sábado, 22 de abril de 2017

CONSELHO (2)

Ao te fazer tanto mal
A glória do seu amigo,
É que o teu tempo tu perdes,
Mas não o perdes contigo

Roubas de ti a alegria
Preparas o teu jazigo.
Tudo te deu esta vida
E vives como um mendigo.

Porque não mudas de vez?
Refuta a insensatez.
Escuta! Ouve o que digo!

Esqueça desta morada
Que ela pode fazer, da
Insensatez teu abrigo.


sexta-feira, 21 de abril de 2017

SERÁ? (2)

Quatro imensos cavaleiros
Montados em seus corcéis
Tão grandes como seus donos
Vinham chegando do céu.

Das ferraduras luzentes
Saiam chispas de fogo
Como se o piso do espaço
Por onde eles galopavam
Fosse do mais puro aço.
Era metal com metal
Tinham o som estridente
Como um barulho infernal.

Com armaduras pesadas
Que eram espelhos ao sol
Refletiam luz e ira
Como a ira de um mongol.

Eram quatro cavaleiros
Que transmitiam o medo
Era, enfim, apocalíptico
O apocalipse tão cedo.


quinta-feira, 20 de abril de 2017

TODOS (2)

Como é que vamos ensinar o sentido de algumas palavras se nós mesmos não conseguimos entendê-las. Senão vejamos a palavra: todos.

TODOS - pron.indef.pl. - O número máximo de pessoas; todo mundo: todos votaram a matéria.

Entendido o que significa, vamos fazer uma conferência sobre o termo no Senado e Congresso Nacional, onde “todos” pode significar apenas “alguns”. Está estranhando? É o lugar onde a palavra perde todo o seu sentido. É só verificar as polêmicas votações de assuntos escabrosos, que por aquele plenário trafegam, que vamos conseguir entender a extensão absurda desta palavrinha: “todos”.

É feita uma enquete sobre determinado assunto e os repórteres conseguem, através dela, chegar à conclusão que quase todos são contra o assunto em pauta. Como o assunto é controverso e, porque não, escabroso no seu conteúdo, abertamente todos os deputados serão contra. Eu disse: “todos”, por extensão, a maioria.

Resolvida a questão, vamos à votação do assunto que será feita de forma fechada. Antes da votação, propriamente dita, entra em cena o trabalho dos serviçais do Governo que tem interesse na votação.

Temos que entender que a palavra “todos” não pode estar envolvida com a liberação de crédito para o reduto eleitoral de determinado candidato senão, serão todos menos um. Se o crédito for estendido a muitos deputados, serão “todos” menos alguns.

“Todos” terão votado contra a matéria ainda que o painel de votação indique o contrário: a matéria foi aprovada por maioria.

A palavra “todos” está envolvida em mistérios quando pronunciada no plenário da Câmara dos Deputados ou no Senado Federal.

Do lado de fora do Senado e Câmara, TODOS nós pagamos o pato.



quarta-feira, 19 de abril de 2017

COLHEITA (2)

Cada segundo é imenso no seu conteúdo.
O amor é o conteúdo das horas
No seu limitado tempo.
Passa o tempo limitado ao homem
Na estreita hora de uma vida.
E esta vida, sem tempo, sem conteúdo,
Fica enclausurada.
Faço silêncio quando o tempo passa
Pois adquiri amor ao tempo.
Aprendi a colher do tempo no tempo do Amor.


terça-feira, 18 de abril de 2017

COGUMELO (2)

Apareceu no jardim, do nada. Lá estava aquele miúdo sombrero, branco, pequenas crateras e leves marcas escorridas em variações do marrom. Não devia ter mais que cinco cm de altura. A sua volta mais alguns menores. De onde apareceram? Do nada?

Do nada aparecem às aventuras, os amores, um beijo, um brinde.

Cogumelos?

Sim cogumelos. Afinal, os sapos também tem que ter moradia. É o que diz a lenda.

Fui à busca de informação e vi que o cogumelo aparece através dos esporos, estruturas microscópicas que, levadas pelo vento facilmente, se instalam ao seu bem querer. Irão germinar, crescer e originar novo fungos.
O cogumelo é o nome dado à frutificação de alguns fungos dos filos Basidiomycota e Ascomycota, pertencentes ao Reino Fungi. Tinha conhecimento deste fato com os musgos. Eles também aparecem com os esporos trazidos de algum lugar e se instalam. É fácil observar, em determinadas árvores ou pedras mais à sombra, o seu aparecimento logo após algumas chuvas. Bastam dois dias de chuva e... Pronto, lá estão eles em variações infinitas de verde e texturas. São os esporos, que ficaram da última germinação e que voltam com força e beleza.

A determinação destes pequenos seres, cogumelo e musgo, impressionam. Acreditam no seu destino e, o seu destino é voltar, renascer. Sabem que virá um vento e os levará a lugares desconhecidos onde continuarão sua descendência. Aceitam e acreditam. Simples!

O pequeno cogumelo à minha frente levou meu pensamento a lugares distantes. Deixou-me intrigado. Esta história de renascer...

Seremos cogumelos?


segunda-feira, 17 de abril de 2017

SE NADA RESTA (2)

Quem sabe o que o futuro me reserva
Um pequenino fio de esperança?
Mas, se nem isto receber um dia
O meu viver será tua lembrança.

Eu não pequei, meu Deus, eu não pequei,
Tenho certeza, nada fiz de errado.
Amar demais?! Isto é verdade, amei.
Amar demais foi todo meu pecado.

Como enfrentar a minha dor agora?
Pois a mulher que quero não me ama.
Como apagar a labareda acesa
Meu coração que se desmancha em chama?

Já me tiraram tudo nesta vida
E estou bebendo esta poção amarga.
Leva o que é teu e o que é meu também,
Leva a tua sombra que ela não me larga.


domingo, 16 de abril de 2017

PAPO RETO (2)

- Alô!
- Rê?
- Oi!
- É a Fá!
- Oi Fá, sumida, quais as novidades?
- Você foi à festa da Su?
- Teve festa na Su?
- Claro que teve e bombou!
- Não acredito!
- Podes crer tá na rede.
- Mas eu não fui convidada!
- Nem eu!
- Quem foi?
- Que eu sei foi a Clau, a Di, A Má, a Fer e a Si.
- Até a Clau foi?
- Até ela miga.
- Mas ela tava brigada com a Su.
- Eu sei!
- Alôôôu! O mundo pirou!
- Miga, esquenta não, a Su está sensualizando.
- Cê tá de brinks?
- É, não esquenta vamos trocar uma ideia.
- Demorou!
- Baixa a bola que a gente dá o troco.
- Só!
- Sabe a Má?
- Sei!
- Ela é minha X9 e tem umas fotos que a Su vai pagar um mico geral.
- Põe na mídia Fá, agora!
- Tô teclando, vou desligar aqui e ligar a bomba. Segue no FB, no Instagram e no Twitter.
- Beijo!
- Beijo!

- Mãããe?
- O que é Renata.
- Estou tão feliz hoje.
- Que bom filha, posso saber por quê?
- Sei lá mãe, sei lá! Vamos fazer brigadeiro?


sábado, 15 de abril de 2017

A CICATRIZ (2)

Marca que fica e sempre lembra um acontecimento.

Algumas existirão e nunca serão vista a não ser por nós: as marcas de amores perdidos. Aquelas que poderão doer por tanto tempo que chegamos a pensar em morrer de tanta dor. Na verdade morremos um pouco a cada amor perdido e, incrível contrassenso, conseguimos viver um pouco mais por um amor que nunca viveremos. Coisas do amor e suas indeléveis marcas.

Existe uma coleção de cicatrizes nos corações de todos nós. Alguma ferida que quase nos rasgou o peito um dia. Ah! Estas feridas do amor de todos nós!

E das cicatrizes visíveis, o que falar? Podemos olhar e dizer:

Sobre a cicatriz recente:

- Puxa como incomoda!

Sobre a cicatriz curada:

- Graças a Deus!

Sobre a cicatriz que ainda dói:

- Droga!

Cicatriz que não queremos ver:

- Doutor, vai ficar marca?

Temos que olhar toda cicatriz com o olhar do menino. A ferida, a operação, o tombo, seja o que for, doeu e deixará marcas, mas a cicatriz para o menino será sempre assim:

- Mãe, vai ficar cicatriz?
- Acho que vai.
- Oba!!!



sexta-feira, 14 de abril de 2017

CAMINHOS (2)

A Geraldo Alves Lelis

Será a velhice um fardo?
Restolho da juventude,
Olhos baços, solidão?
O fim da plenitude,
Começo da podridão?

Não!

A velhice é um brinde,
Prêmio maior da vida,
Encontro do homem e Deus.
Pois no último suspiro,
A alma do corpo se arranca
Num parto sem dor nem sangue
E corre como criança
Em dia de tempestade
Pros braços do Criador.


quinta-feira, 13 de abril de 2017

MUSICAL (2)

Ah! Esta música...

Vai cortando em pedaços

Alguma coisa dentro de mim.

Toda música enfim,

Haverá de machucar-me.

Toda melodia que me agrada

É meu algoz.

Não tenho a musicalidade da execução,

Sou a partitura viva que foi mal executada.