domingo, 25 de setembro de 2016

A CARLOS DRUMOND DE ANDRADE

Tal raiz profunda penetrava as palavras. Delas, extraia toda seiva, todo sumo e as fazia fruto.



Quem há de querer pedir-me
que não chore, não lamente?
Tantas palavras serão,
com a perda de Drumond,
esquecidas mortalmente.

Sendo assim ficarão sós,
as palavras que ele usava,
o sentido tão profundo.
Quem perde agora é o mundo,
com Drumond morre a palavra.

Não todas, é claro, não!
Imitá-lo, quem há de?
Itabira silencia...
um nome o vento trazia
de Carlos Drumond de Andrade.

Foto UFRGS.BR

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

FIM DE TARDE

Galopavam em retirada
os raios de sol,
E o seu tropel,
na terra macia da planície,
acordou meu interesse.
Ficava por um instante no ar
aquela poeira luminosa.


segunda-feira, 19 de setembro de 2016

TEMPO DO AMOR

Bebida leve o amor que se inicia,
O amor que mostra pleno a sua face,
Com calma este amor que aparece um dia
Como se por toda vida o chamasse.

Mas o amor, bem sabes, é silencioso
Tem o afago de uma suave brisa
É vento calmo, vento venturoso,
Que chega manso, quieto e nunca avisa.

Como saber por quanto tempo dura
O amor que quando chega é só doçura
E será sempre assim quando começa.

Só ofereça o que possa compartir
Prometa apenas o que vai cumprir
Tem o amor o tamanho da promessa


sábado, 17 de setembro de 2016

DOR

Se um dia, este medonho monstro
Que me prende e assusta
Fosse embora,
Já nem sei como seria.
Fui tão preso,
Tão encarcerado,
Que a liberdade me sufocaria.
Perderia a minha identidade,
Fugiria do que sempre fui.
Assim, sem luta,
Seria o meu viver:
Glacial, parado, enfadonho.
Se fosse embora quem me prende e
Assusta...
Este monstro medonho.


quinta-feira, 15 de setembro de 2016

LIXEIRA MENTAL

A lixeira do desnecessário mental deveria ser um equipamento de utilidade pública ou divina? Se divina, deveria estar incorporado ao nosso software de nascença, mas não está. Oh! Meu Deus, que falha! Penso que poderíamos ter uma matéria escolar com esta característica, qualquer coisa como: “Análise dos dejetos mentais e sua eliminação precoce”. É muito comum focarmos em assuntos que levam a nada. Tomam o nosso tempo. Criam situações conflitantes. Cansa mentalmente ao que incorpora esta condição e, cansa muito mais, aos que rodeiam esta pessoa. O que eleva ao grau de grandeza extrema, este incomodo alheio, é a forma com que estes dejetos são acrescentados ao nosso dia a dia de forma repetitiva, maçante e, novamente, cansativa. Como não perceber que não se chega a lugar algum com estas situações? Como não sentir o stress que causam estas ocasiões? Parece coisa de sado masoquista: gostar de sofrer e causar sofrimento.

Às vezes vejo estas pessoas como aquele cachorro que corre atrás de um carro latindo enraivecido. Corre desesperado e, depois de muito correr para, bufando e espumando pela boca sem ter conseguido o seu intento.

- Você já viu isto seguramente?

- Já!

- Todo mundo já viu!

E assim, por falta total de entendimento do que acontece se repete... SEMPRE!

No cachorro entendo, nas pessoas não!

Porque algumas pessoas se dedicam a causar este mal a outras? Sim, porque fazem isto?

- Não sei!

Não param para pensar, é o que consigo inferir desta estranha circunstância. Pensar, eis a questão!

Faltou na infância a matéria: “Análise dos dejetos mentais e sua eliminação precoce”.

Vamos ter que aguentar!!!