufocaria.
Perderia a minha identidade,
Fugiria do que sempre fui.
Assim, sem luta,
Seria o meu viver:
Glacial, parado, enfadonho.
Se fosse embora quem me prende e
Assusta...
Este monstro medonho.


quinta-feira, 15 de setembro de 2016

LIXEIRA MENTAL

A lixeira do desnecessário mental deveria ser um equipamento de utilidade pública ou divina? Se divina, deveria estar incorporado ao nosso software de nascença, mas não está. Oh! Meu Deus, que falha! Penso que poderíamos ter uma matéria escolar com esta característica, qualquer coisa como: “Análise dos dejetos mentais e sua eliminação precoce”. É muito comum focarmos em assuntos que levam a nada. Tomam o nosso tempo. Criam situações conflitantes. Cansa mentalmente ao que incorpora esta condição e, cansa muito mais, aos que rodeiam esta pessoa. O que eleva ao grau de grandeza extrema, este incomodo alheio, é a forma com que estes dejetos são acrescentados ao nosso dia a dia de forma repetitiva, maçante e, novamente, cansativa. Como não perceber que não se chega a lugar algum com estas situações? Como não sentir o stress que causam estas ocasiões? Parece coisa de sado masoquista: gostar de sofrer e causar sofrimento.

Às vezes vejo estas pessoas como aquele cachorro que corre atrás de um carro latindo enraivecido. Corre desesperado e, depois de muito correr para, bufando e espumando pela boca sem ter conseguido o seu intento.

- Você já viu isto seguramente?

- Já!

- Todo mundo já viu!

E assim, por falta total de entendimento do que acontece se repete... SEMPRE!

No cachorro entendo, nas pessoas não!

Porque algumas pessoas se dedicam a causar este mal a outras? Sim, porque fazem isto?

- Não sei!

Não param para pensar, é o que consigo inferir desta estranha circunstância. Pensar, eis a questão!

Faltou na infância a matéria: “Análise dos dejetos mentais e sua eliminação precoce”.

Vamos ter que aguentar!!!


terça-feira, 13 de setembro de 2016

EXPLICANDO UM SONETO

Para fazer um soneto perfeito
Quatorze versos terá no total,
Metrificar será o outro conceito
Do verso primeiro ao verso final

Duas estrofes terão quatro versos
As outras duas somente com três.
Assim como os temas, os mais diversos,
Agora o soneto é tema da vez.

Ficará sem a rima inconsistente,
Perde a doçura que é tão pertinente,
Perde-se a música, o instante, o momento.

Assim, embora pareça obsoleto,
Toda estrutura formal do soneto
Comporta em si mesma o encantamento


domingo, 11 de setembro de 2016

A PREGUIÇA

Quantas vezes não dizemos: “Hoje gostaria de ficar em casa!”.

É aquela questão da liberdade, livre arbítrio. Até podemos praticar esta pequena transgressão, quando transgressão, em pouquíssimas ocasiões. Como foi dito, temos o livre arbítrio. Não podemos esquecer de que a moeda tem dois lados: sempre!

Aquela preguiça que fica parelha com a negligência é perigosa.

A primeira lei de Newton: Lei da Inércia se aplica neste nosso assunto com propriedade: “Por inércia, um corpo em repouso tende a continuar em repouso”. Continuar em repouso tem nome: preguiça. Daí fica a dúvida se a palavra procrastinação que tem como sinônimos: adiar, delongar, postergar, e por aí vai, se aplica aqui. Sei não!

A psicologia, cuja finalidade é estudar o comportamento humano com seus relacionamentos mentais: pensamentos, sentimentos, razões e atitudes, não vão explicar ao guri deitado em um sofá, com um saco de batatas fritas e um game conectado que ele está na condição do preguiçoso.

-Vai?

- Nunca!

Participando ativamente dos sete pecados capitais a preguiça é bem pontuada neste rank.

- Olha a pontuação subindo aí gente!!!

Uma pequena violação não trará consequências mais sérias.

- É verdade!

A repetição será danosa. Cabendo neste momento a pergunta:

- É preguiça ou o quê?

A preguiça quando faltando ao trabalho é pura omissão. Pior, é a mais flagrante irresponsabilidade. A diferença pode ser fatal: seu trabalho estará em jogo. A preguiça será no mínimo equivocada dependendo do contexto em que ocorrer esta situação.

Existe a preguiça permitida, como um pequeno capricho, que é bem vinda desde que não se insira em um movimento contínuo.

Falando com exclusividade da preguiça relacionada ao nosso trabalho, não podemos nos esquecer da interdependência que poderá ocorrer nestes casos que é o seguinte: “Não falte muito ao serviço para que seu patrão não o dispense por perceber que você não faz falta”.


sexta-feira, 9 de setembro de 2016

PREVENIR

Não afaste de você
Quem pode lhe querer bem.
É mais cego o que não vê?
É mais pobre o que não tem?

Será fácil ver que não
Isto é verdade também
Assim sendo a decisão
É não afastar ninguém

Traga pro seu coração
A sua irmã, seu irmão
Faça esta vida valer

Beije, acarinhe e abrace
Faça antes que a vida passe
Que é o que vai acontecer



quarta-feira, 7 de setembro de 2016

ENTENDIMENTO

Sim, sobre meu ponto de vista turvo,
Exótico e unilateral
Pairam dúvidas, receios,
Em ver o bem vencido pelo mal

O meu sono retira, atrapalha
O meu necessário sono.
E esta dicotomia falha,
Tira de mim o que pensei ser dono

Que pretensão a minha possuir
O entendimento entre o mal e o bem.
O bem, a ele vou tentar me unir
E o mal, o mal hei de viver sem.

Neste momento é que aparece
O lobo em pele de cordeiro
O mal que mostra a outra face
Escondendo oculto o verdadeiro


segunda-feira, 5 de setembro de 2016

O CRESCIMENTO

Crescer é um verbo interessante e com amplo espectro. Parece que estou falando de remédios. Não, não é esta a minha linha de pensamento neste instante. Poderia mas, não posso; nada entendo da imensa nomenclatura farmacológica e suas aplicações. Falo do crescer interiormente nas relações em suas mais diferentes interações na busca de um objetivo.

- Posso crescer com você?

Podemos crescer unilateralmente buscando para nós mesmos este desenvolvimento que nos levará a patamares mais alto dentro de uma escala de valores qualquer.

- Posso crescer com você?

Ascender, elevar e evoluir são sinônimos do verbo crescer que ajudam a identificar e reforçar esta condição: evoluir para alguma condição melhor: material, mental, social. Buscar oportunidades é uma das maneiras de encontrar o crescimento. Claro, teremos desafios em nossos caminhos sejam quais forem os escolhidos. Muitos desafios serão contornados com o diálogo, uma boa conversa. Nada melhor que uma boa conversa! O tempo é outro fator para o crescimento (Evolução), é necessária a maturação das ideias, do trabalho e, sem dúvida, paciência. Confúcio já dizia: “Transportai um punhado de terra todos os dias e fareis uma montanha”. Crescer no sentido de evoluir, como se vê, abrange uma quantidade de atitudes a serem tomadas.

- Posso crescer com você?

Parece difícil? Concordo! Evoluir é um caminho a ser percorrido e, nem sempre, a estrada será a melhor.


- Posso crescer com você?

Ajudar o outro a crescer, no meu entendimento, é a melhor e mais eficaz ferramenta de conferência de que você cresceu. Ajudar o outro dará retorno ao nosso crescimento de forma redobrada.

Crescer (Evoluir) ajudando, incentivando, participando.

Podemos crescer muito mais ajudando o outro.

- Posso crescer com você?


sábado, 3 de setembro de 2016

DE ONDE?

E o meu poema parte quase sempre
De um pequeno fragmento
Que se divide e multiplica.
Aí está a origem.

Uma palavra, uma frase, um momento.
Nada mais que isto
Apenas isto.
Daí se desencadeia como em semente
Uma ideia que a mim chega.
Não tão comum, nem tão frequente.

E nesta trança de letras, vai tomando corpo
O corpo do poema
Traz consigo a mais diversa ideia
Contida na incontida gema.


quinta-feira, 1 de setembro de 2016

PARA CORA CORALINA

Alguma pedra solta em minha história
Traz-me à lembrança Coralina
Que com as pedras conviveu.
Delas extraiu a vida.
Com elas acendeu o fogo.
A faísca amorosa das pedras
Que acalentaram seus sonhos.
A mulher forte que venceu seu meio
E colocou no mundo os filhos e os versos.
E de onde veio o despertar poético?
Das pedras da cidade de Goiás
Da dura aparência de sua geologia
Despertou dentro de si o canto recatado
Em universal poesia
E não sabia ela que era o canto
Que o verso dentro dela já vivia.

Dizem que por lá ainda mora
Às margens do Rio Vermelho
A Coralina que se chamava Cora


Foto retirada do site escolaeducação.com.br