quarta-feira, 25 de maio de 2016

IMUTÁVEL

Deixe que os elos se quebrem
que os elos se quebrarão,
que essa corrente que somos
se desgastaram no amor.

Difícil compreender
porque quebrar a corrente,
mas minha lembrança acode...
somos pedaços de elos.

Ainda que machucados,
quando já machucamos,
libertados libertamos
os nossos filhos também.

Não sei que dores sofreram
meus pais meus elos antigos,
sei que meus filhos agora
partem os elos de dor
porque terão de partir.


segunda-feira, 23 de maio de 2016

INCOMPREENSÍVEL

Sinto um vazio à minha volta
como um arvoredo sem árvores
ou a angústia de quem parte.
Este vazio desesperançado
do condenado à morte.
Somente Deus
onipotente
para fazer do oco e do vazio
esta terra enorme!
E somente nós, para fazê-la
tão cheia de solidão...
E gente.


sábado, 21 de maio de 2016

POEMA FRATERNO

Para João Pedro Palmiéri 

Quantas ofertas foram feitas a Deus.
As dores, os medos.
Mesmo com Deus por perto,
quanto medo, meu Deus!
( Cumpra-se em mim Sua vontade )
Pelos pisos frios do hospital,
tantos amigos passaram.
Tantos, que suas paredes e portas
se impregnaram de orações.
Deus foi incomodado pelo amor
dos seus amigos
e os ouviu,
e os atendeu.
Com alívio para nós e para Ele,
as notícias eram melhores
e assim foram a cada dia,
porque o Amor derrota diagnósticos.
Que o nosso amor se estenda além de você, amigo,
a quem é fácil querer, pois
enquanto evangelista, és João,
enquanto apóstolo, és Pedro,
enquanto amigo: Palmiéri.


quinta-feira, 19 de maio de 2016

VELHOS PAPÉIS

Na luz mortiça do abajur
diluem-se os meus pensamentos.
E nesta noite calma,
revejo os meus amores.
Amarelados como esta luz,
parados como esta noite,
tristes como eu.


quarta-feira, 18 de maio de 2016

PRESENTE

Encherei uma cesta de estrelas
e a dois querubins vou pedir
que bem rápido entreguem a você,
as estrelas ainda maduras,
quentinhas,
do calor do sol que até tarde ficou
neste final de Verão.


segunda-feira, 16 de maio de 2016

DECLARADA

Ah! vou entregar-te o mundo.
Sim, eu vou!
Escolhe o que quiseres
pois, se sou o mais feliz dos homens,
serás assim entre as mulheres.
E o mundo...o Universo todo
eu lhe darei,
tão fácil é satisfazê-la.
Mas...como dar-te um astro, o sol,
se o Universo todo a quer como uma estrela?
Assim mesmo amor,
pede que te atenderei.
Escolhe o que quiseres
pois, se sou o mais feliz dos homens,
serás assim entre as mulheres.


domingo, 15 de maio de 2016

AVENTURAS

Sou hoje um explorador de minhas riquezas.
Clinicamente deverei viver muito tempo.
Vou procurar-me enquanto viver,
pois sou terra inexplorada.
Nas primeiras incursões que fiz,
fui armado,
pois eu me era desconhecido.
Encontrei um monstro fascinante:
o medo!
Como prendê-lo onde pudesse controlá-lo?
Encontrei, mais adiante, uma ave branca,
estranhamente branca,
fiquei louco para caçá-la
mas ela, rápida,
fugia.
Era a Paz.
Assim fui penetrando aquela selva
de fauna tão variada.
E neste território enorme,
sou expedicionário de mim mesmo.
Descobri que não conseguiria colocar
nenhuma ave ou fera
em cativeiro
mas, que poderia, sim, estudá-las.
Quais os seus hábitos?
O que comiam?
E isto tenho feito.
Então, quando me virem assim
quieto, introspectivo, saibam:
eu não saí,
estou aqui
dentro de mim.


sexta-feira, 13 de maio de 2016

LAMENTOS

Oh! Infinito amor!
Onde estará?
Quem o levou?
Estou sozinho e com medo.
Sem amor o mundo é mau,
escuro e feio.
Quem encontrar meu amor, avise-me.
Ó meu amor, se souber
destas minhas súplicas,
volte!
Vai se arrebentar meu coração
tão cheio está de amor.
Tão cheio...de solidão.


quarta-feira, 11 de maio de 2016

SE EU PUDESSE...

Se eu falar de amor pudesse!
Mas como posso? Anoitece!...
Quando a tarde cai não falo
de amor. Não posso! Não Sinto!
Não sinto o amor quando morre
o sol. Mais tarde, quem sabe?!
Ainda mais agora quando,
tão desesperada, voando
às cegas no entardecer,
a avezinha se perdeu.
Falar de amor? Pudesse eu!


domingo, 8 de maio de 2016

CAMINHOS, SÓ CAMINHOS

Veio da Serra Dourada
maltrapilho e esfarrapado
parece saído da guerra
mas sem cara de soldado.

Caminha de pés descalço
pisoteando a estrada,
por onde quer que passasse
sempre se via a pegada.

Marcas que o solo registra
deste homem sem destino
que caminha a esmo, solto
que é o fim do peregrino.

O que impulsiona este homem
que caminha anda e anda,
pára defronte uma flor
e a sua volta ciranda?

Trazendo as costas um saco
sujo, e as vezes rasgado
carrega ali seus tesouros
o homem esfarrapado.

Veio da Serra Dourada,
sem sofrimento ou anseio
mas lá, na Serra Dourada
ninguém sabe de onde veio.


quinta-feira, 5 de maio de 2016

ESTOU EM MINHA MESA

Estou em minha mesa
ao mesmo tempo estou longe.
Faço a bilocação simulada,
a levitação fraudulenta,
mística caseira e pessoal
para a estória sonolenta
de um poeta cansado. 


terça-feira, 3 de maio de 2016

CAMINHADA IMAGINÁRIA


A meu irmão Vidal "Caminhador"
Na imaginária caminhada que pretendo
quase não ando,
passeio;
porque me vejo no verdadeiro caminhante
que enquanto caminha
vai traçando caminhos para a vida.
E vendo o verde que bordeja, muitas vezes, a estrada.
E passa um calango, uma cobra,
passa de tudo em sua frente.
Até medo!
Enquanto seus passos vão deixando marcas,
a atenção está nas marcas do percurso:
"Não posso perdê-las!"
e seus passos vão levá-lo ao próximo abrigo.
Tantos trechos feitos solitariamente
alguns outros com amigos
e, quando junto a outro caminhante
o caminho é mais curto
as dores menores
tudo é mais visto.
E aqui, empunhando meu lápis,
enquanto escrevo...assisto!