sexta-feira, 29 de abril de 2016

SONETO A UM TRIÂNGULO FRUSTRADO

Era um obtusângulo
portanto, um preterido,
obtuso era o seu ângulo
assim: incompreendido.

Então, como preâmbulo
e fim desta razão,
porque deste triângulo
num soneto canção?

É que a mãe geometria
sua vida em agonia
deixaria tão confusa

pois, amar como amava
e em si não encontrava
seu sonho: hipotenusa.


quarta-feira, 27 de abril de 2016

ABENÇOADAS AS MÃOS QUE DERAM SABOR AO VINHO

Abençoadas as mãos,
abençoadas as vidas
daqueles homens que a terra
chamou e que dela vivem.
Enquanto lavradores, são
operários divinos
deitando ao solo a semente.
Quando não, homens cansados.

Pois estes homens cansados...
os operários divinos
arrancam do solo árido
à força de muito esterco
regado pelo suor,
numa cesárea fantástica
na pequenina semente,
a enorme e extensa lavoura.

E delas, zelam, vigiam,
como se fossem seus filhos
endireitando seus ramos
e podam, como se poda,
as atitudes dos filhos.
Esperam, como se espera,
de quem tratam com amor,
o fruto dos seus carinhos.

Quem foi? Quem foi?
Quem fez o vinho?

Quem produziu
o doce vinho
já consagrado?
Sangue divino,
vinho da vida
vida da vinha.
Quem o bebeu,
quem o guardou?
Quem colocou
água nos potes
onde Maria
levou seu filho,
Nosso Senhor
de Nazaré?

Quem foi? Quem foi?
Quem fez o vinho?

Quem foi que trouxe
àquela mesa
doze Apóstolos?
Quem pôs o vinho
naquela mesa?
Por que o vinho?
Por que Jesus?
Qual o sentido
de tanta dor?
De sacrifício,
transformação,
do pão em carne
do sangue em vinho
de vida em morte?

Quem foi? Quem foi?
Quem fez o vinho?

Foi este homem
desconhecido
e tão cansado:
o lavrador.

Abençoadas as mãos,
abençoadas as vidas
daqueles homens que a terra
chamou e que dela vivem.
Enquanto lavradores, são
operários divinos
deitando ao solo a semente;
quando não, homens cansados.

SAÚDE!



segunda-feira, 25 de abril de 2016

SONETO AO BEIJA-FLOR

O beija-flor adejava
com invulgar maestria
e apaixonado beijava
todas as flores que via.

E beijava com ardor
logo em seguida fugia
envolvente beija-flor
que a toda flor envolvia.

E o beija-flor pelo espaço
mais parecendo um devasso
a todas dizia: "Amor!"

Com tanta graça dizia
que a flor nervosa pedia:
"Me beija, meu beija-flor".


sábado, 23 de abril de 2016

SABOR DE TERRA

Sabor de terra a me gravar (telúrico).

Profundamente,

( no mais arraigado do meu ser )

que me transforma em rio,

vale e montanha;

e me faz pássaro e nuvem.

Fugaz aroma de bosque

Eterno na memória.


quinta-feira, 21 de abril de 2016

FASTIO

Ainda não é tempo de descanso
queira ou não, são outros os tempos.
Sou deste século e estou aqui.
Dele, nunca passarei.
Presságios?
Sei lá!
Não sou oráculo credenciado pelos deuses,
nem ler as mãos eu sei.
As vezes, pressinto, sem acerto,
que depois do hoje vem o amanhã.


quarta-feira, 20 de abril de 2016

SONHOS ADOLESCENTES

Adolesçam, adolesçam!
que o mundo é um adolescente,
de 15 anos apenas. Ou 18?
Que importa!
São vocês o esteio de tudo!
Você que picha,
que estuda.
Você que se lixa,
e não muda.
Que senta tão displicente
e edifica em segundos
os séculos do mundo.
É seu menina,
porque vai amamentar as outras gerações!
É seu menino,
que vai ensinar seu filho,
com tanto amor e tal vigor,
que tudo, mas tudo mesmo,
será perfeito.
- Não é assim?
Que jamais digam de vocês,
o que vocês dizem de nós:
"-A geração que nos critica,
é a geração que nos criou."
Em algumas coisa não cabem críticas.
Mas não acreditem!
Ah! Isto não!

(Não quero ser um quadrado em púlpito alheio a trovejar sermões.)

Não acreditem em nós
quando:
vendedores de ilusões.
quando:
traficantes dos vossos sentimento.
quando:
compramos o seu estudo.
quando:
negociamos as suas diversões.
quando:
avalizamos os seus erros,
buscando endosso para o nosso.
Não, não acreditem!

Mas...acreditem!
Puxa vida! Podem acreditar!
Tivemos também 15 anos
e todas as suas esperanças e, todos os seus desejos.
E tivemos, graças a Deus,
com tal intensidade,
os desejos que vocês têm,
que tivemos vocês
que adolescem.


segunda-feira, 18 de abril de 2016

ESTÓRIA

O pássaro da Lua
vive na Amazônia Ocidental
nos ermos da floresta.
Canta no início da noite
um canto fúnebre,
um canto viúvo.
Foi visto pelos sacis e iaras,
que contaram a índios, caboclos,
que contaram ao branco
que me contou
que foi em busca do pássaro
e
não voltou.


sábado, 16 de abril de 2016

O MURO

Andei pensando sobre o muro que divide a Esplanada dos Ministérios, em Brasília; traz a memória o muro de Berlim. Uma comparação que me incomoda e ofende.

Um quilômetro desde o Congresso Nacional até o derradeiro prédio dos ministérios. Um monumento vergonhoso. Uma imagem negativa para nós brasileiros, mais ainda aos olhos do mundo.

Nada bom!

Tudo o que divide um País é ruim. Péssimo!

Agora é pensar no que fazemos em nossas casas. Chega à sua memória alguma comparação ao fato acima descrito? De um muro.

Não?

Aos invisíveis muros que criamos em nossas casas, entre pais e mães; entre pais e filhos.

Está vendo?

Sim são estes!

Um muro de desamor montado aos poucos trazendo o desconforto, a princípio; a angústia, a depressão e até medo a tantos lares.

Que possamos usar de forma reversa o exemplo dado em Brasília e derrubemos os muros que cercam as nossas vidas. Que possamos ver o outro de frente.

Derrube o muro que o cerca, mas principalmente derrube o muro que o separa dos outros. Sem muro é mais fácil chegar ao outro.

Tenho que pensar sobre o assunto mais profundamente.


sexta-feira, 15 de abril de 2016

ATUALIDADE

Estes versos são dedicados àquelas pessoas que deveriam evitar estes versos.

Andava a esmo,
pobre mulher,
como tantas outras
a quem a fome reprimia.
Pelas mãos, um filho;
no peito, outro;
e outro em seu ventre se desenvolvia.
Em seu rosto impenetrável,
sem sentimentos,
já não cabia a dor.
Mesmo os filhos não choravam,
não sorriam,
anestesiados, autômatos...motores!
Olhos parados, opacos,
nada viam,
porque aqueles olhos
já não viam nada.
Esbarrados pelas ruas
como estorvo
eram bichos
andando na calçada.
Aquela mulher, alguma vez, estendia a mão,
nem falava,
mal sofria.
Somente aquela mão,
magra e judiada,
somente aquela mão pedia.



quinta-feira, 14 de abril de 2016

DO CHEIRO DAS COISAS

A pitangueira, não sei se alguém já notou, tem nas folhas o odor da fruta: a pitanga.

A percepção do olfato é o que chamamos de cheiro. É assim: o olfato percebeu é cheiro. Quando é odor parece que está mais para catinga. Não? Tudo bem.

Não na Bahia e Nordeste que cheiro é beijo.

- Jonas meu filho como vai?

- Bem mãinha.

- Precisa voltar logo.

- Sim, é verdade, mas o trabalho está demais. Aliás, estão me chamando, ligo depois.

- Vá lá meu filho, vá lá. Cheiro!

- Cheiro mãinha.

O cheiro é fundamental para algumas espécies onde o macho localiza a fêmea. Não só a fêmea, os inimigos e a caça também. Bastante típico dos animais carnívoros.

Fundamental!

As flores pelo cheiro que produzem atraem os insetos que permitirão a sua fecundação. Pássaros, borboletas, abelhas transportam o pólen de uma para outra flor levando a vida adiante.

O cheiro do filho.

No mundo animal as mães reconhecem seus filhotes pelo cheiro, na maioria das vezes. Entre nós humanos é uma característica que não foi desenvolvida; mesmo porque, nós somos a única espécie onde os filhotes são inteiramente dependentes dos pais. Seria uma diferença perigosa se vivêssemos isolados. Ainda assim, já ouvi minha mulher dizendo do cheiro dos nossos filhos. O particular cheiro de um e de outro. Acredito que as mães, no nosso caso, tem alguma memória olfativa em relação aos filhos. Minha filha tem também esta memória de sua filha, minha neta. Acredito que para nós, os homens, é sempre um cheiro bom de criança ainda que seja impossível dizer de olhos fechados: “Este cheiro é de um filho meu!”.

Nunca!


quarta-feira, 13 de abril de 2016

O BESOURO ROLA-BOSTA

O besouro rola-bosta é o tal. O tal que vira bosta. E o faz com agilidade e destreza. Faz a tempo, na hora certa. Seu trabalho traz alimentos para os filhos; as fêmeas fazem bolinhas, quase do seu tamanho, e colocam os ovos dentro enterrando em seguida. Será o primeiro alimento dos filhotes. Coprófagos, são estes insetos que se alimentam de fezes. Isso mesmo, os besouros “rola-bosta” comem fezes! Vivem de excrementos de mamíferos herbívoros.

A perfeita organização colocada no mundo permite que nos espantemos com estes pequenos insetos e suas preferências alimentares. Nada foi colocado ao acaso por aqui. O criador destas maravilhas andou pensando em tudo. Acredito que ele não pensou muito quando colocou o homem no meio desta maravilha. Vai ver, estava distraído com alguma borboleta multicolorida que tenha criado e distraiu-se na espécie humana.

Falha imperdoável Senhor!

Toda a fauna e flora tem entre si alguma relação de sobrevivência. Interagem de forma organizada. Assim foi feito!

Minha atenção se voltou para este escaravelho em virtude de ter tido a oportunidade de vê-lo trabalhando.

Se aproveitássemos o que nos é oferecido com humildade e tenacidade, teríamos todo o necessário para viver. Mas não, não é assim e, pior, não aceitamos. Queremos mais e mais. É o consumismo sem finalidade. Tenho um pequeno pensamento que identifica esta situação: “Estamos chegando ao ponto de transformar a futilidade em necessidade básica”.

Minha reverência ao besouro rola-bosta, que sabe a que veio.


terça-feira, 12 de abril de 2016

ALÉM DA D.R. (Discutir a relação).

O ranço que fica da relação que se estraga é triste quando não é catastrófico.

Pesado? (O tal do catastrófico)

Não, não é!

Procure não navegar por este caminho, fuja dele, esconjure, pragueje, mas escape deste momento. Trabalhe para não ter de enfrentá-lo.

Ser polido pode ajudar em uma relação estremecida, mas soa falso.

Polido esta mais para o resultado que se encontra após o uso de uma pasta de calçados e situações muito delicadas e, neste caso, o momento está muito mais para além de estremecido. O ranço está mais para comida estragada, ninguém mais come. Melhor ser sempre educado. Educação é o diferencial nas relações. O conflito emerge da falta desta formação. É verdade que dependendo da circunstância, quem tem, às vezes perde. Momento em que se perde a posição e, vai-se ao encontro do nível abaixo.

Formal... Seria assim o caminho para esta separação: formal. O formal é mais ou menos como a água: insípida, inodora e incolor.

Assim é o formal!

Você vai de bom dia, boa noite, obrigado! Percebe? O formal não machuca e ajuda a atravessar esta estrada que se tomou. Seria preferível que não se precisasse usá-lo.

Já que não consigo explicar de forma bastante objetiva, vou despejar três neologismos (Acredito que sejam) definitivos para o assunto:

Machucatoso, dolorente, chorosivo.

Já pensou!!!



segunda-feira, 11 de abril de 2016

UM SONETO AO AMOR

Eu vi teu vulto além de um véu diáfano,
além dos sonhos que eu tinha então.
Foi como deusa que me apareceste
atormentando a eterna solidão.

E hoje sofro um mal que não sofria
um sofrimento que nunca pedi,
órfão do amor eu era; mas não via
as tantas coisas que ao te ver eu vi.

E vi na vida um canto de alegria
algo distante da misantropia
que me ofertava até com gratidão.

Se descobri o amor nesta existência
prive-me agora desta abstinência
que o meu pavor se chama solidão.


domingo, 10 de abril de 2016

SACRIFÍCIO

Num esforço sobre-humano, como humano,
embora fosse Deus,
embora fosse a perpetuidade,
embora vivesse a matéria,
era a eterna imaterialidade.

E de Trino e Uno ao mesmo tempo
aqui se substantificou,
vivendo em si as leis que ensinava,
sendo Ele a prova, enfim, do que ensinou.

E a mediocridade e a sordidez que viu,
que a sua onisciência conhecia,
fez com que viesse ao presente.
Transformou-Se, tornou-Se homem,
mas não foi visto como queria.


sábado, 9 de abril de 2016

NO CONSULTÓRIO

Com uma dor na altura do pescoço, procurei um otorrinolaringologista. Pelo nome o médico tem que ser bom! É muito nome para uma única especialidade.

Diga aí: otorrinolaringologista. Disse? Certo que às vezes engasgamos ao dizer.

Fui atendido por uma simpática secretária e me acomodei na esperança de ser atendido dentro do horário marcado.

Como em todo consultório ocorrem diversas conversas paralelas. Um zum zum zum constante. Éramos em torno de 12 pessoas acomodadas na sala de espera. Como é habitual, nos dias de hoje, a maioria estava com seu celular em mãos; alguns folheavam as revistas cansadas de serem lidas; outros conversavam.

Pude ouvir a fala de uma senhora ao meu lado no telefone:

- Minha filha, coloque mais cebola.

...

- Não coloque muito sal.

...

- É que seu pai já tem pressão alta, por esta razão é bom evitar.

...

- É isto mesmo, deixe vinte minutos no forno.

...

- Então está bem filha. Vamos chegar por volta das sete horas.

...

- Beijo.

Ela se vira para o senhor ao seu lado e diz:

- Querido, vamos comer uma bacalhoada no jantar.

Meu estomago começou a dar sinal de vida, minha boca salivando.

Na fileira da frente um moço, de uns 35 anos no máximo, falava ao telefone com as mãos sobre a boca. Não sei se era para não escutarmos a conversa ou para o seu interlocutor ouvir melhor. A conversa estava séria:

- Protesta!

...

- Não interessa conta vencida vai para o protesto!

...

- Não importa se é seu amigo, não pagou que pague no protesto!

...

- Está bem, vou esperar mais o dia de hoje, amanhã de manhã, proteste o título!

...

- Oh! Ok! Quando chegar por aí conversamos.

Murmurou qualquer coisa após desligar. Parecia muito contrariado. Sem querer estar interessado na vida de ninguém, podemos ver e sentir pedaços da vida de algumas pessoas ao nosso redor.

Todos ali, pela mesma razão, por causa de alguma doença, algum mal e, nem assim a vida para. A Terra continua a girar. A cada dia nascem meninos e meninas; a cada dia morrem homens e mulheres. Como administrar este vendaval de sentimentos e situações; como encontrar o ponto de equilíbrio em certas mazelas que nos são apresentadas? Acredito que Deus é a solução. Entregar de forma completa a nossa vida nas mãos do Criador e brigarmos valentemente por nossa vida. Bem que se diz: “Faça de sua parte que Te ajudarei”. Nossa parte tem que ser feita para esperarmos uma graça, uma benção. Milagres não acontecem do nada. Precisamos, pelo menos, pedir.

Estou perdido nestes pensamentos quando ouço o meu nome sendo chamado. A caminho da minha consulta peço: ”Meu Deus, me ajude neste momento!”.

Pedi!


ESCADA

As escadas servem de forma bastante simples para nos movermos para locais em alturas diferentes. Temos as escadarias em locais com muita inclinação, dentro de edifícios e, claro, as escadas móveis que nos ajudam em um sem fim de afazeres.

A expressão escada no sentido daquele que serve apenas para que alcancemos posições mais elevadas ou nos destaquemos é representada muito bem no ofício nas artes circenses. O palhaço principal trabalha com outro que tem a finalidade de “escada”. O “escada” é secundário, mas essencial no desenrolar de uma cena.

Usando esta analogia, existem no circo, cinema e teatro o personagem que é o “escada”. Aquele que ajuda o ator principal a desenvolver o seu papel. Na vida real também temos os “escadas”.

Alguns sabem que são; outros serão eleitos escadas.

É o caso daquele funcionário que domina todas as informações da seção e cujo crédito funcional vai para o chefe que não entende bulhufas.

- Isaurinha, você já preparou o processo da Cia Josteiner?

- Ainda não Sr Armando, estou com quatro processos comigo, ainda não tive tempo.

- Acontece que a Diretoria vai me "comer o figo" se não entregarmos a conclusão deste assunto ainda hoje.

- É que não tem ninguém me ajudando.

- Sei da sua competência e espero que você me entregue até o final da tarde.

Isaurinha sempre foi escada, elevador e rampa de acesso.

Este é um cenário que muitos conhecem Alguns como chefe, a maioria como o que entende. Realidade absurda da corrompida organização em que vivemos.

Dizem que todos somos iguais, mas na verdade, alguns são mais iguais que outros e ponto final.


quarta-feira, 6 de abril de 2016

CÉU DE MÁGOAS

Nuvens taciturnas, carregadas,
plúmbeas,
num céu afogado de mágoas.
Pardacentas, vagarosas e sem rumo,
indecisas
deixam o ar elétrico, fosfórico,
ameaçador.
Guerreiras com suas armaduras pesadas,
num céu afogado em mágoas,
vão se juntando, trovejando, iradas,
revoltadas.
E o vasto cenário da batalha
se encontra bem no centro
de um céu afogado em mágoas.
Que dor!


METEOROLOGIA

“É um daqueles dias em que estou mais para calmaria do que para tempestade.”

Atrás e acima do canavial que era cortado pela estrada era possível ver uma nuvem marrom se elevando aos céus. Era pó que não acabava mais. Acima, as nuvens estavam carregadas e pretas.

Vem vindo temporal por aí!

Todos estavam atentos e procuravam chegar o mais rápido ao seu destino. Parece que vai ser um temporal daqueles.

Como diria a Maju na sua fala meteorológica: “São nuvens vindas de uma zona de turbulência, um sistema de alta pressão, resultado de ventos divergentes que se deslocam em oposição à rotação da terra. Temos ainda um zona de convergência intertropical, as conhecidas ZCIT, influências diretas das chuvas da região Nordeste. Estamos com informações negativas das camadas de ozônio. Nada bom!
Rajadas de vento para as regiões oeste de Santa Catarina e Paraná. Na região litorânea Sul, a atenção deve ficar para ondas de até 3 metros em função de sistemas de baixa pressão atmosférica que se desenvolve por ali. A umidade do ar, de certa forma, se apresenta boa em virtude das chuvas que tem caído por todo o País.”

Como saberíamos disto!

Essa parafernália descritiva, independente da graça da apresentadora, Maju, pode ser resumida em algo descomplicado: é apenas um toró! Vem água aí!

Só isto!

Obs.: A descrição meteorológica descrita acima está por minha conta. Não acreditem!!!


segunda-feira, 4 de abril de 2016

SONETO A DERROTA

Escravo agora sou deste amargor
que me entorpece os membros já cansados
perdi batalhas eu batalhador
fiz, dos meus sonhos, sonhos mutilados.

E me algemo, agora a praguejar,
nestas batalhas que perdi então
profundamente dói o recordar
amargo o gosto da recordação

Que o meu exemplo não seja seguido
porque não fui assim tão destemido
nem nas batalhas fui tão estupendo

e, choro como se chorasse um morto
pois desta vida eu próprio me aborto
embora vivo, insisto estar morrendo.


domingo, 3 de abril de 2016

DAS ARTES EM GERAL

A necessidade do aplauso para o artista é como o combustível para uma máquina. Não só para o artista, mas para todo aquele que necessita da imagem veiculada. É a mídia elevando o grau de visibilidade e conceituação. No aplauso está o termômetro medindo a escala do sucesso ou não.

Para nós que escrevemos também. Do momento em que colocamos os nossos escritos para visualização, estamos buscando uma resposta para o trabalho realizado. Um feedback qualquer, assim como se fosse a aceitação do que fizemos. É interessante notar neste caminho que o retorno ao que escrevemos vai, muitas vezes, em caminho diverso daquele que entendemos. Explico-me. Determinada poesia ou texto que escrevemos não nos agrada por qualquer razão ou, não está dentro do perfil do que escrevemos normalmente e, publicado, tem um retorno inesperado: agrada, traz comentários, agita. Aí nos sentimos péssimos analistas. Percebi que a mensagem que passamos estará, muitas vezes, conectada a algumas pessoas de alguma forma. Traz conforto, alegria, Paz. Estou aprendendo a expor alguns textos onde não existe o acabamento (No sentido da ideia.) que, na minha despretensiosa condição de escrever, gostaria que tivesse. É, nestes casos, como uma loteria literária. Nunca será meu hábito, sempre evitarei este caminho.

Estou buscando entender de forma mais precisa o desenvolvimento e a evolução dos meus textos.

A respeito do aplauso escrevi este pensamento abaixo há alguns anos.

NECESSÁRIO

"Todo artista é um tolo que necessita de aplauso e assim, faz com que o aplauso seja para si."


sábado, 2 de abril de 2016

NA IDADE EM QUE ESTOU

O entendimento da minha idade hoje, não bate com o que eu sentia em relação a uma pessoa de 70 anos (71 Para ser preciso) quando mais moço. Nada como estar no lugar da pessoa julgada, já tendo julgado a circunstância para verificar.

- Hei vovô!

Era assim que dizíamos a uma pessoa nas alturas dos setenta anos. Exatamente isto!

Hoje o comentário esta mais para: “Tio”.

É bem verdade que as condições de vida melhoraram muito para todos. A expectativa de vida está na casa dos 75 anos. Tantos os homens como, principalmente, as mulheres tem condições de manter uma aparência saudável e jovial.

Acredito que a condição melhorada de vida, retardando a aparência da idade que chega (Velhice), não tira de nós a obrigação de mantermos uma atitude coerente com a faixa etária onde estamos. É quase lamentável quando vemos pessoas nesta idade tentando viver o que já viveu. Não tem como! Melhor será viver a idade que temos com a renovada aparência, mais jovial, porém dentro do nosso tempo. Dentro da nossa melhor idade. Coerente e adequado.

Ainda assim, tenho comigo a necessidade de não parar as minhas atividades que são a minha bateria e o meu combustível. Quanto à discriminação da faixa etária em que estou, desconhecem os que discriminam, a minha ideia colocada em um texto há algum tempo:

“Os sonhos que carrego não cabem na cabeça de um velho.“



sexta-feira, 1 de abril de 2016

DESPEDIDA

Quando se perde alguém o que fica, o que acontece? O que fica depende do que se viveu e o que acontece é uma despedida. De fato, uma perda envolve uma despedida.

Quando perdemos alguém, o que fica é o que deve ficar. Não será possível, neste momento, mudarmos o que já passou. Poderá ser bom ou ruim e isto dependerá de como compartilhamos a nossa vida com quem se foi. Este sentimento será o resultado do que vivemos em relação àquele que perdemos.

A dor de qualquer perda existirá, o que não deve ficar é culpa em relação a quem parte. Aí é péssimo! É imprescindível notar que a dor é inversamente proporcional ao bom relacionamento que existiu. Quanto mais se amou mais dor causará.

O sentido de vida correto não deverá deixar o sofrimento nos corroer mesmo sabendo que toda despedida é dolorida.

Se for necessário viver melhor então vou viver melhor. É sempre mais interessante perder em paz consigo do que guardando remorsos imperdoáveis.

Nossa sensação será assim então, é melhor que estejamos em paz. Este desenlace em vida ou por morte tem seu nome: despedida.

A tranquilidade deveria estar presente no momento da despedida.
Sabemos como isto é difícil. Saudade é o que deve ficar em qualquer despedida, esta agradável sensação após uma separação. Nem sempre é desta maneira.

Perder um pai, um irmão, um amigo é consequência da vida.

Filho não! Está fora da ordem natural. Assim mesmo... Acontece! É uma despedida triste.

Uma despedida é mais que um até logo. É muito mais. É um momento de distanciamento que pode ser ou não definitivo.
É uma separação. Um rompimento mesmo que momentâneo.
Atente para estar sempre em dia com os seus relacionamentos, qualquer que seja: comercial, entre amigos, amoroso, não importa. O que importa é estar bem.

Não permita que o arrependimento venha estragar seus dias no futuro. Sim, porque você não vai conseguir se despedir da sensação desagradável que perdurará enquanto viver.

Isto sim será ruim!