segunda-feira, 30 de novembro de 2015

O CERTO e o ERRADO

Estão presentes desde sempre em todo o momento e não tem como não sabermos qual e qual. Desde a mais tenra idade, mesmo antes de falar, é fácil observar as atitudes de uma criança ao experimentar algo errado e, com os olhos, buscar o consentimento dos pais que, neste momento, dirão:
- Nãããão!
A criança já sabia que estava errada. Existe, me parece, nos nossos *genes, alguma informação ancestral do certo e do errado. Senão, como explicar a atitude de um bebê. Claro que isto é um **devaneio na tentativa de explicar o inexplicável.
Entendo que passamos, aos nossos filhos desde a mais tenra idade, diversos conceitos que serão usados no futuro, como justificativa, para agirem de forma errada baseados nas informações recebidas de nós mesmos. A troca de uma obrigação por um favorecimento. Por exemplo:
- Se você fizer a sua tarefa e tirar notas boas você ganha...
Errado!
Estamos usando uma pequena chantagem para atingir um objetivo. E assim como este exemplo simplório, seguem-se uma infinidade deles que carregam o errado em seu conceito para atingirmos um resultado. Desta forma, distorcemos o certo e confundimos a conceituação das crianças.
Bastante difícil.
Paulo Coelho diz: “Não existe nada de completamente errado no mundo, mesmo um relógio parado, consegue estar certo duas vezes por dia”.
Definitivamente, a melhor maneira de transmitirmos aos nossos filhos o conceito do CERTO e do ERRADO é através das atitudes.
A conceituação com palavras é bonita e pode ser assunto para longas conversas ou divagações. O conceito do exemplo é prático e inesquecível.

Palavras o vento leva...

Viver o certo é definitivo!

*Gene - é a unidade fundamental da hereditariedade. Cada gene é formado por uma seqüência específica de ácidos nucléicos (biomoléculas mais importantes do controle celular, pois contêm a informação genética. Existem dois tipos de ácidos nucléicos: ácido desoxirribonucléico – DNA- e ácido ribonucléico – RNA). Informação do site - www.todabiologia.com
**Devaneio - s.m. Estado da pessoa que divaga ou se deixa levar pela imaginação, pelas lembranças ou pelos sonhos.



sábado, 28 de novembro de 2015

RAZÃO

No dia 17.10.2015, comecei a escrever, diariamente, alguns textos com o título “PENSANDO”. Tem sido um exercício interessante e, ao mesmo tempo, difícil. Não tenho a facilidade destes articulistas que conseguem, durante períodos muito longos, escreverem sobre os mais diversos assuntos todos os dias. Procuro não entrar na política embora esbarre vez por outra. Eventualmente se o fizer serei, na medida do possível, genérico. Nunca citando nomes. Se possível!
Vez por outra coloquei alguns poemas do meu livro de poesias ”LIMITAÇÕES”, acredito que ainda me socorrerei destes trabalhos já feitos. O escrever diário requer treino e imaginação e os poemas me ajudarão nestas falhas de inspiração literária.
Tenho tido o cuidado de colocar ao final dos textos, o significado de algumas palavras que entendo serem necessárias. Posso dizer que é muito mais para mim do que para o leitor.  Sobre o cuidado com a *sintaxe me socorro com Luis Fernando Veríssimo que diz: “A sintaxe é uma questão de uso, não de princípios. Escrever bem é escrever claro, não necessariamente certo. Por exemplo: dizer "escrever claro" não é certo mas é claro, certo?”
Não sou tão simplista como Pablo Neruda quando diz: “Escrever é fácil. Você começa com uma letra maiúscula e termina com um ponto final. No meio você coloca ideias”. É aí, no meio, que está o problema: IDEIAS. Pessoalmente, vejo o escrever como uma lavoura árdua onde as palavras que entendo como sementes, devem brotar nos seus devidos lugares para serem usadas adequadamente, e que possamos retirar delas todo o seu conteúdo.
Finalmente, sobre as palavras escrevi um poema, que me socorre mais uma vez para finalizar este texto.

Poema do meu livro “LIMITAÇÕES”

PALAVRAS

Palavras, quem dera conhecê-las.
Todas,
completamente.
Ser íntimo dos verbos e substantivos.
Relação amorosa de pai e filho,
dicionaricamente.
**Aurélio! Aurélio! Aurélio!
Que pena!
Meu nome é Mário.


* Sintaxe é a parte da gramática que estuda a disposição das palavras na frase e a das frases no discurso.
** Aurélio - é de Aurélio Buarque de Holanda. A preocupação com a língua portuguesa e o amor pelas palavras levou-o a estudar e pesquisar o idioma durante muitos anos com o objetivo de lançar seu próprio dicionário. Finalmente, em 1975, foi publicado o Novo Dicionário da Língua Portuguesa, conhecido como Dicionário Aurélio ou somente "Aurelião" ou "Aurélio". Modesto, ele vetou a inclusão, na sua obra, do verbete "Aurélio" como sinônimo de dicionário.


sexta-feira, 27 de novembro de 2015

SENADOR PRESO



Anteontem 25.11.2015, ouvi boa parte, senão quase todo o debate, em momento sinistro acontecido no Senado Federal onde, senadores se posicionavam para discutir se a votação seria aberta ou não.

Não estavam julgando a culpabilidade do senador naquele momento.

Parece que eles vivem em um mundo a parte, que não foram eleitos, que não devem mostrar como julgam decisões em momentos como os que aconteceram. Percebia-se a posição do Presidente do Senado pelo voto secreto, posição esta que foi derrotada pelas inúmeras defesas de um voto transparente. Mesmo permitindo a escolha (Da decisão do SIM ou do NÃO) pelos senadores presentes, não merece crédito algum, pois, apenas recuou de sua posição insustentável. Posição de quem prefere esconder a mostrar. Típica da politicagem mais suja deste País. Posição de pessoas não confiáveis.
Assim foi demonstrado, por maioria esmagadora, vencemos!

Digo mais, foi esmagadora porque a população brasileira não está aguentando mais a safadeza geral nas *hostes políticas. Estamos beirando um cansaço terminal. Ouvi senadores, com o dom da palavra, defendendo o seu voto secreto em uma postura de quase um deus. Vestal, disseram alguns (Aqui um contraditório visto que as vestais eram mulheres que tomavam conta do templo da Deusa romana: Vesta). Este e outros estão defendendo a anarquia geral ao esconder seu posicionamento aberto para questões de importância nacional. Dizendo da sua ilibada reputação, mas se permitindo votar secretamente um assunto que não deve ser secreto em respeito ao povo brasileiro, ao povo que o elegeu. Digo mais, nenhum voto, nas duas casas Legislativas, poderia ser secreto. Não estão em um cassino jogando, estão legislando pelo povo e não para si. Diga a que vieram em voz alta e não debaixo do pano em jogo de cartas marcadas e impróprio para menores de 50 anos.

A votação aberta foi para manter ou não o Senador em prisão determinado pelo Superior Tribunal de Justiça. Se foi preso com provas cabais, não tem “lei de conluio” neste País ou, se havia, espero que tenha acabado neste dia. Tem lei. É bandido, vai para a cadeia. Ser Senador foi uma conquista, ser bandido foi uma opção. Cadeia é para a opção de bandido.
Sem essa de prerrogativa que permite a safadeza garantida. Cargo nenhum tira a condição do indivíduo de cidadão. Cidadão, guindado com voto a um cargo público e não a uma categoria de blindado a justiça. Deve, pague! É para qualquer cidadão. Qualquer um.

Chega!

SINGAPURA NELES!!!

* Hostes - s.f. - Grande reunião de soldados armados; exército ou tropa.



quinta-feira, 26 de novembro de 2015

O GOSTO DO DIA DE HOJE

Acredito que cada dia tem um sabor próprio; alguns nos imprimem lembranças, de tal forma, que são inesquecíveis; outros, nem tanto assim. Fico pensando que em muitos destes dias, “nem tanto assim”, passados, poderia ter mudado o sabor para melhor e não o fiz. Pequenos detalhes de atenção que alterariam toda a recordação negativa que ficou. A dificuldade para a grande maioria de nós é que tardamos em entender “os detalhes”. O detalhe de um “beijo”, um “até logo”, um “obrigado”, um “como vai?”, um “posso ajudar?”, no tempo certo. Certamente os dias “nem tanto assim” seriam poucos, porque é com muito pouco que se conseguem dias melhores. Não atentamos para as oportunidades. Não olhamos para fora nestes momentos. Estávamos olhando para dentro. Para nós mesmos. Erro fatal! A grande vantagem é que podemos mudar.
Sim, podemos mudar!
Se nos permitirmos, poderemos nos surpreender e, melhor ainda, surpreender o outro. Aí sim, entenderemos a *recíproca da atenção.  É a consequência inevitável do é dando que se recebe.

Fórmula simples, mágica!

Para conseguir deixar o gosto do dia de hoje melhor.


*Recíproca - Recíproco significa algo presente numa relação entre duas partes, quando, existindo de um lado, existe de igual modo no outro.



quarta-feira, 25 de novembro de 2015

CALOR

O calor está matando, não adianta abano, ventilador, nem nada. Ah! ar-condicionado dá, mas...um dia quem sabe! Olha-se o horizonte e todo ele é uma miragem, tanto forno.
Preguiçoso do calor o homem se encosta e fica; nem falar, pensar, só lentamente. Debaixo deste torpor ficam-se horas. A pele gotejando sob a roupa, desconfortante.
No asfalto que evapora: ninguém.
Parece que o mundo morreu! Não venta nem sopra. Nas ramagens mais altas das árvores tudo quieto.
Sentado em sua cadeira de balanço, João da Rosa, naquela varanda menos quente que o interior da casa, olha a torneira pingando no jardim e fica imaginando um copo de água fresquinha da talha que fica lá na cozinha e ele (Que preguiça!) morrendo de sede.

terça-feira, 24 de novembro de 2015

FILHO MAIS NOVO

No dia em que trouxemos o nosso filho mais novo para casa, saí do Hospital amparando minha mulher e carregando as tralhas do moleque. Sim era um menino! Beto. Já tinha tido a primeira experiência de ser pai com a Andréa, a filha que faz um pai querer ser o compositor de: “Oh coisinha tão bonitinha do pai!”. Bem, neste caso, é do Jorge Aragão.
No caso do Beto, houve a necessidade de fórceps, ele não queria nascer de jeito nenhum. Zoraide estava bastante debilitada pela intervenção e, chegando em casa, foi direto para cama. Arrumei as sacolas e todo o essencial no momento enquanto Zoraide dava de mamar para o Beto. Ver o filho mamando é o momento mais encantador após nascer, esta é a palavra certa ao ver o filho mamando: encantador. Aquele barulhinho típico, com pequenos estalidos e a respiração sôfrega. A ânsia que a criança tem naquele momento sorvendo o leite materno, a testinha suando pelo trabalho de sugar e, finalmente, saciado adormece.
Danado do milagre da vida!
Passado alguns momentos, Zoraide me pede para fazer o Beto arrotar e depois trocar sua fralda. Já estava escolado nestas matérias e foi fácil. Fui batendo levemente em suas costas e... bruuuuuuu (Não sei se esta é a *onomatopeia do barulho do arroto mas...fica como se fosse). Parti então para a troca da fralda. Acomodei o moleque na cama e fui soltando aqueles grampos enormes, com trava de segurança, para liberar a fralda. Aquele moleque, três quilos e meio se não me falta a memória, estava feliz. Barriga cheia, o pai trocando a fralda molhada que mais iria querer na vida. No momento em que abri a fralda para retirá-la fui surpreendido por um chafariz de xixi bem no meio da cara.

Zoraide riu!

Eu ri!

Filhos, quem tem, tem histórias!


 *Onomatopeia - é uma figura de linguagem na qual se reproduz um som com um fonema ou palavra.


segunda-feira, 23 de novembro de 2015

DIA DO MÚSICO – 22 de Novembro



Algumas músicas tocam na corda mais fina dentro de nós, aquele agudo que machuca sem ferir; outras, a melodia que nos faz chorar sem deixar tristeza; outras ainda, tem o canto que nos traz recordações e que podem trazer tristezas; tem aquela música que alegra o nosso dia. Claro, tem aquela música que você detesta! A música deveria ser obrigatória nas escolas. Não tenho conhecimento de que seja neste momento. Seria uma matéria para trazer vida a vida dos nossos jovens. Música é pura matemática dentro do seu tempo de execução, toque fora e a música se perde. É assim 1 e 2 e 3 e 4... Não tem saída. Música é inspiração para muitos, trazendo sentimentos às notas musicais. Música é entretenimento dos bons: enriquece.

Enfim é música!

Tem a música daquele filme... Lembra?
Tem a música do Airton, o Sena, quanto orgulho!
Tem a música gospel, o jazz, o samba e o pagode.
Tem a música caipira e a de raiz.
Tem a música clássica, de câmara.
Tem a Garota de Ipanema, do Tom Jobim e Vinicius de Moraes.
Tem até samba de uma nota só.
Tem o xote, o xaxado, o forró e o baião. Salve seu Luiz Gonzaga!
O Sul tem vanerão e a chamarrita.
É bom quando tem música!



domingo, 22 de novembro de 2015

OUTROS PECADOS

Poema do meu livro “LIMITAÇÕES”


Sinto às vezes,
dentro de qualquer igreja,
todos os pecados
voejando como morcegos;
e eu, quase levanto voo.
São os meus morcegos
querendo ir ao encontro
dos outros pecados.


sábado, 21 de novembro de 2015

NOTÍCIA

Li hoje, nos jornais, sobre a morte de uma jovem senhora, 43 anos, viúva. Não sei como seria: bonita, inteligente, culta, magra...? Sei que era viúva e tinha 43 anos. Sei também que a solidão não é a melhor companheira e que às vezes mata. Fiquei pensando como seria ele (O marido), a vida dos dois. Sim, não havia filhos, lá no jornal se lia: “Não deixa filhos.” Ela seria o fim de uma união que não dera frutos. Assim, viveria, quem sabe, muitos anos. A perspectiva que a vida apresentava era negra: o marido se fora, não tinha filhos, o que fazer.
Imagino agora:
Ele morreu a dois ou três anos, aquela casa cheia de recordações dos dois, transformara-se numa tortura diária; tudo recordava o seu amado e aquilo lhe fazia mal. A vida se atrofiava dentro dela, nada mais lhe interessava;  seu coração lhe dizia: “Só encontrarás tranquilidade quando encontrares com teu amado”. Fez então um pacto consigo mesma: “Irei ter com ele!”. E como coisa natural foi se deixando morrer e... morreu.
Assim como imaginei esta situação, enxergo também duas almas se encontrando, saudosas e com a eternidade pela frente, afinal o homem não foi feito para viver sozinho.

E numa dessas nuvens qualquer, macia, está havendo um reencontro.



sexta-feira, 20 de novembro de 2015

A DIFERENÇA DO QUE INCOMODA A CADA UM DE NÓS

Dois caboclos conversando no ermo da floresta após um dia todo de luta, com enxadas e machados, preparando um terreno para plantar.
- Cumpadi, andei pensando comigo um “trem” diferente.
- O que é que é? – disse o cumpadre.
- Cê já reparou que existe o Sol?
- Cunversa besta ... Quem não!!!
- Intonce, esta noite num consegui drumi pensano no assunto.
- Eita!
- Virava de uma banda pra outra e o assunto não desgrudava da mente.
- Uai sô, conta o causo que tô ficano curioso!
- É que fiquei pensano quando acabar a luz do Sol, se já pensou na tranquera que vai sê?
- Rapaz, é verdade. Nunquinha que eu pensei nisso.
- Intonce, é ou num é de ficar sem sono?
- É verdade! Agora to incomodado tamém. Quem que joga lenha naquele braseiro lá? Uai, tem que ter alguém jogano lenha pra manter aquele troço aceso, né não?
- Foi isso cumpadi, foi isso que me deixou mais aceso que o Sol. Quem será que segura aquela brasa acesa. Quem?
- Hum, hum, hum, acho que num vamo sabe disso! – finaliza o compadre.
Durante um tempo os dois olhavam para Sol que entrava através dos galhos das árvores e era possível ver em suas feições o questionamento que aparecera. Dentro de suas limitações tentavam entender como o Sol se mantinha aceso todos os dias.
- Vô chegano qui tá na hora.
- Inté Cumpadre!
Enquanto via o compadre partir ficou sentado pensando sobre o assunto. Quem acendeu o Sol? Quando é que vai apagar o fogo? Se apagar, pensava ele, vai morrer tudo por aqui. Por algum tempo ficaria incomodado com a questão:

“E se o Sol apagar?”



quinta-feira, 19 de novembro de 2015

SOBRE A COMUNICAÇÃO

Felipe, cujo trabalho era de programador em computação, acordou mais tarde naquele dia e encontrou um bilhete da esposa em cima da mesa da cozinha: “Querido, passe no Supermercado e traga leite, se tiver bananas, traga 12”.
No final da tarde, chegando em casa, deixou a encomenda em cima da mesa e foi direto para o banho. Quando sua esposa viu 12 litros de leite em cima da mesa ficou perplexa.
- Felipe? Felipe? – chamou.
Ele dentro do banheiro e com chuveiro ligado responde:
- Me chamou? Estou no banho!
- Está bem, depois conversamos.
Felipe sai do banheiro, com a cara de quem havia tomado uma boa chuveirada e pergunta:
- Que foi Deise?
Ela responde a pergunta com uma pergunta (Isto é coisa de franciscano e deveria fazer parte de outro texto qualquer.):
- Porque você trouxe 12 litros de leite?
- Ué amor, trouxe apenas o que você pediu, era para trazer mais?
- Mas eu não pedi 12 litros de leite!!!
- Pediu sim, guardei seu bilhete e posso provar.
Ela não se conteve e pediu:
- OK, mostre o bilhete!
Felipe foi até o banheiro e, do bolso da calça, retirou o bilhete amassado.
- Está aqui! – apresentando o pequeno bilhete e completando – Você disse que era para trazer leite e, se tivesse bananas, para trazer 12. Foi o que fiz. Fui à seção de frutas verificar se havia banana. Positivo, havia banana. Voltei ao setor de laticínios e peguei os 12 litros de leite. Simples!!!
A lógica da comunicação no entendimento do programador estava perfeita. Deise ficou atônita com a explicação que dava resposta a sua exclamação:
- Mas eu não pedi 12 litros de leite!!!
A brincadeira acima é uma piada que roda o mundo, na área de computação, assim como existem outras onde a “lógica”, muitas vezes distorcida, chega a explicar o inexplicável.

Deise que o diga!

Tenho certeza de que Deise, na próxima vez, pedirá em seu bilhete:

“Querido, compre:
1 litro de leite
12 bananas”.
Não tem erro!



quarta-feira, 18 de novembro de 2015

POSSO AJUDAR?

- Posso ajudar?
É comum, hoje em dia, nas camisetas dos funcionários de algumas empresas a frase: “POSSO AJUDAR?”
Dentro da empresa, seja qual for, a mensagem é entendida e aceita por todos. Quantas pessoas não se socorreram destes atendentes. Mas se nos voltarmos para o dia-a-dia não acreditamos na frase ou na intenção: “Posso ajudar?”.
É simples, você fura um pneu e chega alguém parecendo oferecer ajuda. Seu sensor de perigo começa funcionar.  Provavelmente você já foi assaltado. Se não foi você, foi seu pai, seu filho, sua esposa, seu tio, SEUS vizinhos... Alguém conhecido foi! O local onde você está é, de certa forma, ermo. Passa um aqui, outro ali, que não estão nem aí para o seu pneu. Menos ainda para você. Você engole seco. A “ajuda” vem vindo:
- E aí tio, que furada hem!
Você tenta (Sim, tenta!) tomar uma atitude segura, mas sabe que no fundo está desconfortável pra não dizer APAVORADO!
- É verdade. – responde sem dar muita atenção e com a autossuficiência beirando o colapso. Embora imperceptíveis, suas mãos tremem. O medo vai desestabilizando tudo...
Seus pensamentos estão em: “Onde é mesmo que fica o macaco?”. O sol a pino com termômetros na marca dos 39ºC. O calor produz o suor que escorre por seu rosto e o receio dobra a transpiração.  Seus pensamentos não se coordenam, não são lógicos. Sua sensação de segurança está batendo em “0”.
- Quer que eu troco o pneu? – pergunta o menino.
Sim porque não passava de um menino. Mas hoje em dia menino de 15 anos está roubando, traficando, matando e estuprando numa boa. Que segurança se tem?! Neste momento uma “luzinha” se acendeu e ele respondeu no automático:
- Obrigado, o seguro já está chegando!
Entrou no carro fechou a porta, travou todas e ligou para a Seguradora. O menino se foi sem dizer mais nada. Ainda bem. Deu sorte!!!

Assim estamos nos dias de hoje, reféns da incompetência geral.

Até quando?


terça-feira, 17 de novembro de 2015

LUCIDEZ

E estes passos suaves que vem pelo corredor trazem sua presença. Com as dificuldades típicas da idade, vem caminhando na toada dos seus 85 anos. E lá se foram 85 anos de luta e construção. A vida na roça a tornara forte, guerreira. Lá, nasceram os filhos em meio a Natureza que, naquele tempo, se mostrava exuberante e generosa. A beira do “*corguinho”, nos finais de semana, todos iam pescar lambari, algumas vezes conseguiam um piau. Poucas vezes.  Diferente de quando moça, a pressa neste momento não tem sentido, não é mais possível. São os passos de toda uma vida, passos que deixaram caminhos para muitos. Sou sua descendência e tento ser espelho da fortaleza que esta embutida naquele corpo frágil. Seus cabelos brancos são como uma coroa que conseguiu por mérito e serviços prestados. O cheiro de um delicado perfume a precede. Ela tem o cuidado de não interferir na movimentação da casa com sua postura tranquila e pacificadora. Quando solicitada, com sua voz suave, dá conselhos preciosos. Ensina receitas. Cura as feridas do corpo e da alma e, sempre diz:

- Que Deus te abençoe!

Com as bênçãos dela fica mais fácil a vida.


*Corguinho – pequeno riacho.

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

QUANDO TINHA 8 ANOS

Quando tinha oito anos, morávamos em Avaré ao lado da Catedral. De manhã minha obrigação era a escola. Minha lembrança viva de formarmos filas, empertigados, cantando o Hino Nacional. Eram filas duplas e separadas por turmas da 1ª até 4ª série. Todos sabiam. Quando o hino acabava íamos, em formação e em silêncio, para as classes. Era natural, era o normal.
Na parte da tarde, em certos dias, saíamos um grupo de moleques para caçar rolinha na palhada de uma máquina de arroz. A máquina batia o arroz em casca e jogava as palhas que formavam montes nos fundos. Sempre voavam juntos com as palhas algum arroz em pedaço ou mesmo inteiros. Este era o objetivo das rolinhas. Nosso objetivo: conseguir uma quantidade de rolinhas para serem fritas em casa. Estilingue no pescoço e um *embornal cheio de castelos, o cascalho de rio, escolhidos a dedo, um a um. O mais redondo possível para aumentar a precisão do tiro. Íamos, como meninos de oito anos, disputando corrida. Correr não fazia diferença alguma na condição física de nenhum de nós. Quantas vezes correndo imaginava voar. Você está pensando: “Eu também já fiz isto”. É, é comum dos meninos!
Havia um meio muro que nos escondia do monte feito pela palhada. Ficávamos sentados na calçada, em conversas de moleques esperando o momento de, todos juntos, levantarmos e mirarmos no bando de rolinhas que se assentavam em busca das quireras. Enquanto sentado, costumava pegar um punhado de castelos na mão e escolher o que me parecia melhor. Você já deve ter observado o tenista quando, antes do saque, recebe algumas bolas e sempre faz opção por descarte após análise das mesmas. Com certeza este hábito começou por um antigo tenista que, na infância, usava estilingue; só pode ser esta a razão! Eu fazia isto todas as vezes que me preparava para atirar. Nos bons dias cada um levava seis ou mais rolinhas para casa.
Em casa é que acabou não dando certo. As rolinhas, muito pequenas, davam um trabalhão para mamãe preparar. Nas primeiras vezes, foi tudo bem, ela preparava com especial carinho e caprichava no tempero. O tempo e o tamanho das rolinhas, menores que uma codorna, davam tanto trabalho que mamãe me fez entender que não compensava.
Quando disse acima que íamos caçar, era o que acontecia. Não percebia o matar, pois a finalidade era comer.

Depois disto mudei pra pescaria. É outra história.


*Embornal - Sacola confeccionada em tecido grosso (lona,mescla,brim),com alças laterais do mesmo tecido, usada à tira-colo.

domingo, 15 de novembro de 2015

SOLIDARIEDADE

É fácil ver como nós, os brasileiros, somo solidários. Na verdade, todos os povos são assim: solidários. É ver a farta menção aos atentados ocorridos na França nas marcas da bandeira francesa em inúmeros perfis do FB em todo o mundo. Assim como os que marcaram a bandeira francesa, sou solidário na dor e desespero porque passam neste País amigo: a França.

PARA PENSARMOS

Informação deste site: http://www.cartacapital.com.br/sociedade/violencia-brasil-mata-82-jovens-por-dia-5716.html
Homicídios
Violência: Brasil mata 82 jovens por dia (POR DIA, ou seja, TODO DIA).
Eles foram vítimas de 30.000 assassinatos em 2012; do total de mortes, 77% eram negros, o que denuncia um genocídio silenciado de jovens negros, afirma Atila Roque, da Anistia Internacional.
Deveríamos montar uma tarja que mostrasse este absurdo, acima, que fica esquecido, visto que nem é lembrado, na nossa preocupação e solidariedade com o que acontece no mundo.

Quem sabe, jogar um pouco da lama e das mortes na tragédia das Minas Gerais em nossos perfis.

Lama esta que vem escorrendo desde Brasília por todo o Brasil.

sábado, 14 de novembro de 2015

LIÇÃO

Poema do meu livro “LIMITAÇÕES”

Pergunta a professora
ao pequenino José:
- Entre abstrato e concreto
o amor, menino, o que é?

Todo faceiro o pequeno
que nada tinha de quieto
responde àquela questão:
- Oras, o amor é concreto!

- Meu Deus! - aflige-se a mestra -
do que adiantou explicar?
Concreto é algo palpável,
é o que se pode pegar!

- Eu sei, professora, eu sei,
foi isso que respondi;
se existe algo concreto
mais que o Amor, nunca vi.



sexta-feira, 13 de novembro de 2015

A CRISTALEIRA (Abril/1985)

Em cima e dentro da cristaleira estavam todas as porcelanas que acompanharam a sua vida. Cada peça era uma lembrança. Oitenta anos era tempo suficiente para juntar tantas coisas e para que estas mesmas coisas tivessem o valor que tinham. Sentada em sua cadeira preferida, olhava aquelas relíquias que a rodeavam. A solidão de sua velhice era espantada pelas xícaras, *camafeus, vasinhos e tantos outros objetos guardados. Cada dia ela se detinha em uma daquelas peças e repassava os acontecimentos que trouxera aquela lembrança. As vezes, custava encontrar o fio da meada, havia passado tanto tempo... Alfredo, sim fora o seu querido Alfredo quem trouxera aquele **solitário chinês no segundo aniversário de casamento. Ele entrara em casa com um pequeno embrulho e um botão de rosa. Ela havia desembrulhado com cuidado o presente, gozando todo o minuto que antecedia a surpresa; peculiaridade constante de sua vida. Jamais se apressava em descobrir nada. Nunca! Aproveitava para imaginar, sonhar... Jamais quis nada mais do que estava embrulhado ou destinado para si, apenas precisava sonhar. Tinha consigo que, no dia em que não se lembrasse de mais nada morreria ou estaria para morrer; assim, como se fora o seu trabalho, a cada dia, um dos objetos era focalizado, como o solitário chinês.
Hoje, ela se levantou mais cedo que de costume, foi até o fogão e preparou um chá como nos últimos trinta anos. Sentou-se em sua cadeira, ajeitou o chalé em suas costas, pegou a xícara de chá e sorveu um gole. Não olhava agora para nenhum objeto e sim para a ***cristaleira. Toda trabalhada e entalhada com cristais lapidados a mão. Seu rosto mostrava perplexidade, fazia um esforço enorme enquanto olhava aquela peça feita por mãos tão habilidosas. Seu rosto, cheio de rugas, neste instante de apreensão deformou-se mais ainda. Não conseguia lembrar-se de como adquirira a cristaleira. Esta cristaleira... Seis horas da tarde, num gesto mecânico tomou o terço em suas mãos e... ainda bem, das orações ela não se esquecera; desfiou o rosário movendo os lábios sem emitir som.
Esta cristaleira... Dormiu.
Seu sono foi agitado, nervoso. Quando pela manhã entrou a primeira ****réstia de luz sala adentro, seu semblante estava calmo. Havia um *****halo de luz em seu rosto, como se ela soubesse de tudo.
Seus olhos estavam fixos na cristaleira.


*Camafeu  - (do latim Cammaeus, que significa pedra esculpida) é uma técnica de escultura usada em jóias de modo a formar uma figura em relevo (em oposição a entalhe) tirando partido da existência de camadas sobrepostas de cores diferentes. Tradicionalmente essa técnica é feita em broches e pingentes.
**Solitário – vaso feito para uma única flor.
***Cristaleira - s.f. Espécie de armário envidraçado em que se guardam e exibem os cristais e louças.
****Réstia - s.f. - Feixe de luz que passa através de um orifício ou abertura estreita.
*****Halo - s.m. Círculo de luz. Auréola de luz que aparece sobre a cabeça de uma pessoa santificada ou de uma imagem sagrada.


quinta-feira, 12 de novembro de 2015

TRISTE (Fev/1988)

Sentado no tronco do imenso jacarandá, à beira da estradinha, num ermo qualquer deste Brasil interior, aquele homem ficava pitando seu “palheiro” a cogitar porquês.
A sua volta, a mata afogava seus pensamentos que se limitavam àquelas paragens; tudo era monotonia, assim como fora toda sua vida. Não seria aquele dia diferente dos outros. Porque seria? Passou correndo um *tiú enorme, que espantou uma codorna, que voou.
Há cinquenta ou sessenta anos, vinha alisando aquela raiz que rompera a terra. Em um canto, entre duas raízes, amontoavam-se as cinzas do seu cigarro e as nuvens que cobriam a copa do jacarandá eram carregadas de fumo de corda.
Pior que o barulho do silêncio, maior que sua melancolia, só mesmo o arrastado longo e cansativo de uma vida assim. Mãos grosseiras de lavrar a terra; onde estava a glória dos homens da terra? Aquelas mãos que mal se abriam, estavam endurecidas como o tronco daquela árvore. Era mais um granito que um homem, impenetrável. O que pensar do amor na vida desta criatura? Poderia ser o companheiro que o olhava quieto, deitado sobre as folhas: seu cachorro. Não era um cachorro com aptidões como tantos, mal latia; era, quando muito, a sombra de seu dono; era isto:sempre a sombra.
Este homem não se casou porque o tempo não deixara. Sua intimidade era só sua.
Olhava um pedaço de céu que aparecia entre as copas das árvores, mas era tão vago o seu olhar, que deixava a impressão que fora talhado ali, olhando para cima, que nunca baixaria a cabeça.
Ele se perdera do mundo por ali. Será que tinha alguém da família vivo? Que família? Afinal ele nem bem entendia a razão dos ninhos dos pássaros.
O destino de cada homem, queiramos ou não, já foi traçado. Este homem não tinha sido feliz com o seu. Nasceu de uma família na qual a luta era o direito à vida, assim mesmo, direito a um inferno de vida. Sua mãe era como o musgo das árvores, que adere a um tronco e ali fica; o pai, rústico como o próprio lugar em que viviam, resumia seus conhecimentos na própria sobrevivência. E só nisso. Nunca ouvira mais que duas palavras trocadas entre eles, tudo era subentendido, tudo era tão difícil...
Um dia, mal feito os quinze anos, pegou sua muda de roupa e o único bem que possuíra: um canivete; foi ganhar a vida, ou perder, quem sabe...?! Existe dentro da necessidade um acordo explícito, como entre os animais, quando o pássaro voa: adeus!
Nenhuma ansiedade ou sentimento o comoveu, sabia sim que tinha de ir; assim como as águas tem que correr, como a fumaça tem que subir, como a vida tem que acabar, partiu.
O vigor do sol se acabava, entardecia, num gesto mecânico tirou do bolso da calça um pedaço de fumo e o canivete. Começou a picar o fumo lentamente tirando pequenas fatias que jogava na mão esquerda. Era um ritual, havia uma mística naqueles gestos. Esmagou o fumo entre as mãos calosas e endurecidas que se encaixavam como engrenagens. Já havia separado um pedaço de palha de milho, acomodou o fumo ao longo da palha, enrolou, e molhou-a de saliva completando. Do bolso pequeno da calça tirou a **“binga” e acendeu; deu uma baforada, mais uma e estava aceso. Pressa é coisa da cidade. A cada tragada, com o dedo mínimo ele coçava a cinza.
Tantas vezes sentira sua vida subindo junto aos rolos de fumaça, tanta decepção tivera ao ver que continuava ali.
Seu cachorro “Peralta”, que se mantinha quieto o tempo todo, levantou as orelhas lentamente pressentindo algo: vinha alguém.
No rosto, o homem desenhou algo parecido com um sorriso. Tinha-se a impressão que dentro dele tudo se agitava; enfim, aquela sensação de desespero iria se acabar. Ajeitou-se melhor em cima do tronco, cuspiu e aguardou. Quanto mais se aproximava o desconhecido, mais se agitava o pobre homem. Dava tratos à bola: o quê dizer? Fazia-lhe mal o esforço para concatenar as ideias. Conversar era tão difícil...

- Tarrrrde...!


*Tiú – uma espécie de lagarto grande.
**Binga – isqueiro

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

VOVÓ LILI II

Minha avó foi uma das pessoas mais encantadoras que conheci. Além disto, era a distração em pessoa causando a meu avô, Vidal, alguns constrangimentos que, depois do fato, tornavam-se *hilários. Um deles foi este que segue.
Certo dia, vovô e vovó receberam a visita de amigos. A conversa estava boa e foi se estendo até tarde da noite com mais de uma coada de café com biscoitos. Pelo adiantado da hora vovó estava sentindo-se cansada.
Vovô tinha uma cadeira de balanço onde se instalava e permanecia. Diferente de vovó, vovô era mais calado, bastante **sisudo. Em determinado momento, vovó se achegou, sentou-se em seu colo e disse carinhosa:
- Vidal, está ficando tarde, acho que temos que ir!
Vovô respondeu desconcertado:
- Lili, estamos em casa!
Desnecessário dizer que houve um silêncio dolorido e os amigos, sem outra atitude possível, despediram-se.
Hoje, rimos do acontecido!


*Hilário - adj. - Que incita o riso; que é engraçado; que causa alegria; hilariante.
**Sisudo - adj. - Circunspecto; que demonstra seriedade: aspecto sisudo.

terça-feira, 10 de novembro de 2015

CUMPLICIDADE

Fim de tarde. Dia quente e cheio de trabalho. Pensei em finalizar o calor e o trabalho com uma boa cerveja. Sentado, saboreando cada gole, reparei no casal de idade que caminhava de mãos dadas. Lentamente. Vinham pela calçada em minha direção. Percebia que a conversa era animada entrecortada por pequenos sorrisos. Ela se apoiava em seus braços por segurança; ele a apoiava, nunca fora diferente. Aqueles dois estavam trazendo descanso ao meu espírito já que o corpo ainda estava cansado. Fiquei observando pequenos detalhes e os gestos atenciosos de ambos. A tranquilidade de um casal que viveu um para o outro. A cumplicidade flagrante! Um exemplo naquele fim de tarde desta Primavera quente.
O sol caindo no horizonte espalhava suas sombras pelo chão.

Fez-me lembrar de um poeminho que fiz há mais de 20 anos:

COMO SOMBRAS

Somos como sombras,
longas sombras da tarde,
espreguiçando gostoso
por sobre o morno da rua...
a minha sombra e a sua.


segunda-feira, 9 de novembro de 2015

SEJA LUZ

Poema do meu livro “LIMITAÇÕES”

Seja luz a todo momento.
Uma luz fraca, mediana
não importa.
Importa iluminar.
Não seja sombra ou penumbra
por onde andam os fantasmas.
É mais difícil ser luz
muito mais fácil ser sombra.

domingo, 8 de novembro de 2015

PELAS TABELAS

- Morreram 200 pessoas afogadas fugindo das guerras na Síria.
- Estou precisando trocar de carro! – disse o amigo
- Os que se salvaram estão tentando entrar na Europa e encontram dificuldades de todo tipo.
- Veja você, já está com quatro anos e ando com medo de ficar na rua. – acrescenta o amigo
- Não bastasse isto, neste momento é frio por lá e estão em grande número em acampamentos sem proteção. Isto quando tem algum acampamento disponível. Crianças morrendo todos os dias.
- É complicado, com desemprego beirando a porta de casa, meu carro com 70.000 km. O quê faço? É a minha ferramenta de trabalho! – replica o amigo.
- Estou falando de pessoas que morreram e estão morrendo todos os dias!
- Pô Osvaldinho, e eu estou falando do meu carro e você vem com este assunto de guerra do outro lado do mundo!
- É que estou incomodado e com medo. Quando uma situação como esta chegar próximo de nós e estivermos preocupados com o carro, o Carnaval, o Ano Novo. Estou realmente preocupado! Com medo de nossa visão estar apenas no contorno do nosso umbigo. Quando nos tornamos perigosamente omissos em relação ao nosso País. É assim que vamos perdendo o que temos de mais valioso: a nossa liberdade.
- Osvaldinho, surtou meu amigo? Não estamos em guerra!
- Sei não! Sei não!

sábado, 7 de novembro de 2015

PEGA LEVE

- Afinal, o quê você está pensando da vida?
- Oh pai, pega leve!
- Como pegar leve se o “senhor” se jogou na piscina com o smartphone que te dei semana passada! Sabe quanto custou?
- É que eu fui salvar a Camilinha, ela estava se afogando.
- Meu filho, a Camilinha é campeã de natação, que conversa é esta!
- Como é que vou saber?
- Bom se você assistisse televisão ou lesse jornais saberia! Mais um pequeno detalhe que lhe escapa: ELA É SUA IRMÃ! – esbraveja o pai.

Conectado com o MUNDO, desconectado em casa. A realidade atual é mais ou menos isto. Seria cômico não fosse triste.

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

PARA ELE E PARA ELA

- Que dia é hoje Carlinhos?
- Sexta feira minha linda!
- Porque minha linda?
- Uai, é assim que te vejo!
- Mas você nunca diz isso!
- Se não digo sempre é pra valorizar a palavra “minha linda”!
- Tem alguma coisa errada? – pergunta a “linda”
- Claro que não! – responde Carlinhos tomando um café.
- Tem sim.  Tenho certeza que tem!
- Não tem não meu amor.
- Que meu amor?
- Você!!!
- Com certeza tem algo errado!
Carlinhos acabou seu café, deu um beijo na esposa ao sair para o trabalho.
- Que beijo foi este?
- Como assim? - estranhou Carlinhos
- Sei lá...diferente!
- É o meu beijo de hoje. –disse completando – Tenho de ir querida, estou bem atrasado.
- Querida, oh meu Deus! – resmungou ela.
- Tchau!
Ele foi embora alegre, pois vira o teste de gravidez positivo da esposa e não estava se aguentando pelo fato de ser pai. Como sua esposa não havia feito nenhum comentário imaginou que ela poderia estar esperando um momento adequado para falar da “surpresa” assim, evitou falar sobre o assunto. Evitou falar, mas as demonstrações eram de puro encantamento.
Ela, sabendo que a situação financeira dos dois não era lá grande coisa, ficou preocupada com o teste de gravidez positivo que fizera no dia anterior. Mais preocupada ainda com a atitude “excessivamente” carinhosa do marido.

Resultado da manhã:

Para ele, chegando ao serviço: “Pessoal, charuto pra todo mundo, vou ser pai!!!”

Para ela, chorando, em ligação para a melhor amiga: “Odete, o Carlinhos está me traindo e estou grávida!”.

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

CRÔNICA

Do meu livro “LIMITAÇÕES”

Ouvi nas matas pancadas abafadas pela vegetação. Era um lenhador. Sem camisa, empunhando o machado, lutava há horas com aquele tronco. Talvez...não, com certeza, naquelas bandas era a mais linda árvore; a mais forte, alta e soberba. A lâmina, cada vez que descia impulsionada por aqueles braços fortes, arrancava do tronco um gemido. Estalava a madeira sendo rasgada, condenada que estava. Parecendo incansável, o lenhador batia e, a velha árvore, como se fosse o último soldado de um exército, resistia; até que...já quase trespassado o tronco, a árvore começou a ceder, primeiro lentamente, estalando a madeira como se fossem uivos de dor, depois...um alvoroço, os galhos de sua copa se quebrando ao bater em outras árvores, a folhagem se rasgando. A seiva que saia da ferida enorme, respingou na mão do lenhador, quando o tronco bateu violentamente no chão. Ele sentiu aquela gota e observou que ela saia de entre a casca e o tronco; deu-se conta do que fizera e foi se afastando sentindo no ar, estranhamente, o cheiro de sangue.

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

FÉ - A FERRAMENTA

Os cabelos muito brancos e bem penteados davam realce aquela senhorinha que descia do táxi. A maquiagem discreta e bem feita mostrava que tinha uma boa condição social. Suas roupas sem serem chamativas, eram elegantes e, assim sendo: finas e discretas. Cores claras e tecidos leves embelezavam sua idade. A sua frente estava a imponente Catedral de São Sebastião. Com passos muito lentos, *claudicando, subia os degraus que davam acesso a entrada principal. Percebiam-se mudanças em suas feições a cada degrau vencido, mostrando o esforço que fazia. Em sua mão direita uma pequena bengala, delicada como a dona, servia de apoio a cada lance de escada; na outra, um terço que se notava por um pequeno crucifixo solto e pelas contas que davam voltas em sua mão.
Dei tratos a bola para imaginar o porquê da sua presença e pensei: Fé.
Fé, de quem acredita verdadeiramente e de forma incondicional em algo que consegue mover-nos, como no caso desta senhora, e enfrentarmos dores por depositar nesta crença todas as esperanças. Não poderia imaginar se veio em busca de cura ou de suporte para sua dor. Não importa! Ela veio!
Num último relance, vi seu vulto adentrando a igreja e nunca mais a vi.
O meu imaginário (Pois, na realidade, não sabia a razão daquela senhora estar vindo a Igreja) se deve ao fato de que deveríamos todos nós, ter este tipo de suporte em nossas vidas. Por qualquer razão, melhor, por todas as razões independentes da sua crença: Ter Fé.

Fé é aquela ferramenta que remove montanhas. Muito útil!!!

*Claudicando v.i - Coxeando, mancando, andando com dificuldades e puxando de uma perna.

terça-feira, 3 de novembro de 2015

DEPRESSÃO

A depressão em algumas pessoas as torna intoleráveis, amargas, frustradas... Penso que a falta de objetivo, não importa ser simples, seja o causador desta situação. Trazer objetivos a nossa vida, um Norte a alcançar, não permite esta situação depressiva tão comum nos dias de hoje. Pode não ser verdade em alguns casos, mas será útil na maioria deles. É bem simples explicar: se você tem algo a fazer (Seu objetivo) não existirá tempo para depressão.

Você estará ocupado (a)!

Desde quando eram muito pequenos, sempre falo para os meus netos: “Tenham um objetivo nas suas vidas, mirem todas as suas atividades para alcançá-lo e mais, não permitam que nada ou ninguém tirem a sua atenção deste foco. É a única maneira de se conseguir alcançar algo!!!”.
Quem está ocupado pode ficar cansado, preocupado, tenso e, quem sabe, nervoso algumas vezes, mas... não terá tempo para a depressão.

A depressão é um desvio emocional que pode ter um caminho de volta bastante difícil.

Evite! Tenha uma atividade, um objetivo!  

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

DOS DIREITOS

Para chegar em casa, tenho de passar por um trecho de terra, maior neste momento, pois estão fazendo uma reforma no calçamento do condomínio. Como as pessoas não diminuem a marcha dos veículos, o pó é inevitável. Fecho os vidros do carro e, pelo fato de não possuir ar condicionado, vou administrando o calor destes dias “quentes com vidro aberto”. Se houvesse consenso nas atitudes, muitas coisas que nos incomodam não aconteceriam, desde as muito pequenas até aos ruídos de 200 decibéis que algumas pessoas nos impõem em desrespeito as leis do silêncio. Todos sabem que o limite é de 80dB mas...Assim é!
No trato pessoal também temos que nos ater aos limites que certas barreiras naturais nos posicionam como: “Os meus direitos acabam onde começam os seus”.

Se atendêssemos a este pequeno quesito tudo seria melhor!

NO DIA DE FINADOS


Poema do meu livro “LIMITAÇÕES”

Hoje é o dia de finados,
dos mortos
e dos desaparecidos.
Neste dia triste de morte,
o cemitério se enfeita
e suas ruas se enchem,
cheirando a vela e flor.
Com o odor de finados e não de velório
transcorre todo o dia.
Vai sendo aspergida a água benta
que molha as orações
e as crianças.
Da morte, elas nada entendem,
da vida, nada entendem os homens.

domingo, 1 de novembro de 2015

BONSAI

Ele era um bonsaísta de certa idade que, por vezes, esquecia a regra nº1: PACIÊNCIA. Não por maldade ou querer agredir apenas uma pequena porção mordaz do seu “eu” interior que aflorava contundente. Quando este lado irônico se mostrava, as pessoas que não o conheciam, enxergavam uma pessoa quase maldosa. Eu apenas sorria, pois com o tempo, todos acabavam percebendo que havia até um pouco de humor nos seus comentários ou respostas ardidas. Não foi diferente no dia em que estávamos em grupo trabalhando e um dos novatos resolveu fazer a pergunta que detonou o “gatilho” do meu amigo:

- Como se matam as formigas que aparecem no meu bonsai?
Meu amigo atirou sem pensar:

- Compra um tamanduá meu filho, compra um tamanduá!