quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

DECISÃO

A chuva caindo mansa e constante, logo após o almoço, vai trazendo junto um sono necessário. Não chega a ser urgente, poderia dizer que está mais para imperdível. É como aquele filme que nos indicam: “Vale a pena!” A única dificuldade está em levantar do sofá e desligar o noticiário da tarde. Mais difícil ainda porque você já está meio entregue e tem medo de perder o cochilo onde está inserido. A chuva continua... Você sabe que o sono no sofá vai deixá-lo torto no final e, em sua luta íntima, fica postergando uma atitude mais enérgica entre ir e ficar. Dilema cruel! Neste momento se o mundo dependesse de sua decisão estava frito! Sorte nossa. Você muda a almofada que apoiava suas costas mais à direita. Agora sim parece que acomodou melhor, tira os sapatos e coloca os pés na mesa de centro empurrando os enfeites e os controles para o lado. Melhorou um pouco mais. A chuva ainda está caindo na quantidade suficiente. O ruído inevitável e mágico é um sonífero. Ainda assim você pensa que melhor seria acomodado em sua cama. Ao alcance do braço outra almofada pequena pede para ser colocada em baixo dos pés. O entendimento de que isto é o que deve ser feito é lento, como é lenta a movimentação das mãos até apanhá-la e colocar sob os pés. Parece que a tarde terá uma chuva longa. Tomara que o telefone não toque!

Algum tempo depois, acorda no mesmo lugar: “Deveria ter ido dormir em minha cama!”.



quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

FELIZ 2016

Esperar é uma Arte, visto que a ansiedade do esperar pode nos colocar em situações adversas a circunstância da espera. Ficamos tensos quando esperamos filhos que não chegam, porque estamos preocupados com a estrada, o trânsito, assalto e outras possibilidades que conseguimos trazer a baila. Desnecessariamente. Deveríamos ser mais objetivos pensando e comentando a Alegria deste reencontro. O fatalismo faz parte das nossas vidas, pode acontecer. Ficar torcendo por ele (O fatalismo) é como querê-lo. Então, esperar seja o que for ou quem for deve estar condicionado a esta Alegria. Sim, já que estamos esperando é porque queremos o que vem ou quem vem. 

Definitivamente simples!

Guardemos as nossas bolas de cristal para outros momentos, não para este quando:

Esperamos filhos.
Esperamos nossos pais.
Esperamos amigos.
Esperamos passar de ano.
Esperamos um ano melhor.

Condicionado ao exposto no início, espero um ano melhor para todos nós.

Espero políticos melhores.
Espero juízes melhores.
Espero governantes melhores.

Isto resultará em:

Professores melhores.
Policiais melhores.
Enfim: “PESSOAS MELHORES”.

Sempre de cima para baixo até a base da pirâmide.

FELIZ 2016.




terça-feira, 29 de dezembro de 2015

VISITA DO PAPAI NOEL EM CASA

O bom velhinho passou aqui em casa, no dia 25, na parte da tarde, quando já havia cumprido sua tarefa de entregar os presentes. Deixou seu trenó e as renas, nos gramados do fundo de casa, onde elas aproveitaram para se alimentar da grama fresca e úmida enquanto descansavam da longa jornada natalina.

Noel pareceu-me um pouco cansado. Fui recebê-lo com alegria. Visita ilustre não é para todo dia.

- Finalmente Noel, já estava preocupado com a demora, que bom que aceitou meu convite para tomar um café.

- Muito trabalho, muito trabalho e poucas alegrias!

- Como assim? – disse eu

- Na verdade sou uma *holografia que poucos podem ver e, raramente, como neste instante, me materializo. Como é que você vai explicar para crianças que eu não existo. Não dá! Muitas delas jamais me verão. Aos que estão dentro de uma condição social melhor, existem imitadores, alguns até muito bons, que me substituem.

- O que se pode fazer Noel?

- Sei não, talvez desmascarar esta mentira.

- Como mentira! – disse eu – Você está aqui!

- Sim, é que você foi um destes meninos que me receberam nos Natais em sua infância.

Resolvi estender a conversa:

- Você precisa de um multimídia de primeira linha para melhorar o seu perfil natalino. Quem sabe uma página no FB. Conexão direta com bilhões de pessoas. Você enviaria umas fotos de sua equipe, a linha de montagem que usa, essas coisas. Tenho um amigo que é um expert nesta área. É preciso melhorar o merchandising dos Natais. Talvez uma imagem muito boa poderia ser a da Gisele Bündchen em seu trenó e ainda, fechar um pacote com a FedEx, nos EUA; o SEDEX, no Brasil e assim, em todos os países com suas agências de distribuição nacional, dando uma certa folga para que você fizesse apenas as entregas especiais. Coisa simples de resolver. A parte dos presentes poderíamos conseguir patrocínios mundiais. O que acha?

- Oh Oh Oh – Noel riu da minha tresloucada ideia – Impossível Mário!

- Como impossível?

- O Natal, como é visto por todos, é apenas comércio. Nada mais!

- Como assim?

- Oras, - disse Noel – quando vocês pensam em Natal, pensam em comprar. Não é verdade? Comprar presentes, comidas, bebidas e o escambau!

Noel parecia irritado e, ao mesmo tempo, desolado.

- É, parece que é isto mesmo! – disse concordando.

- Então, o Natal, como foi criado, discrimina de forma violenta os menos favorecidos. Discriminação é crime, não é?

- Sim, é crime! – disse eu perplexo.

- É fácil entender a discriminação. Você acredita que tudo foi feito, pensando no aniversariante do dia? Ninguém quer ver a realidade daquele molequinho, nascido em uma manjedoura, aquecido por palha num fim de mundo qualquer. Então pra que falsear a coisa toda!

Tive que concordar:

- É verdade!

- Tarefa cumprida dentro do que pude fazer! – arremata Noel.

- Mais um café? – perguntei.

- Obrigado! Cafezinho muito bom Mário. Vou indo que a viagem é longa!

Subiu em seu trenó, deu um suave balanço nas rédeas e as renas se movimentaram. Quando passou perto de mim disse:

- Fui!


*Holografia - é uma técnica de registro de padrões de interferência de luz, que podem gerar ou apresentar imagens em três dimensões.


Nota - O estilo atual do Papai Noel foi obra do cartunista Thomas Nast, na revista Harper's Weeklys, em 1886, na edição especial de Natal.(https://pt.wikipedia.org/wiki/Papai_Noel)



segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

DIREITO E DEVER

Hoje em dia o mais simples está dando nó na lei. Pega um serviço, trabalha um mês e entra na justiça atrás do dele: direitos. Neste momento, somos nós os ignorantes quando, com conhecimento de causa o cidadão cita a Lei, o Artigo, o Parágrafo, o Inciso, a Alínea, etc. Isto, se não citar *jurisprudência dando suporte ao assunto.

Se o patrão não tiver seguido a risca o que está na Lei... Hummm vai desembolsar!

Agora, se tiver seguido a risca tudo o que está na Lei, corre o risco de desembolsar; entendo perfeitamente neste momento o que se diz: “Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come!”.

Existem advogados especializados em “socorrer” estes trabalhadores dedicados. Leis escritas de tal forma que, estes mesmos advogados as usam para extorquir patrões. Tudo certinho, na Lei!

O que incomoda é que o tal do direito está impresso em uma moeda que tem do outro lado impresso: deveres, obrigações.

E daí?

Daí que as coisas vão descendo ladeira abaixo sem freio.

Viemos montando ao longo do tempo, por interesses escusos, uma série de leis que permitem, dentro das suas aplicações, o uso distorcido da verdade. Desculpem, quis dizer justiça. Isto pode ser usado nos dois lados da medalha: para o certo e para o errado; para os direitos e para os deveres; para os patrões ou empregados.

Agora, o que assusta, é ver a casa mais alta da nação, no que diz respeito à Justiça, manipulando as leis para acomodar situações que não deveriam ser acomodadas. Uma aberração legal!

Seria muito bom atender a ideia do Eduardo Juan Couture, consagrado e reconhecido jurista, não só no Uruguai, seu país natal, como em todo o mundo quando diz: “Teu dever é lutar pelo Direito, mas se um dia encontrares o Direito em conflito com a Justiça, luta pela Justiça”.


*Jurisprudência (do latim: jus "justo" + prudentia "prudência") é o termo jurídico que designa o conjunto das decisões sobre interpretações das leis feitas pelos tribunais de uma determinada jurisdição. https://pt.wikipedia.org/wiki/Jurisprud%C3%AAncia



domingo, 27 de dezembro de 2015

PEQUENOS PROBLEMAS

Pequenos problemas com solução demorada incomodam o tempo todo. Descobri, desde pequeno, que a melhor maneira de pegar a tampa da pasta de dentes, quando cai na pia, é colocar a mão rapidamente no ralo. Simples não? Levou algum tempo até perceber. Fiquei admirado de mim mesmo. Um gênio de moleque!

É assim a solução de pequenos problemas, o que acontece é que não dedicamos tempo a eles. O pouco tempo necessário. É bem assim:

- Depois eu faço! Depois eu vou! Depois...

A soma, destes pequenos “depois”, vai se acumulando e torna-se um incômodo. Deixar para depois, um triste hábito. Hábito que pela frequência se transforma em experiência. Experiente em deixar para depois. Péssimo! Infelizmente usual em muitos de nós.

Afinal, são só pequenos problemas!

As dobradiças que seguram a porta, normalmente, são feitas de três partes; isto, nas dobradiças mais antigas. Duas peças que são afixadas, uma batente e a outra na porta e são unidas por um pino, que é colocado juntando as duas que são interligadas entre si, uma na outra, segurando a porta ao batente. Normalmente são usadas três dobradiças.

A porta de entrada, em casa, é bastante forte e pesada. Por alguma razão, o abrir e fechar da porta movimenta estes pinos para cima e, pelo peso da porta maciça, desalinha e começa a arrastar no chão. A solução neste caso é simples, apenas rebater os pinos unindo mais firmemente as dobradiças o que resolve o problema de imediato. Quantas vezes, ao passar pela porta, percebia que os pinos estavam se deslocando para cima e pensava: “Preciso arrumar isto!”. Este é um caso onde deveria de imediato, buscar um martelo e rebater os pinos. Pronto resolvido! Muitas vezes, demorei em rebater os pinos mesmo com a porta pegando no chão. É quase incompreensível a negligência neste momento. Só consigo entender que nós (Neste instante, estou colocando você leitor como displicente também nas pequenas coisas. Perdoe-me não conseguir assumir sozinho.), sabendo da simplicidade do que deve ser feito, poderemos corrigi-lo a qualquer tempo. Pronto... Ficou para depois!

Posso garantir que tenho procurado, ao longo da vida, fazer as devidas correções nestas falhas ditas “pequenas” que, mesmo simples, incomodam. Se somarmos as pequenas coisas deixadas para lá, por serem simples, poderemos nos assustar com o volume que aparecerá. O deixar para depois é causador de desarmonia. Pequenos problemas podem resultar em problemas sem solução. Fica aqui o momento de nossa análise nos pequenos problemas e, além disto, o que eles têm causado em nossas vidas.

Ainda tem solução?





sábado, 26 de dezembro de 2015

BONSAI V

Pensando sobre nossas árvores e nós mesmos, imaginei esta estória para que não esqueçamos em nenhum momento que MESTRE é a NATUREZA, e nós seus DISCÍPULOS.

O PRIMEIRO ESTILO

Em uma exposição vários amigos mostravam e passavam um pouco da Arte Bonsai aos atentos visitantes quando, entre estes, aparece um conhecido Bonsaísta que passa a fazer críticas a cada árvore que via.
- Este "Jin" está malfeito; a aramação deveria começar aqui; aquele vaso está muito grande para aquela planta...
Continuou implacável até chegar a uma árvore onde sua fúria apareceu por inteiro.
- Mas o que é isto?! Uma árvore como esta não deveria estar em nenhuma exposição! De quem é?- perguntou.
- É do Sr Terada - respondeu um dos participantes, e enquanto respondia foi em direção ao dono da árvore e o chamou:
- Sr. Terada, fulano quer vê-lo e certamente ouví-lo.
Tranquilo o Sr. Terada, 68 anos, levantou-se de onde estava atendendo ao chamado.
- Como?! - pergunta o crítico - como o Senhor tem coragem de trazer uma planta como essa a uma exposição?
- Não, não tive coragem, - responde calmamente - tive receio.
- Receio, realmente é o que se deve ter ao trazer uma árvore como esta a uma exposição. - atacou mordaz o crítico.
- Não, o Senhor não entendeu, - respondeu - não tive receio de trazê-la, meu receio é que não entendessem o "PRIMEIRO ESTILO".
- O Senhor vai me perdoar mas, tenho certeza que entre todos os que aqui se encontram, ninguém conhece o "PRIMEIRO ESTILO". - contra ataca vitorioso o crítico.
- Se assim for, - responde com ar de tristeza o Sr. Terada - precisaremos começar tudo de novo, pois o "PRIMEIRO ESTILO" que é o estilo desta maravilhosa árvore, não sofreu em nenhum instante a minha interferência no seu processo de desenvolvimento; ela é NATURAL, foi colhida como se apresenta e não acredito que ninguém esteja habilitado a criticar a NATUREZA. - e, valorizando a quem de fato não tinha valor, completa - Nem mesmo o Senhor.
Virou-se e voltou calmamente para seu o lugar.


sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

POSSIBILIDADE

Fechado para reforma o túnel onde diziam
haver uma luz em seu final.
Os que estão abertos não me levam onde quero.
Sem previsão de término e,
visto não sofrer ingerências políticas,
não temos como corromper esta obra.
Minha expectativa está sem data de validade.
Não sei quando vou chegar.



quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

SAÚDE

Temos que desejar saúde no sentido mais literal da palavra: a Saúde do corpo, visto que a situação da assistência médica no País está um descalabro. Saúde, para que você não precise desta precária organização de atendimento público; Saúde, para poder trabalhar e cuidar dos seus. Desejar Saúde a nossa democracia que adoece e definha. Desejar Saúde aos nossos representantes políticos que estão infectados pelo vírus da malversação do nosso dinheiro (O Público!). Como brindar alguma coisa com a coisa do jeito que anda. Como pensar em brinde em um País onde quem deveria pensar não pensa: negocia! É verdade, o comércio tomou conta dos três Poderes. Estão vendendo a nossa cidadania, traficando leis as nossas custas, tão nocivo quanto o tráfego das drogas ilícitas que não pode acabar porque sustenta a rapinagem geral.
Dignidade poderia ser uma vacina. Não funcionaria visto que os anticorpos políticos já estão reforçados e imunes. A cara de pau é um totem de respeito neste meio.

Pensar que estava começando um texto para desejar um bom Natal a todos!

Mas, como hoje é um pré-natal, vou desejar saúde, aquela com dois copos, brindando a expectativa de melhoras nas Saúdes.


Um pouco acanhado com tudo isto, visto que faço parte desta massa de manobrados, desejo a você, para amanhã, um Feliz Natal!

Saúde!!!




quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

GAROA

Ao sair de casa,
Um *fog caboclo tomava conta da estrada
nesta manhã fria, úmida.
Esqueço dos meus pequenos problemas
acompanhando o limpador do para-brisa
indo e voltando.
Acendo os faróis
e
vou sentindo um certo pedantismo em tudo,
em mim principalmente,
nesta manhã londrina em Ribeirão Preto.

*Fog - Inglês - nevoeiro, névoa, neblina


terça-feira, 22 de dezembro de 2015

NÃO TENHO TEMPO PARA FICAR VELHO!

É verdade, estou ocupado demais. Se o corpo já não é mais o mesmo, paciência! Isto é a consequência da idade. Posso garantir que minha idade não me coloca entre os velhos.

Não tenho tempo para isto!

Realizo sonhos que os mais jovens não se permitem.

De certa forma, encho a minha vida de projetos a serem realizados desde o momento em que entrei na fase da vida em que, os mais jovens, nos chamam de velhos. Percebo que a idade, não a velhice, pode nos trazer determinação e garra. E pode, estou vivendo isto. Fala-se muito da esperança e pouco da atividade em alcançá-la. É, tem que ser desta forma: agir para tornar a esperança algo factível. Esperança não cai do céu na sua apresentação mais verdadeira, ela é mais o resultado de um trabalho objetivo. Salvo se você está à espera de um milagre. Aí já é outro departamento.

Não gosto de reviver o passado na sua forma única de me apresentar aos outros, seria muita velhice de minha parte; sou mais hoje do que fui antes. Gosto de reviver o passado “*en passant”. Tenho quase que exclusiva preferência por falar de futuro. Sim, às vezes falamos de algum futuro tenebroso em relação as nossas expectativas políticas. Mesmo o fato de o futuro previsto ser isto ou aquilo, pretendo organizar o meu lado para que possa mudá-lo para melhor: trabalho. Entra aqui a minha atividade pessoal que recoloca a velhice em segundo plano ou quinto. Não entra nas considerações das minhas atividades.

Arrematando: “Os sonhos que carrego não cabem na cabeça de um velho.“


*En passant -Francês - Literalmente, 'passando, ao passar'; de passagem, acidentalmente. Pronúncia - an paçan



segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

GRANIZO

 A falta de chuva nos últimos meses está sendo recompensada com as chuvas de final de ano. Hoje, o granizo se incorporou a chuva diária dos últimos dias, com pedras não muito grandes, mas em grande quantidade, formando pequenos montes no jardim. O vento trazia algumas para dentro da varanda que iam repicando pelo piso trazendo um som agradável aos ouvidos. Assemelhava-se a caixinha de repique de uma escola de samba. Assim, as pedras de gelo pulavam até se acomodarem em algum lugar. Sempre, todas as vezes que ouço o barulho do granizo cair, saio para assistir. Penso que com todas as pessoas acontece a mesma coisa. É uma sensação que me parece geral: todas as pessoas querem ver. As razões podem ser diversas:

- Vai estragar meu carro!
- A horta já era!
- Oh! Minha roseira!
- Corre, vem ver o granizo caindo!

Um visual bonito embora com consequências desastrosas para os lavradores e horticultores da região. Espetáculos da Natureza, como este que assisti, nos colocam pensando mais profundamente na nossa insignificância diante de tudo.
Com as exclamações dadas acima existem duas maneiras de serem vistos, dependendo de nossa posição.

Visto como um castigo.
Visto como um espetáculo.

Neste meio tempo, troveja e relampeia, aqui e acolá. Ruídos e luzes que fazem parte destes acidentes naturais do desconhecido software desenvolvido, em nosso planeta, pelo Criador.
Bonitos em sua apresentação.
Algumas vezes nos causam receio.


domingo, 20 de dezembro de 2015

VIVENDO O AMOR (Conflito)

Receio que algum dia ainda seja
Exposto a todos este amor gracioso
Quase um altar dentro de uma Igreja
E ao mesmo tempo tão pecaminoso

Será o Amor assim tão duplicado?
Em certas horas como a oração
E em outras horas, ó meu Deus, perdão,
O amor é mesmo somente pecado

Ah! Se este amor que por você dedico
Apaixonante e ainda assim pudico
Que é tão divino sendo pecador
Fosse por Deus um dia renegado
Eu viveria sempre no pecado
E enquanto vivo viveria o Amor


sábado, 19 de dezembro de 2015

COMO SERÁ AMANHÃ?

O caos foi instalado com a desativação do WhatsApp no dia 17.12.2015. Todos os meios de comunicação falavam sobre o assunto cada um dando um enfoque que, no fundo, desaguavam na indignação deste controle arbitrário sobre um *App de uso geral e, agora impossível negar, necessário. Muitos segmentos de mercado usam no dia a dia este App como principal meio de comunicação. Não só a área empresarial, a social também.

A nossa dependência aparece quando nos tiram o “doce”.

Não percebemos como fomos afastados do convívio familiar e social, lentamente, por tecnologias mágicas, fantásticas e desagregadoras. Embora tenha contato diário com o computador tenho tido dificuldade em acompanhar todas estas inovações tecnológicas e a infinidade de nomes e apresentações desta gama imensa de objetos do desejo contemporâneo. Fico observando meus netos com seus smartphones, conectados a servidores remotos e jogando com amigos diversos, cada um em sua casa, enquanto conversam entre si.
Admirável!

Antes oferecíamos uma água, um refresco, um café; hoje, a senha do nosso Wi-Fi e todos ficam felizes. É bom oferecer senão... Vão pedir!
Inegável!

Os meios de comunicação estão trazendo novas atividades aos dias de hoje. Rede social ou mídia social na web permitindo pessoas com dificuldade de relacionamento, encontrarem nestes espaços contatos que, ao longo do tempo, podem tornar-se relacionamentos que se transformam em verdadeiras amizades. A troca de informações instantânea com a postagem de fotos, vídeos, notícias em tempo real torna isto possível.
Insuperável!

A importância do avanço da tecnologia nas nossas atividades diárias é sem dúvida uma vitória nos mais diversos campos da atividade humana, impossível imaginar um retrocesso.
Inimaginável!

A família está se desarticulando em função destes mesmos “aparelhinhos mágicos”. Percebemos em algumas propagandas objetivas, o foco em mostrar o que acontece nos relacionamentos pelo excesso destas atividades on line que, por isto mesmo, colocam os relacionamentos off line.
Mensurável!

Fácil verificar que teríamos defensores para os dois lados em ampla discussão. É indiscutível que deveria haver um controle (Leia-se PROIBIÇÃO) ao menos em determinados lugares como Escolas, Hospitais, dentro de casa com horários predeterminados, etc.
É Lei, proibido com celular!
Inviolável!

Se formos discutir o assunto certamente o resultado será uma discussão longa, cansativa, pesada.
Impublicável!

Um pequeno resumo da interferência deste assunto em nossas vidas.
Interminável!



*App - é a abreviatura de “application” ou seja, aplicação. Aplicação essa que é instalada em um smartphone por exemplo.  As apps facilitam a vida dos utilizadores, oferecendo um acesso direto a serviços de notícias, informação meteorológica, jogos, serviços de mapas com geo-localização através de GPS ou utilitários com os mais variados tipos de finalidades. 



sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

VERDADE

- Como vou saber quando a verdade é verdade pai?
- Nem sempre haverá dificuldade para saber meu filho. Ela é clara e transparente na maioria das vezes.
- Como assim?
- É como um prato de comida, se está bom, você diz que está bom; está ruim, você diz que não gostou; se está ótimo, a sua cara diz isto. Então, quando você ouve uma mentira, sua cara mostra que não acreditou.
- Sempre será assim meu pai?
- Não, na verdade algumas vezes a mentira é camuflada de tal forma que não vemos. O ator é muito bom e a mentira nos chega com o carimbo da verdade. – diz o pai.
- Então como ficamos neste caso? – argumenta o menino.
- São momentos em que o nosso julgamento é colocado à prova. É quando a diferença entre a verdade e a mentira depende do nosso conhecimento. Mesmo assim, engolimos algumas mentiras durante muito tempo antes de nos apercebermos de sua falsidade.
- Pai, então a gente pode ser sempre enganado?
- Não sempre, filho, algumas vezes. – disse o pai
- Tem como evitar isto?
- Olha meu filho, a melhor maneira de evitarmos ouvir mentiras é termos um relacionamento com pessoas de boa índole.
- Boa índole, o que é isto? – pergunta o menino.
- Boa índole ou bom caráter, é a boa formação que você encontra em algumas pessoas as quais devemos juntar ao nosso grupo de amigos. Amigos assim nos ajudam orientando para o certo e o melhor.
- É fácil arrumar amigos assim? – pergunta
- Será necessário que tenhamos alguns dos predicados que admiramos nesta pessoa de quem queremos ser amigos; assim pensava Sócrates, filósofo Grego. Por exemplo, você admira uma pessoa pela educação e bons modos, a melhor maneira de se achegar a ela, será usando bons modos e educação. Nada muito difícil de entender. Assim será em relação às outras características. Veja como é fácil perceber que amigos com boa índole, educação e cultura acrescentam muito em nossa vida.
- É verdade pai! È verdade! – diz o menino
- Que bom que você está percebendo a verdade. Assim será sempre, e em tudo, na vida. Em qualquer relacionamento que seja: familiar, comercial e até político. As nossas escolhas nos permitirão ouvir mais ou menos mentiras. Depende de nós na maioria das vezes.
- Entendi pai!

- Para que você fique em Paz, consigo mesmo, use a Verdade no seu dia a dia; embora você saiba que ela não estará sempre presente ao seu redor. – finaliza o pai.



quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

PEQUENO E CALIBRADO (Evitando o Curto e Grosso)

 Estamos vendo as medidas que o governo anda tomando em relação ao ensino e fico pasmo com o retrocesso que se vê no dia-a-dia. Vemos também os desmandos na área econômica derrubando nossa projeção e estabilidade interna e externa.

Resultado:

Remediados economicamente, subnutridos em Educação, meio caminho andado dentro da incompetência.

Em breve, nas telas de todo o Brasil, apresentaremos: Terceiro-mundismo - “O retorno“

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

PORQUE NÃO

Ouvi o estalido de um beijo.
Um estalido...hummmmm!
De beijo de amigo.
De beijo de filho.
De beijo de irmão.
Não tinha o ruído de um beijo ardente.
Não tinha paixão.
Era apenas um beijo,
de chegada ou despedida
neste dia de verão.


RESPOSTA

Um sabiá, cantando de manhã junto ao pé de laranjeira.
Perguntei o que fazia ali.
Sábia respondeu:
- Piu!

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

SONOLÊNCIA

- Você pode abaixar o volume da televisão – diz ela
- Claro querida.
Depois de alguns minutos.
- Você abaixou o volume como pedi?
- Sim
- Parece que ainda está alto, dá para diminuir mais um “tequinho”?
- É pra já!
Com o volume muito baixo, perdendo as falas aqui e ali, a cabeça dele se voltou para algumas atividades que fizera no dia e foram se misturando com o som quase inaudível da TV. Aquilo de tentar pensar e, ao mesmo tempo, tentar ouvir o som da TV, foi colocando nosso amigo em estado hipnótico. Ele cochilou...
Me socorro de um poema para terminar este texto que está difícil:

SONOLÊNCIA (Que lugar é este?)

Mas, que lugar é este
onde me encontro agora?
Este cachorro está lambendo as minhas mãos e,
ao mesmo tempo rosna.
Onde dará a escada que vejo a minha frente?
Estão batendo a porta.
Quem é? O que será?
Se não sei onde estou,
Quem vem me procurar?
E este vento gélido,
Glacial, tão imprevisto,
De onde vem?
Não entendo!
O fogo está aceso
Tenho certeza disto: o fogo está aceso!
Só não sei onde estou
Nem que cachorro é este.


segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

BORBOLETA

Borboleta multicor
Frágil e bela.
Faz seu voo oscilante
nesta tarde quente.
Me transporto ao casulo de origem
que é mais sala de espera que prisão,
onde se encontra uma lagarta feia
em fase de gestação.
Ali, em sua incomunicabilidade,
aguarda o desmanchar da teia:
a liberdade.
E nasce ou renasce,
se estica toda e se ajeita.
Suas asas se aprumando, desenham uma paleta
que pintor nenhum usará
na minha borboleta.



https://pixabay.com/pt/borboleta-asas-vermelho-flores-176156/



domingo, 13 de dezembro de 2015

REFLETIR


Refletir é optar por conseguir entender melhor algum assunto. O refletir, conforme o dicionário é: “atitude de alguém que não se comporta compulsivamente”. Que é prudente. A prudência, que parece uma palavra arcaica, velha, até pela própria falta de uso, deveria ser renovada, revestida.
Quem sabe, um novo layout?
Não, não tem jeito, prudência é prudência em qualquer idioma! Vamos usar a prudência como a mediadora em todas as nossas decisões.
A maioria das discussões se prolonga porque não tem subsídios na reflexão.
Basicamente: “Não pensamos, apenas falamos”.  (Claro...sem generalizar!)
Refletindo, não tem como não sermos honestos e, sempre, teremos argumentos bem definidos para qualquer assunto. Poderemos trazer luz a uma discussão sem sentido.

Refletindo!!!

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

TIO ROMÁRIO

Tio Romário, é meu tio avô, irmão do meu avô paterno Vidal, de quem já falei ou vou falar ainda, era conhecido por sua postura tranquila. Hoje, acredito que diríamos outra coisa. Deixa pra lá!
Assim que construíram sua casa em Ribeirão Preto, tia Vevinha disse que precisavam de um banco na varanda. A verdade é que tio Romário se esquecia do fato e, novamente, tia Vevinha o lembrava:
- Romário, você já encomendou o banco para a varanda?
Tio Romário respondia:
- Veva, –era como ele a chamava - pode deixar que esta semana vou resolver o assunto.
Mais uma ou duas vezes tio Romário foi lembrado até que decidiu. Foi até um marceneiro que conhecia para fazer sua encomenda. Chegando a marcenaria perguntou pelo Osvaldo, o marceneiro. Cheio de pó de serra lá vem o Osvaldo.
- Seo Romário, como vai?
- Estou bem Osvaldo.
- O que o Senhor precisa?
- É o seguinte Osvaldo, a Veva quer um banco para a varanda lá de casa.
- Sem problema! – retruca o Osvaldo – Como é que o Senhor quer o banco?
Tio Romário, não tinha a menor ideia de como seria o banco.
- Não sei Osvaldo, a Veva pediu um banco para a varanda.
- Tudo bem Seo Romário, mas preciso ter uma ideia de como será: com encosto ou sem, com anteparo para os braços, madeira maciça...?
Osvaldo foi apresentando várias sugestões e tio Romário não conseguiu chegar a nenhuma conclusão. Argumentou:
- Osvaldo, vamos fazer o seguinte, volto em casa e peço a Veva que me diga o que ela quer.
- Tudo bem Seo Romário!
Tio Romário, foi embora ruminando sobre o assunto até que chegando em casa vai direto ao assunto:
- Veva, o Osvaldo quer saber que tipo de banco nós queremos e eu não soube responder.
- Ora Romário, um banco para varanda. Simples assim!
- Mas o Osvaldo falou um monte de coisa sobre o banco...
Tia Vevinha interrompeu já um pouco “ardida”:
- Romário, peça a ele para fazer um banco para nossa varanda e fim de prosa. Ele é marceneiro e deve saber como fazer!
- Está bem Veva, vou resolver isto agora mesmo.
Tio Romário pegou o caminho da marcenaria já desgastado com a dificuldade.

Devo acrescentar aqui uma característica que conheci quando ele visitava meu sogro, Sr Geraldo. Como morava a duas quadras, vinha sempre com um travesseiro debaixo do braço. Chegava, dizia bom dia, e se dirigia ao sofá da sala onde colocava seu travesseiro e se acomodava deitado. Se Dona Aurora oferecesse um café e ele aceitasse, ela teria de levá-lo até o sofá. Sim! Ele aceitava o café desde que chegasse no sofá onde estava. Quem quisesse conversar com ele teria que ir até a sala. Se ninguém aparecesse, ótimo! Tirava um cochilo. Findado o cochilo ou a prosa, juntava seu travesseiro e voltava para casa. Isto sempre acontecia desta maneira.

Voltando ao banco em questão. Tio Romário chegou à marcenaria e disse ao Osvaldo:
- Osvaldo, faça um banco como você achar melhor.
- Mas Seo Romário, e os detalhes?
- Você use os detalhes que um banco de varanda tem que ter.
- Tudo bem! E o tamanho?
Tio Romário, foi novamente pego no contra pé. Não tinha nenhuma ideia. Refletiu um pouco e foi taxativo:

- Osvaldo, faça um banco do tamanho de um homem deitado! É isto, do tamanho de um homem deitado. – E foi embora.
Chegando em casa finaliza:
- Veva, seu banco está sendo feito, acho que você vai gostar!




quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

BONSAI IV

Fui convidado pelo Ceasa, de Santo André, no final dos anos 90 (Não achei registros para definir a data.) para uma palestra, um mini curso. Era uma festividade qualquer onde, estavam acontecendo durante um final de semana, vários cursos como ikebana, jardinagem e outros, incluídos aí o bonsai.
Solicitei aos organizadores que providenciassem um junípero de bom tamanho para uma pequena demonstração. Fiquei surpreso quando vi um junípero horizontalis, o conhecido jacaré, de tamanho bastante grande. Fiz uma *preleção bastante ágil pelo tempo de que dispunha e, com o máximo de informações. Para isto havia providenciado algumas pequenas mudas que serviram ao objetivo que pretendia.
Feita as informações básicas de como poderiam iniciar um bonsai e, fica claro, limitadas as informações ao tempo de que dispunha, reservei um tempo para mostrar uma atividade mais avançada trabalhando o junípero em questão. Coloquei o mesmo sobre a mesa e comecei, após algumas informações necessárias do que iria fazer, o meu trabalho. Devido ao posicionamento da árvore em questão, acabei ficando de costas para os participantes para cortar um determinado galho que estava excessivamente longo. Cortei! Era um galho longo e bem cheio que, caiu ao chão.

Ouvi um som de espanto:
- Hãããnnn!!!
Me voltei e perguntei:
- Quem foi?
Um senhorinha entre 60 ou 70 anos assumiu:
- Fui eu!
- Porque do seu espanto? – perguntei.
- É que o senhor cortou a árvore! – exclamou ela.
- Sim, é verdade cortei.
Percebi que não estava conseguindo atingir, ou melhor, me explicar adequadamente. Nestes momentos, tenho alguns **insights muito interessantes. Perguntei:
- A senhora tem filhos?
- Sim – respondeu ela
- A senhora bateu em seus filhos quando pequenos, por qualquer razão?
- Sim! – responde sem entender.
- Mas, porque a senhora bateu em seus filhos? – perguntei.
- Oras, - disse ela – para educá-los!
Fiz um pequeno silêncio olhando bem para ela e, em seguida, para todos.
- Eu, fiz o mesmo com a minha árvore!
Todos estavam atentos tentando entender a minha lógica. Eu mesmo estava buscando a “minha lógica” neste meio tempo. Continuei:
- Eu vou falar sobre um sobre um livro. Quero deixar claro que não estou falando de religião, mas apenas de um livro: a Bíblia! Este livro contém ensinamentos de todas as áreas como História, Pedagogia, Filosofia, Matemática...
- Matemática! – disse alguém quebrando minha fala.
- Sim, disse eu – matemática! É onde Jesus ensina que é dividindo que se multiplica. A matemática do Amor. A matemática mais fácil de entender e aprender e, no entanto, tão difícil de ser usada.
- Ahhhh! – disse a mesma pessoa.
- Então, - continuei – neste livro, que contém vários livros dentro dele, mostra em um deles um versículo qualquer que diz: “Poupe a vara e estrague o seu filho. Porque as marcas de uma vara (De uma cinta) saem com o tempo, as marcas da má educação não sairão jamais.” Esta a razão que explica as palmadas que a senhora deu em seus filhos. Porque tenho certeza de que hoje, educados, são filhos que lhe trazem orgulho e alegrias em sua vida. Quero o mesmo para minha árvore, pela mesma razão que a senhora. Quero que mais a frente ela se pareça muito bonita após educá-la adequadamente.
Percebi que algumas pessoas na sala choravam e outras, tentavam disfarçar alguma lágrima que não se continha dentro dos olhos.

Não me lembro do trabalho feito com aquela árvore. Lembro-me que o bonsai me levou a um local onde pudemos nos emocionar com esta Arte: BONSAI.


*Preleção - s.f. - Lição; discurso didático e educativo antes da realização de uma tarefa. Exposição de um conteúdo cujo propósito é meramente didático.
**Insight - Originário, provavelmente, do escandinavo e do baixo alemão, insight é definido na língua inglesa como "a capacidade de entender verdades escondidas etc., especialmente de caráter ou situação" portando um sentido igual a "discernimento" ou "a capacidade para discernir a verdadeira natureza de uma situação", o ato ou o resultado de alcançar a íntima ou oculta natureza das coisas ou de perceber de uma maneira intuitiva. (Fonte - http://www.dicionarioinformal.com.br/insight/)



quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

BONSAI III

No ano de 1997, comecei a receber interurbanos de Cuiabá de um menino, Gabriel. Ele tinha na época 9 anos. Seu assunto era o bonsai. Como sempre, procurava atender da melhor forma possível, tirando suas dúvidas ou dando informações solicitadas. Nem mesmo o maior esforço de memória poderia me lembrar dos assuntos específicos. Em sua segunda ligação alguma coisa começou me incomodar, afinal, eram interurbanos de Cuiabá para Ribeirão Preto, tinha um custo embutido nestas longas conversas. Então eu disse:
- Gabriel gostaria de falar com sua mãe!
- Por quê?
- É que preciso de uma informação que só ela poderá me dar. Chame sua mãe e depois nós continuamos conversando.
Ouvi Gabriel chamando:
- Mãe, mãe!
Ouvi passos se acercando.
- O que foi Gabriel?
- O Sr Mário quer falar com você.
- Alô! – disse ela
Solicitei seu nome: Mari e fui direto ao assunto que me incomodava:
- Dna Mari, a senhora está a par das ligações do Gabriel para mim? – expliquei sobre os gastos com as ligações.
- Sim, eu estou sabendo.
- Então, quando ele ligar, posso atender despreocupado? – perguntei
- Sim, quando o Gabriel liga para o senhor eu estou sabendo.
- Que bom! – disse eu. Pedi a ela para retornar o Gabriel.
Não me recordo quantas vezes mais ele ligou para mim. Impossível!
Tempos depois, neste mesmo ano de 1997, recebi um convite do José Carlos T de Carvalho para ministrar um Curso de Bonsai em Cuiabá. Minha surpresa foi que Gabriel era um dos alunos.

Em 2014, no meu evento em Ribeirão Preto, vieram vários amigos de Cuiabá. O Diogo Ormond era um deles.  Em determinado momento se achegou e disse apontando um rapaz:
- Mário, você se lembra dele?
Olhei atentamente, mas não consegui identificar.
- Não, não sei quem possa ser. Desculpe-me! – disse eu para o estranho.
O Diogo esclarece:
- Ele é o Gabriel que ligava para você quando menino.

Surpresa!!!

A vida vai dando voltas. O Gabriel, cujo nome é Gabriel de La Cruz Mota, hoje é engenheiro e trabalha em São Paulo. Foram 17 anos sem contato e a sua presença me trouxe a lembrança viva deste acontecimento tão agradável.

Um menino de 9 anos interessado na Arte Bonsai.



terça-feira, 8 de dezembro de 2015

BONSAI II

Em 2010, fui convidado, para fazer uma demonstração em Nitra, na Slovakia, nos dias 22 a 25 de Abril. Seria minha segunda vez naquele País, já havia estado por lá em 2003. Na semana anterior, estaria fazendo demonstração em Portugal, no Centro Bonsai, em Sintra.

Foram juntos nesta viagem o Bergson de M Vasconcelos e Charles White. Foi grande a minha alegria com a presença destes dois amigos. A viagem até Lisboa foi em voo direto. Fomos recepcionados pelo Marcos Rodrigues, proprietário do Bonsai Centro, que nos levou a Sintra onde iria acontecer a demonstração. Ficamos acomodados na Hospedaria Piela’s, local agradável que havia sido reservada para nós. No dia seguinte, Marcos veio nos buscar para conhecermos seu espaço. Um lugar muito organizado, com uma grande diversidade de assuntos além do bonsai. Sua área de vendas incluía um bar e cozinha onde, em finais de semana, amigos do bonsai se reuniam para, além do bonsai, degustar saborosos pratos portugueses. Posso dizer que nos três fomos brindados com deliciosas refeições por ali.
Houve um pequeno senão nesta viagem devido ao vulcão da Islândia, o Eyjafjallajokull (É este mesmo o nome. Se é que posso falar assim: indizível), que estava produzindo uma nuvem de cinzas causando uma interrupção severa no espaço aéreo europeu. Não só na Europa, logo depois na África e no países asiáticos também. Um transtorno internacional. A nuvem de cinzas produzida pela erupção transtornou a vida de centenas de milhares de passageiros devido as restrições de voos e provocou o maior fechamento do espaço aéreo europeu desde a Segunda Guerra. Estas notícias começaram a aparecer direto na televisão portuguesa e, interessados, estavamos a todo momento querendo saber das possibilidades do nosso voo para Viena/Áustria, onde um motorista viria nos buscar para chegarmos a Nitra, na Slovakia. As notícias não eram nada boas. No aeroporto de Lisboa, muitas famílias estavam dormindo no chão porque não tinham outra alternativa. As férias haviam acabado ou qualquer que seja o motivo da viagem estava resolvido. Queriam voltar para casa, o dinheiro já estava contado e não tinham como sair dali. Vimos pela televisão, reportagens onde mostravam os moradores de Lisboa levando “quentinhas” para estas pessoas, porque muitas estavam realmente sem dinheiro até para alimentação.
Pensamos em alugar um carro, impossível devido o preço. Na Segunda Feira, depois de várias conversas com Marcos, decidimos arriscar e ir para Lisboa tentar alguma possibilidade. Fazia três dias que nenhum voo chegava ou partia de Lisboa.
Um caos!
Fomos assim mesmo pois havia alguma notícia da abertura do aeroporto devido a dissipação das nuvens vulcânicas. De fato, demos sorte, conseguimos um voo para Bruxela, na Bélgica. Não era o nosso caminho, mas a opção que encontramos para sair.
O avião desceu em um aeroporto vazio. Era o primeiro voo que chegava a Bruxelas nos últimos três ou quatro dias. Quando o avião pousou, a maioria dos passageiros festejaram batendo palmas e dizendo expressões de contentamento nas mais diversas línguas. Ficamos no aeroporto uma noite inteira sentados em bancos de metal. Nossa conversa ia de um lado para o outro. Falávamos da preocupação que deveriam estar nossos amigos organizadores do evento, Vladimir e Alena. Havia, entre os convidados, pessoas da Asia, da África, da Namíbia e, com os aeroportos fechados, como será que estariam administrando esta tensão na semana do evento?
Nosso voo, se não houvesse nenhum novo impedimento, sairia no dia seguinte para Viena. Estar sentado por 10 horas vai gastando a nossa “prosa”. Vez por outro um de nós cochilava. Era o que se podia arrumar naquelas condições. Lá pela madrugada, sem assunto, Bergson, que muitos conhecem, não perde o momento se tem que fazer alguma gozação com alguém. É como ele mesmo diz: “Perco o amigo mas não perco a piada!”. Usando deste mesmo caminho, foi fundo para arrumar assunto e começou com sua entonação acentuada de nordestino:

- Meu tio, – disse dirigindo-se a mim – eu estou muito desconfortável com esta situação!
Fiquei sem entender nada, pensando que poderia ser pelo transtorno de estarmos naquele aeroporto frio, vazio e em bancos gelados.
- Que situação Bergson?
Deixe-me esclarecer “a pequena situação” antes de continuar. No Fórum do Atelier do Bonsai, muitos amigos me chamam de Dom Mário. Isto deve ter começado quando algum amigo latino fez, pela primeira vez, esta referência a mim, o que foi assimilado rapidamente. Charles White, para quem não sabe, é filho de Inglês. Bergson então continuou:
- Veja você a injustiça, estamos aqui na Europa, indo para outro evento e eu estou muito desconfortável...
Cortei a conversa dele:
- Bergson, você já disse que esta desconfortável. Pergunto com o quê?
- É o seguinte meu tio, veja bem, estamos aqui sentados neste lugar gelado, longe de casa, um frio da “mulesta”. Oh saudade de Maceió! Então, como disse, estamos aqui e, digamos que a polícia chegue e pergunte quem somos o que vou dizer?
- Como assim, – disse eu – dizer o que?
- Vai que me perguntam: “Quem são vocês?” Vou ter que responder: Este é Dom Mário, aquele é Lord Charles e eu, bem eu com esta cor ultra, super, top morena, sou o slave (Escravo) Bergson.

Rimos durante um bom tempo. Nosso voo saiu as 09:00 h da manhã. Chegamos em Nitra sem mais problemas.


segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

BONSAI I

No final dos anos 90 fui ministrar um Curso de Bonsai em Cuiabá, convidado pelo José Carlos T de Carvalho que havia juntado um grupo de interessados. Como eram muitas pessoas, resolvi dividir em duas turmas, uma no Sábado e outra no Domingo. Ficou tudo acertado e fui para Cuiabá, me parece, na Quinta Feira que antecedia o Curso. O José Carlos e Joara, sua esposa, me recepcionaram em sua casa, na noite da minha chegada, com um saboroso jantar onde estava incluído entre os pratos, o arroz com *piqui, típico da região. Como poderia faltar!
Quando acabamos de jantar, Joara serviu um cafezinho. Neste momento conversava com o José Carlos e, Joara, sentou-se a meu lado para servir. De certa forma eu estava de costas para ela que, enchendo as xícaras, nos serviu. Já tinha provado o café quando Joara me perguntou:
- Como está o café Mário?
Respondi de imediato olhando para ela:
- Mais ou menos! –e voltei a conversar com José Carlos.
- Como assim mais ou menos, você não gostou?
- Gostei sim Joara, estava mais ou menos. – reforcei.
Ela ficou incomodada e me perguntou:
- Mário, você quer que eu faça outro café? – seu tom de voz não estava mais no mesmo nível de sonoridade.
- O que é isso Joara, não tem necessidade.
- Mas você disse que o café está mais ou menos!
- É verdade! – respondi – Não está ruim, está mais ou menos.

Tenho que esclarecer, logo no começo desta conversa, fiz um pequeno sinal ao José Carlos que deixou a conversa ir fluindo. Completando informações: não conhecia nem o José Carlos, nem Joara até aquele dia.

Joara, não se continha no assento, embora estivesse olhando para o José Carlos, percebia a sua agitação. Não deu trinta segundos e ela diz:
- Vou fazer outro café! – definitivamente sua voz estava alterada.
- Joara, não tem necessidade! – coloquei delicadamente.
Ela pegou a garrafa e foi se dirigindo a cozinha quando senti que deveria interrompê-la.
- Joara, deixe-me explicar uma coisa para acalmar os ânimos. Parece-me que você está se alterando sem necessidade.
- Como sem necessidade, - disse ela, definitivamente nervosa - você disse que meu café está mais ou menos!
-E é verdade, - falei mansamente – porque café bom é o meu, o resto é mais ou menos.
Pensei comigo: “Isto não vai dar certo!”

Joara saiu dos trilhos, disse que não faria o café para o Curso no dia seguinte e mais, que não faria café, para mim, nunca mais. Neste momento, fiz um sinal para o José Carlos, o “pudim” estava desandando...

Bem, finalizando, levei uns quinze minutos para explicar a ela a minha “brincadeira”. Disse que em minha casa todos sabem, quando digo que está mais ou menos, é porque está bom.
Tudo terminou bem, consegui acalmá-la e garantir o café para os dois dias do Curso. Consegui mais ainda, evitar que ela jogasse aquela garrafa de café fora. Quase aconteceu...!


*Piqui - ou pequi origina-se do Tupi “pyqui”, onde py = casca, e qui = espinho, referindo-se aos espinhos do endocarpo do fruto (parte dura do caroço). Árvore que atinge 10 m de altura, o piquizeiro é uma das mais importantes plantas para a alimentação do homem do campo e que cada vez mais conquista destaque nos cardápios dos restaurantes de comidas típicas da região.



sábado, 5 de dezembro de 2015

PRIMA NENÊ

Recebemos a visita das primas, Mercedes e Nenê, é assim que sempre a chamamos: Nenê. Hoje ela está com 93 anos, a prima mais velha, que vem acompanhada de uma sombrinha, seu apoio eventual, pois tem mais vitalidade que muitos de nós. Quando nova, Nenê teve um conservatório musical em São Paulo. Sua fala é fluente e clara; sua alegria, contagiante. Yamara, minha cunhada, trouxe as duas e, junto, uma broa e um bolo a tiracolo. O café já estava pronto quando chegaram.

Sem celular, sem Whatsapp, sem Facebook. Foi incrível, conseguimos conversar por 2 ou 3 horas sem tecnologia nenhuma. É bem verdade que somando as idades, por baixo, tínhamos ali 350 anos de assunto familiar. É assunto pra mais de ano!

O tempo só não foi maior porque Mercedes tinha passagem comprada para São Paulo onde mora. No meio das conversas, Nenê comentando sobre sua mãe, minha tia avó: Vevinha; tia Vevinha era casada com o irmão do meu avô Vidal, tio Romário.

- Pois bem - disse Nenê - mamãe viveu até os 102 anos e, desde sempre, foi quem cuidou da casa. Papai (Tio Romário) se foi bem antes dela. Certo dia, alguém perguntou a mamãe:

- Vevinha, você não sente saudades do Romário?
Responde:
- Sim, muita saudade!
- É, já faz um bom tempo que ele partiu!
- É verdade! – confirma tia Vevinha.
Não me lembro quem era a pessoa, disse Nenê, mas pela pergunta feita deveria ser íntima.
- Você não tem vontade de encontrá-lo?
Tia Vevinha mais que depressa responde:
- Tenho sim, mas minha filha, não tem tanta pressa assim!

Saudade, todo mundo tem. Partir daqui... Tia Vevinha viveu mais 10 ou 15 anos após aquela prosa, firme e forte. Cuidando da casa.

Café, um pedaço de bolo, outro café e a conversa foi andando até que chegou a hora limite para que Mercedes tomasse seu ônibus para São Paulo. Mandamos, como encomendas, lembranças pela Mercedes a todos os familiares.
Estas visitas gostosas que, a cada dois passos ao sair, paramos e comentamos outra lembrança deliciosa. Sabemos que vão se perder, então é necessário falar delas enquanto lembramos.
No derradeiro abraço, Nenê finaliza amorosamente:

- Vou trazer alguns dias junto comigo da próxima vez! Assim será possível buscar mais recordações.
Sempre começarão assim:
- Você se lembra...?

Nenê partiu com seus 93 anos a bordo de si. Como foi bom!