terça-feira, 1 de março de 2016

LIVRARIA

Ele estava sempre em busca de um novo livro. Leitor voraz e apaixonado. Entendia que a vida não valia a pena sem a leitura. Aquela livraria em especial era o seu esconderijo algumas vezes na semana. Ficava dentro de um shopping enorme e, além da possibilidade de alguma leitura no local, tinha um café que sempre, mas sempre era delicioso. Era tomado como se fosse um aperitivo para a refeição que viria a seguir: a leitura. De certa forma tinha interesse por romances intensos, cheios de intrigas e mistérios embora, fosse possível encontrar em sua biblioteca alguns poetas renomados, mas não, a poesia não era a sua preferência.

A assiduidade ao local colocou Osório, este era seu nome, como cliente destacado. Da mesma forma, ele conhecia por nome todos os atendentes da loja: Marisa, Jonas, Renata e Alfredo, o gerente. Assim que chegava, algum deles o recepcionava:

- Senhor Osório, bom dia, como vai?

- Bom dia Renata, graças a Deus tudo em ordem. E por aqui, muito trabalho?

- Hoje está mais tranquilo. Fique a vontade e se puder ajudá-lo, me chame.

De certo tempo até aqui, uma senhora, se tornara assídua no local. Ela tinha algumas mechas grisalhas no cabelo que realçavam toda sua beleza. Era uma mulher especialmente bonita. Elegante e fina. Quem saberia a idade de uma mulher linda como aquela. Pensando bem, o que importa a idade.

Osório estava viúvo há mais de dez anos e seu luto estava sendo esquecido nestas leituras. Já tivera a oportunidade de trocar olhares casuais com ela e conferir suas preferências nos livros que folheava. Tinha bom gosto na leitura. Certo dia, num destes dias que acontecem na vida de todos nós, Osório lia uma revista de atualidades enquanto tomava seu café e ouviu que algo caíra ao chão. Seus olhos se desviaram da leitura para a prateleira próxima de onde um livro pesado, havia escorregado entre as mãos daquela mulher. Levantou-se rapidamente para pegá-lo, no mesmo instante em que ela fazia o movimento para abaixar-se. Chocaram-se.

- Desculpe-me! – disse ela

- Machucou-se? – retrucou preocupado.

- Não! Está tudo bem obrigada.

- Minha intenção era apenas ajudar, me perdoe.

Ele pegou o livro do chão e entregou em suas mãos. Novamente seus olhos se cruzaram. Neste momento, muito mais interessados um no outro.

- Gostaria de apagar este momento oferecendo um café a você... – esperou por uma informação.

- Leila! – disse ela

- Então Leila, meu nome é...

- Osório, – ela se antecipou – escuto os atendentes daqui falarem sempre seu nome.

Ele esticou o braço para cumprimentá-la e encontrou sua mão que já vinha em sua direção. Osório sentiu a suavidade daquele contato e apertou sua mão com ternura. Docemente a puxou para a mesa onde estava e disse:

- Só um instante, vou buscar nosso café. Como você gosta?

- Puro, com açúcar! –disse ela com discreto frenesi na voz.

- Já volto! Não fuja!

Ela sorriu...


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