quinta-feira, 30 de junho de 2016

PRA QUE LEMBRAR?

O que foi que esqueci agora
Na minha fase de esquecer
Não sei se é fase na verdade
De fato não sei o que é
Somente querendo esquecer.
Tem coisas que é bom não lembrar
Deixá-las no lugar que estão
Será o melhor a fazer.


terça-feira, 28 de junho de 2016

A JABUTICABA

Tenho alguns pés de jabuticaba em minha casa. Plantamos há mais ou menos 35 anos as pequenas mudas. Hoje, são árvores bem formadas, saudáveis e produtivas. A razão deste texto se reporta a um momento especial quando percebemos que as flores nasceram. Como as árvores ficam na parte de trás da casa, passar no ir e vir sem olhar é quase normal, algumas vezes, percebi que chegava uma florada sem o fato que vou contar a seguir. Poucas vezes. Quando a florada é pequena em virtude do tempo e das chuvas, percebemos os frutos e não vemos as flores. Agora, na época ideal, no momento certo, quando a jabuticabeira fica cheia de flores, acontece o momento mágico que quero contar. Muitas manhãs, nestes anos todos, acordei com o cheiro das flores da jabuticabeira. Invadia a casa aquele perfume especial e diferenciado. Outro detalhe que acompanha este momento é o barulho das abelhas chegando em grande quantidade, ouvia nitidamente o zumbido de um enxame trabalhando ativamente. Vinham em busca do néctar das flores e a Natureza, com sua sabedoria, as usava para transferência do pólen de uma flor para outra fecundando e permitindo a geração dos frutos. Sempre me levantei e saia para ver a florada e as abelhas. O tronco e galhos ficam brancos com suas flores delicadas, um pequeno show com milhares de abelhas zumbindo em volta e o perfume forte e, ao mesmo tempo agradável.

Daí algum tempo, consequência do fato, chegam as jabuticabas. De branco que eram o tronco e galhos, tornam-se negros. As jabuticabas enchem todos os espaços. Aí vem a parte saborosa deste acontecimento: chupar jabuticabas. Tem pessoas que comem com as sementes, outras sem. É o meu caso, vou cuspindo as sementes e aproveitando a suculência da fruta. Não tenho pressa, vou escolhendo as maiores que tem mais sumo.

Estou à espera da próxima chamada.


domingo, 26 de junho de 2016

A QUEM VOU ENTREGAR?

Minha dúvida sobre a origem da vida
O medo do amanhã e dos bandidos
Meu saldo negativo
Meus desejos: tantos
Minha certidão negativa de multas
O certificado do ginasial
As mudas que nasceram no quintal
Meu candidato corrompido
Meu lixo pessoal
As sobras do jantar
O excesso do canto dos passarinhos
E o latido do cachorro do vizinho
Minhas ideias tortas sobre como endireitar as coisas
Os sonhos de um amanhã melhor
Minha filosofia caipira
As desculpas sem destinatário


A quem vou entregar?


Tenho tantas coisas a entregar
Que estão se acumulando por aqui.



sexta-feira, 24 de junho de 2016

001


DO AZUL

Hoje estou azul.
Um azul assim como a expressão:
"Tudo azul".
Azul dos dias pares.
Do Mediterrâneo.
Da cor dos mísseis
que carregam, pelo azul do céu, ogivas
nucleares.
Azul instantâneo.
O azul patriótico.
Azul do hematoma recente.
Do sangue real.
Do verde azulado
daquela raiva derradeira.
Azulado do afogado.
Suando azul,
morrendo azul de amores
não correspondidos.
Nem sempre estou assim:
tão monocromático!



quarta-feira, 22 de junho de 2016

O SEGURO DE VIDA

Um seguro de vida pode deixar certa tranquilidade a quem fica. Não é necessário ser muito, mas o suficiente para acomodar as despesas de quem parte. É verdade que quem parte deixa saudade e... Despesas. Estas despesas podem atrapalhar a saudade. Opte por deixar apenas saudades quando for o caso. Faça um seguro para sua família.

Parecendo propaganda... Não, é apenas um lembrete amoroso que ficará na memória daqueles que ficarão.

Esta é a parte prática e financeira que ajuda a quem fica.

Na realidade o melhor seguro é a formação dos filhos e a boa educação. O lastro desta condição permite uma vida melhor em todos os sentidos para os que ficam e, dentro da naturalidade das coisas, quem fica são os filhos e claro, a esposa ou marido. Agora, na verdade não está fácil para ninguém atender a esta condicionante: a formação dos filhos. Como é que se pode educar com a mídia que temos, todas elas, de uma forma massiva deseducando. Como? Nos dias de hoje para manter uma casa, é necessário que o casal trabalhe e quem toma conta dos filhos: a TV, o computador, o celular, o tablet que, mesmo com as travas para os canais impróprios permite o uso de uma infinidade de acessos que deseducam. Tenho, nesta minha melhor idade, dificuldade em perceber o que acontecerá daqui em diante. Embora tendo acesso a computadores desde o seu início no Brasil, não consegui acompanhar de forma completa a diversidade de suas aplicações. Acredito que nem se me empenhasse muito conseguiria. É muita coisa! O que percebo de forma bastante clara é que a educação gerenciada por estes equipamentos não dará certo. Não pode dar! De forma alguma é uma crítica ao avanço da tecnologia, longe de mim. Uso o meu computador e smartphone todos os dias e, sou obrigado a dizer, tenho certa dependência deles em todas as minhas atividades. E sim, é verdade, a tecnologia orientada tem resultados maravilhosos na formação das pessoas em qualquer área.

Enfim, o assunto é sobre o seguro de vida. Faça um! Deixe um gesto amoroso como seu último gesto.


segunda-feira, 20 de junho de 2016

EFEITO DOMINÓ

Tudo está quieto neste fim de tarde. O sol já se encostando ao horizonte e uma brisa muito suave refrescava o ambiente. Perfeito!

Perfeito?

Estava com o jornal em minhas mãos e pensando sobre o que havia lido: “Onze milhões de desempregados no País”. Se o Brasil tem por volta de duzentos e quatro milhões de habitantes, estão falando de quase 5% da população. E os dependentes? Vamos considerar que, um pelo outro, cada um tenha dois dependentes, a conta vai para trinta e três milhões de pessoas. Alguma coisa está errada! Este número seguramente não é oficial visto que abrange apenas aquelas pessoas com carteiras assinadas. O desemprego é resultado de uma economia desacelerada. Resumindo: má gestão da coisa pública. Assim, se não existem clientes para comprar um determinado produto, a empresa para de produzir e, seguramente, vai mandar alguns funcionários embora. Se a economia não andar, a empresa acabará fechando. É o que estamos vendo. Se a empresa fechar, não recolhe impostos. Sem impostos o governo não tem como pagar educação, hospitais, salários, programas assistenciais, infraestrutura, etc.

E o que temos assistido nos noticiários mostra que a bagunça está generalizada. Senão vejamos, uma empresa oferecendo 100 vagas e no dia da entrevista havia cinco mil pessoas esperando pela oportunidade de uma colocação. Isto parece ser mais que o número de candidatos a vagas nas faculdades de medicina. A situação está caótica!

Não é meu hábito escrever sobre política até porque não tenho partido ou tendências para este ou aquele. Falo hoje do que aflige a tantos brasileiros, a mim também.

Continuando, posso dizer que este efeito dominó em nossas vidas é resultado da má administração da coisa pública. O medo de todos: quando esta onda vai bater em mim!

Não é mesmo?



sábado, 18 de junho de 2016

MALUQUICE

Devido o frio destes dias me recordei de um fato ocorrido há uns trinta anos em uma pequena cidade onde morei. Havia próximo da minha casa uma praça onde vi, em um dia particularmente frio, um homem desagasalhado. Imaginei o frio que ele estaria sentindo e segui meu caminho. Alguma coisa ficou me incomodando, todo o tempo, no trajeto de retorno. Alguma coisa incomodava!

...

Acredito que todos nós temos algumas particularidades que são de certas formas universais, pequenas particularidades pessoais que se encontram com os mais diferentes formatos. Exemplo: um pijama velho e desgastado que, por razões desconhecidas é o nosso preferido e, quando usando nos conforta e agrada. Coisa de maluco? Não! Embora com explicações, tomariam tempo; não é o caso aqui. Outra situação que acredito bastante comum é sobre as xícaras ou copo na qual o café será melhor, sabor melhor. Mais outra, aquele chinelo que, desgastado pelo tempo, tem o formato de nossos pés. Nem pensar em comprar outro, não tem sentido. Não será igual. Certamente, em cada um dos casos acima haverá um final, um termo. Enquanto vivemos estes momentos não nos ocorre pensar sobre o assunto. Direi que não chega a ser uma atitude obsessiva compulsiva. Esta mais para uma afeição estranha a um objeto. Uma amorosidade incompreendida. Um apego relaxante e confortador.

Tenho um amigo que tem um “caso” com o travesseiro. Como tive oportunidade de ver, era um travesseiro comum, molenga e que pela aparência deveria ter a idade do meu amigo. Este foi o único caso que tive a curiosidade em perguntar, até porque tinha bastante intimidade com este amigo. Perguntei:

- João, qual a razão de você trazer sempre o seu travesseiro?

- Mário, sem ele eu não durmo!

- Mas não é meio exagerado? – retruquei.

- Sei lá! – respondeu – Eu sei que sem ele não consigo pegar no sono.

Sei que muitos estarão verificando as suas maluquices: hábitos arraigados, apegos exagerados a objetos. Coisas assim!

- Qual será a minha mania, meu TOC? – alguns estarão se perguntando.

...

Como disse no começo, alguma coisa me incomodava no fato de ter visto aquele homem com frio na praça. Eu estava vestindo uma japona que me acompanhava, naquele momento, por uns cinco ou seis invernos. Sentia-me confortável e agasalhado, ao mesmo tempo desconfortável com aquela pessoa passando frio. Fiz meia volta e fui até o jardim. Tirei a japona e entreguei aquele homem. Não me recordo do que disse e, de fato, não interessa agora. Ele vestiu lentamente o agasalho e sorriu para mim.

- Obrigado! – disse ele.

- Boa noite! – respondi e voltei rapidamente para casa, estava bastante frio.

Aquela japona já estava na condição do seu chinelo, da sua xícara, do travesseiro do João. Embora satisfeito com minha boa ação, minha obsessão compulsiva, ainda latente, cutucava a atitude que tomei, não conseguiu bloquear o meu apego ao agasalho.

Inexplicável!!!


quinta-feira, 16 de junho de 2016

O PASSADO

Tenho pena das pessoas que vivem do passado porque são pessoas que não têm futuro. Isto é dolorosamente triste! Certo que as previsões para o futuro neste momento não são boas em nosso País, quero e acredito que vai mudar, assim tenho planos, muitos planos. O passado é uma âncora segurando o tempo. É triste e quase deprimente esta condição na qual algumas pessoas se inserem. Atravessam o dia, mas não tem amanhã. O passado não deixa. Acredito que muitas delas se deitam hoje querendo acordar ontem.

Minha crença em determinadas atividades paranormais são muita claras. Sou um crente no assunto, mas que fique mais claro ainda, crente sem participação ou dom para qualquer uma delas. Gostaria que uma destas paranormalidades me explicasse esta condicionante que determina a vida de certas pessoas: viver do passado. Isto para que pudesse aceitar de forma mais amena a convivência com estas exóticas personagens.

O fato de não entender estas posições é que, o que move alguém para frente é o que se pretende do futuro: os objetivos, os sonhos. Estas são as energias geradoras de vida à frente, são estes os apoios que nos dão mais vida e, bem mais que isto, vida melhor e mais longa. Vida com sentido, carregadas de perspectivas. É certo que algumas tentativas falharão. O que é bom é que, até que isto aconteça, estamos trabalhando uma ideia com um objetivo determinado. Agora, se falhar, teremos os outros objetivos ou sonhos. Sim, porque quem vive o agora com alvos lá na frente não se permite parar.

Parar, nunca! 

Viver no passado, menos ainda!


terça-feira, 14 de junho de 2016

DEIXA COMIGO!

É comum ouvirmos a expressão: “Deixa comigo!”. Ouvimos em ocasiões as mais diversas. Pense um pouco e será possível ver imagens chegando. Naquele churrasco onde alguém sofre para acender o carvão e ouvimos: “Deixa comigo!”. Está ali o cara que vai acender em dois minutos usando a sua técnica.

“Deixa comigo!”, de certa forma, é de domínio público. É bom deixar claro que apenas com relação a expressão, pois a função tem o elemento juramentado.

Já reparou que existem pessoas que tem esta cara, este jeito do: “Deixa comigo!”. É impressionante, mas tem! Aí você dirá que a expressão não seria esta, mas sim: “O faz tudo!”. Não é bem assim. Veja que o “cara” é o outro. O “Deixa comigo!”, é o “cara”. Papo louco! Aliás, o “Faz tudo” está mais para um autônomo que fatura em cima do seu trabalho; o “Deixa comigo!” é free.

Assim podemos perceber a necessidade do “Deixa comigo!”, o cara que vem e resolve; que pega e finaliza; que faz porque faz.

Entretanto não é bem assim, no dia-a-dia a coisa é diferente segundo a minha visão distorcida das coisas. Se você é observador verá que o “Deixa comigo!” está sempre onde tem muita gente, ou seja: público. Parece que o “Deixa comigo!” tem um lado artístico que necessita de plateia para ativar seu sensor operacional. O botão que dá o start em sua apresentação: “Deixa comigo!”. Bota reparo na observação!

Assim, divagando sobre a inutilidade do tema para preencher este espaço e terminar a pequena crônica, cheguei à conclusão que deveria haver um curso intensivo para a atividade do “Deixa comigo!”. Seria interessante, pois ele estaria no rol da listagem de todas as festas, convenções e encontros afins. Veja a utilidade:

- Queimou a lâmpada! – diz alguém:

- Deixa comigo! – é o cara.

- Furou o pneu da Leonor! – ouvimos:

- Deixa comigo! – de novo ele.

- Preciso temperar estes bifes! – diz o Cláudio.

- Deixa comigo! – só pode ser ele.

Cheguei à conclusão que “Deixa comigo!” não é uma expressão e sim uma atitude.

- Então tá!



domingo, 12 de junho de 2016

QUANDO EU MORRER

Quando eu morrer não tragam flores
não façam silêncio ou rezas contritas.
Não poderei ver ou sentir odores
não ouvirei essas rezas aflitas.
Em vez de flores, tragam cervejas
repartam com quem estiver presente.
Riam de acontecidos, de fatos passados.
Desta forma estarão compartilhando este momento junto de mim,
comigo.


sexta-feira, 10 de junho de 2016

TAIKO

O som intenso atingia meu peito que vibrava junto dos pesados tambores. Era tão intenso que quase me balançava. Uma massagem terápica. Nada mais importava somente as repetidas pancadas, rítmicas e evolutivas. Em alguns momentos as baquetas desciam com toda a violência sobre o couro dos tambores. Os tocadores soltavam gritos que poderia entender como de guerra ou saudação. Deixo a mim o direito de optar entre um e outro. Como me percebia feliz opto pela saudação.

Duas flautas davam um momento de descanso ao peso dos tambores que arrefeciam, quase que gentilmente, dando passagem ao pequeno e delicado som. Permiti-me neste momento estar em algum lugar do Japão, em algum lugar no meu imaginário. Os músicos dançavam frente aos instrumentos e ao som suave das flautas. A cadência era marcada com suavidade esperando o momento de romperem em pancadas vibrantes e gestos frenéticos. Uma troca de atuação a todo momento.

Quase todos os participantes eram adolescentes, empolgados, vestindo o seu personagem dentro do grupo. Que bons caminhos escolheram para usar o tempo, que escola boa estão frequentando dentro da disciplina necessária a formação de um grupo coeso e aplicado. Que maravilha!

Foi possível ver entre os presentes a emoção aflorando em lágrimas que brotavam espontâneas, o peito rebatendo a vibração dos tambores os olhos lacrimejando ante o inesperado. Uma poesia através dos sons e da dança. A coreografia ia sendo alternada com as batidas.

Não sei qual foi o tempo daquela demonstração, sei que é impossível medir a emoção que aconteceu com todos os presentes.
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Taiko: sua origem parece ter ser iniciado na China, e sua mitologia se confunde com o folclore japonês.


quinta-feira, 9 de junho de 2016

OUTONAL II

Entre 20 e 21 de Março e o seu término entre 20 e 21 de Junho se apresenta o Outono para nós. Aqui no hemisfério Sul, principalmente no Brasil, esta estação não tem as definições românticas dos Outonos no hemisfério Norte e no extremo Sul, quando as árvores mostram e demonstram de forma espetacular esta mudança. A comparação do Outono com a idade mais avançada tem lá suas semelhanças. É certo que para nós é a estação final. O fim das estações.

Fim da vida?

É qualquer coisa assim embora pense que não necessita ser tão drástica, mesmo porque nosso Outono pode ser longo e confortável. Principalmente útil. Acontecer na terceira idade é muito bom. Lamento por aqueles a quem a vida não permite, por uma série de razões, aproveitar este período. Temos em nossas mãos, quase todos nós, a capacidade de oferecer algo ao outro. Simples, bem simples assim. Não importa o que seja, não importa o valor ou quantidade. Importa compartilhar. Cheguei ao começo do meu Outono (Estou sendo pretensioso: começo?) e, de minha parte, tenho ainda que trabalhar para viver ou, para ter uma vida mais digna dentro do meu entendimento de digno.

É bastante comum minha filha ou meu filho ligarem perguntando:

- E aí pai, o que está fazendo?

Respondo com a naturalidade do que é natural:

- Trabalhando!

É assim, me ocupo para não ter tempo de pensar no que poderá acontecer a partir deste momento, mas me ocupo muito mais para preencher a dignidade que citei acima. Prefiro não ter tempo ocioso. Posso dizer: “Não tenho!”.

Desta forma, embarquei no meu Outono e por ele tenho navegado aproveitando com trabalho todos os meus dias.

Sou um privilegiado porque sou feliz assim!



quarta-feira, 8 de junho de 2016

GUARDE-SE DE SOFRER

Guarde-se de sofrer que não é hora
Tudo em volta é luz e canto de pássaro
A manhã traz perfumes indescritíveis
Acalme-se.

Guarde-se de sofrer que ainda é cedo
As crianças menores somente balbuciam
E seus filhos ainda lhe darão mais netos
Aguarde.

Guarde-se de sofrer ao menos hoje
que o dia de hoje, será melhor
que o dia de ontem da semana passada.
Relaxe.

Guarde-se de sofrer a sua dor
que ela existe e permanece.
Ignore-a, evite-a
Esqueça.


terça-feira, 7 de junho de 2016

ONDE ENCONTRO?

Muitos dos meus escritos, meus poemas, foram lidos nas pessoas que circulam neste meu pequeno universo e aqui transcritos. Nesta galáxia pessoal onde habito. Peço que me perdoem ao expor de forma tão simples, vidas tão intensas. Minha análise leiga jamais atingirá o todo. Sou, às vezes, o autor de suas vidas, sem a realidade de uma biografia autêntica. Apenas um leitor com pouco estudo que desconhecendo as palavras, cria adaptações do cotidiano alheio. Sem direção, sem roteiro, sem continuidade. Autoritário, pinço o que me interessa e desprezo o resto. O resto é o resto! Desculpe-me! Típico de quem se acha dentro de alguma representação artística: egoísta. 

Transformo em profundo um gesto natural, ao mesmo tempo banalizo o todo. Pretendo assim, colocar você no grafite sobre o papel; no monitor com o teclado. O anônimo personagem do meu texto tem vida própria. Não aqui! Aqui mando eu! Quantas vezes me pergunto de quem é que falo afinal? Quem é o personagem desta inspiração? Não sei!

De alguma forma quero agradecer as deixas oferecidas. Deixe que agradeça por sua anônima participação, embora você não saiba e não consiga perceber-se aqui. Basta que eu saiba. Você está aqui!

Por isto: obrigado!


segunda-feira, 6 de junho de 2016

TARDIO

Andei perdido, dando voltas em torno de uma suspeita de amor.

Apenas suspeitas...

Tolas suspeitas constantes na vida.

Afinal, quem não anda em busca do amor, quem?

Ainda que tardio há de existir a fração de um momento, onde o calor de uma certa hora acontecerá com a tranquilidade de uma lareira que aquece noite adentro. Um impensado amor tardio. Será assim, num de repente, o encantamento necessário àquela hora. Sim pode ocorrer! Demais a mais tenho que esperar neste entardecer algum instante assim. Sei que mereço, todos merecem! Um toque de mãos eletrificadas, necessárias, imperativas, despejando cargas por todo o corpo. Quase posso senti-las!

Sem a pressa imperiosa da juventude, será doce e aproveitado assim, aos poucos, lentamente saboreado este inesperado amor. Terá o entendimento da razão das coisas, nas pequenas coisas que o amor nos traz. O entendimento do necessário, da suficiência. Ainda que tardio assim será! Vou me calar agora, não quero compartir mais do que posso esta esperança, não posso dividir o inalcançável. Esta suspeita me acompanha sempre, diferente de um fantasma ou de uma sombra é mais uma sensação revigorante que aguardo não sei quando.

Quando a suspeita se materializar nos deixaremos explodir como um vulcão.

Depois... Vou deixar tudo na calmaria do depois já que vivi o agora.



domingo, 5 de junho de 2016

O QUE NÃO VEMOS

O que não vemos todos os dias porque não temos tempo de olhar.

Tem sempre a nossa volta um instante ímpar, inigualável, perdido dos nossos olhos embora ao nosso alcance. Perdemos a aventura comum de todos os dias. Estes flashes que trariam luz e sorrisos estarão perdidos no descaso por nossa ocupação diária, nosso foco neste momento é outro. Infelizmente!

- Não tenho tempo para perder!

Perder é o que se consegue, ao não ver o que deve ser visto. Aquele segundo de espanto, doçura e encantamento em nossa vida. Não é necessário tanto tempo para gravarmos um momento mágico e inesquecível. Precisamos estar conectados à nossa volta. O segundo inesquecível: este é na maioria das vezes o tempo. Acontece o dia todo, a toda hora.

Existe um lago próximo da minha casa que recebe vez por outra a visita de umas garças brancas. Não me lembro de vê-las chegando em direção ao lago, mas vi muitas vezes o seu retorno ao final da tarde. Na verdade não sei pra onde vão. Devem ter um dormitório em algum outro recanto. Em um destes dias, um momento especial aconteceu. Uma garça solitária carregava em seu bico uma cobra de pequeno porte. Acima dela, bem mais alto, estava um gavião conhecido como carcará que, fechando as asas, voou em sua direção rapidamente. Era uma flecha com mira perfeita. A garça, percebendo o gavião, soltou a cobra para ter mais velocidade. O gavião continuou em sua descida célere rumo à pequena cobra e a apanhou em pleno voo. Fiquei boquiaberto! Não creio que a cena se repetirá.

Meu instante de encantamento completou-se. Eu vi!

Se estivermos olhando, ouvindo, seremos surpreendidos. A nossa volta os acontecimentos vão se apresentando.

- Não perca!

Assim estes momentos darão a você uma sensação de exclusividade. Definitivamente: “Única!”.


sábado, 4 de junho de 2016

NA PRAIA

Os ventos vindos do mar durante a manhã balançavam o cabelo da moça que, sentada, apreciava o movimento das ondas. Segurava os joelhos próximos ao queixo para se abrigar destes ventos marinhos. O sol já estava aquecendo e queimando sua pele bronzeada e untada com protetor solar. O barulho das ondas não conseguia distrair as lembranças que a incomodavam insistentemente. Viera cedo para pensar um pouco sobre a vida: a sua vida. Parecia que tudo desmoronava ao seu redor.

- Bom dia senhorita!

- Bom dia! – respondeu sem ao menos olhar quem seria.

Não estava em seu projeto matinal conversar com quem quer que fosse imbuída que estava em pensamentos.

- Que bela manhã, não? – completou.

Ela se fez de distraída não dando atenção, mas nosso amigo era a simpatia em pessoa. Deveria ter por volta de setenta e cinco anos, cabelos muito brancos, estatura média e magro. Tinha a cara daquelas pessoas que cativam de imediato. Ele insistiu:

- Parece que madrugamos?

- Desculpe-me – disse ela – como?

- Eu disse que madrugamos. Aliás, é muito bom, aproveitamos estas belezas particularmente, com a exclusividade destes momentos.

- É verdade! – seu tom de voz mostrava a sua tristeza.

- Me perdoe à intromissão, sinto que você está magoada ou triste demais para uma praia ensolarada. – sua voz era grave, mas agradável - Devo confessar a você que já me senti assim há mais ou menos três anos atrás. Foi quando perdi minha Beth. Vínhamos a esta praia todos os dias, pois sempre moramos aqui perto. Ela era apaixonada por este mar. O tempo está me ajudando a superar a falta que ela me faz. A separação, quando amamos de verdade, é dolorida.

- Eu sei! – ela respondeu.

- Quando não temos mais como recuperar quem amamos, nos resta aceitar mesmo que seja amarga a receita. Agora, muitas vezes perdemos alguém por opção ou por falta de percepção. Nestes casos a dor é desnecessária.

Ela ficou olhando para ele perdida em pensamentos. Por que estava ali sozinha? Parece que alguma coisa dentro dela se agitava, revolvia. Seu rosto foi perdendo aquele ar de tristeza. Olhou com simpatia para aquele homem que conseguira abrir seu coração e desanuviar seu rosto. Por que estava ali? Pra que estar ali sozinha? Não havia razão ou sentido para isto. Pensou consigo mesma: “Será que ainda dá tempo de corrigir o que fiz?”. Pegou sua bolsa, toalha, esteira, juntou tudo e se levantou perguntando:

- Eu já lhe disse meu nome?

- Não, ainda não! – responde.

- Meu nome é Laura.

- Muito prazer Laura, o meu é Sandro.

- Obrigada por suas palavras Sandro, preciso voltar agora mesmo

porque tenho a opção para ser feliz e não quero perdê-la.

- Então vá logo Laura e tenha um bom dia!

Sandro acomodou-se na areia pensando: “Beth querida, acredito que acabamos de ajudar esta moça a ser feliz!”.

Sorriu.


quinta-feira, 2 de junho de 2016

DO OUTRO LADO DA CORDA

Dependendo do que fizemos da vida, algumas respostas as nossas atitudes serão terríveis. Difícil de aceitar embora seja mais comum do que parece. Acomodar uma situação depois de feita é como colar uma porcelana que quebramos. Parecerá igual, mas a cola atrapalha. Os pedaços quebrados saltarão aos olhos a todo momento. A cola é o problema ou os cacos?

Os dois!

A cola e os cacos são as discussões que acontecerão. Serão pedaços quebrados tentando ajuntar-se. Complicado!

Acredito que perdoar seja possível a todos nós; esquecer, penso que seja impossível. O perdão foi dado, mas a memória fica. Não temos a tecla deletar acessível. Por esta razão melhor não ter que ser perdoado, melhor não quebrar o relacionamento. Na verdade, não importa o grau do relacionamento quando quebramos a união que existia, fica a memória.

Maldita memória!

Assim é a vida. Quando aderimos a uma união, não importando o grau de relacionamento, nos amarramos a alguém como suporte mútuo. Para não cairmos e, principalmente, para que o outro não caia. Cortada a corda não temos como ajudar nem ser ajudados. Rompeu-se o elo.

- Podemos dar um nó!

- É verdade, mas teremos um nó no meio do caminho. Um nó que lembra o que se rompeu.

O alpinista usa a corda para ter segurança. Dependendo da situação, quando a corda se rompe, alguém pode morrer.

Assim, não adianta puxar a corda quando não há nada do outro lado. O que estava preso se foi. Seja quem for.


quarta-feira, 1 de junho de 2016

A CAMINHO DO BREJO

Em torno de nós, o tempo todo encontramos pessoas negativas. Pessoas que travam e atrapalham. Que não ajudam porque obstruem tudo. Não existe acordo. São colaboradoras do slogan: “Quanto pior melhor!”. E mais, não se importam que sobre para os mais íntimos.

Livre-se desta pessoa!

São muitas?

Vá se livrando aos poucos, elas acabarão e você encontrará uma possibilidade enorme de viver bem. Possibilidade sim, pois além das dificuldades que a vida nos apresenta no dia-a-dia é totalmente desnecessário suportar estes incômodos em forma de gente. O problema fica mais grave quando o inimigo mora ao lado. Quando se percebe que o caráter é duvidoso, a integridade não faz parte e a dignidade não interessa. Aí o autocontrole caminha para o brejo. Um sinal de alerta que está visível não será perceptível.

Fiquem atentos!

Pessoas que não somam porque não fazem questão ou fazem questão de não somar porque isto é o que são. Não conseguem entender diferente. Fazem outros de escada (Falei há algum tempo sobre isto.) e aparecem.

Estas pessoas não prosperarão, são mesquinhas! Só prospera quem age.

Fiquem longe!