sábado, 30 de janeiro de 2016

O QUE IMPORTA

Destoa de tudo
Este tempo seco,
Com esta poeira
Do seco da terra.
Os meus sentimentos
Pequenos, serão
Todos encobertos
E assim ficarão.
Por serem pequenos
Não terem sentido
Não terem razão.



sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

ONDE ESTÁ?

Onde está à poesia leve que te acompanhava?
De palavra fluída.
Sintética, sua poesia era. Estava.
O verso é amigo dos poetas.


Busque os seus versos que se escondem,
Que deles é feita a sua poesia.
O poeta: que o verso escreve.
O verso: que o poeta cria.




quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

ORIGEM

Jorra da terra a fonte de água límpida
E se oferece ao viajante audaz,
É um recanto quieto e sombreado
Ao mesmo tempo é vida, é força, é Paz.

A inspiração é a água que renova
Cujos poderes são transcendentais.
A inteligência, a inspiração oculta,
Que a inspiração é inteligência e mais.

Como o batismo é a inspiração Divina
Que este Arquiteto em sua oficina
Ofereceu a nós pobres mortais,

Tem a poesia assim sua esperança
De encontrar em Deus a semelhança
Jorrando viva destes mananciais.


FONTE -https://sol2611.files.wordpress.com/2012/07/fonte-de-agua-renvavel.jpg


quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

BUSCA

A inspiração é uma arca
Que não tem porta de entrada.
Sem cor, sem forma, sem marca,
Como abrirei se é fechada?

Para esta porta se abrir
E nesta arca adentrar
É necessário sonhar
Um sonho que a faça ouvir

Os seus anseios, seu medo.
É este enfim o segredo
Que a inspiração não resiste.

E o texto, a prosa e a poesia,
Preenchem a folha vazia
Que a inspiração rindo assiste.


FOTOS FREE:
https://pixabay.com/pt/peito-porta-j%C3%B3ias-bizantino-67592/

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

ANCESTRALITEÍSMO

Será que comporto um *atavismo divino?
Não terei nos meus genes,
O instante da criação?
O clarão daquele segundo
Numa célula qualquer,
Por mais pequena?
Ciência com mestrado após a morte:
A genética Divina.
Aguardando a hora e a vez do esclarecimento.



*Atavismo - s.f. Reaparecimento numa pessoa das características de um 

antepassado que permaneceram escondidas por muitas gerações.





segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

RELÓGIO

O relógio está perdendo vez. São poucas as pessoas que usam este instrumento de medição das horas hoje em dia. O celular desbancou a sua importância.

- Que horas são?

Todos irão olhar no celular. Está bem, quase todos!

A necessidade de saber as horas inventou o relógio. Tempos depois as pessoas ficaram escravas do relógio (Das horas). Preciso chegar no horário senão... ”O patrão me come o fígado!”.

Este relacionamento tinha momentos de tensão quando o relógio quebrava.

- O quê vou fazer?
- Simples! – dizia alguém - Vá ao relojoeiro!

Isto me lembra, quando menino, da Relojoaria do Almeida. Lembro-me do pequeno toldo retrátil que servia de proteção, na parte da tarde, quando o sol batia de frente na loja. Muitas vezes vi o Senhor Almeida com uma pequena manivela que se engatava em um mecanismo para abrir o toldo.

O Senhor Almeida em sua pequena loja, que não tinha mais de um metro e meio de largura, era o “cara” quando se tratava de relógios. Seus cabelos brancos apareciam por traz de sua pequena bancada, onde se podia ver uma infinidade de relógios. Alguns pendurados em pequenos ganchos; outros, sobre a mesa, amontoados. Eram visíveis pequenas caixinhas plásticas onde colocava as peças daqueles que ainda estava trabalhando. Alguns estavam esperando peças; o viajante da marca passaria dentro de alguns dias. Sempre me perguntei como é que ele sabia qual peça era de quem. Era constante aquela situação devido a sua notoriedade como relojoeiro em nossa cidade, todos os dias relógios com defeito chegavam a sua oficina. Atendia sempre com sua lupa dupla sobre a testa e um sorriso no rosto, iluminado por uma lâmpada fluorescente fixada na parte de cima da bancada.

Na lateral da loja, uma prateleira envidraçada estava repleta de diversos modelos e marcas. Luminárias acesas faziam com que tudo brilhasse mais. Lembro-me das muitas vezes que entrei apenas para olhar. Ficava perdido na quantidade de peças: relógios, despertadores, caixinhas de música, pulseiras, pequenos adornos, etc. Lá no fundo, um balcão minúsculo, que se ligava a prateleira lateral, separava a área de circulação da bancada de trabalho.

Confesso que me passou pela cabeça ser relojoeiro. Envolver-me naquele quebra-cabeça sem fim.

Possuir um relógio já foi uma posição de status, hoje em dia, fica até incompreensível para os mais novos. Tenho dois ou três relógios guardados que, definitivamente, não vou mais usar. Pode ser que acabem nas mãos dos meus bisnetos que perguntarão: “Para que servia isto?”.

Absorvido nestas recordações ouço alguém perguntando:

- Que horas são?
Respondo de imediato:

- Não sei, estou sem meu celular!



domingo, 24 de janeiro de 2016

FUTUROLOGIA DOMÉSTICA


O que será do hoje que trafega
Alucinado e sem horizonte?
Barbarizado pelo homem,
O próprio tempo é desprezado.
Angustia saber o que acontece.
Amedronta o amanhã que nasce morto.



sábado, 23 de janeiro de 2016

A BANANA E A BOLSA DE VALORES

Estamos comprando, no dia de hoje, com uma ação da Petrobrás quase um quilo de banana. Eu disse quase.

Não é legal!!!

Fica a dica para os menos conectados, compre logo para não perder dinheiro. A banana está subindo e a ação da Petrobrás, descendo.

Afinal temos que valorizar a banana. Foi este o pensamento do pessoal do petrolão. Valorizar a banana. Penso até que alguns dos “trocados” que saíram no petrolão foram aplicados no Vale da Ribeira em plantios de banana.

Essa mania de estar sempre com um pé atrás. Prejulgando maldosamente. Aí pensamos: plantar bananas ou colher (Dividendos)? Dúvida cruel.

Falta de pensar, veja o nome delas:

Banana ouro

Banana prata

Mais as irmãs pobres:

Banana maçã

Banana nanica

Até as quitandas estão usando a prática de cartel quando tem banana, isto porque as indústrias farmacêuticas estão comprando toda a produção.

Não vai demorar muito tempo para pedirmos ao médico uma receita de banana genérica para câimbra. É o potássio! Quem sabe vai ser possível encontrar em uma Farmácia Popular ou no postinho do bairro.

- Tem o genérico da banana ouro?

- Tem sim, mas só vendemos por gramas.

- Qual a equivalência para uma dúzia?

- Você leva um *blister com 12 que dá certo.

- Quanto custa?

- Tá R$10,00 a embalagem e só tem sabor morango.

- Como assim, banana sabor morango!

- É o que temos.

- Então me dá uma.

- Agora não tem jeito que estão guardados no armário lacrado junto com os remédios tarja preta.

- Ué, mas é tarja preta?

- Não, mas devido aos roubos o dono está guardando com segurança e, neste momento, ele não se encontra. Volta mais tarde!

Estou dando tratos “a bola” e analisando. Se o preço da banana for atrelado ao preço da ação da Petrobrás como está parecendo e se a ação subir... Nunca mais como banana.


*Blister - é o nome da embalagem no formato de cartela.



sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

SONHOS IMORAIS

Que são os versos se não as vestais
Que proibiam toda voz blasfema
O entrar profano de pobres mortais
No resguardado templo do poema.

Ali entraram somente imortais
Que espalhavam o cheiro de alfazema
E cujos cantos eram credenciais
A dar direito a esta glória suprema.

Como encontrar a porta deste templo
Se nem em sonhos contemplar, contemplo,
Pobre mortal em forma tão profana

Sou como todos: sangue, carne, osso,
Pulmões e rins e o intestino grosso
Pior ainda: tenho a alma humana.


quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

O BRASIL NO BURACO

O Buraco, em Ribeirão Preto-SP (Aqui se deve ler Brasil?), se reproduz com intensidade nos períodos de chuva. O acasalamento acontece, na maioria das vezes, á noite. Cientistas tem estudado este assunto, bastante inusitado, da procriação dos buracos. Nos estudos realizados chegaram à conclusão lógica que a alimentação destas criaturas é fornecida pelo material com que são pavimentadas as ruas. O fato é que, pelas manhãs, aparecem por todos os lados buraquinhos que, por sua voracidade e por encontrarem alimentação farta ao seu redor, desenvolvem-se com excessiva rapidez.
Descoberta a sequência do DNA dos buracos, foi entregue a administração pública um trabalho elaborado fornecendo a solução adequada.

- Oras, então é simples, vamos mudar este material! Eles (Os buracos) morrerão de inanição.

(Risadas ecoam por todo o Brasil. Nos órgãos públicos federais, estaduais, nas câmaras municipais, em todos estes “buracos” onde se escondem os que, escondidos, planejam nossas rodovias e ruas. É quase possível ouvir-se: “E a nossa comissão como fica?”)

A importância dos buracos na comunidade é de tal porte que alguns têm nome próprio: O buraco da Avenida 13 de Maio, da Rua Sete de Setembro; alguns, são de dimensões estelares: os buracos negros, ali somem carros; outros, são pontos de referência na cidade: “Depois do terceiro buraco, vire à direita!”.

Percebe-se que alguns são motivos de preocupação materna:

- Cadê o Carlinhos?
- Tá brincando de barquinho na poça em frente à Dona Rosa!
- Vander de Deus, seu irmão tem só cinco anos!
- E daí mãe!
- Daí que aquele buraco tem mais de metro de fundura. Vá buscá-lo!

Como enche o problema dos buracos?!

#buraco
#enche
#quando



quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

PASTEL

Dos pequenos pecados alimentares, o salgadinho é o melhor. Seria um pecado contra a pressão alta, problemas renais, arritmia, infarto? Não sei disto, pois não estou falando dos salgadinhos embalados. Estes contém sal em excesso. Já pensou que um pacotinho destes tem o sal necessário para um dia todo.

Olha a pressão alta aí gente!

Estou falando do Ponto do Salgado. Estabelecido há várias décadas no mesmo lugar e com o mesmo tempero.

Este é o meu lado mais popular no mundo gastronômico, lado sem grife que me define como simples. Que sacia este meu lado comum.

Conscientemente vou preparado para comer apenas um pastelzinho de carne e um refrigerante. O que não sei, é que meu inconsciente já está trabalhando na possibilidade de mais um ou dois. O inconsciente é inconsequente. O visual também corrompe a decisão tomada antes: pastel, coxinhas, quibes, esfihas...

Estou decidido, apenas um pastel!

Minha boca se enche de saliva no pensamento que precede meu pedido:

- Por favor, um pastel de carne e um refrigerante!

Aguardo olhando os expositores aquecidos enquanto a atendente me serve o refrigerante. Sou um fraco diante desta vitrine. Não, não vou me deixar vencer! Dou um gole no guaraná e vejo meu pastel chegando acompanhado de alguns guardanapos:

- Algo mais? – pergunta solicita a moça que me atendia.

- Obrigado! – respondo

Calma, muita calma nesta hora. Vou saborear o momento. Pego um dos guardanapos, dobro e envolvo uma das beiradas do pastel. Seguro firmemente dando a primeira mordida com cuidado, está bem quente. Nesta primeira mordida procuro alcançar o bojo do pastel para liberar o excesso de calor que fica preso ali. Nada do que acontece em minha volta interessa neste momento. Absolutamente nada! É uma questão pessoal: eu e o pastel. Aos poucos verifico que estou chegando próximo ao pedaço envolto no guardanapo e ainda tenho a sensação de que falta um pouco mais. Meu inconsciente já desorganizou todo o meu lado lógico e me vejo pedindo:

- Mais um pastelzinho, por favor!

Posso justificar minha fraqueza dizendo que: “Pecados que não deixam remorsos não são pecados, são prazeres”.




terça-feira, 19 de janeiro de 2016

CONTEÚDO

Pisando a terra fofa dos canteiros

Meu corpo quente toca a terra fria

Assim percebo a vida desta terra

Que a humanidade toda percebia.



Da terra viva, tão fecunda agora,

Pelos meus pés meu corpo recebia

A força que esta massa geradora

Tão generosamente transmitia.



E me interrogo como é que a semente

Tem seu prazer no que é pra mim fobia

Ir se esconder na escuridão da terra

E acreditar na intensa luz do dia.



segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

THE VOICE

Quando encontramos algo bom para assistir.

A televisão brasileira tem, contado nos dedos, programas de nível; algo que se possa usufruir sem o constrangimento das apelações comuns e constantes nas telinhas. Algo que se possa assistir com a família e, mais ainda, com as crianças. Tenho tido a oportunidade de assistir ao The Voice, para adultos e para crianças, vale a pena!

Enfim um programa de qualidade, onde podemos ver e ouvir musicais de muito bom gosto e alguns, de altíssima qualidade. São apresentados candidatos selecionados entre uma quantidade enorme de pretendentes, trazendo para o espectador momentos de prazer. Algumas vozes são muito especiais, timbres e sonoridades que emocionam a todo instante. As lágrimas chegam aos olhos dos juízes em algumas apresentações mais surpreendentes. De todo o Brasil vem estes candidatos em busca de um espaço na música. Todos os estilos são apresentados, indo da música de raiz ao jazz com a mesma elegância. Vamos ouvindo histórias que encantam ao mostrarem a luta deste ou daquele candidato.

Este é um programa onde, em família, podemos nos sentar todos juntos e assistir.

Não quero ser um quadrado em *púlpito alheio a trovejar sermões, até porque não é minha área, mas o mais tolo de nós percebe a imbecilidade gerada nos programas de televisão de hoje em dia.

Vamos optar pelo melhor.




*Púlpito - s.m. - Antigo. Local elevado utilizado pelo orador para falar; tribuna.



domingo, 17 de janeiro de 2016

SONHOS

Como fantasmas,

Pelas calçadas do jardim,

Rolavam esquecidas

Minhas recordações.

Não fantasmas assustadores, mas tristes,

Como àquela hora.

E as crianças, redemoinhos estouvados,

Lambendo a grama,

Alegres e sem rumo,

Passavam sobre meus sonhos.




sábado, 16 de janeiro de 2016

ALGO SOBRE A DIDÁTICA

Comecei ministrar cursos de bonsai em 1996. Uma das maneiras que encontrei para manter a atenção dos participantes durante meu curso foi, sempre, chamar aquela pessoa que percebia estar sonolenta ou desatenta para me ajudar. Não adianta, isto vai acontecer em qualquer curso, principalmente se forem muitas pessoas. Quando a quantidade de participante é pequena você consegue dar atenção um a um sem muito problema então, a minha atitude resultava em bom andamento para o meu trabalho. Era a boa solução, colocava o desatento mais próximo do que se fazia interagindo objetivamente no trabalho daquele momento.

Acredito que em muitas situações a solução está em procurar a saída mais adequada para cada caso. O estimulante do momento! Fazer com que um participante cansado ou desatento interaja ativamente, será uma boa solução.

Outra possibilidade que descobri é criar um suspense momentâneo. O participante estará ansioso pelo resultado. O suspense desperta!

Uma das maneiras que encontrei para mostrar o cuidado que se deve ter ao podar um galho foi com um pequeno truque.

Para os que não sabem, a poda é essencial na Arte Bonsai. É como conseguimos manter a nossa árvore no tamanho adequado por muitos anos. Esta poda é feita na parte aérea assim como nas raízes. Assim é que mantemos a estrutura do bonsai. Muito bem, como disse a poda é essencial. No momento em que vou falar sobre a poda aérea, ou seja, a poda de galhos, uso uma árvore ou pequena muda para a demonstração. Propositalmente, corto um galho que não deveria cortar e informo do meu erro aos alunos. Neste momento, é fácil ver algumas pessoas preocupadas com minha “falha”, até porque minha postura estará mostrando que “de fato errei”. Neste momento, aproveito para dizer da calma que devemos ter ao trabalhar a nossa árvore. Tranquilidade! Paciência!

Paciência, regra número um!

Seguramente erraremos menos. Chamo a atenção com bastante ênfase para o cuidado com a poda. Um erro poderá ser corrigido com o tempo, mas poderá levar muito tempo a correção de um erro destes ou, até mesmo, não ter solução. Agora vem o “truque”.

O galho que foi cortado está em minhas mãos. Já dei suficiente destaque para que evitemos este tipo de erro. Neste momento digo que: “Sim, às vezes pode haver solução!”. Coloco um pouco de saliva na ponta do meu dedo e passo na base do pequeno galho que está em minhas mãos. Repito o processo colocando um pouco de saliva na ponta cortada do galho na árvore. Todos estão olhando sem entender o que faço. Junto o galho que está em minhas mãos com a ponta do galho cortando fazendo com que fiquem alinhados da maneira que foram cortados. A atenção é visível. Neste momento, com uma das mãos, fico segurando as duas partes na posição original. Começo a reforçar a informação de que não devemos ter pressa ao cortar para não acontecer o que tínhamos acabado de ver. Um erro desnecessário.

Neste momento estou falando para todos, mas a atenção da maioria está em minhas mãos.

O quê esperam ver?

O quê acontecerá?

Continuo por três ou quatro minutos com informações as mais variadas e a atenção vai se concentrando em minhas mãos. No meio da fala coloco: “Pode ser que se consiga alguma solução diferente para este problema. Nunca temos muita segurança sobre isto”. De repente, solto o pequeno galho que cai...

É notável, todas às vezes um susto aparece aqui e ali. Acontece um momento mágico. Intimamente, algumas pessoas estavam esperando que o galho ficasse fixo em sua base, mas todos, todos estavam atentos ao que aconteceria.

Não, de fato, cortou errado não tem solução. Em contra partida ganhei meu público. Dali em diante tinha a atenção de toda a classe.

Podar, a partir daquele momento tinha regras claras, definidas.

Tenho comigo uma certeza: “Quando ensino, aprendo primeiro, pois meu ouvido é o que está mais próximo da minha boca. Então, ensinar é reaprender”.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

TRINTA E TRÊS DIAS DO BLOG

Agradecer.

É o que pretendo no dia de hoje. Nestes trinta e três dias quase quatro mil amigos clicaram neste blog. Não sei do número ideal, sei que para mim parece muito bom.

Parece muito!

Além deste número, outro me deixa alegre, quase cinquenta amigos estão seguindo os meus trabalhos registrando seu e-mail para recebê-los.

Obrigado!

Ainda assim vou pedir a todos que convidem os amigos para conhecerem o meu trabalho. Deixem um comentário quando gostarem; deixe a sua opinião.

Estou aprendendo a respeito de blogs e estou me informando que esta movimentação é que dará mais visibilidade ao mesmo. Desta forma, sua ajuda será sempre bem vinda.

Será necessária!

É isto aí, obrigado a todos. Espero que, de alguma forma, possa estar acrescentando alguma alegria, conhecimento ou conforto.


Um grande abraço

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

PRESENTE

Ah! Vou entregar-te o mundo.

Sim, eu vou!

Escolhe o que quiseres,

Pois se sou o mais feliz dos homens,

Serás assim entre as mulheres.


E o mundo... O Universo todo

Eu lhe darei

Tão fácil é satisfazê-la.

Mas, como dar-te um astro, o Sol?

Se o Universo todo a quer como uma estrela!


Assim mesmo amor,

Pede que te atenderei.

Escolhe o que quiseres

Pois, se sou o mais feliz dos homens,

Serás assim entre as mulheres.




quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

*INTERJEIÇÃO

A distância entre o entendimento correto e o que imaginamos a respeito de um fato, fica dependente na informação que recebemos. Salvo se formos personagens do assunto.

Um fato pode ser analisado por diversas mídias, com enfoques diferentes, permitindo a nós a análise e, quem sabe, por consequência, uma nova visão sobre o assunto. Sim, é bem por aí que a lógica anda. Sim, eu sei, tem assunto para várias laudas. Vou ficar no resumido!

Saí de casa para pagar algumas contas e fazer compras no supermercado. Na metade do caminho da minha primeira atividade que seria em um banco, o trânsito foi ficando lento, mais lento e parou. Na minha despreocupação com compromissos mais sérios, liguei o rádio e procurei por uma música agradável. Acabei na Rádio Usp que tem sempre uma variedade de músicas muito boas de ouvir. Aí sim, fui em busca do que causava a lentidão. Lá, bem à frente, podiam ser vistos caminhões encostados do lado esquerdo da pista, recolhendo galhadas das árvores que haviam sido podadas. Fui seguindo a fila no engata a primeira e desengata até o final daquele gargalo.

Ufa!

Foi um “Ufa!” sem estresse. Apenas um “Ufa!” normal de acontecimentos banais. Poderia haver neste “Ufa!” alguma raiva, mas não, era apenas um “Ufa!” despretensioso e de momento. Seguramente me faltou outra interjeição. Quem sabe: Oba!

Segui em frente, em busca da minha agência bancária quando... Outra vez o trânsito estava ficando lento, lento e... Parou!

Neste momento já estava com o rádio ligado e minha atenção se voltou para o que poderia ter acontecido. Parecia que este engarrafamento seria bem mais longo que o anterior. Procurei entender o que havia, verificando os sinais que ouvimos ou enxergamos nestas ocasiões como: pessoas ao lado do carro gesticulando, carros buzinando. Pude perceber que, a sete ou oito carros adiante, alguns motoristas conversavam sem gestos mais expressivos que os normais. Não havia buzinaços. No início deste texto está: “A distância entre o entendimento correto e o que imaginamos a respeito de um fato, fica dependente na informação que recebemos”. Meu lado detetive, após análise visual chegou a conclusão de acidente grave. Por quê? O fato de não ouvir buzinas em um engarrafamento muito grande aponta para situação “grave”. Em segundo lugar, a observação de pessoas conversando de forma normal mais a frente informava que estavam analisando com mais segurança, quem sabe com visão do acontecido, portanto não seria o caso de gesticulações de revolta ou raiva.

Muito lentamente, os carros começaram a se movimentar. Estava muito perto do ponto onde, de fato, um acidente bastante grave tinha acontecido. Nas conversas laterais, que acontecem com transeuntes informando os motoristas, pude ouvir: “O motoqueiro morreu!”.

Não sabemos quem era. Se casado ou solteiro. Teria filhos? E os pais... Que notícia!

As interjeições se seguem a cada carro que passa: “Nossa!”, “Puxa!”, “Credo!”, “Que pena!”, e assim vai...

Intimamente agradeço a Deus a espera nos congestionamentos. Agradeço não ter corrido. Agradeço não ter atropelado ninguém.

Com todas as situações acima me ocorre mais uma interjeição: “Graças a Deus!”


*Interjeição - é a palavra invariável que exprime emoções, sensações, estados de espírito, ou que procura agir sobre o interlocutor, levando-o a adotar certo comportamento sem que, para isso, seja necessário fazer uso de estruturas linguísticas mais elaboradas. Fonte - http://www.soportugues.com.br/secoes/morf/morf89.php


terça-feira, 12 de janeiro de 2016

VOCÊ ESTÁ CONECTADO?

Várias pessoas se aglomeravam em uma recepção de um prédio comercial. A empresa Connection Blue abrira vagas. Jorge, 55 anos, estava entre os candidatos.

- Bom dia!

- Pois não. O que deseja? – disse a recepcionista

- Vim para a entrevista da Connection Blue.

- Por favor, o senhor preencha este formulário.

- Você pode me arrumar uma caneta? – disse Jorge

- Vá até aquele balcão para preencher porque o movimento hoje está de amargar. – disse a recepcionista entregando a caneta – Assim que termine, é só me entregar. Faremos a chamada por nome.

Jorge dirigiu-se ao balcão, onde já estavam mais dois ou três candidatos. Desempregado há alguns meses, torcia para estar entre os selecionados. Era um homem honesto, formado em Administração de Empresas, com uma ficha profissional impecável, asseado e educado.

Terminou as anotações e entregou a recepcionista. Ao seu redor, a grande maioria era de jovens com faixa de idade entre vinte e, no máximo, trinta anos. Conseguiu um espaço em uma poltrona e sentou-se esperando a chamada. Passaram-se mais de trinta minutos quando ouviu:

- Jorge, Jorge Limeira!

Jorge levantou-se e dirigiu-se a recepcionista.

- Sou Jorge.

- Por favor, tome o elevador da direita até o vigésimo andar. Saindo, a sua direita, dirija-se a sala 404.

- Obrigado.

Jorge tomou o elevador e chegou à sala indicada.

- Bom dia!

- Bom dia! O senhor veio para a entrevista de emprego?

- Sim. – disse Jorge entregando a ficha que preenchera.

- Sente-se um instante que breve será chamado. – disse a atendente.

Minutos depois:

- Sr Jorge, por favor, o nosso Gerente de Recursos Humanos, Sr Jonatan, irá atendê-lo. – ela levantou-se e abriu a porta para a sala de entrevista – Boa sorte!

- Obrigado! – respondeu Jorge polidamente.

- Jorge, seja bem vindo a Connection Blue, meu nome é Jonatan e serei seu entrevistador.

Não devia ter mais de vinte e cinco anos, calculou Jorge. Muito bem vestido, cabelos esticados com algum tipo de gel. Enquanto falava, teclava um smartphone de última geração. Sem tirar os olhos do aparelho perguntou:

- Jorge, a Connection Blue é uma empresa, como o nome diz, super conectada e esperamos dos nossos colaboradores esta posição.

- Acredito que não terei problema em atender este quesito. – esclareceu Jorge.

- Quesito! – exclama Jonatan – o que é isto?

- Questão – respondeu Jorge.

- Ah! Interessante, – Jonatan tirou os olhos de seu Smartphone – apenas para constar Jorge, você certamente tem um Smartphone para contatos?

- Não, o meu é apenas um telefone comum.

- Mas como vou localizá-lo para atendimentos eventuais?

- Pelo telefone! – diz Jorge.

- Quero dizer que não terei acesso a sua localização geográfica neste seu telefone ultrapassado. – finaliza Jonatan.

- Eu direi onde me localizo. – responde Jorge.

- Vamos recomeçar. Parece que não começamos bem. Jorge você está conectado a rede?

- Que rede?

- A internet

- Estou sim, tenho um computador em casa.

- Ótimo! Tem Facebook?

- Não, não tenho!

- Como vou localizar o seu perfil?

- Enviei meu C.V. para a empresa nos primeiros contatos.

- Curriculum Vitae não mostra o seu perfil atual meu amigo agora, o Facebook é o seu perfil atualizado mais confiável. Você tem Twitter, Instagram, Google+, qualquer mídia do gênero?

- Não, não tenho!

- Você tem WhatsApp?

- Também não!

- Como vou encontrá-lo rapidamente Jorge?

- No meu endereço ou no meu telefone. – responde Jorge atrapalhado.

- Mas você teria que ter o WhatsApp, ele é mais prático que o telefone. Não temos que ficar esperando uma ligação que não sabemos se será completada. É mais direto. É mais moderno. É, finalmente, o que se usa hoje. – diz Jonatan já um pouco irritado.

- Penso que posso providenciar o necessário que a empresa me solicita. – diz Jorge buscando uma solução.

- Impossível! – Jonatan está incrédulo – A empresa não pode esperar que você se organize e esteja habilitado nestas mídias para breve. Precisamos de um elemento AGORA.

- Meu filho me disse algumas vezes para que eu comprasse um aparelho melhor.

- Porque não comprou Jorge? Porque não comprou?

- Não via a necessidade. – se explica Jorge.

- Deveria ter escutado seu filho! Infelizmente Jorge, você não atende as necessidades da Connection Blue. Embora me pareça um boa pessoa não está devidamente conectado para a empresa. Lamento!

Neste momento, Jonatan já está digitando alguma coisa em seu Smartphone. Estica a mão dizendo:

- Obrigado por atender ao nosso chamado. Tenha um bom dia.

Jorge se despede abatido:

- Bom dia!

Chegando em casa, sua esposa vai recebê-lo ansiosa por novidades:

- Querido como foi a sua entrevista?

- Nada bem!

- Como assim, nada bem! Seu curriculum é muito bom!

- Pode ser, mas acredito que eles nem leram minhas informações.

- Então porque não foi aceito?

- Porque não tinha um smartphone!

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

BONSAI VI - Um presente da Lituânia

A viagem a Vilnius, na Lituânia, em 2011, foi muito interessante por um fato bem específico. Eu tinha que comprar um presente para minha filha Andréa, era um compromisso que tinha feito comigo mesmo para recompensá-la da sua constante ajuda quando das montagens do meu evento em Ribeirão Preto. Sempre uma formiguinha diligente e carinhosa. Atenta e prestativa.

O fato é que ela havia me pedido para encontrar uma imagem de Nossa Senhora, uma santa com identidade específica da Lituânia. Afinal são muitas as denominações que a mãe de Jesus tem por todo o mundo. Na Lituânia, havia também esta: Nossa Senhora da Lituânia.

Minha cabeça não anda lá estas coisas no quesito recordações. Preciso ver se é possível encontrar uma placa de memória com alguns megabytes a mais para ir salvando minhas histórias.

Enfim, lá fomos! Ah! Sim, o plural é porque o Bergson estava nesta viagem também. Companheiro de muitas aventuras. Fomos recebidos por um “anjo” no aeroporto. Explico: na Lituânia, todos os demonstradores que chegavam eram recebidos por um rapaz ou uma moça que eram denominados “anjos”. Eles tinham a incumbência de nos transportar para o evento, do evento para o Hotel, para compras se quiséssemos enfim, uma novidade muito interessante. Eram estudantes que faziam este serviço de forma voluntária, apenas para ajudar. No local do evento, tínhamos outro “anjo”, era uma moça (Ou seja era muito mais “anjo” que o outro.) que nos avisava de um lanche, do almoço, o que fosse necessário para nosso conforto.

O tempo foi passando com nossas demonstrações e tantas atividades que quase passa despercebido a minha tarefa de encontrar o presente da Andréa. Falei com o Bergson e fomos ao centro de Vilnius que é uma cidade histórica. A mais antiga capital da Europa. Em suas ruas centrais, tem portões que dão para um local que, para nós, seria como uma vila. Cada um destes locais com características muito próprias. Pareciam pequenos feudos. Naquele momento, eram locais de visitação turística. Pois bem, andamos para cima e para baixo procurando esta Nossa Senhora e... nada! Disse ao Bergson:

- Não posso voltar sem esta santa Bergson!

- Vamos olhar as lojas com mais cuidado, tem algumas que ainda não abriram. – disse ele.

Lá fomos nós, andando pra lá e pra cá e eu, começando a ficar ansioso. Era um Sábado, me parece, e iríamos embora no Domingo ou na Segunda. Não sei, não vou me lembrar! A verdade é que tinha somente aquele dia para resolver este assunto. Perguntando em muitas lojas sobre esta Santa e nada!

Até que...

Chegamos a uma loja com artigos locais, muita elegante. Quando perguntada sobre a santa, a moça que nos atendeu disse:

- Tenho sim, só um instante! – saiu para buscar minha encomenda.

Fiquei muito alegre, não poderia ser diferente.

- Bergson, valeu a pena! – disse.

- Que bom Mário, a Andréa vai ficar feliz!

A moça havia mostrado uma peça entalhada de madeira com uns 60 cm de altura. Era realmente um trabalho primoroso. Ela segurava uma espada, em madeira também, com as duas mãos. Tudo muito detalhado com precisão de entalhes. Fiquei muito contente, realizado posso dizer. Paguei e fomos embora.

Quando estava preparando minha mala, Bergson, muito atencioso disse:

- Mário, esta espada é solta, vamos retirá-la e acomodar separadamente, pois pode quebrar.

Tudo arrumado, a Santa acomodada e embalada, voltamos ao Brasil.

Eu havia comprado pequenas lembranças para os filhos e netos. Reuni todos em casa onde fiz a entrega dos agrados que trouxera. Comentei sobre a viagem contando alguns “causos”. Andréa ficou muito feliz com a Nossa Senhora. Sem dúvida, era um trabalho artesanal de primeira embora, tivesse olhado com “certo ar indagador”.

Passados alguns dias, Andréa, que adora pesquisas, foi em busca da informação da escultura que lhe presenteei. Descobriu que na verdade era um soldado e não uma santa.

Eu devia ter desconfiado daquela espada!

Disse a ela:

- Minha filha, eu comprei a escultura de uma santa então, quando você quiser pedir alguma coisa, peça para a santa. Reze minha filha, e acredite! Será difícil voltar lá, próximo da Rússia, para reclamar.

Se ela tem rezado ou não, não sei. O que sei é que a santa está lá, em sua casa.

sábado, 9 de janeiro de 2016

ESPETÁCULO

Vi um brilho, algo emitia pequenos raios em uma folha. Ventava um pouco. A cada pequena rajada de vento, daquele ponto irradiava luzes. Por um tempo, fiquei observando aquela dança da folha com os intercalados de um feixe de luminosidade. Em determinada posição da folha a luz se fazia presente. Curioso me aproximei, à medida que me aproximava o efeito luminoso se perdeu.

Aquela folha, tinha na sua extremidade final, as bordas voltadas levemente para cima onde se acomodou uma gotinha de orvalho. Era possível ver gotículas por toda a folha, presas as nervuras existentes. Certamente, algumas delas soltando-se, se juntaram com o movimento fornecido pelo vento e formaram aquela gota que brilhava; pequena e redonda. De perto, pude ver o balanço suave da folha que fazia com que a gota se movimentasse dançando perigosamente. Ao movimento da folha, ela se esticava um pouco e se posicionava novamente redonda em outro ponto. O sol da manhã mostrava toda a sua transparência e a *refração fazia aparecer este espectro de luzes quando longe. Ali, próximo, vi através dela, no pequeno espelho que se criara, o reflexo da própria árvore. Um universo imperceptível ao nosso lado.

Voltei ao ponto em que me encontrava antes para ver a luz multicor da gotinha, agora com o mistério desvendado. Não foi mais possível. Com certeza pelo movimento do Sol, mudando sua incidência sobre ela. Tentei movimentos laterais, dando passos para um lado e para o outro, na esperança de ver aquele minúsculo facho de luz. Inútil!

O vento parece estar aumentando. Foco meu olhar na folha e em sua hóspede. Aproximo-me novamente. Os movimentos, neste instante, são mais bruscos. A gota descontrolada, a cada movimento da folha se alonga mais indo de um lado para o outro. De repente, uma rajada de vento descendente abaixou a folha de tal forma que a gotinha não encontrou sustentação.

Caiu.

Fiquei parado, perplexo. Assisti o Universo se apresentando sem custo algum em um espetáculo particular. Os personagens, atores renomados da Natureza.

Eu, um privilegiado!


*Refração - s.f. Ação ou efeito de refratar, de desviar a luz de sua direção normal. (Etm. do latim: refractio.onis) Fonte - http://www.dicio.com.br/refracao/



sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

VOU TENTAR AMANHÃ

Estava vendo a chuva cair, quando um sentimento nostálgico me invadiu, no momento em que me preparava para escrever meu texto diário.

Chuva que lembra lágrimas.

Falando muito da chuva nestes tempos de chuvas farturentas, nada mais natural. Melhor assim que assado. É de manhã, a tarde, a noite e madrugada a fora. São Pedro deixou a torneira celestial aberta.

A insatisfação nossa de cada dia se posicionando de forma errada, na hora errada, contra a coisa errada.

Por sorte, demorei um pouco mais a levantar-me da cadeira onde estava e pude sentir um vento que chegava empurrando as nuvens e abrindo brechas para um sol tímido se achegar. Sorte minha! A nostalgia me abandonou. Com a fuga das nuvens o sol se tornou absoluto: Rei!

Minhas ideias se foram com as nuvens. E agora?

Agora, sentado em frente meu computador, fico com os olhos perdidos, um pouco na tela, um pouco no teclado. Meus dedos em busca da primeira letra, a primeira palavra para romper definitivamente com este marasmo, esta paradeira motivacional. Reposiciono alguns objetos que cercam o computador, em uma tentativa de organizar o que não se organizará jamais.

Cadê assunto?

Preciso entender a lógica do escritor. Isto é, se existe esta lógica. Existe mesmo é a inspiração que, definitivamente, não tem nada com a lógica no seu primeiro momento. Preciso da facilidade do cronista diário. Preciso de muito mais.

Preciso que me perdoem meus amigos. Vou tentar amanhã!


quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

VIAGEM PERDIDA (Mario Quintana)

Fiz uma viagem a Porto Alegre nos anos 80 (1985?) para visitar Mário Quintana, o poeta. Nesta época viajava quase todo mês a Curitiba e, em uma destas viagens, resolvi repentinamente conhecer o poeta. Como seria uma longa viagem, deixei meu carro em um estacionamento. Tomei um ônibus noturno e fui em busca de Porto Alegre conhecer meu chara. Estas atitudes impensadas que, todos nós, nos permitimos alguma vez.

Ele estava morando no Porto Alegre Residence, um apart-hotel no centro da cidade, onde o viveu até sua morte. E eu, estava em busca de mais conhecimento junto a este *apóstolo da poesia.

Viagem longa onde deixei a imaginação dar seus voos em como seria este encontro.

Quantas vezes nos decepcionamos na vida?
Muitas!
Poucas!

Não está interessando neste momento, mas naquele momento, naquele dia, naquela hora interessou. Um porteiro educado me informava que o poeta não estava recebendo visitas porque seu estado de saúde não andava bem. Vi-me, frente ao porteiro, insistindo que viera de longe, quase 2000 Km, aproximadamente, desde Ribeirão Preto.

Disse:

- Você não me faria o favor de ligar ao apartamento explicando minha viagem com este único objetivo: conhecer o poeta?

- Vou tentar, mas a sobrinha dele não está permitindo visitas. – respondeu.

- Vou agradecer sua atenção! – enfatizei.

Fiquei atento a conversa, ele tentando explicar minha visita e eu, percebendo as negativas do outro lado. Frustrante!

Desligou e disse:

- Infelizmente o senhor não vai conseguir visitá-lo.

Fiquei parado alguns minutos digerindo aquele não tão definitivo. Tão fora do contexto onde me inseria. Pensei: “O que fazer?”.

Voltei à rodoviária, voltei a Curitiba, voltei para casa.

Com quase 87 anos, Mario Quintana, faleceu em Porto Alegre no dia 5 de maio de 1994, deixou o mortal para continuar no imortal de sua obra. Fantástico!

Nossa diferença é imensa. Começa no nome, seu nome é sem acento desde a certidão de nascimento. Só um Mario assim para ser Quintana. Não se casou acredito eu, porque não trairia a poesia jamais. Então, quando dizem da sua solidão, não sabem do seu amor pelo verso, pela estrofe, pelo poema. Loucuras de um poeta!

Preciso, com certa urgência, ler toda a sua obra.


*Apóstolo – s.m. - Aquele que se dedica à propagação e defesa de uma doutrina: apóstolo do socialismo. Fonte - http://www.dicio.com.br/apostolo/



quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

PARA 2016

Não vou prometer nada neste ano para mim ou para quem quer que seja. Vou contar com o inesperado.

Não, isto não é verdade!

Tenho que cumprir neste ano o que faltou finalizar das promessas do ano passado. Estou me sentindo como o Pagador de Promessas faltoso. É isto que dá querer fazer muita coisa.

- Promessa é dívida!!! – grita a multidão.

Vou rever minhas planilhas, organizar os cálculos das despesas mensais, repensar alguns sonhos, revisar minha agenda, procurar as fotos que recebi e identificá-las.

Tem mais? Sim tem mais!

Estou pensando seriamente em lavar o carro. Pensei nisto ano passado e passou batido. Tem poeira de 2014 cobrindo o meu possante.

- Promessa é dívida!!! – grita a multidão.

Aquela visita que era para ser feita em Março, que ficou para Setembro e que não foi feita. Marcar, outra vez, a consulta com o dentista que este molar esta me matando. A luminária da cozinha pedindo um reator novo, mais moderno: eletrônico.

- Promessa é dívida!!! – grita a multidão.

Tem aquela dieta. O aeróbico da caminhada diária que nunca fiz. O check up médico postergado há 5 anos.

- Promessa é dívida!!! – grita a multidão.

Tem o que não é promessa e sim compromisso.

Oh! Meu Deus!

O IPVA e o IPTU estão chegando, o seguro do carro, o imposto de renda, as contas do Dezembro passado com os embutidos: Natal e Ano Novo. Se fosse só isto... Estaria bom!

- Tem que pagar!!! – grita a multidão.

Estou com vontade rir!

Se já fui classe média não sou mais. Aliás, estão metendo a boca na classe média. Vou mudar. Por falta de opção, estou migrando para classe “D”. Sinto-me mais confortável e menos vulnerável.

- Tolinho!!! – grita a multidão.

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

MEDIDORES DA ECONOMIA (No popular)

O movimento oscilatório do mercado, que nos informa sobre a economia, tem mecanismos nacionais e internacionais que nos trazem dados precisos como: dólar, as bolsas e coisas tais.

A análise que faço neste momento vem da minha observação pessoal na quantidade dos fogos de artifício deste final de ano. A virada de ano mostrou que a economia está em queda pela quantidade de fogos que vimos. Nos anos anteriores, pipocavam por todos os lados, bombas e rojões. Neste ano, ficamos esperando pela pirotecnia da passagem de ano e...

Alguma coisa está errada com certeza!

Não podemos considerar as queimas patrocinadas que, nas grandes capitais, sabemos azeitadas no propinoduto das transações tenebrosas, garantem aos administradores camarotes regados a champanhe, passagens internacionais a toda família e outras benesses.

Ficamos na dependência emocional do *traque nosso de Ano Novo, tão necessário como o arroz com feijão do dia a dia.

Menos mal, os cachorros agradecem!


*Traque – bombinha pequena.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

UM CAUSO

- Ocê qui é o Zé?

- É eu!

- Zé, cê sabe iscrevê?

- Primeirim, quem é ocê?

- Finim, era Finório maisi pra não parecê com velório, ficô Finim.

- Tá bão Finim, iscrevê num sei não, maisi eu cunheçu todas as letra di a a z.

Toda a pose do mundo na postura do Zé que era, naquela pequena vila, a pessoa indicada quando se tratava de leitura.

- Maisi di qui servi tudu isso?

- Servi qui eu cunheço. Ocê conhece?

- Não, eu não!

- Entonce deixa di se besta sô! Desembucha o qui é qui o cê qué!

Fininho, não queria deixar batido. O caboclinho era tinhoso.

- Uai sô, si o cê cunheci as letra é só juntá.

Zé olhou para ele pensando: “O pessoinha forgada!”. Disse:

- É aí a dificurdade Finim, sô ruinzim di desenho.

- Entoncê num conhece é nada! - Finaliza Fininho que recomeça:

- E de conta?

- Bão, conta eu faço nus dedo memo, sô ligero! – retruca o Zé - Tô iguar aquelas maquininhas falô i ó zip........fiz. Maisi é di conta u du quê qui ocê qué falá?

- É di iscrita memo Zé.

- Entonce fala!

- O médico feiz uma receita pra minha vó i num acho ninguém pra ajudá sabê o qui qui é qui ele pois iscrito na receita.

- Cadê a receita? – pediu Zé

- Taqui! – Finim entregou o papel para o Zé.

- O qui qui é qui sua vó tem? – perguntou o Zé.

- Ela tá cumas dor nas costas, dor na cabeça, essas parti.

- Oiá – Disse o Zé olhando a receita como se tudo fosse muito claro. - só pode tá escrito melhorar. É isso memo, melhorar. Compra qui resorve.

- Cuma é qui o cê sabe? – pergunta desconfiado o Finim.

- Num tá veno a letra m aqui seu bêsta?

- Eu num cunheço Zé!

- Cumu eu cunheço tá resorvido: Melhorar.

Dias depois o Finim avista o Zé e vai ao seu encontro.

- Zé, o Zé! – chama o Finim

Zé olha de soslaio e pensa consigo: “Será qui aquela besta vai querê otra leitura!”. Atende:

- Ocê é o Finim né? – pergunta com pouco caso.

- É eu memo Zé.

- Qui é qui ocê qué dessa veiz?

- Não, não quero nada não, é só pra mor di informá qui minha vó ficô boa.

- Num disse procê qui era melhorar. Ocê divia tê preguntado pro cara da farmácia.

- O Zé, foi ele qui dissi pra falá cocê.

Zé pensou um pouco sobre o assunto e informou:

- Aquilo lá num veio co’a cegonha, quem troce fui um carro di boi. O tar do carro di boi atolô i demorô chegá, porisso qui ele é magrim daquele jeito e mei lesado! Inté!

- Inté! – finalizou Finim com admiração e respeito.

domingo, 3 de janeiro de 2016

FRAGMENTOS

Faz da tua vida motivo de glórias,

não de lembranças.

Lembranças....!?

Meu tempo não tem lembranças,

existem registros,

episódios.

Lembranças haverão de me acudir no dia da minha morte.

Vivo ocupado em sonhos

que atropelam minhas lembranças.

Não tenho lembranças de minha mãe,

pois a vejo tocando, escrevendo, falando...

nem de meu pai,

que ainda me acompanha em pescarias.

Não tenho lembranças do meu filho Paulo Ricardo,

ouço sempre o barulho estalado da chupeta em sua boca.

Não, não tenho lembranças,

tenho uma vontade de chorar contida.

sábado, 2 de janeiro de 2016

FELICIDADE

Onde está a felicidade que assistimos nos filmes água com açúcar?

Tudo parece agir contra a felicidade senão vejamos: a falta de dinheiro, a falta de educação, a falta de cultura, a falta da família, por causa da família, por causa do dinheiro, pelo excesso de conhecimento, pela educação que beira o rebuscamento.

É bastante conflitante o acordo entre as coisas para que alguém possa dizer: “Sou feliz!”. Melhor ainda: “Sou feliz por causa disto!”.

Ter ou não ter determinadas coisas como: bens materiais, conhecimentos culturais, não influenciam na felicidade de ninguém. Estou acreditando que a felicidade tem um tempo de medida; é o tempo que uma pessoa consegue manter-se nesta condição de “Feliz” por mais tempo e, como esta mesma pessoa recupera a sensação de ser feliz mais rapidamente do que outras.

Opa!

É aí o caminho para a felicidade. Organizar a vida para que se possa usufruir o máximo de tempo em contato com a felicidade. O resto é comércio.

Felicidade é um estado de espírito que eleva a nossa condição de pobres mortais ao estágio de semideuses. Porque não? O maior barato é ser um semideus com pouco dinheiro no bolso, com uma educação mediana, uma educação classe média se é que posso usar a comparação e, ser feliz.

Analisando todas as informações a felicidade está, no meu entender, de alguma forma ligada a nossa capacidade de fazer amigos. Alguém que consegue manter um grande número de amigos tem o poder de transmitir a felicidade. Simples: a felicidade atrai pessoas. Parece-me que a pessoa feliz tem uma aura de felicidade que toca a quem dela se aproxima. E, quem a toca, nem que seja resvalando levemente quer ficar ao redor para suprir-se desta pessoa iluminada. Feliz!

O amor na sua forma mais excitante, que seria a paixão, tem um período de certa forma curto. Fica neste momento o amor, o encantamento que une duas pessoas e que sabemos, permanece, quando o sentimento de amizade entre estas duas pessoas for verdadeiramente real. Neste momento, a amizade entre duas pessoas é entendida como a relação de amizade no seu mais alto estágio. Não queremos nos separar de um amigo (a) assim: somos felizes! Estamos envolvidos na aura de felicidade do outro e vice versa.

Aí sim, o amor pode ser eterno.


FOTOS FREE:
https://pixabay.com/pt/crian%C3%A7as-crian%C3%A7a-pessoas-retrato-817365/

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

MAL COMPARANDO

O Aedes aegypti, está com uma super equipe de tecnologia no desenvolvimento de novos vírus. Estão mais rápidos, nestes desenvolvimentos, que nós na criação das vacinas.

Assim não dá!

Veja você, antes era só a dengue, agora temos o zika vírus e a chikungunya. O danado veio do Egito para infernizar nossas vidas. Daqui a pouco aparece uma nova variedade de vírus, mais perigosa e fatal e nós, deixando a água parada em algum lugar para a alegria destes insetos.

A indolência tão decantada em verso e prosa vai levando o nosso time a derrota neste jogo. É fácil imaginar o chefe destes insetos dizendo: “Vamos ganhar o jogo na inércia do adversário!”.

Vamos continuar imaginando uma reunião destes mosquitos organizando-se.

Marcaram uma reunião via Skype para definir as metas de como acabar com o Brasil.

- Meu reizzzzzzz – comenta o baiano - por aqui tudo caminha bem na nossa campanha. Os trouxas, estão atrás de um trio elétrico esperando o Carnaval chegar. Tudo em paz. Vamos vencer! E vamos vencer no amor, ah ah ah, só fazendo mosquitinho.

- Bahzzzzzzzz – replica o parceiro do Rio Grande do Sul – por aqui os inimigos estão sentados tomando chimarrão enquanto o carvão aquece para o churrasco do almoço.

- O meuzzzzzz – comenta o paulista – tá todo mundo na Paulista. Na verdade eles tinham que estar na esquina da Ipiranga com a Avenida São João. Moleza!!! Povinho desfocado.

Um a um representantes de todos os estados opinaram vitoriosos. O mosquito mediador, na sede do Sindicato dos Mosquitos Unidos Venceremos comenta:

- Eles perdem por escolha cumpanheirada. Não precisaremos trabalhar muito, pensam que são espertos e estão se engasgando na própria ignorância. Este “povinho” só se mexe quando a água bate no queixo cumpanheiros, eles vão ser vencidos na própria inatividade. Na incapacidade de saber o que é certo e errado. O País do Carnaval e do feriado prolongado, do jeitinho e do suborno. Este é o País do conchavo e, por consequência: Este é o nosso País! – finaliza o mediador num brado heroico e retumbante.

Todos emitem o grito de guerra:

- Bzzzzzzzzzzz!
- Bzzzzzzzzzzz!
- Bzzzzzzzzzzzzzzzz!
- Bzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz!