sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

NO CONFORTO PESSOAL

Cheguei a uma idade onde me permito escolher onde estar e com quem conviver. Fica comigo a nítida impressão de que estar em um local com pessoas com as quais não convivi não é confortável. Não temos assunto em comum. Podemos até ser conhecidos, mas se não convivemos por 50 anos ou mais, a reunião será formal e com urgência de acabar: enfadonha. Pode até ser chata. Não vejo finalidade.

Vai agregar nada a coisa nenhuma!

Não, não preciso mais disto. Estou liberto pela longevidade que estão alcançando os meus setenta e dois anos, prefiro estacionar onde estou bem. Ao longo dos anos vamos criando pequenos vícios que serão conflitantes com ajuntamentos de pessoas alheias a estes defeitos ou atitudes. Vamos ser discriminados e, consequentemente, fora do ambiente. Lugar onde não sei o nome das pessoas é estranho. Onde a maioria dos rostos é desconhecida. Parece que estou em uma fila para cinema. Vamos todos para o mesmo lugar, mas não sabemos quem é quem. Pelo menos nesta fila sabemos que a finalidade é assistir um filme, então não existe contato, é mantida a minha privacidade mesmo que em meio a uma multidão.

Minha misantropia se assoberbará neste grupo de pessoas, vou acabar me escondendo em minha carapaça protetora. Não estarei presente onde presente não me sinto. Não estive antes, assim não estou agora!

Chegar até onde cheguei me dá este direito. É uma forma de opção. Não é ofensiva, pois não tem esta direção, é apenas uma escolha livre e confortável para mim.


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