quinta-feira, 27 de julho de 2017

O QUE NÃO VEMOS (2)

O que não vemos todos os dias porque não temos tempo de olhar.

Tem sempre a nossa volta um instante ímpar, inigualável, perdido dos nossos olhos embora ao nosso alcance. Perdemos a aventura comum de todos os dias. Estes flashes que trariam luz e sorrisos estarão perdidos no descaso por nossa ocupação diária, nosso foco neste momento é outro. Infelizmente!

- Não tenho tempo para perder!

Perder é o que se consegue, ao não ver o que deve ser visto. Aquele segundo de espanto, doçura e encantamento em nossa vida. Não é necessário tanto tempo para gravarmos um momento mágico e inesquecível. Precisamos estar conectados à nossa volta. O segundo inesquecível: este é na maioria das vezes o tempo. Acontece o dia todo, a toda hora.

Existe um lago próximo da minha casa que recebe vez por outra a visita de umas garças brancas. Não me lembro de vê-las chegando em direção ao lago, mas vi muitas vezes o seu retorno ao final da tarde. Na verdade não sei pra onde vão. Devem ter um dormitório em algum outro recanto. Em um destes dias, um momento especial aconteceu. Uma garça solitária carregava em seu bico uma cobra de pequeno porte. Acima dela, bem mais alto, estava um gavião conhecido como carcará que, fechando as asas, voou em sua direção rapidamente. Era uma flecha com mira perfeita. A garça, percebendo o gavião, soltou a cobra para ter mais velocidade. O gavião continuou em sua descida célere rumo à pequena cobra e a apanhou em pleno voo. Fiquei boquiaberto! Não creio que a cena se repetirá.

Meu instante de encantamento completou-se. Eu vi!

Se estivermos olhando, ouvindo, seremos surpreendidos. A nossa volta os acontecimentos vão se apresentando.

- Não perca!

Assim estes momentos darão a você uma sensação de exclusividade. Definitivamente: “Única!”.


quarta-feira, 26 de julho de 2017

NA PRAIA (2)

Os ventos vindos do mar durante a manhã balançavam o cabelo da moça que, sentada, apreciava o movimento das ondas. Segurava os joelhos próximos ao queixo para se abrigar destes ventos marinhos. O sol já estava aquecendo e queimando sua pele bronzeada e untada com protetor solar. O barulho das ondas não conseguia distrair as lembranças que a incomodavam insistentemente. Viera cedo para pensar um pouco sobre a vida: a sua vida. Parecia que tudo desmoronava ao seu redor.

- Bom dia senhorita!

- Bom dia! – respondeu sem ao menos olhar quem seria.

Não estava em seu projeto matinal conversar com quem quer que fosse imbuída que estava em pensamentos.

- Que bela manhã, não? – completou.

Ela se fez de distraída não dando atenção, mas nosso amigo era a simpatia em pessoa. Deveria ter por volta de setenta e cinco anos, cabelos muito brancos, estatura média e magro. Tinha a cara daquelas pessoas que cativam de imediato. Ele insistiu:

- Parece que madrugamos?

- Desculpe-me – disse ela – como?

- Eu disse que madrugamos. Aliás, é muito bom, aproveitamos estas belezas particularmente, com a exclusividade destes momentos.

- É verdade! – seu tom de voz mostrava a sua tristeza.

- Me perdoe à intromissão, sinto que você está magoada ou triste demais para uma praia ensolarada. – sua voz era grave, mas agradável - Devo confessar a você que já me senti assim há mais ou menos três anos atrás. Foi quando perdi minha Beth. Vínhamos a esta praia todos os dias, pois sempre moramos aqui perto. Ela era apaixonada por este mar. O tempo está me ajudando a superar a falta que ela me faz. A separação, quando amamos de verdade, é dolorida.

- Eu sei! – ela respondeu.

- Quando não temos mais como recuperar quem amamos, nos resta aceitar mesmo que seja amarga a receita. Agora, muitas vezes perdemos alguém por opção ou por falta de percepção. Nestes casos a dor é desnecessária.

Ela ficou olhando para ele perdida em pensamentos. Por que estava ali sozinha? Parece que alguma coisa dentro dela se agitava, revolvia. Seu rosto foi perdendo aquele ar de tristeza. Olhou com simpatia para aquele homem que conseguira abrir seu coração e desanuviar seu rosto. Por que estava ali? Pra que estar ali sozinha? Não havia razão ou sentido para isto. Pensou consigo mesma: “Será que ainda dá tempo de corrigir o que fiz?”. Pegou sua bolsa, toalha, esteira, juntou tudo e se levantou perguntando:

- Eu já lhe disse meu nome?

- Não, ainda não! – responde.

- Meu nome é Laura.

- Muito prazer Laura, o meu é Sandro.

- Obrigada por suas palavras Sandro, preciso voltar agora mesmo

porque tenho a opção para ser feliz e não quero perdê-la.

- Então vá logo Laura e tenha um bom dia!

Sandro acomodou-se na areia pensando: “Beth querida, acredito que acabamos de ajudar esta moça a ser feliz!”.

Sorriu.


terça-feira, 25 de julho de 2017

DO OUTRO LADO DA CORDA (2)

Dependendo do que fizemos da vida, algumas respostas às nossas atitudes serão terríveis. Difícil de aceitar embora seja mais comum do que parece. Acomodar uma situação depois de feita é como colar uma porcelana que quebramos. Parecerá igual, mas a cola atrapalha. Os pedaços quebrados saltarão aos olhos a todo momento. A cola é o problema ou os cacos?

Os dois!

A cola e os cacos são as discussões que acontecerão. Serão pedaços quebrados tentando ajuntar-se. Complicado!

Acredito que perdoar seja possível a todos nós; esquecer, penso que seja impossível. O perdão foi dado, mas a memória fica. Não temos a tecla deletar acessível. Por esta razão melhor não ter que ser perdoado, melhor não quebrar o relacionamento. Na verdade, não importa o grau do relacionamento quando quebramos a união que existia, fica a memória.

Maldita memória!

Assim é a vida. Quando aderimos a uma união, não importando o grau de relacionamento, nos amarramos a alguém como suporte mútuo. Para não cairmos e, principalmente, para que o outro não caia. Cortada a corda não temos como ajudar nem ser ajudados. Rompeu-se o elo.

- Podemos dar um nó!

- É verdade, mas teremos um nó no meio do caminho. Um nó que lembra o que se rompeu.

O alpinista usa a corda para ter segurança. Dependendo da situação, quando a corda se rompe, alguém pode morrer.

Assim, não adianta puxar a corda quando não há nada do outro lado. O que estava preso se foi. Seja quem for.



segunda-feira, 24 de julho de 2017

A CAMINHO DO BREJO (2)

Em torno de nós, o tempo todo encontramos pessoas negativas. Pessoas que travam e atrapalham. Que não ajudam porque obstruem tudo. Não existe acordo. São colaboradoras do slogan: “Quanto pior melhor!”. E mais, não se importam que sobre para os mais íntimos.

Livre-se desta pessoa!

São muitas?

Vá se livrando aos poucos, elas acabarão e você encontrará uma possibilidade enorme de viver bem. Possibilidade sim, pois além das dificuldades que a vida nos apresenta no dia-a-dia é totalmente desnecessário suportar estes incômodos em forma de gente. O problema fica mais grave quando o inimigo mora ao lado. Quando se percebe que o caráter é duvidoso, a integridade não faz parte e a dignidade não interessa. Aí o autocontrole caminha para o brejo. Um sinal de alerta que está visível não será perceptível.

Fiquem atentos!

Pessoas que não somam porque não fazem questão ou fazem questão de não somar porque isto é o que são. Não conseguem entender diferente. Fazem outros de escada (Falei há algum tempo sobre isto.) e aparecem.

Estas pessoas não prosperarão, são mesquinhas! Só prospera quem age.

Fiquem longe!


sábado, 22 de julho de 2017

IMUTÁVEL (2)

Deixe que os elos se quebrem
que os elos se quebrarão,
que essa corrente que somos
se desgastaram no amor.

Difícil compreender
porque quebrar a corrente,
mas minha lembrança acode...
somos pedaços de elos.

Ainda que machucados,
quando já machucamos,
libertados libertamos
os nossos filhos também.

Não sei que dores sofreram
meus pais meus elos antigos,
sei que meus filhos agora
partem os elos de dor
porque terão de partir.


sexta-feira, 21 de julho de 2017

INCOMPREENSÍVEL (2)

Sinto um vazio à minha volta
como um arvoredo sem árvores
ou a angústia de quem parte.
Este vazio desesperançado
do condenado à morte.
Somente Deus
onipotente
para fazer do oco e do vazio
esta terra enorme!
E somente nós, para fazê-la
tão cheia de solidão...
E gente.


quinta-feira, 20 de julho de 2017

POEMA FRATERNO (2)

Para João Pedro Palmiéri 
Quantas ofertas foram feitas a Deus. 
As dores, os medos.
Mesmo com Deus por perto,
quanto medo, meu Deus!
( Cumpra-se em mim Sua vontade )
Pelos pisos frios do hospital,
tantos amigos passaram.
Tantos, que suas paredes e portas
se impregnaram de orações.
Deus foi incomodado pelo amor
dos seus amigos
e os ouviu,
e os atendeu.
Com alívio para nós e para Ele,
as notícias eram melhores
e assim foram a cada dia,
porque o Amor derrota diagnósticos.
Que o nosso amor se estenda além de você, amigo,
a quem é fácil querer, pois
enquanto evangelista, és João,
enquanto apóstolo, és Pedro,
enquanto amigo: Palmiéri.



quarta-feira, 19 de julho de 2017

VELHOS PAPÉIS (2)

Na luz mortiça do abajur
diluem-se os meus pensamentos.
E nesta noite calma,
revejo os meus amores.
Amarelados como esta luz,
parados como esta noite,
tristes como eu.


terça-feira, 18 de julho de 2017

PRESENTE (2)

Encherei uma cesta de estrelas
e a dois querubins vou pedir
que bem rápido entreguem a você,
as estrelas ainda maduras,
quentinhas,
do calor do sol que até tarde ficou
neste final de Verão.


segunda-feira, 17 de julho de 2017

DECLARADA (2)

Ah! vou entregar-te o mundo.
Sim, eu vou!
Escolhe o que quiseres
pois, se sou o mais feliz dos homens,
serás assim entre as mulheres.
E o mundo...o Universo todo
eu lhe darei,
tão fácil é satisfazê-la.
Mas...como dar-te um astro, o sol,
se o Universo todo a quer como uma estrela?
Assim mesmo amor,
pede que te atenderei.
Escolhe o que quiseres
pois, se sou o mais feliz dos homens,
serás assim entre as mulheres.